Começo pelo Brasil.
Nesta terça-feira, (18), o jornal Folha de S.Paulo divulgou pesquisa mostrando que a maioria dos moradores de Higienópolis é favorável à construção de uma estação do metrô no bairro.
Como eu suspeitava, e relatei pra vocês aqui no último post, a rejeição ao metrô é resultado do lobby de alguns que não podem falar em nome de todos. Nem a pesquisa da Folha pode. Mas é um novo elemento pra que o governo reveja decisões. E pelo jeito, isso já aconteceu.
O governo de São Paulo agora fala que a estação será subterrânea, no mesmo local que gerou toda a polêmica - na esquina da Avenida Angélica com a Sergipe. Eu torço pra isso.
Agora vamos para as esquinas de Nova York.
Na verdade o que vou narrar aconteceu quando eu aterrissei por lá, em 2009. Assim que me tornei correspondente da Rede Record na metrópole, fui cobrir um leilão de objetos históricos, em comemoração aos 40 anos do homem na lua. Lá tinha de tudo - uniformes dos astronautas, autógrafos, cartas, equipamentos usados na viagem, os primeiros mapas da terra vista do espaço, enfim, um banquete para colecionadores endinheirados.
Vários nem estavam na sala. Mandaram representantes pra dar os lances. Isso porque as peças mais baratinhas custavam algo em torno de US$ 6 mil e havia outras de centenas de milhares de dólares. Na sala cheia, me chamou a atenção a figura de um senhor de barba longa, branca, baixinho e com cara de quem havia acordado de bom humor naquele dia.
Esse "papai noel" de Nova York resolveu se presentear muito naquela tarde. Ele dava lance atrás de lance e estava ali comprando para a própria coleção. Um astrônomo muito rico, aposentado e apaixonado pela história espacial.
Pois bem, depois que o nova-iorquino adquiriu vários objetos, inclusive um par de selos que eu havia adorado, consegui entrevistá-lo e, numa conta rápida, ele me revelou que havia torrado meio milhão de dólares. Essa cifra mesmo: US$ 500 mil.
Sorridente, feliz com as novas aquisições, ele partiu ao final do leilão. Eu também. Uma das primeiras reportagens que fiz em Nova York estava pronta. Deixamos o prédio e, para minha surpresa, ele que seguia alguns passos a minha frente, fez o mesmo caminho que eu faria segundos depois.
Desceu a escadaria do metrô, com uma pastinha velha debaixo do braço, jeans largo e velho, a mesma cara de papai noel de férias. Imediatamente pensei: como pode gastar o equivalente a R$ 850 mil e pegar o metrô?
Pode. Em Nova York pode. Lá, metrô não é lugar para pobres, como muitas pessoas erradamente pensam por aqui.
Metrô é bom pra todos, independentemente de quanto o passageiro tem no banco. Metrô é bom pra cidade inteira.
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