Publicado em 13/04/2015 às 19h20

Felicidade todo dia?

Um dia desses ela me perguntou se nós somos obrigados a sermos felizes.

Não... Mas deveríamos querer ser. E prezar por isso. E nos esforçarmos para isso.

Mas ai pensei o que seria de nós se realmente existe esse compromisso todo, de estar feliz 100% do tempo, de sorrir por tudo.

Frejat não achava que seria bom. Achava que rir de tudo era coisa de gente desesperada.

Têm dias que são ruins mesmo, e a gente quer desabar.

Quer saber? Pode.

Se forem todos, temos um problema.

Se todos forem felizes, temos uma mentira.

Ninguém conhece o prazer sem a dor. Ninguém conhece a alegria sem a tristeza.

Nem todo dia é de sol. Nem todo dia tudo tudo dá certo.

Tem que chover pra encher a cantareira, não dá para tomar sol todos os dias.

E faz parte. A gente aprende assim.

Tô muito mais com Vinicius do que com Chico.

Não existe lei que nos obrigue a ser feliz. Mesmo que ser alegre seja bem melhor do que ser triste.

Não tem obrigação, tem determinação.

Publicado em 07/04/2015 às 20h21

A escravidão que nos impomos

Estamos no meio do feriado de Pessach, feriado judaico que lembra a saída dos judeus do Egito. Os judeus religiosos têm a tradição de lembrar esse momento da história não comendo chametz, ou seja, nada que é fermentado, porque na pressa da fuga o povo não teve tempo de fermentar o pão. Por isso, nessa época do ano é comum comer matzá.

Um valor normalmente relacionado com Pessach é a liberdade. Para mim, que quase não cumpro ritos religiosos, é importante ressignificar os feirados judaicos, porque acredito que todos eles têm algo a nos ensinar. Li um texto uma vez falando sobre os nossos sairmos dos nossos próprios Egitos, ou seja, sermos capazes de nos libertarmos daquilo que nos prende e nos faz mal.

No clima da festa, refleti sobre quanto somos feitos escravos das opiniões de outras pessoas. Muitas vezes, mesmo quando estamos infelizes, ou simplesmente insatisfeitos, aceitamos essa condição por ouvirmos conselhos alheios, não nos esforçando para mudar.

Apesar de muitos argumentarem que ninguém é livre de verdade, acredito que há momentos em que tomamos atitudes libertadores, por mais que elas durem apenas alguns segundos. Quando se trata de nós mesmos, somos os únicos que podem tomar decisões, sejam elas certas ou erradas. Se der certo, ótimo. Se não der, acontece. Aprendemos com nossos erros e ninguém pode viver essas experiências no nosso lugar.

Para mim isso tem relação direta com a outra comemoração do dia de hoje: o dia do jornalista. Ser jornalista tem tudo a ver com se libertar de Egitos internos, com não se render a ser escravo de uma fonte, ou de um veículo ou de trabalhar em algum lugar que não se encaixa com sua ideologia pessoal. Faz parte da profissão não se prender a opiniões alheias e ser independente e autossuficiente para exercer o trabalho jornalístico. Imagina se cada jornalista do mundo levar em consideração tudo que ouve?

Ser jornalista envolve o comprometimento com a verdade, envolve não se aprisionar na escravidão da vaidade, preocupando-se com marcas, com aparecer, além do mais, envolve ser feliz no meio dessa loucura toda. Ser jornalista é, talvez, nunca ter sua vida pessoal separada da profissional.

Mais importante que tudo, ser jornalista é ajudar a tirar pessoas da escravidão da ignorância do dia a dia, da qual só podemos nos libertar pela informação.

jornalista A escravidão que nos impomos

Publicado em 18/03/2015 às 22h54

Liberdade não assegurada

A laicidade do Estado brasileiro sempre me intrigou. Em meio a crise de confiança entre sociedade e governo, o caso continua a chamar atenção.

O Estado garante muitos direitos aos cidadãos que deixam de ser cumpridos. A promessa de ser um país laico está feita na Carta Magna de 1988, a mais recente Constituição Brasileira, no artigo 5˚:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Nota-se, porém, que no dia 15, essa liberdade não foi assegurada.

Charlyane Souza, 29, estava fazendo a prova para passar na OAB, Ordem dos Advogados do Brasil e, mais de uma vez, foi interrompida enquanto fazia o exame por causa de sua hijab.

O que é isso?

hijab designs Liberdade não assegurada

Uma veste que se usa na religião islâmica, religião seguida pela aluna. Ela, em entrevista ao UOL, alega que leu todo o edital da prova e nada dizia-se sobre o tema. Conta que, além de ter sido revistada ao chegar, foi questionada duas vezes. Para piorar, a primeira mulher que foi falar com ela alegou que ela estava usando um objeto de chapelaria.

CHAPELARIA? Sério? Ai entra a questão da laicidade: cadê o respeito com a religião que nos é estranha? Seria a mesma coisa que pedir para que um judeu tirasse sua kipá, alegando ser um chapéu.

Somos ignorantes e preconceituosos com o islamismo. Mas nota-se um aspecto pior que esse: há a imposição de uma religião sobre as demais ou mesmo sobre aqueles que decidem não seguir religião nenhuma.

O catolicismo está em toda parte. Às vezes passa despercebido, mas a ditadura da maioria pode ser notada em mais de um órgão público no Brasil, provando a fragilidade do termo "laico".

