4
fevereiro
às 16:17

Vou dar algumas pistas.

Um país que conseguiu acabar com a violência.

Onde pobres e ricos estudam em universidades públicas. E mais um detalhe: os ricos pagam mensalidade pra bancar a abertura de novas vagas para estudantes sem condições de pagar pelos estudos.

Um país onde a classe política é séria, muito séria.

Que país é esse? O Brasil.

Já terminou de rir?

Sim, eu também dei gargalhadas quando ouvi isso.

Então, eu explico. Esse país maravilhoso é o Brasil na visão dos argentinos.

Nos dois dias que passei na capital, Buenos Aires, pra acompanhar a primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff, notei um certo deslumbramento dos argentinos com o nosso país.

Ouvi de várias pessoas frases como: "o Brasil é um país que devemos copiar". Ou: "o Brasil é uma potência, fez tudo corretamente e nós devemos seguir". Ou ainda: "Somos gratos pelos turistas brasileiros virem gastar reais aqui, somos gratos pelas empresas brasileiras investirem na Argentina".

Era um misto de deslumbramento com gratidão o que eu percebi ao entrevistar os argentinos.

Mas achei que poderia ser uma interpretação errada da minha parte.

Quando Dilma se foi, durante um jantar com os colegas correspondentes que vivem em Buenos Aires e entendem deste país muito mais do que eu, descobri que os argentinos vivem mais do que uma lua de mel com o Brasil.

É síndrome aguda da imaginação fértil. Os argentinos criaram um "brasil miragem", escrevo assim com letra minúscula porque a gente sabe que esse país ainda não existe.

Meus colegas jornalistas me explicaram que há por lá defensores de que o Brasil já está no grupo dos países desenvolvidos.

Outros acreditam piamente nos absurdos que escrevi na abertura deste texto - que a violência acabou por aqui, que a educação é uma maravilha, que os políticos... bom essa é melhor nem repetir.

E há também um desconhecimento.

Assim, quando algum argentino quer defender uma ideia como a cobrança de mensalidades dos alunos mais ricos nas universidades, logo usa como argumento o Brasil. "Lá no Brasil isso já foi testado e deu certo", é uma frase comumente repetida sem qualquer compromisso com a realidade.

Claro, na comparação com a Argentina o Brasil tem um peso muito maior.

Economicamente falando quase seis vezes maior, comparando o PIB - produto interno bruto - dos dois países.

Há conquistas que o Brasil já alcançou e que a Argentina ainda não. Um exemplo: o compromisso com as metas de inflação. Lá a inflação oficial fechou o ano em quase 11%. Mas índices não-oficiais indicam que a inflação pode ser três vezes maior do que o governo divulga.

Conversei com taxistas, vendedores, camareiras e todos eles reclamam da carestia oculta, corroendo o bolso.

E falando em dinheiro... Neste momento, pesos argentinos estão sendo fabricados no Brasil. Ou, pelo menos, uma boa parte deles. Faltam cédulas no comércio argentino. As notas que estão em circulação estão muito velhas. E os bancos limitam os saques porque não tem moeda pra atender todos os clientes. A explicação: erro estratégico. O governo argentino não fez o estoque de papel moeda necessário para atender a demanda por cédulas e teve que pedir socorro ao  Banco Central do Brasil.

Sim, eles podem ter o Brasil como exemplo pra muitas coisas.

E nós podemos fazer um exercício diferente.

Botamos fé nesse "brasil miragem" que os argentinos inventaram e arregaçamos as mangas para construí-lo de verdade.

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31
janeiro
às 14:10

Ou simplesmente Dilma e Cristina.

As duas mulheres que comandam as duas maiores economias da América do Sul se encontraram há poucos minutos na Casa Rosada - a sede oficial do governo argentino.

É a primeira viagem internacional de Dilma como presidente empossada. O destino foi escolhido, segundo declarações de Dilma à imprensa argentina, porque o Brasil considera a aliança entre os dois países estratégica.

Ontem (30), domingo ensolarado na bela Buenos Aires, nossos vizinhos liam as notícias sobre a visita de Dilma cheios de expectativa. Os argentinos consideram que tiveram na última década um período de lua de mel com o Brasil. E sabem que essa integração foi fundamental para retomar o desenvolvimento depois da quase falência na virada do século.

