18
maio
às 16:44

metro O milionário do metrô de Nova York

Começo pelo Brasil.

Nesta terça-feira, (18), o jornal Folha de S.Paulo divulgou pesquisa mostrando que a maioria dos moradores de Higienópolis é favorável à construção de uma estação do metrô no bairro.

Como eu suspeitava, e relatei pra vocês aqui no último post, a rejeição ao metrô é resultado do lobby de alguns que não podem falar em nome de todos. Nem a pesquisa da Folha pode. Mas é um novo elemento pra que o governo reveja decisões. E pelo jeito, isso já aconteceu.

O governo de São Paulo agora fala que a estação será subterrânea, no mesmo local que gerou toda a polêmica - na esquina da Avenida Angélica com a Sergipe. Eu torço pra isso.

Agora vamos para as esquinas de Nova York.

Na verdade o que vou narrar aconteceu quando eu aterrissei por lá, em 2009. Assim que me tornei correspondente da Rede Record na metrópole, fui cobrir um leilão de objetos históricos, em comemoração aos 40 anos do homem na lua. Lá tinha de tudo - uniformes dos astronautas, autógrafos, cartas, equipamentos usados na viagem, os primeiros mapas da terra vista do espaço, enfim, um banquete para colecionadores endinheirados.

Vários nem estavam na sala. Mandaram representantes pra dar os lances. Isso porque as peças mais baratinhas custavam algo em torno de US$ 6 mil e havia outras de centenas de milhares de dólares. Na sala cheia, me chamou a atenção a figura de um senhor de barba longa, branca, baixinho e com cara de quem havia acordado de bom humor naquele dia.

Esse "papai noel" de Nova York resolveu se presentear muito naquela tarde. Ele dava lance atrás de lance e estava ali comprando para a própria coleção. Um astrônomo muito rico, aposentado e apaixonado pela história espacial.

Pois bem, depois que o nova-iorquino adquiriu vários objetos, inclusive um par de selos que eu havia adorado, consegui entrevistá-lo e, numa conta rápida, ele me revelou que havia torrado meio milhão de dólares. Essa cifra mesmo: US$ 500 mil.

Sorridente, feliz com as novas aquisições, ele partiu ao final do leilão. Eu também. Uma das primeiras reportagens que fiz em Nova York estava pronta. Deixamos o prédio e, para minha surpresa, ele que seguia alguns passos a minha frente, fez o mesmo caminho que eu faria segundos depois.

Desceu a escadaria do metrô, com uma pastinha velha debaixo do braço, jeans largo e velho, a mesma cara de papai noel de férias. Imediatamente pensei: como pode gastar o equivalente a R$ 850 mil e pegar o metrô?

Pode. Em Nova York pode.  Lá, metrô não é lugar para pobres, como muitas pessoas erradamente pensam por aqui.

Metrô é bom pra todos, independentemente de quanto o passageiro tem no banco. Metrô é bom pra cidade inteira.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

15
maio
às 12:07

churrasco Em defesa de Higienópolis e do churrasco da gente diferenciada

Fui ao churrasco ontem no meio da Avenida Angélica. Trempe de tijolos no asfalto, pouca carne, muita linguiça toscana e, mais importante, muita gente disposta a mostrar pra quem ainda não enxergou que o mundo mudou.

Mudou porque contra o lobby dos gabinetes, aquela conversinha sussurrada nos corredores do poder, existe um antídoto poderoso hoje: as redes sociais. E o que aconteceu em Higienópolis é prova disto.

O governo de São Paulo, ouvindo apenas uma pequena parte dos moradores do bairro - a banda que é contra o metrô e que, muito provavelmente tem um poderoso interlocutor - muda de planos sobre o novo endereço da estação e alega questões técnicas.

