Não houve eleição. Mas já escolhi Song e Ho como os dois sul-coreanos mais simpáticos de Seul.
Pelo menos os dois mais simpáticos dos meus cinco dias de Seul.
Depois da longa viagem e da difícil empreitada de seguir Dilma Rousseff, a pauta de domingo era percorrer os mercados coreanos.
Aquele tipo de reportagem bom pra se divertir.
E, assim, fomos eu e o repórter cinematográfico, Gilson Dias, rumo ao maior mercado de peixes da cidade.
E por lá, encontrei os dois irmãos. Assim como eu, eles também trabalhavam e se divertiam.
Song atraiu nossa câmera mostrando os grandes peixes nadando no aquário que, em poucos segundos, se transformariam em sashimi, ali mesmo, no fundo da barraca.
É o jeito mais barato de comer sashimi em Seul e, claro, o jeito mais seguro. Não há dúvida de que a mercadoria está fresquinha.
Conversa vai, conversa vem... Ele me oferece uma ostra gigantesca. Põe um molhinho com pimenta - leve. Delícia!
Depois, um sashimi de um peixe raro e caro. A bandejinha para umas 3 pessoas pode custar 300 reais. Ótimo também.
E daí, num inglês sofrível, Song começa uma conversa mais ou menos assim:
- Quantos anos você tem?
- 38, respondi.
- Nossa, parece que tem 28! (adoro essa parte da conversa em qualquer parte do mundo)
- É?
- Meu irmão, o Ho, tem 43.
- Hum...
- Acho que você deveria se casar com ele. Ė um ótimo rapaz e ainda está solteiro.
- Mas já sou casada, disse.
- E onde está a aliança? - perguntou Song.
- Não uso. Desculpe mas não posso me casar com Ho.
Ho me olha de lado e sorri um sorriso que não quer dizer nem sim, nem não.
Sorriso de carona, de quem não começou a brincadeira
E Song reage. Pede que eu devolva imediatamente a ostra e o sashimi caro que eu havia acabado de comer.
E emenda:
- Tudo bem. Você não pode se casar com ele, por enquanto. Se seu casamento der errado no Brasil, você volta e ele vai estar te esperando. Ele tem 43 anos. É um ótimo rapaz...
Saí rindo e imaginando que talvez Ho não seja essa simpatia toda. O irmão, pelo menos, está louquinho pra se livrar dele.
De qualquer forma, eu ganhei uma boa história e um plano B.
Sashimi de graça, com um cunhado engraçadíssimo, pode não ser um mau negócio. Até porque adoro sashimi.
Mas acho que, por enquanto, vou continuar cliente do Sushi Papaia mesmo.
















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