Publicado em 19/12/2012 às 17h29
Ele é o cara!
Tive dois encontros com Maguila para fazer a reportagem exibida no último Domingo Espetacular. Foi trabalho, mas também diversão. Ao contrário do que eu imaginava, o Adilson Maguila Rodrigues é divertido, cheio de tiradas. Eu achava que havia uma certa produção nisso, uma performance quando as câmeras estavam ligadas. Não. Descobri que ele é genuíno, espontâneo, todo tempo.
Num desses momentos, quando um assistente da nossa equipe aproveitou uma pausa nas gravações para secar o rosto do Maguila que brilhava de suor, o ex-boxeador me surpreendeu com uma sugestão. Já que estávamos no ringue, eu é que deveria atuar como assistente. Sim, lenço de papel nas mãos lá fui eu...Não foi preciso retirar ou colocar os protetores de dentes, nem botar um curativo apressado no supercílio aberto... Não era luta, apenas uma entrevista. Mas tive que dar água ao campeão... secar o suor... só faltou aquela toalha pra fazer um ventinho.
Nosso câmera acabou registrando tudo, num momento muito engraçado da entrevista. Mais divertido ainda foi o que Maguila disse: "meu suor é cheiroso". Pode? Bom, diante de um cara que pesa 140 quilos e jogou na lona 61 adversários, alguém acha que eu iria discordar???
Ao final da entrevista, outro momento recreio. Um fotógrafo da Record estava lá para registrar o nosso encontro, Maguila, então, me chama pra briga. Ele com as luvas. Eu sem luvas, de salto alto e nenhuma experiência. Bom pra não dizer nenhuma mesmo, tenho tentado acertar o Bob, um cara de borracha que tem lá na academia. E, pra me animar um pouquinho, carrego comigo e com orgulho o nome e sobrenome de uma boxeadora, campeã no ringue e na vida, assim como Maguila.
O ex-boxeador achou engraçada a coincidência no nome. E, disse que eu levava jeito pra coisa. Mal sabe ele que lá na academia o Bob me leva a nocaute antes do segundo round. Mas com uma certa dedicação da minha parte... quem sabe!

O fato é que saí da entrevista como se já conhecesse Maguila há bastante tempo, com vontade de papear muito mais, muito além do que uma reportagem de tv permite. Claro, muitas outras pérolas que ele soltou ao longo da entrevista não foram ao ar. Deixo aqui para os fãs de Maguila, que fizeram parte da torcida nacional pelo boxe nos anos 80, a maneira como ele narra a aposentadoria em 2000. Maguila parou após perder por nocaute para Daniel Frank.
"Foi assim...ó: Eu fui lutar com um cara que eu batia nele só com uma mão. Me deram 20 mil dólares e eu fui lutar com esse cara. Tomei uma surra que caí quatro vezes na luta. Quando eu vi o replay da luta, quando eu vi a fita. eu disse: eu tenho que parar mesmo. Perdi pra um m... desses, não tenho mais de quem ganhar. Levei uma pifa, era pá... e eu caía, pá e eu caía... levantava e pá... caía de novo. Ai eu me conformei que tinha que parar. E parei", resume.
Os críticos diziam que foi um fim trágico, Maguila diz que parou sorrindo, dando gargalhadas da própria tragédia. Outro detalhe que me chamou a atenção estava nos pés do meu entrevistado. Não foi por acaso que Maguila subiu no ringue usando a mesma sapatilha que usava quando foi nocauteado por Evander Holyfield. Pra muitos aquela luta foi um vexame, um nocaute no segundo round que praticamente encerrou a carreira internacional de Maguila. Mas pra ele, não ficou nenhum lembrança amarga e a sapatilha é um amuleto."Sim, traz sorte", afirma Maguila.
Foi assim, com bom humor, um olhar zombeteiro para a derrotas, que Maguila tenta vencer os problemas de saúde que surgiram nos últimos anos: diabetes, hipotireoidismo e os primeiros sinais do mal de Alzheimer. Não vai ser fácil a luta. Nunca é. Mas se o narrador for o peso pesado Maguila... a história fica sempre mais leve.
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