10
maio
às 19:00

adriana A chama de Londres está acesa

Spyros Gianottis. Esse é o nome do atleta escolhido para abrir o revezamento com a tocha olímpica de Londres 2012. E ele representa muito bem a união entre a Grécia e o Reino Unido. Filho de mãe inglesa, Spyros nasceu em Liverpool. Mas o pai é grego, por isso ele compete pela Grécia, é o melhor nadador do país. Spyrus seria como o Cielo dos gregos, com uma diferença, ele não é um velocista, nadador de curtas distâncias. É o atual campeâo mundial da maratona aquática, prova de dez quilômetros disputada no mar.

Hoje, ele teve um dia inesquecível. Durante a cerimônia no parque arqueológico de Olympia, onde os gregos criaram a primeira competição esportiva da história há quase três mil anos, coube a Spyros a missão de erguer  a tocha olímpica e receber a chama que pelos próximos 78 dias vai percorrer um longo trajeto até chegar a Londres, no dia da abertura dos jogos. Spyrus correu os primeiros 300 metros dentro do parque de Olympia e depois passou a chama para um morador de Londres.

Ao final da festa, me encontrei com o nadador para uma breve entrevista. Ele contou que cresceu na Grécia, por isso tem as raízes aqui. Mas muitos amigos e parentes estão na Inglaterra. E isso o fez se sentir muito honrado com o convite. "Agradeço a todos que me escolheram porque eles me deram um presente que vou guardar pra vida toda. Nem tenho palavras para descrever o quanto esse momento foi especial para mim", disse o atleta.

Além das boas lembranças do dia e  da tocha que ganhou de presente, Spyros só quer uma honra a mais: a medalha de Ouro em Londres. "É da mesma cor da tocha", brincou. "E vou dar tudo que posso, cem por cento da minha força, pra buscar essa medalha", disse. Ele se apressou pra me contar que conhece o Brasil. Esteve na cidade de Santos em fevereiro para uma competição.

O ritmo intenso de treinamentos e disputas vai seguir até julho, pra tentar conquistar o lugar mais alto do pódio. Mas hoje o dia foi de curtir a fama. Spyros foi cercado por várias pessoas após carregar a tocha de Londres, tirou muitas fotos e deu várias entrevistas. No país que inventou as olimpíadas, esse atleta greco-britânico ajudou a escrever mais um capítulo da história.

Uma bela história, que pode ser resumida num único momento da cerimônia de acendimento da tocha. Ao final do ritual, uma pomba foi solta, instantes antes de Spyros abrir o revezamento. Um gesto simples, apenas pra lembrar que essa festa só existe em tempos de paz.

Foi assim desde o começo. Os povos da Grécia antiga que se dirigiam para Olympia para participar das competições estabeleciam um acordo de paz para que as disputas acontecessem. Que seja sempre assim., na geração de Spyros e de tantas outras que virão.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
9
maio
às 15:34

foto 1024x768 O berço das Olimpíadas

Nesta quinta-feira, a cidade de Olympia, na Grécia, vai contar ao mundo um capítulo importante da história do esporte. Foi neste lugar que surgiu a primeira competição da humanidade - um duelo pra escolher os homens mais fortes e velozes. Para os gregos essa era uma maneira de honrar aos deuses.

Isso foi há muito tempo, quase 800 anos antes de Cristo. Daquela época restam ruínas no parque arqueologico da cidade. E também uma paixão por preservar a memória da Grécia antiga.

A cidadezinha, hoje com mil e 200 moradores, está enfeitada para a grande festa que acontece a cada quatro anos. Amanhã, entre o que restou de templos e palácios, será realizada a cerimônia para acender a chama olímpica. Na mitologia grega o fogo é sagrado e por isso uma chama era mantida acesa durante todas as competições. Daí veio a tradição da tocha olímpica.

O dia foi de muito trabalho no parque. Nossa equipe pode acompanhar o ensaio da cerimônia em frente as ruínas do Templo de Hera e também no estádio olímpico, na verdade um grande campo onde chegavam a se reunir 50 mil pessoas para assistir as disputas dos atletas gregos, os primeiros heróis do esporte. Asssim como nós da Record, equipes de tv de vários países estão na cidade. As 11:30 da manhã, horário da Grécia e madrugada no Brasil, as imagens de Olympia serão enviadas para o mundo inteiro.

