Angelo Paz Leme

adriana2 Angelo <i>Paz</i> Leme

Não resisti ao trocadilho. Também pudera, basta conversar com o ator Angelo Paes Leme por alguns minutos pra ter uma grande e boa sensação de paz. Já havia sentido isso em dezembro passado, quando nos conhecemos no amigo-secreto de fim de ano da Record. O Angelo foi o meu amigo- secreto. Nos conhecemos ali, no ar. E saí impressionada pela serenidade dele. Durante a gravação, Angelo falou algo que me marcou. Disse que agradece pelos encontros profissionais que teve ao longo da carreira, que são esses encontros com pessoas especiais que tornam a jornada de trabalho muito melhor.

Essa semana reencontrei o Angelo para uma entrevista no Rio de Janeiro. O ator é a grande estrela da nova produção da Record, a minissérie José do Egito, inspirada numa história muito marcante da Bíblia. Acompanhei nos bastidores todo o processo de maquiagem e caracterização para uma sessão de fotos. A partir do dia 30 de janeiro, Angelo vai se transformar em José — um hebreu traído pelos irmãos, vendido como escravo e que se torna o governador do Egito.

É uma história intensa, que não dá pra resumir assim, em tão poucas palavras. Uma história inspiradora, de sofrimento, perdão e amor. E Angelo vive um momento iluminado. Aos quase 40 anos, 20 de televisão, ele se sente maduro para aproveitar cada momento como José do Egito. E quando diz isso não há dúvidas de que aproveitar pra ele não tem qualquer relação com curtir os holofotes, o estrelato do momento. Aproveitar, no dicionário do Angelo, significa aprender e apreender cada sentimento, cada lição que o personagem pode deixar.

adriana1 Angelo <i>Paz</i> Leme

Esse processo já começou. Desde que foi escalado, Angelo mergulhou no estudo da Bíblia. E já leu as 2 mil páginas dos romances de Thomas Mann, o escritor alemão que escreveu quatro livros sobre a história de José. Angelo vai viver intensamente o personagem e tenho certeza que vai emocionar o Brasil. Nossa conversa vai ao ar no Domingo Espetacular. Além de mostrar os bastidores da TV, da maquiagem, figurino caprichadíssimo, falamos bastante desse Angelo — sereno, maduro, em paz.

Por sugestão do ator, nossa conversa terminou numa praia no Recreio dos Bandeirantes. Perto do mar, num fim de tarde lindo, Angelo mais uma vez me deixou uma ótima sensação de paz. Como ele, eu também agradeço pelos bons encontros profissionais que tive na minha carreira. E esse certamente foi especial.

adriana3 Angelo <i>Paz</i> Leme

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Ele é o cara!

photo112 Ele é o cara!

Tive dois encontros com Maguila para fazer a reportagem exibida no último Domingo Espetacular.  Foi trabalho, mas também diversão. Ao contrário do que eu imaginava, o Adilson Maguila Rodrigues é divertido, cheio de tiradas. Eu achava que havia uma certa produção nisso, uma performance quando as câmeras estavam ligadas. Não. Descobri que ele é genuíno, espontâneo, todo tempo.

Num desses momentos, quando um assistente da nossa equipe aproveitou uma pausa nas gravações para secar o rosto do Maguila que brilhava de suor, o ex-boxeador  me surpreendeu com uma sugestão. Já que estávamos no ringue, eu é que deveria atuar como assistente. Sim, lenço de papel nas mãos lá fui eu...Não foi preciso retirar ou colocar os protetores de dentes, nem botar um curativo apressado no supercílio aberto... Não era luta, apenas uma entrevista. Mas tive que dar água ao campeão... secar o suor... só faltou aquela toalha pra fazer um ventinho.

Nosso câmera acabou registrando tudo, num momento muito engraçado da entrevista. Mais divertido ainda foi o que Maguila disse: "meu suor é cheiroso". Pode? Bom, diante de um cara que pesa 140 quilos e jogou na lona 61 adversários, alguém acha que eu iria discordar???

Ao final da entrevista, outro momento recreio. Um fotógrafo da Record estava lá para registrar o nosso encontro, Maguila, então, me chama pra briga. Ele com as luvas. Eu sem luvas, de salto alto e nenhuma experiência. Bom pra não dizer nenhuma mesmo, tenho tentado acertar o Bob, um cara de borracha que tem lá na academia. E, pra me animar um pouquinho,  carrego comigo e com orgulho o nome e sobrenome de uma boxeadora, campeã no ringue e na vida, assim como Maguila.