No mundo antigo, certamente, seria  o ponto final da história. No mundo novo, não. Uma tuitada vira milhares em poucos segundos. O mesmo no Facebook. E assim, ontem no fim da tarde, ao voltar de uma pauta encontrei a Avenida Angélica fechada para o churrasco. Estava cansada, mas fiz questão de ir até lá pra me juntar aos que querem o metrô no bairro.

Vi um varal com roupas velhas armado no semáforo. Li cartazes com frases como: "minha empregada que venha a pé" ou "só ando de metrô em Nova York, Londres e Paris".

Gosto da ironia, gosto da coragem do protesto. E gostaria muito de ter um metrô perto de casa. Nem vou me alongar mais nos argumentos porque já fiz isto no último post.

O governo, se for inteligente, terá que fazer de fato uma discussão com a população do bairro. E poderá se surpreender ao perceber que aqui em Higienópolis tem muita gente que quer o metrô, com um compromisso de que a estação seja bem cuidada e policiada. E aberta à livre circulação de todos - pobres ou ricos, do bairro ou de qualquer região da cidade.

Mas hoje, além de defender o metrô, quero defender Higienópolis. Pelo tom das crônicas e críticas que li, parece que Higienópolis é um reduto de milionários arrogantes que não querem se misturar ao restante da população da cidade. Não é verdade.

Os moradores de Higienópolis não podem ser rotulados pelo comportamento de alguns. Higienópolis é um bairro familiar, de um astral extraordinário e moradores de grande gentileza e cordialidade.

Convivo com vizinhos e amigos com uma visão totalmente oposta a de quem classifica os mais pobres como "gente diferenciada". Conheço no bairro muitas pessoas que ficaram revoltadas com este tipo de comportamento. E posso assegurar que há em nosso bairro muito mais gente sem qualquer tipo de preconceito do que o contrário.

Não sou paulistana, mas me encontrei nesta cidade, na calma das ruas de Higienópolis. Somos, claro, privilegiados por morar tão perto do centro e da Avenida Paulista. Privilegiados por ter a praça Buenos Aires, por poder fazer quase tudo a pé pelo bairro, por ainda encontrar aqui a quitanda que vende fiado, por encontrar na Vilaboim o ponto ideal para o encontro com os amigos.

Nosso bairro é extraordinário e as pessoas também. E quando falo das pessoas de Higienópolis estou falando dos donos de imóveis no bairro e também da balconista da padaria, do garçom que nos atende gentilmente no japonês, do dono da banca de revista, das empregadas e babás que passeiam com nossas crianças pela praça. Sou tão dona de Higienópolis quanto cada uma dessas pessoas.

Quero o metrô para todos os funcionários que trabalham neste bairro com tanta prestatividade. E quero o metrô também pra mim. Quero o metrô porque quero uma cidade com mais civilidade, com menos trânsito, menos acidentes, com ar mais saudável, e com o direito de ir e vir garantido a todos.

Higienópolis merece o metrô e merece todo nosso respeito. E, se pra isso, for preciso escrever muitos posts e fazer mais alguns churrasquinhos na Avenida Angélica, estarei lá. Sem qualquer preconceito.

Veja mais:

+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

11
maio
às 17:38

Há alguns meses escrevi aqui sobre o projeto de construção de uma nova estação do metrô na avenida Angélica, no bairro Higienópolis, região central de São Paulo.

O projeto estava pronto, o local escolhido, mas havia uma forte rejeição dos moradores do bairro.

Defendi a construção da nova estação, mas perdi.

Descobri isso ao abrir o jornal hoje cedo e ler que o governo do Estado de São Paulo cedeu às pressões dos moradores endinheirados do bairro que não queriam o metrô por temer que a nova estação atraísse camelôs e pessoas "diferenciadas" (pobres, leia-se).

Perdemos todos que achamos que o metrô é imprescindível pra fazer de São Paulo uma cidade, de fato, moderna. Uma cidade onde todos possam deixar o carro na garagem e chegar de metrô a todos os cantos. Sem ter que enfrentar o stress do trânsito já caótico.