A chama - símbolo do esporte - vai percorrer 43 cidades gregas e depois seguirá de avião para a Inglaterra, para o início do revezamento em solo britânico. Mas a primeira tocha do revezamento fica para o museu da cidade que já tem uma bela coleção. Há 76 anos, desde os jogos de Berlim, vem de Olympia a chama que mantém vivo o espírito olímpico.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7


Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
12
abril
às 09:01

foto e1334231411668 Salve simpatia!

Não estava nos meus planos escrever agora sobre a entrevista que fiz essa semana com a campeã olímpica no salto com vara, a russa Yelena Isinbaeva.

Em geral, espero minhas reportagens serem concluídas para depois escrever aqui sobre os bastidores, os detalhes que ficam de fora da matéria que foi ar.

Mas Yelena é rápida. Muito rápida. Assim que nossa entrevista terminou, fui surpreendida pela nossa foto no facebook da atleta. E como tudo que ela faz vira notícia, a repercussão, claro, também foi rápida.

Brinquei com a equipe da comunicação da Record que, além de tudo, Yelena é uma ótima assessora de imprensa. O fato é que gostei muito de poder entrevistá-la. Encontrei a saltadora cheia de disposição, bem humorada, treinando pesado e, ao mesmo tempo, brincando com a nossa câmera. E acho que ela gostou do nosso encontro também. Foi uma conversa de uma hora muito descontraída. Ela falou dos planos para Londres e para o futuro e até falou um pouquinho da vida pessoal, o que em geral não faz nunca.

Os detalhes ficam pra depois. Até porque muitas coisas ela só falou pra gente. Mas faço aqui um agradecimento a Isinbaeva pelo carinho e atenção com que nos recebeu. Foi um trabalho muito agradável.

E, claro, estávamos em Mônaco, a cidade que ela escolheu pra viver para sempre, segundo as palavras da própria atleta.

Tem muito bom gosto essa Isinbaeva.

Link com os bastidores da entrevista.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
26
março
às 14:52

O apartamento dele é suntuoso. Quase mil metros quadrados, de frente para o rio Tâmisa. O prédio parece um navio e o comandante deste barco é um gente boa nato. Nunca havia me encontrado com o zagueiro David Luiz até tocar a campainha da casa dele, bem na hora do almoço. E não foi golpe, não. Na correria, entre uma reportagem e outra, estamos acostumados a só parar pra comer às 17h.

Seria assim naquele dia, não fosse a gentileza do David, que nos esperava para almoçar e com um cardápio especial - escondidinho de carne, picanha recheada, arroz, feijão, farofa... Hum... Foi nosso primeiro legítimo almoço brasileiro depois de um mês em Londres.

ok1 Amizade à primeira vista

As ajudantes dele estavam tímidas, não queriam aparecer na reportagem, mas acabaram contando alguns segredos do craque. Antes de jogos importantes, não pode faltar feijão. Mas agora tem que ser com muito caldo, porque o zagueiro está usando aparelho nos dentes. Não consegue mastigar tudo.

O sorriso de David já é bonito. Mas ele quer dar uma melhoradinha. Sim, o jogador é vaidoso. Não do tipo que tem um monte de cosméticos no banheiro. Mas ele disse que passa um creminho para os famosos cachos. O estilão do cabelo lembra o do jogador de basquete, Anderson Varejão. Os dois não se conhecem, mas frequentemente são comparados. É que os cachos também se tornaram a marca registrada de David Luiz. Em dias de jogos importantes do Chelsea, os torcedores usam uma peruca a la David e fazem a festa no estádio.

Zagueiro, com popularidade de atacante. Amado no Chelsea e agora assediado pelo Barcelona. David não deu dicas se a negociação com o time espanhol pode avançar, mas relembrou os momentos difíceis que passou pra chegar até aqui. O jogador saiu de casa aos 14 anos de idade, foi demitido do São Paulo, passou maus pedaços no América de Minas, dividindo um alojamento com mais de 20 garotos. Chegava a mentir pra mãe, dizendo que estava bem, mesmo quando já não aguentava mais.