Elogios a Lula são comuns. Aqui também eles falam em continuidade. E agora, o que a imprensa argentina pergunta é: qual será a química entre Rousseff e Kirchner?

New Image 2 Entre elas: Rousseff e Kirchner

Na CNN em espanhol os internautas opinaram. Alguns disseram que as duas são como azeite e água. Outros diziam que elas vão se dar bem, já que as duas foram militantes contra a ditadura e teriam opiniões semelhantes, sobretudo na área social.

A imprensa pode acompanhar os primeiros minutos do encontro. Kirchner, de luto, mais uma vez apareceu de roupas pretas. Mas recebeu Dilma muito sorridente. As duas pareciam muito à vontade. Chegaram a brincar com uma ministra argentina presente ao encontro, elogiando a roupa da colega.

A expectativa no país é grande. 2010 foi um ano bom para a Argentina. A economia cresceu, o desemprego caiu - está em aproximadamente 7,5%. Mas há muito o que fazer. De cada três argentinos, um vive na pobreza. E o país precisa se livrar de uma praga chamada inflação.

Pelo índice oficial, a inflação em 2010 foi de 10,9%. Mas pesquisas feitas por institutos não governamentais mostram que o índice real pode ser quase o triplo disso.

New Image Entre elas: Rousseff e Kirchner

Ainda assim, os argentinos parecem apostar em Kirchner para resolver esses problemas. Ela está bem cotada nas pesquisas eleitorais. Pode disputar a reeleição no mês de outubro próximo, mas ainda não anunciou se vai se candidatar.

E apostam também que a parceria com o Brasil continuará dando certo nesta nova fase.

"Acredito na sensibilidade das mulheres. E espero que elas sejam sensíveis as necessidades dos dois povos", me disse ontem a chef de cozinha Sandra Rana, que trabalha na região de Bariloche e passeava pela capital.

Na rua  Florida, centro de compras da cidade, também encontrei a assistente social, Sabrina Alonso, que comemorava o fato de duas mulheres estarem no comando agora. "Depois de tanto machismo, chegou a hora de reconhecerem que a mulher também pode", disse ela.

Pelo que senti nas ruas, nossos eternos rivais do futebol estão torcendo pelo sucesso da dobradinha Dilma - Cristina. Agora há pouco, não teve o apito do juiz, mas vimos o aperto de mãos das duas jogadoras.

O jogo começou.

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3
janeiro
às 07:56

dilmaelula A cerimônia da posse


Quase seis horas ao vivo. A garganta, claro, acordou arranhando ontem. Mas como jornalista foi uma grande realização atuar pela segunda vez numa cerimônia de posse. Em 2003, estava na posse de Lula como repórter, a poucos passos da rampa do Palácio do Planalto. Pude participar da transmissão num momento muito simbólico - os 50 passos de Lula rumo ao poder. E pude sentir a ebulição na Praça dos Três Poderes lotada.


Desta vez, estava lá no alto,  na cobertura do anexo 4 do Congresso Nacional, ancorando a transmissão da cerimônia pela Record, narrando cada  passo, cada  reação de Dilma Rousseff. Pude acompanhar todos os momentos da posse, mas de um ponto de vista mais distante - a exatamente 10 andares acima da Praça dos Três Poderes, nem tão lotada como em 2003.


Lá de cima refleti e notei muitas diferenças entre um evento e outro, além da quantidade de gente na Esplanada. 


2003 era uma catarse. Eleitores e militantes estavam numa euforia, quase em transe pelo operário que chegava ao poder. Muitos petistas de carteirinha e também lulistas de primeira viagem. Pessoas simples que depois de muito desconfiar do sapo barbudo Lula, foram seduzidas pelo Lulinha paz e amor.


Lula, ao discursar ao povo, improvisou. Falou do orgulho de estar ali com a Dona Marisa num vestido bonito, onde no passado jamais imaginou que poderia estar. Falou que se um ex-operário chegou até aquele palácio, todos os brasileiros deveriam acreditar que também poderiam fazer grandes conquistas. Foi um banho de autoestima. Lula ali era como um espelho para o povo. E foi, literalmente, um banho coletivo no espelho d'água do Congresso. 


