11
maio
às 17:38

Há alguns meses escrevi aqui sobre o projeto de construção de uma nova estação do metrô na avenida Angélica, no bairro Higienópolis, região central de São Paulo.

O projeto estava pronto, o local escolhido, mas havia uma forte rejeição dos moradores do bairro.

Defendi a construção da nova estação, mas perdi.

Descobri isso ao abrir o jornal hoje cedo e ler que o governo do Estado de São Paulo cedeu às pressões dos moradores endinheirados do bairro que não queriam o metrô por temer que a nova estação atraísse camelôs e pessoas "diferenciadas" (pobres, leia-se).

Perdemos todos que achamos que o metrô é imprescindível pra fazer de São Paulo uma cidade, de fato, moderna. Uma cidade onde todos possam deixar o carro na garagem e chegar de metrô a todos os cantos. Sem ter que enfrentar o stress do trânsito já caótico.

O melhor mesmo seria nem comprar carro, já que Higienópolis tem um sério problema de falta de vagas. Apartamentos nobres, sem vagas. Ótima razão pra ter um metrô por perto, não?

Não para aqueles que acham que metrô é pra gente pobre.

Quando vamos aprender que andar de trem, de ônibus, de metrô não deve ser razão de vergonha?

É chique poder sair de casa a pé, pegar o metrô e 15, 20 minutos depois estar no trabalho, na escola, no consultório médico ou seja lá onde for.

Durante um ano vivi em Nova York e me senti bem chique ao percorrer a cidade toda, pelos trilhos do metrô.

Velho, sujo, com pessoas mendigando nas estações... tudo isso. Problemas que a cidade precisa solucionar, mas enquanto isso, o metrô está lá, dia e noite, chegando a todos os lugares, pra todos.

Quem fez campanha contra o metrô e venceu acha mais chique ficar horas no trânsito insuportável, respirando o ar poluído de São Paulo.

Quem fez campanha contra o metrô acha que as pessoas pobres ("diferenciadas", lembram-se?) não podem frequentar a praça Buenos Aires, nem caminhar pelo bairro que é um dos mais charmosos da cidade.

Apartheid camuflado. Preconceito escancarado.

Moramos no mesmo bairro. Mas vivemos em épocas bem diferentes.

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13
agosto
às 11:24

linha amarela blog1 Metrô em Higienópolis

Julia Chequer/R7



Li agora cedo na Folha que um grupo de moradores de Higienópolis, em São Paulo, se mobiliza contra a construção de uma nova estação do metrô no bairro.

Essa foi uma das primeiras notícias que recebi quando retornei ao Brasil, depois de um ano morando em Nova York e, claro, um ano andando de metrô.

Inicialmente não acreditei que esse movimento oposicionista ao metrô fosse adiante. Agora pelo que leio no jornal, parece que vai. Talvez eu atė fizesse parte do grupo um ano e alguns meses atrás. Mas depois de ter a liberdade de ir  a todas as esquinas de Nova York, a qualquer hora, sem me  preocupar com estacionamento, trânsito ou segurança,  não posso engrossar o coro para barrar o metrô.

As preocupações de alguns dos meus vizinhos são legítimas. O metrô pode, sim, trazer problemas de limpeza e segurança. Mas, então, ė contra isto que devemos brigar. Pedir uma estação bem vigiada, bem iluminada, limpa. Eventuais problemas não podem inviabilizar  a melhor de todas as soluções para o transporte nas metrópoles.

E esta história de dizer que já tem a estação ali perto, no Mackenzie, não justifica. Em Manhattan as estações são muito próximas. Dá para chegar ao destino andando muito pouco, se o passageiro assim quiser. Mesmo assim, o trânsito em Manhattan ė muito ruim e o que eles fazem?  Fecham quarteirões, espicham as calçadas pra desestimular o uso dos automóveis.

Priorizar o pedestre e não o carro ė o futuro. Isso significa priorizar o metrô.

Por que não uma estação na Angėlica e outra no Pacaembu? Uma não inviabiliza a outra.

Hoje, nesta fase pós NY, tenho andado muito a pé pelo bairro. Ainda não comprei carro e nem sei se quero um. Tenho vergonha de pensar que antes pegava o carro para trajetos de meia dúzia de quarteirões. Assim  que o metrô chegar, estarei com o meu bilhete no bolso.

Sou uma apaixonada por Higienópolis. Morar aqui ė mesmo um privilégio. Mas para quem teme que o bairro possa ficar menos "chique" com uma estação do metrô, proponho um novo conceito de elegância:  chique ė deixar o carro na garagem e viver numa cidade menos poluída e com menos trânsito.

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