A saída foi implorar para jogar no Vitória da Bahia, até que veio o convite do Benfica de Portugal. Era o começo da consagração. De lá pra cá, vieram a fama, o dinheiro e o que ele mais queria: reconhecimento. David diz que muitos não acreditaram que ele tinha um bom futebol pra mostrar. Mas ele sempre acreditou. E conseguiu chegar onde poucos chegam. Sem jamais se deslumbrar. O zagueiro diz que é imensamente grato, por tudo que recebeu da vida. E repete, com frequência: "eu não sou famoso, eu estou. Eu não sou o David Luiz, eu estou".

É por isso que ele recebe uma equipe de TV do Brasil de braços abertos e mesa posta. Tem um jeito leve, bem humorado e, brincando, nos deixou muito à vontade. David realmente nos fez sentir em casa. A reportagem terminou, a prosa seguiu. Saímos de lá depois do entardecer  e com um presente para o fãs do Esporte Fantástico - a camisa do Brasil que ele usou numa partida.

ok Amizade à primeira vista

E eu avisei... Em breve vamos reaparecer para outra entrevista. E vai ser na hora do almoço... Ou do jantar.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
24
março
às 11:49
Tags:

dri ok Quando a derrota se transforma em vitória

Essa semana mostramos no Jornal da Record um momento muito marcante das Olimpíadas de Barcelona, em 1992. Não era uma final, não falamos de um campeão que chegou ao topo do pódio, nem de um recorde quebrado. Falamos de um atleta que chegou em último lugar na corrida dos 400 metros, mas saiu da pista como um grande vitorioso.

O esporte tem momentos assim, especiais demais, e esse foi um deles. Visitamos o ex-corredor britânico, Derek Redmond, e o pai dele, Jim Redmond, numa cidade a cerca de uma hora de Londres. Vinte anos depois eles se lembram do momento que viveram na Espanha como se fosse ontem.

Derek havia acabado de ganhar um campeonato mundial e chegou às Olimpíadas de Barcelona como um dos favoritos ao pódio. Nas duas primeiras eliminatórias terminou em primeiro lugar. E certamente teria vencido a semifinal, não fosse uma surpresa desagradável e dolorosa demais: um músculo da perna se rompeu quando ele corria a toda velocidade.

Médicos e fiscais da prova tentaram pará-lo, levá-lo para uma maca. Mas Derek queria seguir em frente. Na entrevista ele contou que se sentia tão preparado para vencer... programado pra vencer que, mesmo depois de sentir e ouvir o músculo da perna estourar, ainda assim ele imaginava poder correr e vencer. Recebia da própria mente a ordem de seguir em frente e cruzar a linha de chegada.

Só depois de alguns minutos Derek se deu conta de que pra ele a chance da tão sonhada medalha olímpica havia chegado ao fim. O momento de maior tristeza na vida dele, após oito anos de treinamentos. Foi quando o pai de Derek, o senhor Jim, contrariando a prudência, saltando obstáculos e deixando pra trás muitos seguranças, invadiu a pista e alcançou o filho. Naquele momento, era mais um que queria parar Derek para que a lesão na perna não se agravasse.

A imagem do encontro de pai e filho, no meio da pista, é linda. Derek chorava muito mas tinha um pedido a fazer. Um pedido, não. Ele disse que pela primeira vez na vida deu uma ordem ao pai e foi imediatamente obedecido. "Me leve para a raia 5 ". Sim, Derek precisava voltar para a prova. Uma prova que para o mundo já não existia mais. Todos os sete corredores já haviam cruzado a linha... outra prova tinha que começar. Mas Derek tinha uma prova pessoal a cumprir.

Não mais correndo. Foi caminhando, chorando e abraçado ao pai que ele percorreu os 200 metros que ainda faltavam para concluir o percurso. Naquele momento  67 mil pessoas aplaudiam e se emocionavam junto com o atleta machucado e aquele senhor que aparecera para ajudar. Pouquíssimos sabiam se tratar de pai e filho. Mas todo o estádio viveu a emoção daquele momento.

