4
outubro
às 12:17

marina blog Pra onde vão os votos de Marina Silva?


Estávamos todos lá, cerca de 100 jornalistas esperando por Dilma Rousseff após a confirmação do segundo turno. Uma correria desnecessária fez com que a imprensa se posicionasse em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Lula onde a candidata acompanhou toda a apuração.


Após cinco minutos de confusão, mudança de planos. Corremos para um hotel ao lado - onde a candidata iria falar. Seria a campanha já batendo cabeça? Alguns chegaram a cogitar que Dilma sequer falaria com a imprensa ontem à noite. Mas ela falou.  


Apenas dez minutos de um pronunciamento moderadíssimo. Elogios e agradecimentos à militância, "guerreira e aguerrida", segundo Dilma. Elogios a todos os eleitos, inclusive da oposição. E elogios à Marina Silva, que podemos chamar de a vencedora da noite.


Marina tinha apenas 1 minuto e 23 segundos na propaganda eleitoral obrigatória, contra quase 11 minutos de Dilma e mais de 7 minutos do Serra. A conquista de 20% dos votos é surpreendente. Marina é mais da metade de Serra. Quase a metade de Dilma. Marina que não teve o Lula e não tem a trajetória do Serra.


Agora, pra onde vão os quase 20  milhões de votos de Marina?     


O "boatômetro" de Brasília já dizia ontem que José Serra iria trocar de vice, forçando uma renúncia de Indio da Costa pra convidar Fernando Gabeira - derrotado na disputa ao governo do Rio. Seria uma estratégia pra tentar herdar os votos do Partido Verde. Ninguém confirma se a hipótese existe.   


 Já a campanha de Dilma acredita que os eleitores de Marina não irão migrar tão facilmente para um lado ou para o outro. O voto de Marina seria, nesta avaliação, de um eleitor cansado que não quer Serra nem Dilma e que por isso terá que ser conquistado.     


Como? Ninguém tem a  resposta ainda. Saberemos nos próximos dias. A fórmula da Dilma certamente terá uma grande dose de Lula. A fórmula de Serra terá muitos ataques. Por isso o clima  ontem entre os assessores de Dilma era tenso, algo como "preparem-se para uma guerra".    


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19
agosto
às 12:49

Não há nada que se possa dizer pra defender a favela virtual de José Serra. Luzes, câmeras, ação! E começa o batuque na laje.

E os falsos moradores do falso morro cantam sorridentes e parecem bem felizes e ansiosos pra votar no Serra. 

Como a jornalista Christina Lemos registrou aqui no R7, "Não há bala perdida na favela do Serra". Brilhante observação, Christina.

Nem bala perdida, nem o traficante-dono-do-morro a quem o cidadão de  bem dá bom dia e respeita como amigo, pra não morrer numa emboscada na próxima esquina.

De fato, o medo é real demais pra caber numa favela cenográfica. Mas eu pergunto: quem pode atirar a primeira pedra?

Será tão mais correto e ético assim mostrar os políticos subindo as favelas da vida real? Quantas vezes você já viu essa cena?

O candidato-perfeito-desde-sempre sobe as vielas reais das favelas reais, anda no meio do lixo e do esgoto, aperta muitas e muitas mãos, beija criancinhas, sofre com a miséria de milhões de brasileiros e promete que dali pra frente tudo vai ser diferente.

serra frame A favela do Serra: quem pode atirar a primeira pedra?

Os políticos que sobem as favelas reais, chegam lá, geralmente num dia de sol, céu azul para as imagens da pobreza ficarem mais "bonitas" e "emocionantes" no vídeo.

Eles não chegam lá no meio da enchente, do desabamento, nem do tiroteio. Afinal, seria um risco muito grande de chegar a urna antes da hora - a urna funerária.

A verdade é que a favela dos políticos é sempre editada. Não dá pra decidir pela obra de ficção do programa eleitoral gratuito - seja com favelas "reais" ou virtuais. 

O tal voto consciente é o exercício de escolher quem está menos distante do Brasil real. Quem, pelo menos, sabe o endereço.

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12
agosto
às 15:53

José Serra José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução



Dos três principais candidatos à Presidência, José Serra é, sem dúvida, o que se porta com mais naturalidade diante das câmeras. Afinal, é o único que já conhece todo o assédio da imprensa numa corrida rumo ao Palácio do Planalto. Ele é o único que se sentou  pela segunda vez na bancada do Jornal Nacional - fato que o próprio Serra fez questão de lembrar durante a entrevista.

Portanto, é natural que José Serra tenha se expressado com muita calma e eloquência. Mas, terminada a entrevista, uma pergunta ficou no ar: José Serra se sentiu em casa, à vontade, pela experiência que tem ou por que os entrevistadores Fátima e William foram mais gentis com o candidato?

