26
março
às 14:52

O apartamento dele é suntuoso. Quase mil metros quadrados, de frente para o rio Tâmisa. O prédio parece um navio e o comandante deste barco é um gente boa nato. Nunca havia me encontrado com o zagueiro David Luiz até tocar a campainha da casa dele, bem na hora do almoço. E não foi golpe, não. Na correria, entre uma reportagem e outra, estamos acostumados a só parar pra comer às 17h.

Seria assim naquele dia, não fosse a gentileza do David, que nos esperava para almoçar e com um cardápio especial - escondidinho de carne, picanha recheada, arroz, feijão, farofa... Hum... Foi nosso primeiro legítimo almoço brasileiro depois de um mês em Londres.

ok1 Amizade à primeira vista

As ajudantes dele estavam tímidas, não queriam aparecer na reportagem, mas acabaram contando alguns segredos do craque. Antes de jogos importantes, não pode faltar feijão. Mas agora tem que ser com muito caldo, porque o zagueiro está usando aparelho nos dentes. Não consegue mastigar tudo.

O sorriso de David já é bonito. Mas ele quer dar uma melhoradinha. Sim, o jogador é vaidoso. Não do tipo que tem um monte de cosméticos no banheiro. Mas ele disse que passa um creminho para os famosos cachos. O estilão do cabelo lembra o do jogador de basquete, Anderson Varejão. Os dois não se conhecem, mas frequentemente são comparados. É que os cachos também se tornaram a marca registrada de David Luiz. Em dias de jogos importantes do Chelsea, os torcedores usam uma peruca a la David e fazem a festa no estádio.

Zagueiro, com popularidade de atacante. Amado no Chelsea e agora assediado pelo Barcelona. David não deu dicas se a negociação com o time espanhol pode avançar, mas relembrou os momentos difíceis que passou pra chegar até aqui. O jogador saiu de casa aos 14 anos de idade, foi demitido do São Paulo, passou maus pedaços no América de Minas, dividindo um alojamento com mais de 20 garotos. Chegava a mentir pra mãe, dizendo que estava bem, mesmo quando já não aguentava mais.

A saída foi implorar para jogar no Vitória da Bahia, até que veio o convite do Benfica de Portugal. Era o começo da consagração. De lá pra cá, vieram a fama, o dinheiro e o que ele mais queria: reconhecimento. David diz que muitos não acreditaram que ele tinha um bom futebol pra mostrar. Mas ele sempre acreditou. E conseguiu chegar onde poucos chegam. Sem jamais se deslumbrar. O zagueiro diz que é imensamente grato, por tudo que recebeu da vida. E repete, com frequência: "eu não sou famoso, eu estou. Eu não sou o David Luiz, eu estou".

É por isso que ele recebe uma equipe de TV do Brasil de braços abertos e mesa posta. Tem um jeito leve, bem humorado e, brincando, nos deixou muito à vontade. David realmente nos fez sentir em casa. A reportagem terminou, a prosa seguiu. Saímos de lá depois do entardecer  e com um presente para o fãs do Esporte Fantástico - a camisa do Brasil que ele usou numa partida.

ok Amizade à primeira vista

E eu avisei... Em breve vamos reaparecer para outra entrevista. E vai ser na hora do almoço... Ou do jantar.

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7
março
às 09:08

dri 2 ok Hospitalidade brasileira na terra da rainha

Não foi com chá das cinco que acabou o dia. Foi com bolo de fubá - o legítimo - com erva doce. E café, também genuíno, trazido do Brasil pela dona Rose. Ela é a mãe do Sandro Cordeiro, o volante do Tottenham que é considerado nome certo na seleção olímpica do Brasil aqui em Londres. Já passava das seis da tarde, fazia bastante frio e, sabe como é, repórter sempre tem fome quando acaba a entrevista.

Dona Rose me arrastou pra cozinha. E a equipe inteira. Saiu um café das 6, perfeito. Ela, que chama o Sandro de bebezão, vem a Londres a cada dois meses visitar o filho.  E não é visita de beija-flor, não. Fica um mês inteiro. Arruma feijão, café, fubá, erva doce e faz todas as vontades do jogador.

dri 3 ok Hospitalidade brasileira na terra da rainha

E ele é um showman. Divertidíssimo! Adora música sertaneja - tem um irmão que é cantor - e pega o violão pra esquentar a matéria. No quintal da casa, está sempre montada a rede para o futevôlei e um golzinho bem pequeno também está na área. Especialidade de volante não é fazer gol, mas precisando... Sandro faz.

