3
janeiro
às 07:56

dilmaelula A cerimônia da posse


Quase seis horas ao vivo. A garganta, claro, acordou arranhando ontem. Mas como jornalista foi uma grande realização atuar pela segunda vez numa cerimônia de posse. Em 2003, estava na posse de Lula como repórter, a poucos passos da rampa do Palácio do Planalto. Pude participar da transmissão num momento muito simbólico - os 50 passos de Lula rumo ao poder. E pude sentir a ebulição na Praça dos Três Poderes lotada.


Desta vez, estava lá no alto,  na cobertura do anexo 4 do Congresso Nacional, ancorando a transmissão da cerimônia pela Record, narrando cada  passo, cada  reação de Dilma Rousseff. Pude acompanhar todos os momentos da posse, mas de um ponto de vista mais distante - a exatamente 10 andares acima da Praça dos Três Poderes, nem tão lotada como em 2003.


Lá de cima refleti e notei muitas diferenças entre um evento e outro, além da quantidade de gente na Esplanada. 


2003 era uma catarse. Eleitores e militantes estavam numa euforia, quase em transe pelo operário que chegava ao poder. Muitos petistas de carteirinha e também lulistas de primeira viagem. Pessoas simples que depois de muito desconfiar do sapo barbudo Lula, foram seduzidas pelo Lulinha paz e amor.


Lula, ao discursar ao povo, improvisou. Falou do orgulho de estar ali com a Dona Marisa num vestido bonito, onde no passado jamais imaginou que poderia estar. Falou que se um ex-operário chegou até aquele palácio, todos os brasileiros deveriam acreditar que também poderiam fazer grandes conquistas. Foi um banho de autoestima. Lula ali era como um espelho para o povo. E foi, literalmente, um banho coletivo no espelho d'água do Congresso. 


Sábado, Dilma discursou para o povo e também falou de possibilidades. Como primeira mulher a chegar à Presidência, claro, enviou o recado para as mulheres de que todas nós podemos. Mas não se alongou neste ponto. Leu um discurso mais técnico, indicando prioridades, reafirmando compromissos. Emocionou-se e fez muita gente se emocionar, mas não foi a catarse de antes. 


 dilma discurso ok A cerimônia da posse


Vi muitas mulheres chorando pela conquista de uma de nós. Me emocionei como elas. Alguns homens podem não entender muito bem essa história, mas pra nós faz muito sentido. Lá de cima me lembrei de quando eu tinha 9 anos.


Numa escola de freiras, uma professora ditou pra que as meninas anotassem no caderno a diferença entre os sexos. Homens: inteligência e força. Mulheres: sensibilidade e delicadeza. Naquele dia voltei pra casa inconformada.


Sábado, ao ver Dilma subir a rampa, me lembrei daquela aula absurda proferida por uma professora rendida à crença daquele tempo. E nem faz tanto tempo assim - menos de 30 anos. 


E foi por isso que me emocionei com as mulheres na Praça dos Três Poderes. Mas não vi a catarse de 2003 e fiquei feliz por isso. Em oito anos o Brasil amadureceu. O banho de autoestima do Lula foi necessário. As políticas sociais também.


Mas acho que um número cada vez maior de pessoas já está entendendo que precisamos avançar. Lula falou em garantir a comida para quem ainda não tinha três refeições por dia. Dilma falou em oportunidades para que os pais possam dar aos filhos um futuro melhor. 


Que venha esse futuro... Que venha o banho de Dilma. Nós mulheres comemoramos a conquista, mas também sabemos que governar bem não é uma questão de gênero, mas, sim, uma questão de ética e compromisso. Até por que, além de força e inteligência, temos sensibilidade.


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14
dezembro
às 19:03

Comentei ontem (13) com vocês sobre a primeira frase que Dilma Rousseff disse ao presidente Lula após a confirmação da vitória dela na disputa presidencial.

O vídeo, produzido pelo fotógrafo oficial da Presidência Ricardo Stuckert, ficou em sigilo até agora.