O melhor mesmo seria nem comprar carro, já que Higienópolis tem um sério problema de falta de vagas. Apartamentos nobres, sem vagas. Ótima razão pra ter um metrô por perto, não?

Não para aqueles que acham que metrô é pra gente pobre.

Quando vamos aprender que andar de trem, de ônibus, de metrô não deve ser razão de vergonha?

É chique poder sair de casa a pé, pegar o metrô e 15, 20 minutos depois estar no trabalho, na escola, no consultório médico ou seja lá onde for.

Durante um ano vivi em Nova York e me senti bem chique ao percorrer a cidade toda, pelos trilhos do metrô.

Velho, sujo, com pessoas mendigando nas estações... tudo isso. Problemas que a cidade precisa solucionar, mas enquanto isso, o metrô está lá, dia e noite, chegando a todos os lugares, pra todos.

Quem fez campanha contra o metrô e venceu acha mais chique ficar horas no trânsito insuportável, respirando o ar poluído de São Paulo.

Quem fez campanha contra o metrô acha que as pessoas pobres ("diferenciadas", lembram-se?) não podem frequentar a praça Buenos Aires, nem caminhar pelo bairro que é um dos mais charmosos da cidade.

Apartheid camuflado. Preconceito escancarado.

Moramos no mesmo bairro. Mas vivemos em épocas bem diferentes.

Veja mais:
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

13
agosto
às 11:24

linha amarela blog1 Metrô em Higienópolis

Julia Chequer/R7



Li agora cedo na Folha que um grupo de moradores de Higienópolis, em São Paulo, se mobiliza contra a construção de uma nova estação do metrô no bairro.

Essa foi uma das primeiras notícias que recebi quando retornei ao Brasil, depois de um ano morando em Nova York e, claro, um ano andando de metrô.

Inicialmente não acreditei que esse movimento oposicionista ao metrô fosse adiante. Agora pelo que leio no jornal, parece que vai. Talvez eu atė fizesse parte do grupo um ano e alguns meses atrás. Mas depois de ter a liberdade de ir  a todas as esquinas de Nova York, a qualquer hora, sem me  preocupar com estacionamento, trânsito ou segurança,  não posso engrossar o coro para barrar o metrô.

As preocupações de alguns dos meus vizinhos são legítimas. O metrô pode, sim, trazer problemas de limpeza e segurança. Mas, então, ė contra isto que devemos brigar. Pedir uma estação bem vigiada, bem iluminada, limpa. Eventuais problemas não podem inviabilizar  a melhor de todas as soluções para o transporte nas metrópoles.

E esta história de dizer que já tem a estação ali perto, no Mackenzie, não justifica. Em Manhattan as estações são muito próximas. Dá para chegar ao destino andando muito pouco, se o passageiro assim quiser. Mesmo assim, o trânsito em Manhattan ė muito ruim e o que eles fazem?  Fecham quarteirões, espicham as calçadas pra desestimular o uso dos automóveis.

Priorizar o pedestre e não o carro ė o futuro. Isso significa priorizar o metrô.

Por que não uma estação na Angėlica e outra no Pacaembu? Uma não inviabiliza a outra.

Hoje, nesta fase pós NY, tenho andado muito a pé pelo bairro. Ainda não comprei carro e nem sei se quero um. Tenho vergonha de pensar que antes pegava o carro para trajetos de meia dúzia de quarteirões. Assim  que o metrô chegar, estarei com o meu bilhete no bolso.

Sou uma apaixonada por Higienópolis. Morar aqui ė mesmo um privilégio. Mas para quem teme que o bairro possa ficar menos "chique" com uma estação do metrô, proponho um novo conceito de elegância:  chique ė deixar o carro na garagem e viver numa cidade menos poluída e com menos trânsito.

Veja mais:

+ José Serra se sentiu em casa no Jornal Nacional?
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A