No dia da entrevista com o jogador nossa equipe deu muita sorte. Quem apareceu para visitá-lo foi o Bruno Uvini,  zagueiro que jogava no São Paulo e acaba de chegar ao Tottenham. Ganhamos mais um entrevistado e um bate-bola sensacional. Bola rolando e a entrevista também.

Esse foi o nosso assunto da reportagem especial de ontem do Jornal da Record. Mas no Esporte Fantástico deste sábado você vai ver mais detalhes. Sandro vai soltar a voz.. num tche-tche-tcherererêêê... muito engraçado.

Agora tenho que correr pra terminar o último texto da série do JR, a reportagem de sexta-feira.

E vou terminar do jeito que o Sandro gosta...

Misturando inglês com português. Ele faz isso todo o tempo.  E a expressão que mais usa é essa: "tamo together".

É isso aí...

Estamos juntos!

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4
fevereiro
às 16:17

Vou dar algumas pistas.

Um país que conseguiu acabar com a violência.

Onde pobres e ricos estudam em universidades públicas. E mais um detalhe: os ricos pagam mensalidade pra bancar a abertura de novas vagas para estudantes sem condições de pagar pelos estudos.

Um país onde a classe política é séria, muito séria.

Que país é esse? O Brasil.

Já terminou de rir?

Sim, eu também dei gargalhadas quando ouvi isso.

Então, eu explico. Esse país maravilhoso é o Brasil na visão dos argentinos.

Nos dois dias que passei na capital, Buenos Aires, pra acompanhar a primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff, notei um certo deslumbramento dos argentinos com o nosso país.

Ouvi de várias pessoas frases como: "o Brasil é um país que devemos copiar". Ou: "o Brasil é uma potência, fez tudo corretamente e nós devemos seguir". Ou ainda: "Somos gratos pelos turistas brasileiros virem gastar reais aqui, somos gratos pelas empresas brasileiras investirem na Argentina".

Era um misto de deslumbramento com gratidão o que eu percebi ao entrevistar os argentinos.

Mas achei que poderia ser uma interpretação errada da minha parte.

Quando Dilma se foi, durante um jantar com os colegas correspondentes que vivem em Buenos Aires e entendem deste país muito mais do que eu, descobri que os argentinos vivem mais do que uma lua de mel com o Brasil.

É síndrome aguda da imaginação fértil. Os argentinos criaram um "brasil miragem", escrevo assim com letra minúscula porque a gente sabe que esse país ainda não existe.

Meus colegas jornalistas me explicaram que há por lá defensores de que o Brasil já está no grupo dos países desenvolvidos.

Outros acreditam piamente nos absurdos que escrevi na abertura deste texto - que a violência acabou por aqui, que a educação é uma maravilha, que os políticos... bom essa é melhor nem repetir.

E há também um desconhecimento.

Assim, quando algum argentino quer defender uma ideia como a cobrança de mensalidades dos alunos mais ricos nas universidades, logo usa como argumento o Brasil. "Lá no Brasil isso já foi testado e deu certo", é uma frase comumente repetida sem qualquer compromisso com a realidade.

Claro, na comparação com a Argentina o Brasil tem um peso muito maior.

Economicamente falando quase seis vezes maior, comparando o PIB - produto interno bruto - dos dois países.

Há conquistas que o Brasil já alcançou e que a Argentina ainda não. Um exemplo: o compromisso com as metas de inflação. Lá a inflação oficial fechou o ano em quase 11%. Mas índices não-oficiais indicam que a inflação pode ser três vezes maior do que o governo divulga.

Conversei com taxistas, vendedores, camareiras e todos eles reclamam da carestia oculta, corroendo o bolso.

E falando em dinheiro... Neste momento, pesos argentinos estão sendo fabricados no Brasil. Ou, pelo menos, uma boa parte deles. Faltam cédulas no comércio argentino. As notas que estão em circulação estão muito velhas. E os bancos limitam os saques porque não tem moeda pra atender todos os clientes. A explicação: erro estratégico. O governo argentino não fez o estoque de papel moeda necessário para atender a demanda por cédulas e teve que pedir socorro ao  Banco Central do Brasil.

Sim, eles podem ter o Brasil como exemplo pra muitas coisas.

E nós podemos fazer um exercício diferente.