Sábado, Dilma discursou para o povo e também falou de possibilidades. Como primeira mulher a chegar à Presidência, claro, enviou o recado para as mulheres de que todas nós podemos. Mas não se alongou neste ponto. Leu um discurso mais técnico, indicando prioridades, reafirmando compromissos. Emocionou-se e fez muita gente se emocionar, mas não foi a catarse de antes. 


 dilma discurso ok A cerimônia da posse


Vi muitas mulheres chorando pela conquista de uma de nós. Me emocionei como elas. Alguns homens podem não entender muito bem essa história, mas pra nós faz muito sentido. Lá de cima me lembrei de quando eu tinha 9 anos.


Numa escola de freiras, uma professora ditou pra que as meninas anotassem no caderno a diferença entre os sexos. Homens: inteligência e força. Mulheres: sensibilidade e delicadeza. Naquele dia voltei pra casa inconformada.


Sábado, ao ver Dilma subir a rampa, me lembrei daquela aula absurda proferida por uma professora rendida à crença daquele tempo. E nem faz tanto tempo assim - menos de 30 anos. 


E foi por isso que me emocionei com as mulheres na Praça dos Três Poderes. Mas não vi a catarse de 2003 e fiquei feliz por isso. Em oito anos o Brasil amadureceu. O banho de autoestima do Lula foi necessário. As políticas sociais também.


Mas acho que um número cada vez maior de pessoas já está entendendo que precisamos avançar. Lula falou em garantir a comida para quem ainda não tinha três refeições por dia. Dilma falou em oportunidades para que os pais possam dar aos filhos um futuro melhor. 


Que venha esse futuro... Que venha o banho de Dilma. Nós mulheres comemoramos a conquista, mas também sabemos que governar bem não é uma questão de gênero, mas, sim, uma questão de ética e compromisso. Até por que, além de força e inteligência, temos sensibilidade.


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14
dezembro
às 19:03

Comentei ontem (13) com vocês sobre a primeira frase que Dilma Rousseff disse ao presidente Lula após a confirmação da vitória dela na disputa presidencial.

O vídeo, produzido pelo fotógrafo oficial da Presidência Ricardo Stuckert, ficou em sigilo até agora.

Logo que Dilma foi eleita, solicitei a imagem do encontro dela com o presidente no Palácio da Alvorada na noite de domingo, 31 de outubro de 2010. Na segunda-feira pós-segundo turno, apenas 17 segundos foram liberados e exibidos em primeira mão pela Record.

No trecho bem curto o que se via era Lula agradecer Dilma e dizer repetidas vezes : "valeu, valeu, valeu!".

Agora para concluir minha reportagem sobre os oito anos da era Lula, novas imagens de bastidores feitas por Ricardo Stuckert foram cedidas. E, pra minha grande surpresa, surgiram entre essas imagens preciosos 50 segundos - o encontro histórico entre o ex-operário que deixa o poder e a primeira mulher a chegar lá.  Ė o mesmo vídeo do encontro dos dois no Palácio da Alvorada só que agora divulgado na íntegra.

Veja o vídeo aqui:



Só então descobrimos o que Dilma disse. "Ê, presidente, o senhor inventou essa", falou a futura presidente, sem esticar o discurso pra conter a emoção diante das câmeras.. Dilma reconhece que é uma invenção de Lula, dirão os críticos. As pessoas mais próximas de Dilma Rousseff interpretam de outra forma. Eles dizem que Dilma é uma pessoa extremamente grata e fiel. E manterá essa fidelidade à Lula haja o que houver.

Façam suas apostas. O futuro sempre traz respostas e 2014 está logo ali.

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14
novembro
às 16:41

Daqui a pouco ela chega ao Planalto pra trabalhar. E ao Alvorada pra dormir.

Mas a presidente eleita, Dilma Rousseff,  já passou por um outro palácio esta semana. Foi durante a rápida visita que fez à Coreia do Sul.

Foram apenas dois dias e meio em Seul, uma agenda cheia de compromissos do G-20, a imprensa inteira de plantão na porta do hotel e, mesmo assim, Dilma conseguiu escapar por algumas horas pra conhecer um pouco mais da história sul-coreana.