O ex-boxeador  achou engraçada a coincidência no nome. E, disse que eu levava jeito pra coisa. Mal sabe ele que lá na academia o Bob me leva a nocaute antes do segundo round. Mas com uma certa dedicação da minha parte... quem sabe!

maguila hg 20091230 Ele é o cara!

O fato é que saí da entrevista como se já conhecesse Maguila há bastante tempo, com vontade de papear muito mais, muito além do que uma reportagem de tv permite. Claro, muitas outras pérolas que ele soltou ao longo da entrevista não foram ao ar. Deixo aqui para os fãs de Maguila, que fizeram parte da torcida nacional pelo boxe nos anos 80, a maneira como ele narra a aposentadoria em 2000. Maguila parou após perder por nocaute para Daniel Frank.

"Foi assim...ó:  Eu fui lutar com um cara que eu batia nele só com uma mão. Me deram 20 mil dólares e eu fui lutar com esse cara. Tomei uma surra que caí quatro vezes na luta. Quando eu vi o replay da luta, quando eu vi a fita. eu disse:  eu tenho que parar mesmo. Perdi pra um m...  desses, não tenho mais de quem ganhar. Levei uma pifa, era pá... e eu caía, pá e eu caía...  levantava e pá... caía de novo. Ai eu me conformei que tinha que parar. E parei", resume.

Os críticos diziam que foi um fim trágico, Maguila diz que parou sorrindo, dando gargalhadas da própria tragédia. Outro detalhe que me chamou a atenção estava nos pés do meu entrevistado. Não foi por acaso que Maguila subiu no ringue usando a mesma sapatilha que usava quando foi nocauteado por Evander Holyfield. Pra muitos aquela luta foi um vexame, um nocaute no segundo round que praticamente encerrou a carreira internacional de Maguila. Mas pra ele, não ficou nenhum lembrança amarga e a sapatilha é um amuleto."Sim, traz sorte", afirma Maguila.

Foi assim, com bom humor, um olhar zombeteiro para a derrotas, que Maguila tenta vencer os problemas de saúde que surgiram nos últimos anos: diabetes, hipotireoidismo e os primeiros sinais do mal de Alzheimer. Não vai ser fácil a luta. Nunca é. Mas se o narrador for o peso pesado Maguila... a história fica sempre mais leve.

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A que preço?

Fazer cirurgia plástica não é simples, como alguns médicos ainda insistem em dizer. É uma cirurgia, envolve riscos como qualquer outra.

Mas dados internacionais indicam que os casos de morte dos pacientes são raros.

A cada 50 mil cirurgias, é registrada uma morte.

Mas qual a explicação para tantas notícias de mortes em cirurgias plásticas em nosso país?

Sequer sabemos os números oficiais dessa mazela brasileira.

O que sabemos é que hoje se faz cirurgia plástica em prestações a perder de vista. O bumbum do momento, seios fartos, a cintura sem gordura... E assim, impulsionadas por um modelo de beleza muitas vezes inatingível e cruel, muitas brasileiras entram no bloco cirúrgico com um sonho. Saem sem vida ou com graves sequelas. E centenas de casos não são notificados, investigados como deveriam ser.

E os médicos, mesmo que tenham provocado mortes, seguem fazendo cirurgias. Se um paciente ligar nos conselhos de medicina pra descobrir o histórico de um profissional, não saberá se aquele cirurgião ou cirurgiã deixou sequelas terríveis em alguém ou se responde por alguma morte. Só será possível saber, se já houver uma condenação. Poucos, pouquíssimos são condenados. Os casos caem no esquecimento. Corpos são enterrados sem que as famílias saibam exatamente o que aconteceu.

Na última semana estive em Goiás pra contar duas histórias a espera de esclarecimento. O médico acusado de erros graves por duas famílias é o dr. Rogério Morale.  Tentamos ouvi-lo a semana inteira. Numa das clínicas onde estive a procura do cirurgião ouvi da secretária que ele não era obrigado a falar porque para a imprensa só interessa o sensacionalismo da notícia.

