Foi a primeira frase que ouvi hoje, dentro do elevador do hotel, a caminho do café da manhã. E é a pergunta que todos fazem ao fim de um debate, sobretudo nesta reta final e acalorada da corrida entre os presidenciáveis.
Dos bastidores, pude observar bem a reação dos candidatos, assessores e conversar com muitos deles após o fim do programa. Todos saem dizendo que o candidato foi bem, ficou feliz com o desempenho, etc e tal. Parece que não há perdedor, nem ganhador.
E nem sempre há. E foi o que aconteceu ontem. O debate teve pontos altos e baixos para todos os candidatos, sem que nenhum se sobrepusesse claramente sobre os outros.
Vamos a eles.
José Serra - preferiu a estratégia de não enfrentar Dilma Rousseff. Logo no começo do debate, abriu a série de perguntas e escolheu Plínio. Passa uma impressão de que "amarelou", fugiu do confronto? Os estrategistas dizem que não. Foi apenas uma maneira de não deixar a última palavra com a adversária já que quem responde, sempre faz a tréplica final.
Além disto, Serra evita ficar no papel de carrasco, daquele que apenas acusa para não passar uma impressão de vingativo, que assusta o eleitor. Mas a estratégia de dobradinha com o Plínio não deu certo. Logo no comecinho, Serra pergunta sobre Irã e Plínio elogia o governo Lula. Mais tarde Serra pergunta sobre educação e é chamado de péssimo professor.
Serra parecia fisicamente cansado mas no final surpreendeu e foi muito bem nas considerações finais. Falou de forma simples, pediu votos e demonstrou sinceridade.
Dilma Rousseff - foi beneficiada pela fuga de Serra rumo ao Plínio. A expressão dela no começo do debate era de surpresa com o tom light da discussão. O assunto da quebra de sigilo na receita federal só apareceu porque a própria Dilma falou da investigação, quando respondia a pergunta de Marina Silva sobre o suposto tráfico de influência do ex-braço direito, Erenice Guerra.
Foi bem na defesa, passou firmeza, lembrou a Marina que no Ministério do Meio Ambiente também houve denúncias graves de corrupção e as duas, segundo Dilma, agiram da mesma forma, pedindo apuração completa.
Quem está na frente das pesquisas sabe que pode apanhar muito num debate. Como Dilma não apanhou tanto, os assessores saíram satisfeitos.
Assista ao vídeo com a íntegra do debate
Mas, tem sempre um mas... E o da Dilma está no tom do discurso. Continua falando de um jeito técnico demais. Crescimento sistêmico do emprego, valorização salarial, CGU... Com isso perde boas oportunidades de se dirigir diretamente ao eleitor. Mesmo nas considerações finais, faltou essa espontaneidade e simplicidade nas palavras.
Marina Silva - foi bem pra se mostrar como a terceira via, a opção diferente para o eleitorado. Estava mais popular no discurso, mais clara. A missão de Marina de tentar chegar ao segundo turno é dificílima, tem que herdar a maioria dos votos indecisos e ainda roubar votos dos dois maiores adversários. Por isso a frase da candidata: Serra e Dilma são muito parecidos. Serra deu gargalhada nesta hora mas não entrou no mérito.
O que falta? Mais consistência pra comprovar que tem competência e condições de administrar um país em todos os seus aspectos e não apenas nas questões ambientais. Não estou dizendo que ela não tem condições para isso, mas que nåo conseguiu passar a firmeza e a confiança necessários pra convencer os milhões de eleitores que podem levá-la ao segundo turno.
Plínio de Arruda - esse não perde nunca porque não está ali pra ganhar. Garante sempre a graça dos debates. Franco atirador, bate em todo mundo e não apanha nunca porque nenhum adversário acha que vale a pena o desgaste de bater no Plínio. Ele está nesta disputa pra eleger parlamentares do Psol. Deixa isso claro e deve conseguir votos para o partido. Nada mal, mesmo que o Psol tenha projetos ultrapassados, a vigilância da oposição é necessária sempre.
E, como eu disse que sempre tem um mas... Agora é pra mim mesma. Essas são as minhas impressões, as minhas avaliações de cada candidato. Mas você pode discordar de todas elas. Pode xingar ou esbravejar.
A minha opinião e a sua tem o mesmo valor. Cada voto vale um. E ponto. A soma de todos nós vai eleger mais um ou uma presidente. Que nós elegemos e podemos criticar ou elogiar a vontade. Que seja assim, para todo o sempre.
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