12
abril
às 09:01

foto e1334231411668 Salve simpatia!

Não estava nos meus planos escrever agora sobre a entrevista que fiz essa semana com a campeã olímpica no salto com vara, a russa Yelena Isinbaeva.

Em geral, espero minhas reportagens serem concluídas para depois escrever aqui sobre os bastidores, os detalhes que ficam de fora da matéria que foi ar.

Mas Yelena é rápida. Muito rápida. Assim que nossa entrevista terminou, fui surpreendida pela nossa foto no facebook da atleta. E como tudo que ela faz vira notícia, a repercussão, claro, também foi rápida.

Brinquei com a equipe da comunicação da Record que, além de tudo, Yelena é uma ótima assessora de imprensa. O fato é que gostei muito de poder entrevistá-la. Encontrei a saltadora cheia de disposição, bem humorada, treinando pesado e, ao mesmo tempo, brincando com a nossa câmera. E acho que ela gostou do nosso encontro também. Foi uma conversa de uma hora muito descontraída. Ela falou dos planos para Londres e para o futuro e até falou um pouquinho da vida pessoal, o que em geral não faz nunca.

Os detalhes ficam pra depois. Até porque muitas coisas ela só falou pra gente. Mas faço aqui um agradecimento a Isinbaeva pelo carinho e atenção com que nos recebeu. Foi um trabalho muito agradável.

E, claro, estávamos em Mônaco, a cidade que ela escolheu pra viver para sempre, segundo as palavras da própria atleta.

Tem muito bom gosto essa Isinbaeva.

Link com os bastidores da entrevista.

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14
setembro
às 18:15

Desde que voltei da mina San José, onde 33 homens esperam o resgate a 700 metros de profundidade, não publiquei aqui no Entre Nós nenhum novo texto. Os amigos estranharam esse silêncio inesperado.


"Um momento de tristeza pela história?", me questionou uma amiga. Pensei por alguns segundos e concordei. Jornalismo exige imparcialidade, isenção, precisão nas informações, mas jornalismo é também emoção.  E pra nós, repórteres, é quando a matéria vai ao ar ou é publicada que a emoção vem mais forte. Sai de cena o técnico da informação, fica a pessoa que se emociona com os fatos que testemunha.


É como se eu tivesse voltado do Chile com a respiração presa, em suspense, com uma sensação claustrofóbica de quem sequer consegue se imaginar  nas condições em que aqueles homens estão. E, mais que isso: acompanhar a força daquelas famílias, conhecer histórias de amor renovadas pelas cartas, histórias de lealdade, testemunhar a certeza deles de que o resgate será bem sucedido me fizeram silenciar pra pensar.


É isso! Foi um silêncio esticado pra parar e pensar em tudo que aprendi em apenas três dias no Chile.


Agora, todos os dias, leio na internet os jornais chilenos - www.latercera.com e www.emol.com. Assim, fico mais perto da história dos mineiros - Los 33, como são chamados no país.


Soube da videoconferência com os parentes, o envio racionado de cigarros, o apoio de sobreviventes do acidente aéreo nos Andes que foram até a mina conversar com as famílias. Virou um reality show, muitos já disseram. Sim, virou. Mas de gente de verdade, de pessoas que não pediram este reality show, não estão ali pela promessa da fama instantânea, do dinheiro fácil.


Los 33 estão ali porque foram vítimas de um acidente numa mina sabidamente sem segurança. Ao sair de lá, poderão dar ao mundo uma lição de força, calma e resistência. Podem, sim, se tornar celebridades. Podem virar livro, documentário e, certamente, essa história vai chegar aos cinemas. Mas por este reality show vale a pena torcer, sofrer e, quando a alma pede, simplesmente silenciar.


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16
agosto
às 15:51

Vejo hoje nos jornais que as próprias famílias de crianças portadoras de diferenças físicas ou neurológicas tem receio da inclusão social nas escolas.