Botamos fé nesse "brasil miragem" que os argentinos inventaram e arregaçamos as mangas para construí-lo de verdade.

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31
janeiro
às 14:10

Ou simplesmente Dilma e Cristina.

As duas mulheres que comandam as duas maiores economias da América do Sul se encontraram há poucos minutos na Casa Rosada - a sede oficial do governo argentino.

É a primeira viagem internacional de Dilma como presidente empossada. O destino foi escolhido, segundo declarações de Dilma à imprensa argentina, porque o Brasil considera a aliança entre os dois países estratégica.

Ontem (30), domingo ensolarado na bela Buenos Aires, nossos vizinhos liam as notícias sobre a visita de Dilma cheios de expectativa. Os argentinos consideram que tiveram na última década um período de lua de mel com o Brasil. E sabem que essa integração foi fundamental para retomar o desenvolvimento depois da quase falência na virada do século.

Elogios a Lula são comuns. Aqui também eles falam em continuidade. E agora, o que a imprensa argentina pergunta é: qual será a química entre Rousseff e Kirchner?

New Image 2 Entre elas: Rousseff e Kirchner

Na CNN em espanhol os internautas opinaram. Alguns disseram que as duas são como azeite e água. Outros diziam que elas vão se dar bem, já que as duas foram militantes contra a ditadura e teriam opiniões semelhantes, sobretudo na área social.

A imprensa pode acompanhar os primeiros minutos do encontro. Kirchner, de luto, mais uma vez apareceu de roupas pretas. Mas recebeu Dilma muito sorridente. As duas pareciam muito à vontade. Chegaram a brincar com uma ministra argentina presente ao encontro, elogiando a roupa da colega.

A expectativa no país é grande. 2010 foi um ano bom para a Argentina. A economia cresceu, o desemprego caiu - está em aproximadamente 7,5%. Mas há muito o que fazer. De cada três argentinos, um vive na pobreza. E o país precisa se livrar de uma praga chamada inflação.

Pelo índice oficial, a inflação em 2010 foi de 10,9%. Mas pesquisas feitas por institutos não governamentais mostram que o índice real pode ser quase o triplo disso.

New Image Entre elas: Rousseff e Kirchner

Ainda assim, os argentinos parecem apostar em Kirchner para resolver esses problemas. Ela está bem cotada nas pesquisas eleitorais. Pode disputar a reeleição no mês de outubro próximo, mas ainda não anunciou se vai se candidatar.

E apostam também que a parceria com o Brasil continuará dando certo nesta nova fase.

"Acredito na sensibilidade das mulheres. E espero que elas sejam sensíveis as necessidades dos dois povos", me disse ontem a chef de cozinha Sandra Rana, que trabalha na região de Bariloche e passeava pela capital.

Na rua  Florida, centro de compras da cidade, também encontrei a assistente social, Sabrina Alonso, que comemorava o fato de duas mulheres estarem no comando agora. "Depois de tanto machismo, chegou a hora de reconhecerem que a mulher também pode", disse ela.

Pelo que senti nas ruas, nossos eternos rivais do futebol estão torcendo pelo sucesso da dobradinha Dilma - Cristina. Agora há pouco, não teve o apito do juiz, mas vimos o aperto de mãos das duas jogadoras.

O jogo começou.

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2
novembro
às 15:31


Foi a impressão geral. A presidente eleita, Dilma Rousseff, surgiu na primeira entrevista exclusiva muito mais leve.


Estava mesmo. Podem ser diferenças sutis - o sorriso mais natural, a fala que sai mais fácil - mas muitos notaram.


Depois de uma longa negociação, tínhamos 10 minutos para a entrevista. Claro, diante da presidente, a conversa sempre se alonga um pouquinho. Surge uma pergunta mais e Dilma respondeu com tranquilidade. Saiu brincando e ainda tirando fotos com a equipe tėcnica, apesar da agenda lotada.


Estava mais parecida com a Dilma que conheci pelo depoimento de vários amigos que pude entrevistar.


Amigos que conviveram com Dilma em várias fases da vida, que não se conhecem, mas falam sobre características muito semelhantes - do bom humor, da mania de dar apelidos a todos, da paixão por leitura, da solidariedade.


Foi essa Dilma que tentamos mostrar na reportagem especial de ontem no Jornal da Record.


Foi essa Dilma que apareceu um pouquinho na entrevista ao JR.



Após 55 milhões de votos, claro, termina a pressão da campanha. Sai de cena o sorriso encomendado pelos marqueteiros, surge outro bem mais genuíno.