Logo que Dilma foi eleita, solicitei a imagem do encontro dela com o presidente no Palácio da Alvorada na noite de domingo, 31 de outubro de 2010. Na segunda-feira pós-segundo turno, apenas 17 segundos foram liberados e exibidos em primeira mão pela Record.

No trecho bem curto o que se via era Lula agradecer Dilma e dizer repetidas vezes : "valeu, valeu, valeu!".

Agora para concluir minha reportagem sobre os oito anos da era Lula, novas imagens de bastidores feitas por Ricardo Stuckert foram cedidas. E, pra minha grande surpresa, surgiram entre essas imagens preciosos 50 segundos - o encontro histórico entre o ex-operário que deixa o poder e a primeira mulher a chegar lá.  Ė o mesmo vídeo do encontro dos dois no Palácio da Alvorada só que agora divulgado na íntegra.

Veja o vídeo aqui:



Só então descobrimos o que Dilma disse. "Ê, presidente, o senhor inventou essa", falou a futura presidente, sem esticar o discurso pra conter a emoção diante das câmeras.. Dilma reconhece que é uma invenção de Lula, dirão os críticos. As pessoas mais próximas de Dilma Rousseff interpretam de outra forma. Eles dizem que Dilma é uma pessoa extremamente grata e fiel. E manterá essa fidelidade à Lula haja o que houver.

Façam suas apostas. O futuro sempre traz respostas e 2014 está logo ali.

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13
dezembro
às 07:39

lula de blog A desencarnação de Lula


Desencarnar ė a palavra que rola pela boca de Lula como se fosse uma bala com gosto levemente amargo e, no caso do presidente, inevitável.


Acompanhei Lula numa das últimas viagens internacionais. Pude entrevistá-lo, num hotelzinho da Guiana e, mais tarde, a bordo do Aerolula, no retorno para o Brasil.


Um dia inteiro seguindo a agenda de um presidente que se despede. Com dificuldade, foi a impressão que ficou. Durante a entrevista ou na conversa informal, com a câmera desligada, o presidente usou várias vezes a palavra desencarnar. "Eu preciso desencarnar", dizia ele.


E quando esquecia a tal palavra recorria ao fotógrafo oficial Ricardo Stuckert. "Qual é a palavra mesmo Stuckert? Aquela que eu preciso fazer?", indagou. "Desencarnar, presidente", respondeu Ricardo.


Desencarnar, na definição de Lula, ė se despir completamente da função de presidente. Sair de cena e deixar a nova presidente eleita acertar e errar por si mesma. Nomear, demitir, investir, cortar gastos... Pelas últimas declarações do presidente, dá par sentir como será difícil a tal desencarnação.


Lula até agora opina sobre tudo. Ainda está presidente. Faltam apenas 29 dias para o fim da era Lula. Mas ele tem a convicção de que precisa se silenciar ao passar a faixa. Chegou a citar exemplos de políticos que, não tendo conseguido desencarnar, acabaram transformando aliados em inimigos. E esse não é o destino que o presidente planeja para a dobradinha Lula/Dilma. E ela parece que também não.


Essa entrevista exclusiva com o presidente Lula foi ao ar neste domingo (12) no Domingo Espetacular. Observe o que Dilma Rousseff disse ao presidente após vencer a disputa presidencial. Você vai ver um trecho inédito deste encontro, um pedacinho dos bastidores do poder. Uma só frase, mas cheia de significado. Depois passo aqui para comentar.



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2
novembro
às 15:31


Foi a impressão geral. A presidente eleita, Dilma Rousseff, surgiu na primeira entrevista exclusiva muito mais leve.


Estava mesmo. Podem ser diferenças sutis - o sorriso mais natural, a fala que sai mais fácil - mas muitos notaram.


Depois de uma longa negociação, tínhamos 10 minutos para a entrevista. Claro, diante da presidente, a conversa sempre se alonga um pouquinho. Surge uma pergunta mais e Dilma respondeu com tranquilidade. Saiu brincando e ainda tirando fotos com a equipe tėcnica, apesar da agenda lotada.