O que seria isso? Colocar na mesma sala de aula alunos classificados como "normais" pela nossa sociedade e as crianças "deficientes". Sim, as duas palavras - "normais" e "deficientes" - estão propositalmente entre aspas. Falamos disso adiante.

Vamos à sala de aula. Já está comprovado que, passada a fase de adaptações, a criança com qualquer tipo de diferença tem muito a ganhar no convívio com os demais alunos. Claro, vai progredir no seu tempo, dentro das suas possibilidades, mas vai progredir. Lembrei de uma escola que visitei quando era repórter em Brasília. Lá me encontrei com uma aluna de aproximadamente 9 anos com síndrome de down e uma adolescente de 14 anos que não ouvia e não falava. As duas frequentavam a escola há alguns anos e os pais estavam satisfeitíssimos com o avanço das meninas.

Mas o que me impressionou mais foi o comportamento dos demais colegas. Solidários, prestativos e não porque havia na sala uma "coitadinha" precisando de ajuda. As professoras me contaram que a aluna com síndrome de down era disputada nos trabalhos em grupo e deixava as aulas mais animadas. E com a adolescente também não havia dificuldades. No recreio, muitos alunos treinavam a linguagem dos sinais pra se comunicar com a amiga.

Incluir ė bom pra todos. Pra criança com alguma necessidade especial e, sobretudo, para as demais crianças que aprenderão a mais importante de todas as lições - o respeito ao outro.

criança Somos todos diferentes!

Foto: Getty Images

Mas o temor das famílias com a tal inclusão ė perfeitamente compreensível. Incluir exige professores bem preparados, escolas com equipamentos especiais, com acesso as cadeiras de rodas, com acesso a todos. Uma escola com uma visão mais humana, menos preocupada com a decoreba das matérias, menos preocupada em formar geninhos pra passar no vestibular. Temos boas iniciativas de inclusão no Brasil, mas os obstáculos neste caminho ainda são enormes.


E agora, pra terminar, o que ė ser deficiente? Essa palavra carrega um olhar preconceituoso e negativo. Sou deficiente em muitas áreas. Desenhos? Sou um fracasso total. Dirigir não ė minha especialidade. E computadores? Como transpiro pra me entender melhor com as novas tecnologias. Há milhares de "deficientes" bem mais eficientes do que eu nestas e em várias outras habilidades.

Alguém aí se acha super eficiente, superior a todos? Os que se sentiram assim um dia fizeram horrores ao mundo.

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12
agosto
às 15:53

José Serra José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução



Dos três principais candidatos à Presidência, José Serra é, sem dúvida, o que se porta com mais naturalidade diante das câmeras. Afinal, é o único que já conhece todo o assédio da imprensa numa corrida rumo ao Palácio do Planalto. Ele é o único que se sentou  pela segunda vez na bancada do Jornal Nacional - fato que o próprio Serra fez questão de lembrar durante a entrevista.

Portanto, é natural que José Serra tenha se expressado com muita calma e eloquência. Mas, terminada a entrevista, uma pergunta ficou no ar: José Serra se sentiu em casa, à vontade, pela experiência que tem ou por que os entrevistadores Fátima e William foram mais gentis com o candidato?

Aliás, pergunta que me foi feita algumas vezes, hoje de manhã, nas ruas do meu bairro. Pelo teor das perguntas, é difícil falar em favorecimento. Algumas questões, por exemplo,  foram semelhantes para o candidato do PSDB e para a candidata do PT, DIlma Rousseff.

A pergunta das alianças políticas é uma delas. Dilma teve que explicar porque se aliou aos oligarcas antes tão criticados pelo PT - José Sarney, Fernando Collor e outras companhias mais. Serra teve que explicar sobre a aliança com o PTB de Roberto Jefferson. Os dois acabaram dando respostas bem parecidas.

Dilma teve que falar da inexperiência nas urnas. Serra teve que falar da inexpressividade de seu candidato a vice, Indio da Costa.