Conversando com Derek ele diz que recebeu do pai o único tipo de amparo que precisava naquele momento - o ombro e palavras de incentivo. Enquanto eles terminavam juntos a prova, o pai dizia:" fique tranquilo, você vai voltar, vai disputar outra olimpíada, ainda poder ser um grande campeão."

As palavras do senhor Jim não se tornaram realidade. Derek se recuperou da lesão na perna, mas pouco depois teve problemas graves no tendão de aquiles e nunca mais voltou a correr. Mas o incentivo do pai deu a ele, no instante de maior dor, a energia que ele precisava pra cruzar a linha.

E assim como as imagens daquele dia, as palavras que ouvi de Derek também são muito emocionantes.

"Para o mundo eu não venci. Eu não cheguei em primeiro lugar, mas para mim já não era uma batalha contra sete corredores numa pista de atletismo. Naquele momento era uma disputa interna, comigo mesmo.

Eu precisava cruzar a linha. Se tivesse parado e me entregado a dor eu nunca seria a pessoa que sou hoje. O horror de ter perdido, de ter abandonado a prova, me assombraria para sempre. Eu saí ferido, doído mas pronto pra seguir a vida. Eu venci minha batalha pessoal", disse.

Não há muito que eu possa escrever depois dessas palavras. O pai de Derek, o senhor Jim, foi convidado para carregar a tocha olímpica no revezamento de Londres. Afinal, a história deles é um símbolo da importância da família para o sucesso no esporte e na vida.

A família Redmond está feliz de poder recontar ao mundo o que viveram em 92. Mas eu queria mesmo que os dois pudessem carregar a tocha olímpica juntos. Quem sabe não será uma surpresa de Londres...

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
7
março
às 09:08

dri 2 ok Hospitalidade brasileira na terra da rainha

Não foi com chá das cinco que acabou o dia. Foi com bolo de fubá - o legítimo - com erva doce. E café, também genuíno, trazido do Brasil pela dona Rose. Ela é a mãe do Sandro Cordeiro, o volante do Tottenham que é considerado nome certo na seleção olímpica do Brasil aqui em Londres. Já passava das seis da tarde, fazia bastante frio e, sabe como é, repórter sempre tem fome quando acaba a entrevista.

Dona Rose me arrastou pra cozinha. E a equipe inteira. Saiu um café das 6, perfeito. Ela, que chama o Sandro de bebezão, vem a Londres a cada dois meses visitar o filho.  E não é visita de beija-flor, não. Fica um mês inteiro. Arruma feijão, café, fubá, erva doce e faz todas as vontades do jogador.

dri 3 ok Hospitalidade brasileira na terra da rainha

E ele é um showman. Divertidíssimo! Adora música sertaneja - tem um irmão que é cantor - e pega o violão pra esquentar a matéria. No quintal da casa, está sempre montada a rede para o futevôlei e um golzinho bem pequeno também está na área. Especialidade de volante não é fazer gol, mas precisando... Sandro faz.

No dia da entrevista com o jogador nossa equipe deu muita sorte. Quem apareceu para visitá-lo foi o Bruno Uvini,  zagueiro que jogava no São Paulo e acaba de chegar ao Tottenham. Ganhamos mais um entrevistado e um bate-bola sensacional. Bola rolando e a entrevista também.

Esse foi o nosso assunto da reportagem especial de ontem do Jornal da Record. Mas no Esporte Fantástico deste sábado você vai ver mais detalhes. Sandro vai soltar a voz.. num tche-tche-tcherererêêê... muito engraçado.

Agora tenho que correr pra terminar o último texto da série do JR, a reportagem de sexta-feira.

E vou terminar do jeito que o Sandro gosta...

Misturando inglês com português. Ele faz isso todo o tempo.  E a expressão que mais usa é essa: "tamo together".

É isso aí...

Estamos juntos!

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
6
março
às 07:10

foto 14 e1331028454104 Londres, linda, Londres

Comecei ontem uma nova fase de trabalho.

Na verdade, ontem foi a estreia ao vivo, no Jornal da Record. Comecei mesmo há quinze dias. Desde que desembarquei na capital inglesa, no dia 20 de fevereiro.