A minha resposta a ela foi simples. Se a intenção fosse o sensacionalismo da notícia, eu não estaria ali, diante dela, na clínica do dr. Morale, insistindo pra que ele desse a versão dele. O microfone do Domingo Espetacular estava aberto para o dr. Morale. Ele tem direito a só falar com a polícia e a justiça. E optou por isso.

Para as famílias, não é o silêncio do médico nos microfones que incomoda.

Mas o silêncio após a morte. O sumiço após a perda de duas vidas.

Quando Louanna, a miss Jataí, agonizava numa UTI móvel a espera de uma vaga no hospital, ele pediu a mãe da paciente, Dênia Ferreira, que rezasse. Naquele momento, Dênia não sabia que outra família da cidade de Santa Rita do Araguaia tinha vivido drama semelhante, menos de seis meses antes.

Foi com a paciente Raila, de 32 anos. Quando ela agonizava após duas paradas cardíacas, o dr. Morale teve o mesmo comportamento. Pediu a mãe de Raila, a dona Marilene Leal, que confiasse em Deus. Como se fosse apenas uma questão de fé.

Depois, com a morte das duas pacientes, atitudes que a qualquer leigo parecem suspeitas. A pressa em devolver o dinheiro. Ajuda pra encontrar uma funerária e despachar logo o corpo de Raila Leal. A omissão de que Jataí, onde foi feita a cirurgia de Raila, tem IML e ali mesmo poderia ser feito um exame pra esclarecer a causa da morte.

Como acreditar que um médico, trabalhando há mais de 5 anos na cidade, não sabia da existência de um IML regional com profissionais aptos para realizar a necropsia? Ninguém no hospital sabia do IML? O hospital não deveria ser o primeiro interessado a descobrir o que provocou a morte de uma mulher jovem e saudável? Ou, quando a morte de um paciente está confirmada, interessa mais o enterro rápido, que enterre também as suspeitas?

No caso da Louanna, o que chamou a atenção foi a realização da cirurgia mesmo após um exame ter detectado uma arritmia e sem a análise de um cardiologista. Depois, a pressa em encontrar uma justificativa para a morte da miss.  Você consegue imaginar que, enquanto a paciente está a beira da morte no hospital, o cirurgião responsável pelo caso saia na calçada pra indagar a uma amiga de Louanna se ela usava drogas? Era um médico ou um detetive agindo em causa própria?

De médicos se espera conhecimento técnico, excelência profissional e também ética, dignidade e uma postura de respeito e seriedade - pra lidar com a vida e também com a morte. Se o dr. Morale errou ou não na mesa de cirurgia, só os laudos e exames do IML podem dizer.  Mas as atitudes dele são, no mínimo, estranhas. E justificam uma profunda investigação.

Nas minhas entrevistas, além de perguntar às famílias de Louanna e Raila sobre os supostos erros do dr. Morale, perguntei também sobre os erros das duas mulheres. As famílias reconhecem que o excesso de vaidade levou as pacientes a confiar demais. A ânsia de atingir aquele modelo de beleza cegou, ensurdeceu as duas. Só as palavras do médico interessavam. E ele dizia: é uma cirurgia simples, não se preocupem, vai dar tudo certo. Elas acreditaram. Pagaram um preço alto demais.

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O samba dos ingleses

Acordamos cedo, antes das 7 da manhã para acompanhar o anúncio dos novos detalhes da festa de abertura dos jogos de Londres. Eu e o cinegrafista Humberto Lima entramos no carro reclamando, quase ao mesmo tempo, de mais um dia de chuva na nossa temporada londrina. Estamos com saudade de um sol duradouro. Sonhando com o momento de fazer um piquenique no parque e sentir calor.

Bom, sem devaneios... Ao chegar ao local marcado para a entrevista coletiva, esperamos debaixo do guarda-chuva ainda por uma meia hora até que os portões fossem abertos. Num galpão, onde estão sendo preparadas algumas surpresas para  os jogos, encontramos o cineasta Danny Boyle com uma maquete do estádio olímpico coberta por grandes lençóis brancos. E quando eles foram retirados... surpresa! Em vez de um cenário futurista para o show de abertura, uma fazendinha, daquele tipo que ainda temos em vários lugares do Brasil. Algumas vacas, cavalos, galinhas... e um campo de críquete. Se fosse no Brasil seria de futebol. 

adri O samba dos ingleses

Mas naquele momento meus olhos e pensamentos estavam literalmente nas nuvens. Na réplica eram apenas pedacinhos de algodão pendurados sobre o estádio. E Boyle parecia ler minha mente. Enquanto eu pensava, só falta ter chuva aqui também, ele explicava: sim, as tais nuvens terão um mecanismo especial pra fazer chover no show de abertura dos jogos, caso o tempo bom apareça pra atrapalhar a festa britânica.