Estava mais parecida com a Dilma que conheci pelo depoimento de vários amigos que pude entrevistar.


Amigos que conviveram com Dilma em várias fases da vida, que não se conhecem, mas falam sobre características muito semelhantes - do bom humor, da mania de dar apelidos a todos, da paixão por leitura, da solidariedade.


Foi essa Dilma que tentamos mostrar na reportagem especial de ontem no Jornal da Record.


Foi essa Dilma que apareceu um pouquinho na entrevista ao JR.



Após 55 milhões de votos, claro, termina a pressão da campanha. Sai de cena o sorriso encomendado pelos marqueteiros, surge outro bem mais genuíno.


Ė o período "lua de mel" de quem sai consagrado das urnas.


Ao tomar posse, novas pressões virão. A lua de mel passa. Vêm as críticas, o embate democrático no Congresso, o peso de fazer a máquina Brasil andar.


Certamente surgirá, outra vez, a Dilma que já conhecemos melhor. Aquela de expressão muito firme. A Dilma que bate na mesa e que terá que fazer isso muitas vezes, pra cumprir as promessas que fez.


Mas vou arriscar mais um palpite sobre a presidente. Das muitas coisas que a campanha ensinou a Dilma, acho que ela aprendeu que pode sorrir mais, se revelar um pouco mais, sem perder a autoridade.


Dilma já entrou para história como a primeira mulher que vai ocupar o Palácio do Planalto.


Que entre pra história tambėm como uma grande presidente. Sorrindo...


E que o povo brasileiro esteja sorrindo também.


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1
novembro
às 11:30

lula dilma ok As quase lágrimas de Dilma


Quatro meses atrás escrevi sobre o dia em que vi as lágrimas de um presidente. Era Lula chorando ao relembrar momentos marcantes dos oito anos de governo.


Ontem o Brasil inteiro testemunhou as quase lágrimas de Dilma Rousseff.


E ela quase chorou por Lula, agradeceu pela honra do apoio, pelo privilégio da convivência.


Definiu o presidente como um líder apaixonado pelo seu país e sua gente. E disse que baterá sempre à porta dele.


O choro ficou preso na garganta. Dilma parou o discurso, tomou água duas vezes para conseguir concluir o agradecimento a Lula.


A plateia aplaudia, gritava "Lula! Lula!" e parecia aguardar a apoteose de ver a mulher com fama de durona chorar em público. Ela não chorou, mas emocionou muita gente que estava ali, naquela sala superlotada.


E Dilma ontem certamente teve razão pra chorar. Não somente por Lula, mas por ela mesma.

O feito é inédito. Pela primeira vez temos uma presidenta. E com uma trajetória surpreendente. Na campanha muitos tentaram reduzi-la a quase nada.


Lembro-me agora da coluna de um jornalista que criticava Dilma por ela sempre ter ocupado cargos públicos por indicação política. Por nunca ter disputado nenhuma eleição, como se fosse uma aproveitadora das benesses do governo.


Uma mulher não escreveria isso. Um homem que conheça e respeite a trajetória de todas nós, mulheres, também não. Dilma vem de um tempo em que as mulheres deveriam ser boas donas de casa. No máximo, professoras.


Foi muito além disto. Sim, ela fez carreira na vida pública, indicada para cargos no sul do país acompanhando o marido Carlos Araújo. Mas, naquela época, mulheres nas urnas eram uma raridade. Vencedoras, então, quase inexistentes.


As mulheres ainda são minoria na política nacional. E as mulheres não consagraram Dilma. Ela recebeu mais votos dos homens.


Será por que ensinaram às mulheres que eles são mais "eficientes" do que nós? Ainda desconfiamos de nossa própria capacidade?


Dilma, a mulher que trocou o conforto e o aconchego da família de classe média alta para lutar para que todos nós pudéssemos votar, ontem viu 55 milhões de brasileiros votarem nela.


Começou falando das mulheres. E pediu às mães de meninas pra que olhassem para suas filhas nos olhos e dissessem a elas: "sim, nós podemos"! Farei isto quando retornar a São Paulo e reencontrar minha filha.