Os primeiros londrinos com quem conversei não entendiam o porquê de deixar o Brasil no meio do carnaval, rumo ao frio que ainda persiste por aqui. Minha resposta é simples: o desafio é bom. Muito bom!

E, apesar de me considerar brasileiríssima, não é o carnaval que me dói deixar. E, sim, marido, família, amigos, a casa que tanto adoro. Mas eles sabem... partir é do meu DNA. Gosto da novidade, do desafio, de tentar.. acertar, mas também errar e aprender. Caminhar sempre. BH-Brasília-SP-NY-Londres. E, incluindo as partidas com retorno breve: Coreia-Japão-Chile-Colômbia-Bolívia-Canadá-Espanha...

A jornada agora é londrina e olímpica. Aprender detalhes de cada esporte, conhecer os atletas, encontrar maneiras de contar as notícias olímpicas de forma interessante, compreensível para todos. E os primeiros dias foram muito intensos – mostrar os preparativos de Londres, contar a história curiosa da cidade que reinventou as olimpíadas, dos esportes criados pelos britânicos.

E, ainda, falar com os craques brasileiros que jogam futebol em times ingleses e estão ansiosos pela convocação. Correr até a capital espanhola para mostrar a preparação da saltadora Maurren Maggi. Concluir a reportagem sobre os nadadores. Claro... Cesar Cielo não poderia faltar. Ufa! Foi difícil, corrido. Tudo isso em apenas 15 dias. Só foi possível pelo empenho de uma equipe espetacular – o cinegrafista Humberto Lima e o produtor Julio Frascino. Sem a força dos meus dois mosqueteiros não iria muito longe.

foto 15 e1331028924869 Londres, linda, Londres

Os primeiros resultados do nosso trabalho você acompanha essa semana no Jornal da Record.

A partir de agora, mergulho integralmente no projeto olímpico da Record, com o espírito esportivo de tentar o meu melhor, como tenho aprendido com meus novos entrevistados... Cielo e cia. Um desafio que termina em agosto, com o final dos jogos. Será uma jornada de muito trabalho, mas também de muito prazer.

Viver a essência do esporte e dessa capital cosmopolita e única. Como eu disse ontem na primeira reportagem da série "Largada Olímpica", não é a maior, nem a mais populosa, nem a mais rica. Mas é Londres, linda, Londres.

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
15
fevereiro
às 12:00

Cesar Cielo deixou o Grand Prix do Missouri mais leve, embora esteja pesado. Explico. Pela primeira vez na carreira dele, Cielo fez um treinamento completo em altitude elevada.

Em San Luis Potosi, México, a mil e novecentos metros de altitude, Cielo pegou pesado na musculação e dentro da piscina.

Foram 21 dias. Cerca de seis horas de treino intenso por dia. O objetivo é submeter o corpo a um esforço além do que normalmente é exigido em baixas altitudes. Com isso, Cielo ganhou um pulmão ainda mais vigoroso - já que respirar a mil e novecentos metros não é tarefa das mais simples.

montagem Bousquet x Cielo: o duelo recomeça em abril

Frederick Bousquet e Cesar Cielo

Também ganhou força e massa muscular mais rapidamente.  Mas, em compensação, perdeu velocidade na hora de cair na piscina. "Está difícil nadar bem", disse Cielo algumas vezes durante o Grand Prix.

Parece estranho, mas nada errado está acontecendo com nosso campeão olímpico. Esse resultado do treinamento em altitude já era esperado. É assim mesmo. Imagine você pegar pesado na musculação por três semanas, ficar meio travado, costas doloridas... e depois cair na piscina e ter que voar baixo? Impossível, não é? Se estava difícil até pra Cesar Cielo...

Bom, mas dificuldade ele combate com mais dor. Ainda mais nadando contra o maior rival, o francês Frederick Bousquet. Na prova em que é o campeão olímpico - os 50 metros livre. Na eliminatória, Cielo ficou atrás de Bousquet. Mas na final virou o jogo e venceu. O tempo ficou longe do recorde de Cesar. Mas não era o que importava naquele momento.