Tive vontade de rir, dar gargalhadas no meio da coletiva. Ele, com humor típico desse canto do mundo, dizia que não seria uma festa legítima se não tivesse chuva. E eu pensando... vai gostar de chuva assim lá longe. Claro, a chuva e a fazendinha não resumem a grande cerimônia de abertura que Boyle prepara. Ele, que já faturou um Oscar de melhor diretor com o filme "Quem quer ser um milionário", prepara um longa metragem para abrir os jogos.

A festa terá três horas de duração. "Será como um filme, só que ao vivo", disse Boyle. Ele fez questão de dizer que não será um show musical mas uma narrativa, uma história contada com músicas. A mensagem é ecológica. "Vamos começar mostrando uma terra verde e agradável", disse. Elementos urbanos, modernos também farão parte do show. Mas ele não quis adiantar como as peças desse grande quebra cabeça vão se encaixar.

adr O samba dos ingleses

Dez mil voluntários vão se apresentar na festa, treinam intensamente pra isso. E, segundo o cineasta, pela primeira vez num show olímpico, parte da plateia será conduzida até o palco pra fazer parte do espetáculo. Mas como nem tudo pode ser revelado...Boyle não confirma os nomes dos artistas convidados. Paul McCartney já disse à imprensa britânica que estará lá.

E o eterno agente secreto 007 também está na lista.  Um filme com o ator Daniel Craig que interpreta o 007 foi gravado dentro do Palácio de Buckingham, onde ele receberia da rainha a missão de abrir os jogos de Londres 2012. Esse filme deve ser exibido logo no começo da festa. Depois, o agente mais famoso das telas do cinema, chegaria ao parque olímpico de pára-quedas. Espetacular, não? Sim! Mas pra mim, a notícia mais impressionante que veio do céu... foi mesmo a da chuva artificial. Nada me divertiu mais do que isso. .A chuva está para os britânicos como o samba está para os brasileiros. Ou alguém imagina a festa do Rio, em 2016, sem samba? 

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Revezamento de microfone

dri ok Revezamento de microfone

Atleta da notícia. Assim chamei a minha colega Mylena Ciribelli que ontem correu 300 metros com a tocha olímpica. Ela ficou emocionada ao participar do revezamento e era o esperado para quem dedicou a vida a coberturas esportivas. A escolha de Mylena para representar a Record e o Brasil foi mais que merecida. Bom, mas correr com a tocha é moleza... quase um passeio.

Correria mesmo veio depois. Só ontem a tocha passou por quatro cidades do norte da Inglaterra. Eu tinha que correr atrás dos outros brasileiros na festa, o ídolo do basquete Oscar Schmidt, e o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Minha missão era fechar a reportagem que vocês viram ontem no Jornal da Record.

E a Mylena, ainda com a roupa do revezamento, agora tinha que correr como repórter pra registrar os bastidores da festa olímpica para o Esporte Fantástico do próximo sábado (2).

Trânsito fechado entre uma cidade e outra, seguranças pra todo lado tentando dificultar nosso acesso aos entrevistados... Na rígida organização britânica só poderíamos falar com o Oscar e o Vanderlei no final da festa. Se aceitássemos a ordem, a reportagem de ontem do JR simplesmente não existiria. Mas atletas da notícia costumam gostar dessa adrenalina.

Eu e a Mylena fizemos um revezamento de microfone digno de medalha. Eu começava a entrevista... duas perguntas e ops! O microfone já estava na mão dela, pra mais umas perguntinhas. E os seguranças do revezamento, atordoados, só me escutavam dizer: 30 seconds... 30 seconds...

Te digo.. em 30 segundos o corredor mais rápido do mundo, o jamaicano Usain Bolt,  bate três recordes mundiais e ainda sobra tempo. Mas nós também costumamos fazer milagres com esse tempinho de nada. E a nossa equipe de revezamento  tinha ainda dois atletas experientes nessa correria -  o cinegrafista Humberto Lima e o produtor Julio Frascino.