O palácio visitado por Dilma tem um nome  impronunciável, com nove consoantes e apenas quatro vogais. Palácio Gyeongbokgung. A morada dos antigos monarcas chineses. Foi o palácio principal da Dinastia Joseon, que teve inicio em 1392. Ou seja, o Palácio já estava lá, imponente, cercado por lindas montanhas bem antes da descoberta do Brasil.

Na verdade, não se trata de um palácio só. São várias construções coloridas dentro de uma imensa área retangular onde havia a residência da rainha, do rei, dos parentes, as áreas de trabalho e lazer. Diante do palácio  principal ficam as lápides onde os reis foram enterrados.

Estas construções já foram destruídas algumas vezes ao longo da história e reconstruídas no estilo original pelos coreanos.

3 O castelo de Dilma

2 O castelo de Dilma

1 O castelo de Dilma

4 O castelo de Dilma

O zelo pela história é admirável neles.

O lugar é patrimônio da humanidade e sagrado para a população do país.

Dilma Rousseff, com seu jeitão objetivo, não deu muitos detalhes da visita. Quando apareceu diante dos jornalistas, disse apenas: "fui lá e voltei. É muito bonito."

Não sei o que mais impressionou a presidente. Pra  mim, além do colorido dos prédios e da beleza das montanhas ao redor, são as noivas de Gyeongbokgung que roubam a cena.

Elas peregrinam pra lá em busca dos melhores ângulos para as fotos do casório.

E os vestidos... bem, só vendo pra entender.

É hoje à noite no Domingo Espetacular. Vamos mostrar também muitas outras curiosidades da primeira viagem internacional de Dilma depois de eleita. Apenas a nossa equipe viajou com ela no avião.

Qual será a comida que ela mais gostou? E o que deixou pra trás?

Não posso contar agora, senão meu chefe me torce a orelha.

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2
novembro
às 15:31


Foi a impressão geral. A presidente eleita, Dilma Rousseff, surgiu na primeira entrevista exclusiva muito mais leve.


Estava mesmo. Podem ser diferenças sutis - o sorriso mais natural, a fala que sai mais fácil - mas muitos notaram.


Depois de uma longa negociação, tínhamos 10 minutos para a entrevista. Claro, diante da presidente, a conversa sempre se alonga um pouquinho. Surge uma pergunta mais e Dilma respondeu com tranquilidade. Saiu brincando e ainda tirando fotos com a equipe tėcnica, apesar da agenda lotada.


Estava mais parecida com a Dilma que conheci pelo depoimento de vários amigos que pude entrevistar.


Amigos que conviveram com Dilma em várias fases da vida, que não se conhecem, mas falam sobre características muito semelhantes - do bom humor, da mania de dar apelidos a todos, da paixão por leitura, da solidariedade.


Foi essa Dilma que tentamos mostrar na reportagem especial de ontem no Jornal da Record.


Foi essa Dilma que apareceu um pouquinho na entrevista ao JR.



Após 55 milhões de votos, claro, termina a pressão da campanha. Sai de cena o sorriso encomendado pelos marqueteiros, surge outro bem mais genuíno.


Ė o período "lua de mel" de quem sai consagrado das urnas.


Ao tomar posse, novas pressões virão. A lua de mel passa. Vêm as críticas, o embate democrático no Congresso, o peso de fazer a máquina Brasil andar.


Certamente surgirá, outra vez, a Dilma que já conhecemos melhor. Aquela de expressão muito firme. A Dilma que bate na mesa e que terá que fazer isso muitas vezes, pra cumprir as promessas que fez.


Mas vou arriscar mais um palpite sobre a presidente. Das muitas coisas que a campanha ensinou a Dilma, acho que ela aprendeu que pode sorrir mais, se revelar um pouco mais, sem perder a autoridade.


Dilma já entrou para história como a primeira mulher que vai ocupar o Palácio do Planalto.


Que entre pra história tambėm como uma grande presidente. Sorrindo...


E que o povo brasileiro esteja sorrindo também.


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1
novembro
às 11:30

lula dilma ok As quase lágrimas de Dilma


Quatro meses atrás escrevi sobre o dia em que vi as lágrimas de um presidente. Era Lula chorando ao relembrar momentos marcantes dos oito anos de governo.