Dilma não será uma boa presidente apenas por ser mulher. É claro que não! Ela sabe disto. Dilma sabe também que cometeu um erro ao escolher Erenice Guerra como braço-direito. Não poderá errar mais.


E disse: "não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mal feito".


Que ela cumpra o que prometeu. Que ela honre todos nós, mulheres e homens. E que ela chore quando quiser. Ontem, podia ter chorado pela grande guinada que deu.


Se posso arriscar um palpite, Dilma não chorou justamente por ser mulher.


Deve ter imaginado que chorar, logo no primeiro discurso depois de eleita, poderia ser um sinal de fraqueza.


Frágil ela já mostrou que não é.



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31
outubro
às 11:28

bandeira do brasil blog Se meu voto falasse... 

Acabo de sair da minha seção de votação. Deixei lá, no segredo da urna, que deve  ser inviolável, minha preferência.


Não a torno pública porque não quero, em hipótese alguma, influenciar outros eleitores. Mas decidi escrever, em nome do meu voto, para os dois candidatos que disputam essa corrida presidencial.


Se meu voto falasse pediria a quem for eleito para pensar um BRASIL grande. Para que faça um BRASIL grande.


Imenso na força da economia e na luta pelas desigualdades sociais. Um país que possa se orgulhar dos números do crescimento e do número de famílias que deixarão as estatísticas da pobreza e da miséria.


E sair da pobreza não significa apenas ter o que comer na mesa. Significa também ter um endereço digno para morar, sem as doenças do esgoto batendo na porta. Sem um desmoronamento iminente a cada temporal.


Se meu voto falasse diria que essas famílias, ainda que necessitem de uma ajuda emergencial pra ter o que comer e onde morar, precisam de muito mais que isso. Precisam de oportunidades, para que possam progredir pelo esforço do próprio trabalho.


Precisam de boas escolas para que a próxima geração não fique condenada a ser dependente de qualquer outra ajuda emergencial. Para isso os governantes terão que administrar bem cada real aplicado na educação.


Para que nosso país possa sair de vez da lanterninha das avaliações internacionais que ainda nos colocam na vexatória posição de um lugar de crianças que frequentam a escola mas não aprendem.


Se meu voto falasse diria ao futuro ou à futura presidente que ofereça a cada brasileiro um atendimento público de saúde semelhante ao que os candidatos recebem nos planos de saúde que eles têm.


Para que um pai ao levar o filho doente ao SUS não precise esperar horas ou desistir simplesmente pela falta de médicos. E para que o paciente que necessite de um exame ou especialista não tenha que esperar meses ou mais de ano.


Se meu voto falasse iria implorar para que os impostos sejam aplicados sem qualquer vestígio de corrupção, favorecimento em licitações ou qualquer coisa assim. O que significa que não podem existir mais Erenices e Paulos Pretos. Não pode existir mais nepotismo.


Significa que, em vez do apadrinhamento, o mérito é que deve ser critério exclusivo na escolha de quem vai trabalhar para o povo - do auxiliar administrativo ao ministro. E que eles trabalhem muito, com o reconhecimento que merecem. Sem os privilégios que muitas vezes eles têm.


Se meu voto falasse diria à vencedora ou ao vencedor que coloque o interesse público acima de qualquer projeto de poder, acima de qualquer acordo político.


E diria a quem perder que não faça oposição apenas com interesse de encrencar o governo eleito já pensando na próxima vez em que o eleitor retornar às urnas. Se meu voto falasse diria que tudo isso que muitos chamam de utopia, eu chamo apenas de obrigação.


Somos milhões de votos tentando falar. E não é que os votos falam? As urnas vão falar esta noite. Meu ofício de repórter me obriga a esquecer o feriado e embarcar para Brasília pra acompanhar a apuração do TSE.


Viajo com um desejo enorme de que políticos - ganhadores e perdedores - não se façam de surdos mais uma vez. Pra que o grito das urnas possa, enfim, ser ouvido. Aquele BRASIL no futuro dirá: muito obrigado!