Aliás, pergunta que me foi feita algumas vezes, hoje de manhã, nas ruas do meu bairro. Pelo teor das perguntas, é difícil falar em favorecimento. Algumas questões, por exemplo,  foram semelhantes para o candidato do PSDB e para a candidata do PT, DIlma Rousseff.

A pergunta das alianças políticas é uma delas. Dilma teve que explicar porque se aliou aos oligarcas antes tão criticados pelo PT - José Sarney, Fernando Collor e outras companhias mais. Serra teve que explicar sobre a aliança com o PTB de Roberto Jefferson. Os dois acabaram dando respostas bem parecidas.

Dilma teve que falar da inexperiência nas urnas. Serra teve que falar da inexpressividade de seu candidato a vice, Indio da Costa.

Mas há algo que vai além das perguntas: o tom em que elas são feitas. Aí sim, na minha opinião, sutis diferenças aparecem. Serra foi questionado num tom mais gentil e ameno, mesmo quando as perguntas eram de assuntos polêmicos. Foi interrompido menos vezes.

Diante de Dilma, os questionamentos e interrupções me pareceram mais duros. Aliás, tom que toda entrevista com presidenciáveis deveria ter. Dito isto, me restam dúvidas.

O tom mais ameno com Serra existiu mesmo? Ou me enganei? Foi mera coincidência ou intencional???

Hoje cedo mais interrogações surgiram no meu caminho. Li que Roberto Jefferson - aquele deputado denunciado no escândalo de corrupção nos Correios, pivô das denúncias do mensalão, cassado por quebra de decoro parlamentar - comemorou o tom gentil da entrevista com Serra. Escreveu no Twitter: "facilitaram para o meu candidato". Será que ele quis ajudar ou atrapalhar???

Twitter1 José Serra se sentiu em casa?

Foto: Reprodução/ Twitter Oficial Roberto Jefferson



E ainda me veio mais uma questão, Serra disse na entrevista que os deputados querem cargos no governo para corrupção. O que será que Roberto Jefferson quer ao apoiar Serra???

Dúvidas, quantas dúvidas...

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22
julho
às 14:44

O presidente Lula rebateu pela primeira vez a acusaçāo do candidato à Presidência Josė Serra que ligou o PT as Farc - as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. "Eu fico triste quando eu vejo um homem, sabe, com a história do Serra, dizer que o PT é ligado às Farc. O mínimo que eu esperava do Serra é que ele respeitasse o PT. O Serra sabe que temos afinidade histórica, a gente pode ter divergências políticas e ideológicas agora, mas ele jamais poderia dizer uma insanidade dessas", afirmou o presidente.

A declaração foi dada durante a entrevista exclusiva que fiz com o presidente para o Jornal da Record. Lula comentava o clima de baixarias na campanha presidencial com troca de insultos e acusaçōes, antes mesmo do início da propaganda eleitoral obrigatória na TV. "Quem fizer a campanha da baixaria  vai perder a eleição descaradamente, quem fizer jogo rasteiro vai perder a eleição", disse Lula.

O primeiro a levantar a acusação contra o Partido dos Trabalhadores foi o candidato a vice-presidente de Serra, o deputado Indío da Costa (DEM-RJ). Ele chegou afirmar que, além de ligação com o grupo, o PT tambėm era ligado ao narcotráfico e a guerrilha na Colômbia. Mas não apresentou provas.

O deputado Indio da Costa foi criticado atė por integrantes do PSDB, por ter se excedido com as palavras. Mas, pouco depois, Serra endossou parte das acusações do vice dizendo que todos sabiam da ligação dos petistas com as Farc. Serra, no entanto, ressaltou que isso não significaria que o PT tivesse envolvimento com o tráfico de drogas.

Durante a entrevista, questionei o presidente se ele gostaria de falar pessoalmente com o candidato Josė Serra sobre as acusações. "Estou falando com vocês. Espero que ele ouça", respondeu Lula. "Espero que ele tenha abertura suficiente para ver outro canal de televisão”, concluiu.

Na entrevista, Lula também comentou o editorial da revista Veja, publicado no último fim de semana. O texto da revista faz duras críticas ao presidente por ter sido multado seis vezes por propaganda eleitoral irregular para a candidata do PT Dilma Rousseff. A  revista tambėm mostra Lula com uma coroa sobre a cabeça, um rei acima das leis.

Quis saber como o presidente responderia às críticas, Lula afirmou: "eu não leio essa revista. Por mim tanto faz. Eles podem escrever o que eles quiserem. Podem falar o que quiserem de mim. E eu posso dizer o que penso da imprensa. Só não falo tudo porque ainda sou presidente".

"Vai falar um dia?", perguntei em seguida.  "Um dia, quem sabe...", respondeu vagamente o presidente Lula.

Veja mais:

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