Ontem o Brasil inteiro testemunhou as quase lágrimas de Dilma Rousseff.


E ela quase chorou por Lula, agradeceu pela honra do apoio, pelo privilégio da convivência.


Definiu o presidente como um líder apaixonado pelo seu país e sua gente. E disse que baterá sempre à porta dele.


O choro ficou preso na garganta. Dilma parou o discurso, tomou água duas vezes para conseguir concluir o agradecimento a Lula.


A plateia aplaudia, gritava "Lula! Lula!" e parecia aguardar a apoteose de ver a mulher com fama de durona chorar em público. Ela não chorou, mas emocionou muita gente que estava ali, naquela sala superlotada.


E Dilma ontem certamente teve razão pra chorar. Não somente por Lula, mas por ela mesma.

O feito é inédito. Pela primeira vez temos uma presidenta. E com uma trajetória surpreendente. Na campanha muitos tentaram reduzi-la a quase nada.


Lembro-me agora da coluna de um jornalista que criticava Dilma por ela sempre ter ocupado cargos públicos por indicação política. Por nunca ter disputado nenhuma eleição, como se fosse uma aproveitadora das benesses do governo.


Uma mulher não escreveria isso. Um homem que conheça e respeite a trajetória de todas nós, mulheres, também não. Dilma vem de um tempo em que as mulheres deveriam ser boas donas de casa. No máximo, professoras.


Foi muito além disto. Sim, ela fez carreira na vida pública, indicada para cargos no sul do país acompanhando o marido Carlos Araújo. Mas, naquela época, mulheres nas urnas eram uma raridade. Vencedoras, então, quase inexistentes.


As mulheres ainda são minoria na política nacional. E as mulheres não consagraram Dilma. Ela recebeu mais votos dos homens.


Será por que ensinaram às mulheres que eles são mais "eficientes" do que nós? Ainda desconfiamos de nossa própria capacidade?


Dilma, a mulher que trocou o conforto e o aconchego da família de classe média alta para lutar para que todos nós pudéssemos votar, ontem viu 55 milhões de brasileiros votarem nela.


Começou falando das mulheres. E pediu às mães de meninas pra que olhassem para suas filhas nos olhos e dissessem a elas: "sim, nós podemos"! Farei isto quando retornar a São Paulo e reencontrar minha filha.


Dilma não será uma boa presidente apenas por ser mulher. É claro que não! Ela sabe disto. Dilma sabe também que cometeu um erro ao escolher Erenice Guerra como braço-direito. Não poderá errar mais.


E disse: "não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mal feito".


Que ela cumpra o que prometeu. Que ela honre todos nós, mulheres e homens. E que ela chore quando quiser. Ontem, podia ter chorado pela grande guinada que deu.


Se posso arriscar um palpite, Dilma não chorou justamente por ser mulher.


Deve ter imaginado que chorar, logo no primeiro discurso depois de eleita, poderia ser um sinal de fraqueza.


Frágil ela já mostrou que não é.



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4
outubro
às 12:17

marina blog Pra onde vão os votos de Marina Silva?


Estávamos todos lá, cerca de 100 jornalistas esperando por Dilma Rousseff após a confirmação do segundo turno. Uma correria desnecessária fez com que a imprensa se posicionasse em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Lula onde a candidata acompanhou toda a apuração.


Após cinco minutos de confusão, mudança de planos. Corremos para um hotel ao lado - onde a candidata iria falar. Seria a campanha já batendo cabeça? Alguns chegaram a cogitar que Dilma sequer falaria com a imprensa ontem à noite. Mas ela falou.  


Apenas dez minutos de um pronunciamento moderadíssimo. Elogios e agradecimentos à militância, "guerreira e aguerrida", segundo Dilma. Elogios a todos os eleitos, inclusive da oposição. E elogios à Marina Silva, que podemos chamar de a vencedora da noite.


Marina tinha apenas 1 minuto e 23 segundos na propaganda eleitoral obrigatória, contra quase 11 minutos de Dilma e mais de 7 minutos do Serra. A conquista de 20% dos votos é surpreendente. Marina é mais da metade de Serra. Quase a metade de Dilma. Marina que não teve o Lula e não tem a trajetória do Serra.


