2
novembro
às 15:31


Foi a impressão geral. A presidente eleita, Dilma Rousseff, surgiu na primeira entrevista exclusiva muito mais leve.


Estava mesmo. Podem ser diferenças sutis - o sorriso mais natural, a fala que sai mais fácil - mas muitos notaram.


Depois de uma longa negociação, tínhamos 10 minutos para a entrevista. Claro, diante da presidente, a conversa sempre se alonga um pouquinho. Surge uma pergunta mais e Dilma respondeu com tranquilidade. Saiu brincando e ainda tirando fotos com a equipe tėcnica, apesar da agenda lotada.


Estava mais parecida com a Dilma que conheci pelo depoimento de vários amigos que pude entrevistar.


Amigos que conviveram com Dilma em várias fases da vida, que não se conhecem, mas falam sobre características muito semelhantes - do bom humor, da mania de dar apelidos a todos, da paixão por leitura, da solidariedade.


Foi essa Dilma que tentamos mostrar na reportagem especial de ontem no Jornal da Record.


Foi essa Dilma que apareceu um pouquinho na entrevista ao JR.



Após 55 milhões de votos, claro, termina a pressão da campanha. Sai de cena o sorriso encomendado pelos marqueteiros, surge outro bem mais genuíno.


Ė o período "lua de mel" de quem sai consagrado das urnas.


Ao tomar posse, novas pressões virão. A lua de mel passa. Vêm as críticas, o embate democrático no Congresso, o peso de fazer a máquina Brasil andar.


Certamente surgirá, outra vez, a Dilma que já conhecemos melhor. Aquela de expressão muito firme. A Dilma que bate na mesa e que terá que fazer isso muitas vezes, pra cumprir as promessas que fez.


Mas vou arriscar mais um palpite sobre a presidente. Das muitas coisas que a campanha ensinou a Dilma, acho que ela aprendeu que pode sorrir mais, se revelar um pouco mais, sem perder a autoridade.


Dilma já entrou para história como a primeira mulher que vai ocupar o Palácio do Planalto.


Que entre pra história tambėm como uma grande presidente. Sorrindo...


E que o povo brasileiro esteja sorrindo também.


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21
julho
às 21:42

Muitos vão dizer: Lula está em campanha e chorou pra comover o eleitor.

E como chefe maior da nação ele terá que ouvir. Está sujeito a isso.

Eu que estive diante de Lula, conduzindo a entrevista por uma hora e meia, digo: claro, ele está em campanha..

Mas as lágrimas pularam de um nó na garganta.

Escaparam. E surgiram justamente quando falávamos das críticas ao governo.

As palavras e as lágrimas do presidente mostram um homem ressentido. Talvez, depois de quase oito anos de governo, um pouco cansado dos julgamentos que qualquer homem público tem que suportar.

Isso fica claro em uma frase de Lula. O presidente usou uma metáfora. "Eu tenho ficado mais emocionado porque as coisas estão acontecendo. É como se você tivesse passado algum tempo plantando, e um monte de gente olhando pra sua roça e dizendo: não vai dar nada, esse cara não sabe plantar, esse cara é um metalúrgico. E, de repente, a planta brota, cresce e eu tô colhendo".

Aqui estão os principais trechos da entrevista, exibida com exclusividade pelo Jornal da Record.

Ao eleitor cabe o julgamento final.







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