12
agosto
às 15:53

José Serra José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução



Dos três principais candidatos à Presidência, José Serra é, sem dúvida, o que se porta com mais naturalidade diante das câmeras. Afinal, é o único que já conhece todo o assédio da imprensa numa corrida rumo ao Palácio do Planalto. Ele é o único que se sentou  pela segunda vez na bancada do Jornal Nacional - fato que o próprio Serra fez questão de lembrar durante a entrevista.

Portanto, é natural que José Serra tenha se expressado com muita calma e eloquência. Mas, terminada a entrevista, uma pergunta ficou no ar: José Serra se sentiu em casa, à vontade, pela experiência que tem ou por que os entrevistadores Fátima e William foram mais gentis com o candidato?

Aliás, pergunta que me foi feita algumas vezes, hoje de manhã, nas ruas do meu bairro. Pelo teor das perguntas, é difícil falar em favorecimento. Algumas questões, por exemplo,  foram semelhantes para o candidato do PSDB e para a candidata do PT, DIlma Rousseff.

A pergunta das alianças políticas é uma delas. Dilma teve que explicar porque se aliou aos oligarcas antes tão criticados pelo PT - José Sarney, Fernando Collor e outras companhias mais. Serra teve que explicar sobre a aliança com o PTB de Roberto Jefferson. Os dois acabaram dando respostas bem parecidas.

Dilma teve que falar da inexperiência nas urnas. Serra teve que falar da inexpressividade de seu candidato a vice, Indio da Costa.

Mas há algo que vai além das perguntas: o tom em que elas são feitas. Aí sim, na minha opinião, sutis diferenças aparecem. Serra foi questionado num tom mais gentil e ameno, mesmo quando as perguntas eram de assuntos polêmicos. Foi interrompido menos vezes.

Diante de Dilma, os questionamentos e interrupções me pareceram mais duros. Aliás, tom que toda entrevista com presidenciáveis deveria ter. Dito isto, me restam dúvidas.

O tom mais ameno com Serra existiu mesmo? Ou me enganei? Foi mera coincidência ou intencional???

Hoje cedo mais interrogações surgiram no meu caminho. Li que Roberto Jefferson - aquele deputado denunciado no escândalo de corrupção nos Correios, pivô das denúncias do mensalão, cassado por quebra de decoro parlamentar - comemorou o tom gentil da entrevista com Serra. Escreveu no Twitter: "facilitaram para o meu candidato". Será que ele quis ajudar ou atrapalhar???

Twitter1 José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução/ Twitter Oficial Roberto Jefferson



E ainda me veio mais uma questão, Serra disse na entrevista que os deputados querem cargos no governo para corrupção. O que será que Roberto Jefferson quer ao apoiar Serra???

Dúvidas, quantas dúvidas...

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11
agosto
às 11:43

Tentar escapulir de perguntas difíceis ė um dos exercícios preferidos dos políticos, especialmente em campanha.

Pergunta-se sobre um amargo episódio e o candidato faz um malabarismo pra levar a conversa pra outro rumo completamente diferente, bem mais favorável a si mesmo.

Pois a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, nem precisava apelar para esta estratégia, levando-se em conta a própria biografia. Mas foi o que fez ontem na entrevista ao Jornal Nacional.

Perguntada sobre o mensalão - esquema fraudulento de repasse de dinheiro a parlamentares durante primeiro mandato do governo Lula - Marina respondeu que não foi conivente com o caso, mas que decidiu permanecer no governo porque achava que ainda tinha a contribuir para o meio ambiente. Um dos entrevistadores insistiu na questão. E o que fez Marina? Disparou um discurso rumo a outro tema, pra falar que desenvolvimento e meio ambiente são compatíveis.

marina silva nova destaque Marina Silva: faltou o ponto final

Foto: Daia Oliver/R7



Algumas ideias que podem ter passado pela cabeça do eleitor: "Marina fugiu do assunto porque tem algo a esconder", "não respondeu por constrangimento"... Alguns podem ter pensado até na velha frase-chavão na boca dos eleitores: "são todos farinha do mesmo saco".

Mas todas estas ideias podem estar erradas. Marina falhou porque quis conduzir a entrevista e não ser conduzida pelos entrevistadores. Queria ter a oportunidade de falar sobre desenvolvimento sustentável e apelou para estratégia equivocada.  Errou porque tentou fugir do assunto, quando não precisava. Na insistência dos entrevistadores, poderia ter respondido resumidamente sobre o mensalão mais uma vez e ponto. E foi justamente o que faltou a Marina: o ponto final.

Quem acompanhou a participação da candidata, ficou com a impressão de que ela foi preparada para fazer discurso, não para uma entrevista Foi prolixa. Faltou clareza. Objetividade.

Na fala final, quando tinha 30 segundos pra se despedir, foi interrompida com o boa noite dos apresentadores. Era Marina, mais uma vez, se esquecendo do ponto final.

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