Agora, pra onde vão os quase 20  milhões de votos de Marina?     


O "boatômetro" de Brasília já dizia ontem que José Serra iria trocar de vice, forçando uma renúncia de Indio da Costa pra convidar Fernando Gabeira - derrotado na disputa ao governo do Rio. Seria uma estratégia pra tentar herdar os votos do Partido Verde. Ninguém confirma se a hipótese existe.   


 Já a campanha de Dilma acredita que os eleitores de Marina não irão migrar tão facilmente para um lado ou para o outro. O voto de Marina seria, nesta avaliação, de um eleitor cansado que não quer Serra nem Dilma e que por isso terá que ser conquistado.     


Como? Ninguém tem a  resposta ainda. Saberemos nos próximos dias. A fórmula da Dilma certamente terá uma grande dose de Lula. A fórmula de Serra terá muitos ataques. Por isso o clima  ontem entre os assessores de Dilma era tenso, algo como "preparem-se para uma guerra".    


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10
agosto
às 14:12

Dilma Rousseff Duas Dilmas

Jornalistas acompanham o desempenho dos presidenciáveis com um olho na notícia, no conteúdo, e o outro no desempenho diante das câmeras, analisando a capacidade de cada um se comunicar. Afinal, estudamos Comunicação Social. Mais que isso, adoramos dar um palpite!

E  meu lado comunicóloga-palpiteira pode afirmar que duas Dilmas Rousseffs apareceram diante das câmeras nos últimos dias.

A primeira Dilma: hesitante, nervosa, com um sorriso forçado no rosto, perdendo o raciocínio no meio da frase, incapaz de administrar os dois minutos que tinha para cada resposta. Esta foi a candidata que apareceu no primeiro debate entre os presidenciáveis na última quinta-feira na Tv Bandeirantes. Virou motivo de chacota da oposição que esparramou videos no youtube com edições, claro, que mostram apenas os piores momentos da candidata.

A segunda Dilma: confiante, mais segura, capaz de completar as frases e calma, bem mais calma. Esta foi a candidata que apareceu no Jornal Nacional de ontem.

O que aconteceu em apenas quatro dias para tal mudança? Bem... entrou em campo um marqueteiro. Um não, vários. São vários auxiliares que preparam o discurso, a voz, as expressões e, claro, o cabelo e a maquiagem do candidato. As possíveis perguntas e respostas são testadas muitas vezes. Muito provalvemente, depois da titubeante participação no debate, Dilma Rousseff ouviu os auxiliares avisando sobre tudo que fez errado na primeira aparição e não deveria repetir nas próximas.

Ela seguiu a cartilha. Não se abalou quando perguntaram se era inexperiente pra administrar o Brasil. Disse que não e dá-lhe currículo! Citou muitas vezes o nome do presidente Lula - algo que quase não fez durante o debate.

E quando surgiu a pergunta sobre a braveza de Dilma, se ela maltratava os ministros... a candidata apelou para uma cartada que os marqueteiros amam. Puxe a conversa pra dentro de casa, fale como mãe ou dona de casa. E lá foi Dilma pra cima da Fátima: Entao... deve ser como na sua casa, numa hora a gente cobra, na outra hora tem que incentivar.

Claro, marqueteiro não resolve tudo. A Dilma de ontem também dava sinais de que sentia a pressão. Suava demais no rosto, se esqueceu de dar boa noite a quem estava em casa, disse que a Baixada Santista ficava no Rio... mas diante do tom bem mais acertado, os erros foram pequenos.

Dilma nao é a única que faz do marketing politico ferramenta de campanha. Todos os principais adversários fazem o mesmo. E quando dizem que não fazem, desconfie!  Negar o trabalho dos marqueteiros na preparação para uma entrevista ou debate é outra cartada muito apreciada pelos mestres.

Para o eleitor, a medida que o treinamento dos candidatos se intensifica, o desafio só aumenta. Achar, por trás da maquiagem, o melhor projeto, as ideias que considera mais eficientes para o Brasil.O que é verdade. O que é mentira. E a naturalidade... mercadoria cada vez mais escassa na prateleira dos políticos.

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