6
outubro
às 10:06

post adriana araújo A luz da minha vida

O dia 6 de outubro é mais importante que qualquer outro na minha vida.

Não, não faço aniversário hoje. O meu aniversário já foi o dia mais importante até eu completar 25 anos. Depois daquele ano outra pessoa se tornou o centro das minhas atenções.

A partir do 6 de outubro de 97 uma pessoinha que nasceu bem pequena, calminha... passou a depender de mim pra viver e isso mudou tudo. As mães sabem do que eu estou falando. Uma revolução impossível de ser completamente descrita em palavras se passa na vida da gente. Entre choros, mamadas, fraldas e papinhas, você vai aprendendo seu novo papel meio atabalhoadamente. Tem nas mãos uma vida pra cuidar. Parece tudo muito complicado no começo mas, de repente, vinda de algum lugar secreto dentro de você, surge uma inspiração ou seria a tal intuição? E você, quase como milagre, passa a entender aquela criaturinha. Sabe o motivo do choro, o desejo do momento, o jeito certo de acalmar a cólica ou como atrair o sono. Começa ali uma comunicação que transcende as palavras. Um amor incondicional. As criaturinhas que dependem de nós pra viver nos pregam uma baita surpresa e, descobrimos em questão de horas, dias... que nós é que precisamos delas pra seguir vivendo.

Nós é que perderíamos o rumo, o chão e o riso se não tivermos a certeza do bem estar dos nossos filhos. Passamos a ter certeza que ensinamos muito, mas aprendemos muito mais. Amamos muito, mas recebemos muito mais. Pois a minha criaturinha já não depende tanto assim de mim. Já se vira sozinha por aí, sabe fazer panquecas, risotos, cupcakes, estuda sozinha, entende mais, muito mais de computadores do que eu, é capaz de viajar sozinha pra outro país, ri do meu inglês sotaquento e fala que vai ser médica daqui a alguns anos.

O ser frágil que cabia nas minhas mãos está cheio de ideias, opiniões, vontades, curiosidades. O coração de mãe treme, vai começar outra revolução, agora sem papinhas ou fraldas. A ficha cai e você entende que está prestes a se tornar mãe de um adulto. E se prepara como pode para uma nova aventura.

Hoje a minha filha completa 14 anos. E pela primeira vez, em 14 anos, não estou do lado dela pra dar o abraço de aniversário. Com o trabalho no Pan de Guadalajara, nossa comemoração particular vai ficar para o final de outubro. Isso me tirou o sono, despertei no meio da madrugada pensando nela e acabei aqui, diante do computador, escrevendo esse post. Uma pequena homenagem pra quem me deu tanto.

Giovanna, sou infinitamente mais feliz há 14 anos. Mais forte e ao mesmo tempo mais frágil. Muitos me dizem que sou uma ótima mãe por ter criado uma filha tão incrível. Eu agradeço, mas sei que não é verdade. Você fez a minha vida mais incrível, mais calma, mais simples, mais verdadeira. Sabemos da nossa história, dos desafios que já vencemos e muitos outros ainda venceremos. Aprendo a cada dia com sua tranquilidade e coragem. Tento te guiar naquelas questões da vida que já conheço um pouco mais. Mas, na verdade, é sua paz de espírito que me guia e me faz melhor.

E você não precisa fazer força nenhuma pra isso. Não sei se aos 14 anos você vai gostar de ser chamada de luz da minha vida. De ler as palavras dessa mãe apaixonada, se declarando assim, publicamente. Mas a blogueira sou eu... Agora já foi.

Não posso te dar o abraço de aniversário hoje mas posso seguir o meu dia de trabalho aqui no México repetindo baixinho as palavras que vivem no meu coração desde que você nasceu.

Obrigada, obrigada, obrigada. Te amo pra sempre.

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