Corremos todos juntos o dia inteiro. Quando tiramos essa foto às seis da tarde, já estávamos trabalhando desde as sete da manhã. Pegamos a tocha da Mylena emprestada pra dividir com ela a alegria de estar ali, num dia em que deu tudo certo.

O revezamento da tocha havia acabado, mas o nosso ainda não. Tínhamos que enviar pela internet todas as imagens e entrevistas para o Brasil. Só paramos às onze da noite da Inglaterra, após uma jornada de 16 horas.  Um dia exaustivo. Talvez nem era pra estarmos tão sorridentes naquela foto. Mas como eu disse... a adrenalina dessa corrida é boa. Muito boa!

Quando termina uma.. já fico esperando a próxima. Até lá.

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Pistorius Blade Runner

adriana okokokoko Pistorius <i>Blade Runner</i>

O apelido foi uma invenção da imprensa. A imagem do corredor da África do Sul, Oscar Pistorius, remetia às figuras dos androides do filme famoso na década de 80.

Um problema genético fez com que ele tivesse as duas pernas amputadas aos 11 meses de vida. O garoto Oscar aprendeu a se equilibrar sobre duas próteses, aprendeu a correr e surpreendeu o mundo pela velocidade.

O desempenho dele se equiparava ao de muitos atletas de ponta. Com o detalhe de que ele não tinha pernas. Sim, pra ele era só um detalhe. Parecia mesmo algo sobrenatural, quase coisa de androide.

Assim ele ficou conhecido: o Blade Runner do atletismo. Essa foi uma das minhas perguntas ao corredor. Queria saber se ele se incomodava com o apelido.

E a resposta: "Nem gosto, nem deixo de gostar. É apenas um apelido que meus amigos não usam, mas que não me incomoda".

Nosso encontro foi num evento de promoção dos jogos paraolímpicos na última segunda-feira, em Manchester. Rodeado de outros atletas que, como ele, também superaram limitações extremas e se tornaram campeões, Pistorius foi a grande estrela do evento.

Todos queriam uma foto com o dono de quatro ouros nas edições das paraolimpíadas de Pequim e Atenas. Agora Pistorius está treinando para chegar às Olimpíadas de Londres, pra disputar com atletas sem deficiência.

Depois de provar na justiça esportiva que não leva vantagem sobre os adversários pelo uso das próteses, ele tem direito a disputar as provas convencionais do atletismo.

E já fez isso no ano passado. No mundial de atletismo da Coreia do Sul o atleta ajudou o país dele a conquistar a prata no revezamento.

Também já alcançou o índice olímpico, correu a prova dos 400 metros abaixo dos 45 segundos e 30 centésimos estipulados pela delegação sul-africana. Mas precisa repetir o feito até o fim de junho pra se garantir em Londres.

Se conseguir será a primeira vez no atletismo olímpico que isso acontece. Mas por que competir uma olimpíada se ele já é consagrado nas paraolimpíadas, respeitado e admirado no mundo inteiro?

Com serenidade ele responde: "Isso não faz a menor diferença. Sou apenas eu, correndo a mesma prova, na mesma pista, com as mesmas próteses, tentando ser o mais rápido que posso o melhor atleta que posso. Se isso me levar às paraolimpíadas, me sentirei abençoado. Se me levar às olimpíadas, também", diz.

Seja aonde chegar, Pistorius vai calmo, seguro. Confiante, sorridente. E me avisou: estará também no Rio de Janeiro em 2016.  De androide, não tem nada. Mas, sem dúvida, é um humano bem especial.

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A chama de Londres está acesa

adriana A chama de Londres está acesa

Spyros Gianottis. Esse é o nome do atleta escolhido para abrir o revezamento com a tocha olímpica de Londres 2012. E ele representa muito bem a união entre a Grécia e o Reino Unido. Filho de mãe inglesa, Spyros nasceu em Liverpool. Mas o pai é grego, por isso ele compete pela Grécia, é o melhor nadador do país. Spyrus seria como o Cielo dos gregos, com uma diferença, ele não é um velocista, nadador de curtas distâncias. É o atual campeâo mundial da maratona aquática, prova de dez quilômetros disputada no mar.