"É uma vitória psicológica importante", disse Cielo. Foi por isso que nas últimas braçadas, desesperado para bater na frente, ele inventou aquele tal nado penteando cabelo que mostramos no Jornal da Record. Braçadas feias, curtas, raspando perto da orelha. Um Cielo desajeitado mas que bateu na frente e saiu da piscina com um sorriso enorme, bem diferente da cara de insatisfeito que tinha após a eliminatória da manhã.

No dia seguinte, os 100 metros livre. Outra vez, achar força onde parecia não existir. Bousquet já não estava no páreo. "Tenho 30 anos e os 100 metros livre já ficaram longos demais pra mim', explicou o francês, bem humorado.

Cielo também não fez o melhor tempo na eliminatória pela manhã. E, na final, perdia a prova mas deu uma arrancada e bateu na frente do canadense, dos americanos e de outros dois brasileiros que estavam no páreo. E depois, uma cena rara. Nenhum um soco na água, nenhuma comemoracão.

Cielo tem 25 anos, o auge da idade para um nadador, mas depois de tanto esforço  foi difícil sair da piscina após a prova dos 100 metros. Ele boiou  por alguns minutos, exausto. Quando saiu, se jogou no chão, de bruços, e ali ficou por mais uns 10 minutos.

Dessa vez, de verdade, ele parecia passar mal.Refeito, explicou: "sabia que ia doer muito, doeu demais mas venci". Para ele era importante começar ganhando a primeira competição do ano contra Bousquet ou qualquer outro adversário.

E o próximo desafio contra o francês será no Rio de Janeiro, no parque aquático Maria Lenk, em abril. Cielo vai nadar pelo Flamengo. Bousquet pelo clube Pinheiros, de São Paulo. O Francês diz que está muito animado com essa próxima disputa. O brasileiro também. Ter um adversário perigoso na raia ao lado faz Cielo achar forças além do que parece humano, pra qualquer um de nós.

No fim do Grand Prix, sentados no hotel pra a última entrevista da rodada, Cielo e eu conversamos sobre isso. Ele diz que está preparado pra perder durante o período de treinamento. Isso faz parte do ciclo olímpico. Mas eu, sinceramente, acho que ele fala isso num momento "Cielo diplomata".

Como nadador ele só quer ver a derrota bem longe da raia dele. Como a  equipe técnica bem sabe, Cielo é do tipo que não gosta de perder nem par ou ímpar.  Bousquet que se prepare...Em abril Cielo estará em outra fase do treinamento. Forte e ainda mais veloz.

Leia mais sobre Cesar Cielo:

Cesar Cielo bate maior rival em "aperitivo" da disputa em Londres

Atletas brasileiros conquistam dez medalhas em competição de natação nos EUA

Veja mais:

+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Digg
  • Facebook
  • Netvibes
11
fevereiro
às 18:18

adriana araujo O mergulho rumo a LondresSete da manhã. Café no hotel de Missouri. As americanas, grandes e loiras, estão na mesa ao lado. E são barulhentas também. O francês, Frederick Bousquet foi um dos primeiros a chegar. Cielo, muito silencioso pela manhã, Thiago Pereira e Joana Maranhão também já estão por aqui. E antes que eu termine minha segunda torrada já não estarão mais.

Eles tem hora certa pra se alongar, fazer o aquecimento na piscina, e cair na água pra valer. Aqui em Missouri, a competição não vale índice olímpico, nem medalha. Acredite! Eles pegam a medalha de volta depois do pódio! Mas vale o que os nossos atletas mais precisam a seis meses das olimpíadas de Londres: alguns centésimos de segundos a menos no cronômetro.

E pra isso só tem um jeito: vida regrada. Regradíssima. Treinar, treinar, comer, descansar, treinar mais e mais. E no dia seguinte, começar tudo outra vez. Uma medalha olímpica não vem sem exaustão, sem dor, sem sacrificar a cerveja com os amigos ou o vinho com a namorada. E por falar em namorada... cinco dos sete atletas treinados pelo mestre Alberto Silva estão namorando.