Mas há algo que vai além das perguntas: o tom em que elas são feitas. Aí sim, na minha opinião, sutis diferenças aparecem. Serra foi questionado num tom mais gentil e ameno, mesmo quando as perguntas eram de assuntos polêmicos. Foi interrompido menos vezes.

Diante de Dilma, os questionamentos e interrupções me pareceram mais duros. Aliás, tom que toda entrevista com presidenciáveis deveria ter. Dito isto, me restam dúvidas.

O tom mais ameno com Serra existiu mesmo? Ou me enganei? Foi mera coincidência ou intencional???

Hoje cedo mais interrogações surgiram no meu caminho. Li que Roberto Jefferson - aquele deputado denunciado no escândalo de corrupção nos Correios, pivô das denúncias do mensalão, cassado por quebra de decoro parlamentar - comemorou o tom gentil da entrevista com Serra. Escreveu no Twitter: "facilitaram para o meu candidato". Será que ele quis ajudar ou atrapalhar???

Twitter1 José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução/ Twitter Oficial Roberto Jefferson



E ainda me veio mais uma questão, Serra disse na entrevista que os deputados querem cargos no governo para corrupção. O que será que Roberto Jefferson quer ao apoiar Serra???

Dúvidas, quantas dúvidas...

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11
agosto
às 11:43

Tentar escapulir de perguntas difíceis ė um dos exercícios preferidos dos políticos, especialmente em campanha.

Pergunta-se sobre um amargo episódio e o candidato faz um malabarismo pra levar a conversa pra outro rumo completamente diferente, bem mais favorável a si mesmo.

Pois a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, nem precisava apelar para esta estratégia, levando-se em conta a própria biografia. Mas foi o que fez ontem na entrevista ao Jornal Nacional.

Perguntada sobre o mensalão - esquema fraudulento de repasse de dinheiro a parlamentares durante primeiro mandato do governo Lula - Marina respondeu que não foi conivente com o caso, mas que decidiu permanecer no governo porque achava que ainda tinha a contribuir para o meio ambiente. Um dos entrevistadores insistiu na questão. E o que fez Marina? Disparou um discurso rumo a outro tema, pra falar que desenvolvimento e meio ambiente são compatíveis.

marina silva nova destaque Marina Silva: faltou o ponto final

Foto: Daia Oliver/R7



Algumas ideias que podem ter passado pela cabeça do eleitor: "Marina fugiu do assunto porque tem algo a esconder", "não respondeu por constrangimento"... Alguns podem ter pensado até na velha frase-chavão na boca dos eleitores: "são todos farinha do mesmo saco".

Mas todas estas ideias podem estar erradas. Marina falhou porque quis conduzir a entrevista e não ser conduzida pelos entrevistadores. Queria ter a oportunidade de falar sobre desenvolvimento sustentável e apelou para estratégia equivocada.  Errou porque tentou fugir do assunto, quando não precisava. Na insistência dos entrevistadores, poderia ter respondido resumidamente sobre o mensalão mais uma vez e ponto. E foi justamente o que faltou a Marina: o ponto final.

Quem acompanhou a participação da candidata, ficou com a impressão de que ela foi preparada para fazer discurso, não para uma entrevista Foi prolixa. Faltou clareza. Objetividade.

Na fala final, quando tinha 30 segundos pra se despedir, foi interrompida com o boa noite dos apresentadores. Era Marina, mais uma vez, se esquecendo do ponto final.

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29
julho
às 11:05

A ideia era começar do começo.

Dar as boas vindas, apresentar o Entre Nós -  um  espaço pra informação, opinião, pra comentar o noticiário, pra falar dos bastidores das reportagens que, a partir de agora irei fazer para o Domingo Espetacular.

E também pra falar do mundo além das manchetes - literatura, gastronomia, filhos! Falar da vida. Há coisa mais interessante que isso?