Hoje, ele teve um dia inesquecível. Durante a cerimônia no parque arqueológico de Olympia, onde os gregos criaram a primeira competição esportiva da história há quase três mil anos, coube a Spyros a missão de erguer  a tocha olímpica e receber a chama que pelos próximos 78 dias vai percorrer um longo trajeto até chegar a Londres, no dia da abertura dos jogos. Spyrus correu os primeiros 300 metros dentro do parque de Olympia e depois passou a chama para um morador de Londres.

Ao final da festa, me encontrei com o nadador para uma breve entrevista. Ele contou que cresceu na Grécia, por isso tem as raízes aqui. Mas muitos amigos e parentes estão na Inglaterra. E isso o fez se sentir muito honrado com o convite. "Agradeço a todos que me escolheram porque eles me deram um presente que vou guardar pra vida toda. Nem tenho palavras para descrever o quanto esse momento foi especial para mim", disse o atleta.

Além das boas lembranças do dia e  da tocha que ganhou de presente, Spyros só quer uma honra a mais: a medalha de Ouro em Londres. "É da mesma cor da tocha", brincou. "E vou dar tudo que posso, cem por cento da minha força, pra buscar essa medalha", disse. Ele se apressou pra me contar que conhece o Brasil. Esteve na cidade de Santos em fevereiro para uma competição.

O ritmo intenso de treinamentos e disputas vai seguir até julho, pra tentar conquistar o lugar mais alto do pódio. Mas hoje o dia foi de curtir a fama. Spyros foi cercado por várias pessoas após carregar a tocha de Londres, tirou muitas fotos e deu várias entrevistas. No país que inventou as olimpíadas, esse atleta greco-britânico ajudou a escrever mais um capítulo da história.

Uma bela história, que pode ser resumida num único momento da cerimônia de acendimento da tocha. Ao final do ritual, uma pomba foi solta, instantes antes de Spyros abrir o revezamento. Um gesto simples, apenas pra lembrar que essa festa só existe em tempos de paz.

Foi assim desde o começo. Os povos da Grécia antiga que se dirigiam para Olympia para participar das competições estabeleciam um acordo de paz para que as disputas acontecessem. Que seja sempre assim., na geração de Spyros e de tantas outras que virão.

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O berço das Olimpíadas

foto 1024x768 O berço das Olimpíadas

Nesta quinta-feira, a cidade de Olympia, na Grécia, vai contar ao mundo um capítulo importante da história do esporte. Foi neste lugar que surgiu a primeira competição da humanidade - um duelo pra escolher os homens mais fortes e velozes. Para os gregos essa era uma maneira de honrar aos deuses.

Isso foi há muito tempo, quase 800 anos antes de Cristo. Daquela época restam ruínas no parque arqueologico da cidade. E também uma paixão por preservar a memória da Grécia antiga.

A cidadezinha, hoje com mil e 200 moradores, está enfeitada para a grande festa que acontece a cada quatro anos. Amanhã, entre o que restou de templos e palácios, será realizada a cerimônia para acender a chama olímpica. Na mitologia grega o fogo é sagrado e por isso uma chama era mantida acesa durante todas as competições. Daí veio a tradição da tocha olímpica.

O dia foi de muito trabalho no parque. Nossa equipe pode acompanhar o ensaio da cerimônia em frente as ruínas do Templo de Hera e também no estádio olímpico, na verdade um grande campo onde chegavam a se reunir 50 mil pessoas para assistir as disputas dos atletas gregos, os primeiros heróis do esporte. Asssim como nós da Record, equipes de tv de vários países estão na cidade. As 11:30 da manhã, horário da Grécia e madrugada no Brasil, as imagens de Olympia serão enviadas para o mundo inteiro.

A chama - símbolo do esporte - vai percorrer 43 cidades gregas e depois seguirá de avião para a Inglaterra, para o início do revezamento em solo britânico. Mas a primeira tocha do revezamento fica para o museu da cidade que já tem uma bela coleção. Há 76 anos, desde os jogos de Berlim, vem de Olympia a chama que mantém vivo o espírito olímpico.

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Salve simpatia!

foto e1334231411668 Salve simpatia!

Não estava nos meus planos escrever agora sobre a entrevista que fiz essa semana com a campeã olímpica no salto com vara, a russa Yelena Isinbaeva.

Em geral, espero minhas reportagens serem concluídas para depois escrever aqui sobre os bastidores, os detalhes que ficam de fora da matéria que foi ar.