No primeiro dia do Grand Prix, na beira da piscina, Albertinho brincava: "não dava pra arrumar namorada depois das olimpíadas, não?". Seja lá como for, as namoradas terão que ser pacientes. Os atletas são determinados. E o técnico também e não se incomoda de fazer o papel de cupido às avessas.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!

+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

14
novembro
às 17:05

Steve Jobs Caro Steve

Terminei de ler sua biografia há alguns dias. Ruminei o que li por algum tempo, antes de escrever esta carta. Queria saber se o encantamento persistiria. E persistiu. Não sou aficcionada por tecnologia, o mundo pós PC, etc e tal. Aliás, nasci antes deles - os computadores - e saí da faculdade exatamente quando eles chegavam. Eles entravam por uma porta, eu saía por outra.

No meu primeiro emprego na tv, na Globo Minas, usávamos máquina de escrever, laudas com papel carbono e mimeógrafo. Isso em 1993, praticamente ontem. Na redação inteira só havia um computador, com a tela grande, letrinhas verdes e a "dona" era muito brava - a editora do Jornal Nacional. Ai de quem chegasse perto. Ninguém se atrevia. E olha que nem sou tão velha assim. Nem estou defendendo a volta do carbono ou das Olivettis. Apenas pra que você saiba que não foi pelos detalhes desse mundo de bytes, megabytes, pixels e afins que decidi ler sobre você.

Gosto de histórias de gente - a sua ou de anônimos. Não importa. Isso me basta para abrir uma biografia. Seguir adiante, depende do enredo. E foi, para minha surpresa, que segui adiante na sua biografia com a voracidade de quem lia romances açucarados na adolescência. Sim, fazíamos isso no mundo pré-computadores.

Quando terminei a leitura, sabia que tinha ali motivos pra detestar você. Seu gênio abominável, a truculência pra lidar com as pessoas, a honestidade relativa, somente quando lhe caía bem. Sei que você tem desafetos que lhe chamam de ladrão de ideias e outras coisas bem piores. O autor da biografia, Walter Isaacson, mesmo sem escancarar ofensas, deixou isso claro.

Mas, curiosamente, me descobri, como disse, encantada por você e certa de que foi sua paixão que mudou o mundo. O tal "amor pelo produto" que fazia você brigar por cada ínfimo detalhe do próximo lançamento. Você nem sempre estava certo mas, mesmo após algum erro grande, se atirava com a mesma paixão rumo ao próximo desafio. E teve a sabedoria de se juntar a gente tão apaixonada quanto você e mais genial do que você (poucos tem essa coragem hoje). Seus piratas da Apple foram geniais criando o futuro que você previu tão bem, como ninguém.

Essa paixão faz uma falta danada no mundo. Gente apaixonada pelo que faz, pelo que produz. Gente apaixonada pelos detalhes, gente que sofre quando algo podia ficar melhor, bem melhor.  E tenta fazer diferente da próxima vez, mesmo quando poucos se importam. Hoje há muita gente apaixonada pelo emprego que tem, pelo salário que ganha ou deseja ganhar, gente apaixonada e empenhada em manter o status já conquistado na companhia, ou preocupada em obter esse sucesso corporativo. Mas já não vejo tanta gente com a tal "paixão pelo produto". Uma pena.

Gosto de histórias de gente, sobretudo de gente obstinada e apaixonada. E você é um sujeito apaixonante. Isso, claro, não torna sua truculência perdoável.  Mas um pouquinho mais compreensível.

Termino essa carta, escrita por um dos  aparelhinhos que você e seus piratas inventaram, conquistada pela sua história e suas criaçōes. Sim, esse seu mundo pós PC é contagiante. Mas, como os apaixonados são teimosos e tento ser um deles, li cada uma das 600 e tantas páginas da sua história numa coisa muito antiga chamada livro.

Sim, livro de verdade, de papel, daqueles que a gente sente o cheiro da tinta, guarda debaixo do travesseiro, cuida pra não fazer orelha e põe na estante da sala quando a história é boa e merece ser indicada aos visitantes.

Sua história está na estante da minha sala. O futuro que você inventou é incrível. E, felizmente, não elimina meu adorável mundo velho.

Obrigada, Jobs.

Sent from my iPad

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!

+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia

+ Todos os blogs do R7

Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A