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23
agosto
às 16:29

Acompanho as eleições no meu Estado, Minas Gerais, com atenção e curiosidade, embora eu já não vote lá na terrinha há mais de uma década. Hoje me chamou a atenção descobrir que está limitada a participação do ex-governador e candidato ao Senado, Aécio Neves, no programa do candidato que apoia, Antônio Anastasia. E a candidata à Presidência, Dilma Rousseff, também levou o mesmo castigo e terá restrições para aparecer no programa do candidato ao governo de Minas, Hélio Costa.

Como assim? Campanha não é assim... Angariar apoios, formar chapas, pedir votos?

Qual a serventia dessa decisão? Nenhuma me veio à cabeça. Só se o TRE quer chamar o eleitor de burro. Você, eleitor ignorante, não vai conseguir compreender que o Aėcio se beneficia ao aparecer no horário político de Anastasia e Dilma faz o mesmo no horário de Hélio Costa. Então, o TRE soberano precisa proibir o candidato de fazer campanha. Pra que você, pobrezinho eleitor, não seja enganado.

Claro, o TRE vai dizer que está cumprindo rigorosamente a lei. Ah... Se todos os nossos problemas fossem esses.

Neste momento, alguns milhões de reais (ou dólares, se a negociata estiver acontecendo em paraísos fiscais) podem estar a caminho do caixa dois de alguma campanha. Ou de várias.

Promessas estão sendo feitas pra serem pagas depois, com troca de favores, nomeações, conchavos. Contra isso, sim, o eleitor não pode se defender.

Não há fiscalização eficaz. E nem juiz.

Dá pra espernear porque a reforma política não foi feita, porque não se definiu regras rígidas e claras para o financiamento de campanha, porque não há limites para as nomeações políticas, porque as cartas marcadas das licitações vão continuar a existir pra que o político eleito cumpra os tais acordos de campanha. E vamos acusar quem??? Chorar pra quem???

Todos os presidentes que passaram pelo Planalto nos últimos 25 anos e mais todos os senadores e mais todos os deputados.

Aliás, por falar nisso, temos 513 deputados. Apenas para comparação, os Estados Unidos com 300 milhões de habitantes e 50 estados, tem 435 deputados. Nós temos 81 senadores - três por Estado. Eles têm 100 senadores - dois por Estado.

Não está sobrando gente, não? E sobrando problemas? Ah, se nossas mazelas fossem apenas as dobradinhas Dilma-Hélio e Aécio-Anastasia, no horário eleitoral de Minas.

Então fica combinado assim: campanha - o que todo candidato pode  e deve fazer - a lei proíbe, restringe, limita. E a corrupção - que jamais poderia ser tolerada- a gente faz de conta que não está vendo.

Veja mais:

+ Leia o blog Eleições 2010
+ Veja a cobertura dos Jogos da Juventude - Cingapura 2010
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22
julho
às 14:44

O presidente Lula rebateu pela primeira vez a acusaçāo do candidato à Presidência Josė Serra que ligou o PT as Farc - as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. "Eu fico triste quando eu vejo um homem, sabe, com a história do Serra, dizer que o PT é ligado às Farc. O mínimo que eu esperava do Serra é que ele respeitasse o PT. O Serra sabe que temos afinidade histórica, a gente pode ter divergências políticas e ideológicas agora, mas ele jamais poderia dizer uma insanidade dessas", afirmou o presidente.

A declaração foi dada durante a entrevista exclusiva que fiz com o presidente para o Jornal da Record. Lula comentava o clima de baixarias na campanha presidencial com troca de insultos e acusaçōes, antes mesmo do início da propaganda eleitoral obrigatória na TV. "Quem fizer a campanha da baixaria  vai perder a eleição descaradamente, quem fizer jogo rasteiro vai perder a eleição", disse Lula.

O primeiro a levantar a acusação contra o Partido dos Trabalhadores foi o candidato a vice-presidente de Serra, o deputado Indío da Costa (DEM-RJ). Ele chegou afirmar que, além de ligação com o grupo, o PT tambėm era ligado ao narcotráfico e a guerrilha na Colômbia. Mas não apresentou provas.