Ė o período "lua de mel" de quem sai consagrado das urnas.


Ao tomar posse, novas pressões virão. A lua de mel passa. Vêm as críticas, o embate democrático no Congresso, o peso de fazer a máquina Brasil andar.


Certamente surgirá, outra vez, a Dilma que já conhecemos melhor. Aquela de expressão muito firme. A Dilma que bate na mesa e que terá que fazer isso muitas vezes, pra cumprir as promessas que fez.


Mas vou arriscar mais um palpite sobre a presidente. Das muitas coisas que a campanha ensinou a Dilma, acho que ela aprendeu que pode sorrir mais, se revelar um pouco mais, sem perder a autoridade.


Dilma já entrou para história como a primeira mulher que vai ocupar o Palácio do Planalto.


Que entre pra história tambėm como uma grande presidente. Sorrindo...


E que o povo brasileiro esteja sorrindo também.


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31
outubro
às 11:28

bandeira do brasil blog Se meu voto falasse... 

Acabo de sair da minha seção de votação. Deixei lá, no segredo da urna, que deve  ser inviolável, minha preferência.


Não a torno pública porque não quero, em hipótese alguma, influenciar outros eleitores. Mas decidi escrever, em nome do meu voto, para os dois candidatos que disputam essa corrida presidencial.


Se meu voto falasse pediria a quem for eleito para pensar um BRASIL grande. Para que faça um BRASIL grande.


Imenso na força da economia e na luta pelas desigualdades sociais. Um país que possa se orgulhar dos números do crescimento e do número de famílias que deixarão as estatísticas da pobreza e da miséria.


E sair da pobreza não significa apenas ter o que comer na mesa. Significa também ter um endereço digno para morar, sem as doenças do esgoto batendo na porta. Sem um desmoronamento iminente a cada temporal.


Se meu voto falasse diria que essas famílias, ainda que necessitem de uma ajuda emergencial pra ter o que comer e onde morar, precisam de muito mais que isso. Precisam de oportunidades, para que possam progredir pelo esforço do próprio trabalho.


Precisam de boas escolas para que a próxima geração não fique condenada a ser dependente de qualquer outra ajuda emergencial. Para isso os governantes terão que administrar bem cada real aplicado na educação.


Para que nosso país possa sair de vez da lanterninha das avaliações internacionais que ainda nos colocam na vexatória posição de um lugar de crianças que frequentam a escola mas não aprendem.


Se meu voto falasse diria ao futuro ou à futura presidente que ofereça a cada brasileiro um atendimento público de saúde semelhante ao que os candidatos recebem nos planos de saúde que eles têm.


Para que um pai ao levar o filho doente ao SUS não precise esperar horas ou desistir simplesmente pela falta de médicos. E para que o paciente que necessite de um exame ou especialista não tenha que esperar meses ou mais de ano.


Se meu voto falasse iria implorar para que os impostos sejam aplicados sem qualquer vestígio de corrupção, favorecimento em licitações ou qualquer coisa assim. O que significa que não podem existir mais Erenices e Paulos Pretos. Não pode existir mais nepotismo.


Significa que, em vez do apadrinhamento, o mérito é que deve ser critério exclusivo na escolha de quem vai trabalhar para o povo - do auxiliar administrativo ao ministro. E que eles trabalhem muito, com o reconhecimento que merecem. Sem os privilégios que muitas vezes eles têm.


Se meu voto falasse diria à vencedora ou ao vencedor que coloque o interesse público acima de qualquer projeto de poder, acima de qualquer acordo político.


E diria a quem perder que não faça oposição apenas com interesse de encrencar o governo eleito já pensando na próxima vez em que o eleitor retornar às urnas. Se meu voto falasse diria que tudo isso que muitos chamam de utopia, eu chamo apenas de obrigação.


Somos milhões de votos tentando falar. E não é que os votos falam? As urnas vão falar esta noite. Meu ofício de repórter me obriga a esquecer o feriado e embarcar para Brasília pra acompanhar a apuração do TSE.


Viajo com um desejo enorme de que políticos - ganhadores e perdedores - não se façam de surdos mais uma vez. Pra que o grito das urnas possa, enfim, ser ouvido. Aquele BRASIL no futuro dirá: muito obrigado!


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27
setembro
às 15:49

presidenciaveis Quem venceu o debate da Record? 