Mas minha vida de blogueira começou como é a vida de repórter. Corriiiida!

De São Paulo a Brasília, para o gabinete do presidente Lula e, de lá, mais uma corrida até a ilha de edição para mostrar a todo o Brasil as declarações do presidente e, mais que isso, o choro de Lula. Clique aqui.

A emoção dele fez com que a entrevista exclusiva ficasse ainda mais quente. Fez com que as palavras do presidente repercutissem aqui e em vários outros países. A agência de notícias Reuters divulgou a entrevista pra emissoras de TV em todo o mundo.

Fiquei feliz com o resultado deste trabalho. Agora que estou de volta a São Paulo, nas ruas, a frase que mais escuto é: "esta é a mulher que fez o homem chorar". Engraçado isso.

Em seguida, vem a pergunta: "ele chorou de verdade"? A resposta, você que acompanha o blog leu em primeira mão, logo após a entrevista ser apresentada no Jornal da Record da última quarta-feira.

Assim o Entre Nós nasceu - com uma notícia quente pra publicar. E, claro, pra quem tem alma de repórter, as notícias são o que há de mais relevante.

É exatamente por isso que as boas vindas aos internautas chegam com um pouquinho de atraso.

Nos próximos dias, o blog vai passar por algumas pequenas mudanças. A começar pela foto da blogueira que hoje já nao tem essa cara aí do alto. Pelo menos os cabelos, quanta diferença!

Ah! E o mais importante pra dizer: o blog se chama Entre Nós, porque quem escreve gosta de conversar. Quero ler e comentar o que vocês escrevem aqui, sempre que possível.

Estou de volta. Entre Nós e entre amigos.

Um beijo Brasil!

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+ Lula sobre 2014: em política nunca dá pra dizer não
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23
julho
às 14:33

No dia seguinte ao meu encontro com o presidente Lula, em Brasília, minha tarefa era fazer uma reportagem para repercutir a entrevista. Jornais do Brasil e também do exterior deram destaque ao que Lula disse. E, sobretudo, ao que não disse. Aos momentos em que se calou pra chorar.

Mas uma repercussão apenas para repetir alguns trechos e colher opiniões não traria nada de novo para os telespectadores. Logo cedo decidi  mostrar alguns trechos inéditos e também os bastidores da conversa com o presidente. Imagens que mostram Lula descontraído, fazendo piadas, falando da vida dos tempos de operário.

Tudo isso, claro, num momento de campanha política acirrada, me trouxe uma dúvida. Mostrar Lula na intimidade do poder é um exagero? A dúvida me transportou para 2002, ano em que cheguei a Brasília, e para o final da era FHC.

No fim daquele ano, pisei pela primeira vez no gabinete presidencial do Palácio do Planalto pra entrevistar FHC. Uma conversa de apenas 20 minutos,  pra registrar o encontro dele com o cartunista Chico Caruso que havia lançado um livro com as melhores charges que fez de FHC em oito anos.

Tinha em mãos algumas poucas e boas imagens do estilo FHC, elegante e descontraído diante das câmeras. Ontem, tinha muitas e boas imagens do estilo Lula, cativante e emocionado diante das câmeras.

 lula FHC ok Lula, FHC e as reflexões de uma repórter

FHC recebeu o cartunista.

Lula diz que não lê a Veja.

FHC era aclamado como intelectual.

Lula, muitas vezes, tratado como um desqualificado.

Dois momentos.

Compará-los trouxe a resposta para a dúvida desta repórter. Não importam as diferenças entre as duas eras. Se em 2002 eu tivesse entrevistado FHC por uma hora e meia, usaria em minha reportagem cada detalhe dos bastidores.

Presidentes são personagens marcantes.  Amados ou odiados são parte da história. E o cidadão comum, tão distante da intimidade dos palácios, tem direito a chegar um pouco mais perto.

As câmeras de TV podem fazer isso.



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