O deputado Indio da Costa foi criticado atė por integrantes do PSDB, por ter se excedido com as palavras. Mas, pouco depois, Serra endossou parte das acusações do vice dizendo que todos sabiam da ligação dos petistas com as Farc. Serra, no entanto, ressaltou que isso não significaria que o PT tivesse envolvimento com o tráfico de drogas.

Durante a entrevista, questionei o presidente se ele gostaria de falar pessoalmente com o candidato Josė Serra sobre as acusações. "Estou falando com vocês. Espero que ele ouça", respondeu Lula. "Espero que ele tenha abertura suficiente para ver outro canal de televisão”, concluiu.

Na entrevista, Lula também comentou o editorial da revista Veja, publicado no último fim de semana. O texto da revista faz duras críticas ao presidente por ter sido multado seis vezes por propaganda eleitoral irregular para a candidata do PT Dilma Rousseff. A  revista tambėm mostra Lula com uma coroa sobre a cabeça, um rei acima das leis.

Quis saber como o presidente responderia às críticas, Lula afirmou: "eu não leio essa revista. Por mim tanto faz. Eles podem escrever o que eles quiserem. Podem falar o que quiserem de mim. E eu posso dizer o que penso da imprensa. Só não falo tudo porque ainda sou presidente".

"Vai falar um dia?", perguntei em seguida.  "Um dia, quem sabe...", respondeu vagamente o presidente Lula.

Veja mais:

+ As lágrimas do presidente Lula

+ Leia os principais destaques do dia
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21
julho
às 21:42

Muitos vão dizer: Lula está em campanha e chorou pra comover o eleitor.

E como chefe maior da nação ele terá que ouvir. Está sujeito a isso.

Eu que estive diante de Lula, conduzindo a entrevista por uma hora e meia, digo: claro, ele está em campanha..

Mas as lágrimas pularam de um nó na garganta.

Escaparam. E surgiram justamente quando falávamos das críticas ao governo.

As palavras e as lágrimas do presidente mostram um homem ressentido. Talvez, depois de quase oito anos de governo, um pouco cansado dos julgamentos que qualquer homem público tem que suportar.

Isso fica claro em uma frase de Lula. O presidente usou uma metáfora. "Eu tenho ficado mais emocionado porque as coisas estão acontecendo. É como se você tivesse passado algum tempo plantando, e um monte de gente olhando pra sua roça e dizendo: não vai dar nada, esse cara não sabe plantar, esse cara é um metalúrgico. E, de repente, a planta brota, cresce e eu tô colhendo".

Aqui estão os principais trechos da entrevista, exibida com exclusividade pelo Jornal da Record.

Ao eleitor cabe o julgamento final.







Veja mais:

+ Lula se emociona em entrevista exclusiva ao Jornal da Record

+ Leia os principais destaques do dia
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21
julho
às 17:15

Esta foi minha quarta entrevista exclusiva com o presidente Lula na TV Record. Falei com o Lula candidato à reeleição em 2006 por duas vezes.

Falei com o Lula que ganhou a disputa. E agora falei com o Lula na reta final do governo.

E o presidente que encontrei hoje foi o que me deu as mais fortes declarações.

Lula fez um balanço do governo, comentou fatos da eleição presidencial e se emocionou muito - um sinal claro de que a despedida do cargo já começou.

lula blog1 Lula sobre 2014: em política nunca dá pra dizer não

Roberto Stuckert/ Presidência da República

Estou na ilha de edição da Record de Brasília selecionando os melhores trechos, que você vai acompanhar no Jornal da Record de hoje à noite.

Mas antecipo um deles. Falando sobre o futuro, perguntei ao presidente se ele alimenta o sonho de voltar presidente em 2014. A primeira resposta foi "não, eu não penso nisso". Pouco depois cedeu: em política nunca dá pra dizer não.

Os bastidores deste encontro, você acompanha aqui neste novo blog. Atė mais tarde.

Veja mais:

+ Lula se emociona em entrevista exclusiva ao Jornal da Record

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