Foi a primeira frase que ouvi hoje, dentro do elevador do hotel, a caminho do café da manhã. E é a pergunta que todos fazem ao fim de um debate, sobretudo nesta reta final e acalorada da corrida entre os presidenciáveis.

Dos bastidores, pude observar bem a reação dos candidatos, assessores e conversar com muitos deles após o fim do programa. Todos saem dizendo que o candidato foi bem, ficou feliz com o desempenho, etc e tal. Parece que não há perdedor, nem ganhador.

E nem sempre há. E foi o que aconteceu ontem. O debate teve pontos altos e baixos para todos os candidatos, sem que nenhum se sobrepusesse claramente sobre os  outros.
Vamos a eles.

José Serra - preferiu a estratégia de não enfrentar Dilma Rousseff. Logo no começo do debate, abriu a série de perguntas e escolheu Plínio. Passa uma impressão de que "amarelou", fugiu do confronto? Os estrategistas dizem que não. Foi apenas uma maneira de não deixar a última palavra com a adversária já que quem responde, sempre faz a tréplica final.

Além disto, Serra evita ficar no papel de carrasco, daquele que apenas acusa para não passar uma impressão de vingativo, que assusta o eleitor. Mas a estratégia de dobradinha com o Plínio não deu certo. Logo no comecinho, Serra pergunta sobre Irã e Plínio elogia o governo Lula. Mais tarde Serra pergunta sobre educação e é chamado de péssimo professor.

Serra parecia fisicamente cansado mas no final surpreendeu e foi muito bem nas considerações finais. Falou de forma simples, pediu  votos e demonstrou sinceridade.
 
Dilma Rousseff - foi beneficiada pela fuga de Serra rumo ao Plínio. A expressão dela no começo do debate era de surpresa com o tom light da discussão. O assunto da quebra de sigilo na receita federal só apareceu porque a própria Dilma falou da investigação, quando respondia a pergunta de Marina Silva sobre o suposto tráfico de influência do ex-braço direito, Erenice Guerra.

Foi bem na defesa, passou firmeza, lembrou a Marina que no Ministério do Meio Ambiente também houve denúncias graves de corrupção e as duas, segundo Dilma, agiram da mesma forma, pedindo apuração completa.

Quem está na frente das pesquisas sabe que pode apanhar muito num debate. Como Dilma não apanhou tanto, os assessores saíram satisfeitos.

Assista ao vídeo com a íntegra do debate

Mas, tem sempre um mas... E o da Dilma está no tom do discurso. Continua falando de um jeito técnico demais. Crescimento sistêmico do emprego, valorização salarial, CGU... Com isso perde boas oportunidades de se dirigir diretamente ao eleitor. Mesmo nas considerações finais, faltou essa espontaneidade e simplicidade nas palavras.

Marina Silva - foi bem pra se mostrar como a terceira via, a opção diferente para o eleitorado. Estava mais popular no discurso, mais clara. A missão de Marina de tentar chegar ao segundo turno é dificílima, tem que herdar a maioria dos votos indecisos e ainda roubar votos dos dois maiores adversários. Por isso a frase da candidata: Serra e Dilma são muito parecidos. Serra deu gargalhada nesta hora mas não entrou no mérito.

O que falta? Mais consistência pra comprovar que tem competência e condições de administrar um país em todos os seus aspectos e não apenas nas questões ambientais. Não estou dizendo que ela não tem condições para isso, mas que nåo conseguiu passar a firmeza e a confiança necessários pra convencer os milhões de eleitores que podem levá-la ao segundo turno.

Plínio de Arruda - esse não perde nunca porque não está ali pra ganhar. Garante sempre a graça dos debates. Franco atirador, bate em todo mundo e não apanha nunca porque nenhum adversário acha que vale a pena o desgaste de bater no Plínio. Ele está nesta disputa pra eleger parlamentares do Psol. Deixa isso claro e deve conseguir votos para o partido. Nada mal, mesmo que o Psol tenha projetos ultrapassados, a vigilância da oposição é necessária sempre.

E, como eu disse que sempre tem um mas... Agora é pra mim mesma. Essas são as minhas impressões, as minhas avaliações de cada candidato. Mas você pode discordar de todas elas. Pode xingar ou esbravejar.

A minha opinião e a sua tem o mesmo valor. Cada voto vale um. E ponto. A soma de todos nós vai eleger mais um ou uma presidente. Que nós elegemos e podemos criticar ou elogiar a vontade. Que seja assim, para todo o sempre.

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