Mas Yelena é rápida. Muito rápida. Assim que nossa entrevista terminou, fui surpreendida pela nossa foto no facebook da atleta. E como tudo que ela faz vira notícia, a repercussão, claro, também foi rápida.

Brinquei com a equipe da comunicação da Record que, além de tudo, Yelena é uma ótima assessora de imprensa. O fato é que gostei muito de poder entrevistá-la. Encontrei a saltadora cheia de disposição, bem humorada, treinando pesado e, ao mesmo tempo, brincando com a nossa câmera. E acho que ela gostou do nosso encontro também. Foi uma conversa de uma hora muito descontraída. Ela falou dos planos para Londres e para o futuro e até falou um pouquinho da vida pessoal, o que em geral não faz nunca.

Os detalhes ficam pra depois. Até porque muitas coisas ela só falou pra gente. Mas faço aqui um agradecimento a Isinbaeva pelo carinho e atenção com que nos recebeu. Foi um trabalho muito agradável.

E, claro, estávamos em Mônaco, a cidade que ela escolheu pra viver para sempre, segundo as palavras da própria atleta.

Tem muito bom gosto essa Isinbaeva.

Link com os bastidores da entrevista.

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Amizade à primeira vista

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O apartamento dele é suntuoso. Quase mil metros quadrados, de frente para o rio Tâmisa. O prédio parece um navio e o comandante deste barco é um gente boa nato. Nunca havia me encontrado com o zagueiro David Luiz até tocar a campainha da casa dele, bem na hora do almoço. E não foi golpe, não. Na correria, entre uma reportagem e outra, estamos acostumados a só parar pra comer às 17h.

Seria assim naquele dia, não fosse a gentileza do David, que nos esperava para almoçar e com um cardápio especial - escondidinho de carne, picanha recheada, arroz, feijão, farofa... Hum... Foi nosso primeiro legítimo almoço brasileiro depois de um mês em Londres.

ok1 Amizade à primeira vista

As ajudantes dele estavam tímidas, não queriam aparecer na reportagem, mas acabaram contando alguns segredos do craque. Antes de jogos importantes, não pode faltar feijão. Mas agora tem que ser com muito caldo, porque o zagueiro está usando aparelho nos dentes. Não consegue mastigar tudo.

O sorriso de David já é bonito. Mas ele quer dar uma melhoradinha. Sim, o jogador é vaidoso. Não do tipo que tem um monte de cosméticos no banheiro. Mas ele disse que passa um creminho para os famosos cachos. O estilão do cabelo lembra o do jogador de basquete, Anderson Varejão. Os dois não se conhecem, mas frequentemente são comparados. É que os cachos também se tornaram a marca registrada de David Luiz. Em dias de jogos importantes do Chelsea, os torcedores usam uma peruca a la David e fazem a festa no estádio.

Zagueiro, com popularidade de atacante. Amado no Chelsea e agora assediado pelo Barcelona. David não deu dicas se a negociação com o time espanhol pode avançar, mas relembrou os momentos difíceis que passou pra chegar até aqui. O jogador saiu de casa aos 14 anos de idade, foi demitido do São Paulo, passou maus pedaços no América de Minas, dividindo um alojamento com mais de 20 garotos. Chegava a mentir pra mãe, dizendo que estava bem, mesmo quando já não aguentava mais.

A saída foi implorar para jogar no Vitória da Bahia, até que veio o convite do Benfica de Portugal. Era o começo da consagração. De lá pra cá, vieram a fama, o dinheiro e o que ele mais queria: reconhecimento. David diz que muitos não acreditaram que ele tinha um bom futebol pra mostrar. Mas ele sempre acreditou. E conseguiu chegar onde poucos chegam. Sem jamais se deslumbrar. O zagueiro diz que é imensamente grato, por tudo que recebeu da vida. E repete, com frequência: "eu não sou famoso, eu estou. Eu não sou o David Luiz, eu estou".

É por isso que ele recebe uma equipe de TV do Brasil de braços abertos e mesa posta. Tem um jeito leve, bem humorado e, brincando, nos deixou muito à vontade. David realmente nos fez sentir em casa. A reportagem terminou, a prosa seguiu. Saímos de lá depois do entardecer  e com um presente para o fãs do Esporte Fantástico - a camisa do Brasil que ele usou numa partida.

ok Amizade à primeira vista

E eu avisei... Em breve vamos reaparecer para outra entrevista. E vai ser na hora do almoço... Ou do jantar.

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