Brazilian Supreme Federal Tribunal 1024x625 Liberdade não assegurada

Por que tem uma cruz no Supremo Tribunal Federal? Não que o certo fosse ter a representatividade de todas as religiões, pois no Brasil elas são inúmeras. Contando todas as vertentes do cristianismo, há pelo menos 15. Ainda assim, o Brasil não se declara como pluralista, mas LAICO. Ou seja, nada que diga a respeito do Estado deve estar ligado a qualquer tipo de religião.

Tal qual uma estudante não poderia ser prejudicada pela ignorância em relação às escolhas pessoais dela. Talvez a cruz no STF não ofenda muitos, porém, ele é uma mera prova de que o Brasil não está pronto para deixar de lado a ditadura da maioria, impondo a vontade de muitos e oprimindo minorias, como é o caso de Charlyane.

Disseram a ela que ela deveria ter feito um pedido dizendo ter uma "necessidade especial", como se tivesse algum tipo de deficiência, e não apenas uma diferença do que se considera "normal".

Mas o que mais pode se esperar de um país onde não se abona falta por respeitar feriados religiosos?

Publicado em 17/03/2015 às 17h15

Jornalista nasce pra ser livre

Jornalistas nasceram para ser livres.

Essa foi a lição que mais senti no longo caminho que traço todos os dias na pretensão de ser uma. Claro que os grandes sonhos consistem em ser empregado de uma empresa gigante, seja de jornal, televisão ou assessoria de imprensa. Porém, dentro de cada um que escolhe o jornalismo, há um passarinho querendo sair da gaiola e voar longe. Sem ser empregado de ninguém, sem receber ordens ou sem dever grandes satisfações. O jornalista apesar de passar bastante tempo preso nas redações, sente grande necessidade de dar uma volta sem dever nada a ninguém, de fazer uma pauta louca, de escrever sobre um tema interessante para poucos, de desvendar algo que lhe incita muita curiosidade.

Jornalistas não são livres.

Dependem de fontes, de superiores para aprovar a pauta, de verba para realizar uma matéria. Dependem da boa vontade alheia, do que o público pagante tem vontade de ver/ler. O que faz o caminho diário sinuoso e cansativo, muitas vezes. O jornalismo é muito humano, cheio de pressão, decepção e conquistas, sejam elas gigantes ou as pequenas do dia a dia.

"Ninguém é livre de verdade", pensa você, entretanto, acho que o fardo do jornalista é nunca separar sua vida pessoal de seu trabalho. Quem escolhe esse caminho trabalha consigo mesmo como matéria prima e principal ferramenta de trabalho, sendo, assim, eternamente aprisionado por sua escolha e paixão.

Talvez, o mais bonito em toda essa jornada, porém, seja o fato de que a luz no fim do túnel sempre está lá, mesmo que ficando a cada dia mais distante. Não existe jornalista perfeito. Assim como não existe ser humano perfeito. Quando se melhora, sabe-se que é possível ir além e ser melhor ainda.

Faz anos que decidi que queria ser jornalista, mas apenas quatro que aceitei encarar essa jornada. Sabia que não seria fácil, mas a cada dia ela se prova ainda mais difícil. O que só dá mais vontade de continuar tentando até ser metade do que planejo.

Essa foto que você está vendo no canto esquerdo superior é de 2011. Eu adoraria que ela fosse mudada, mas como não mudam, aproveito-a para lembrar de como eu era e do que eu vivia na época em que decidi criar meu blog. Hoje o timehop me contou que ele completa quatro anos.

Lembro bem que a sugestão, naquele momento, já tinha vindo mais de uma vez, mas demorei para criar coragem. Coragem de emitir minhas opiniões pro mundo, coragem de levar tapa na cara, de ser criticada e julgada livremente por qualquer um que passasse por aqui. Sem dúvidas, hoje, quatro anos depois, sou bem feliz por essa escolha de ter um espaço em que sou livre e eu mesma.

Publicado em 11/03/2015 às 20h14

Os quilômetros que deixamos para trás

Pouco mais de um ano atrás, quando voltei de Israel, meus pais me incentivaram bastante a começar a correr. Nunca tive muito jeito, mas resolvi tentar, o que eu tinha a perder?

O começo foi difícil. A passada e a respiração sem treino, muito distantes do ideal para alguém que corre. Treinos leves que duravam quase 40 minutos e não chegavam nem aos 5 km.

Porém, o mais importante foi: em nenhum momento houve a menos possibilidade de desistência. Comecei a correr certa de que eu queria melhorar e me esforçaria para isso, independente de quanto tempo levasse.

Terminei o ano passado tendo feito quatro corridas de rua, todas de 5 km, correndo bem, fazendo tempos bons. Na primeira vez fiz 34 minutos, na última, 30. O progresso é lento e entre uma dor e outra, mas quando a gente se esforça, ele vem

IMG 9726 Os quilômetros que deixamos para trás

Sempre corro com minha mãe, eu sempre correndo 5 e ela 10. No fim do 2014 nos inscrevi para uma corrida no Dia Internacional da Mulher. Dessa vez um desafio para mim e um pouco mais fácil para ela: 8 km.

Treinei muito, achei que não fosse conseguir. Cheguei aos 7 km bem, mas achei que os 8 seriam muito mais difíceis. Mas consegui.

Fiz a prova em 00h52min42. Não me importei tanto com o tempo, esse vai melhorando aos poucos, mas com não desistir do meu objetivo principal: 3 km a mais do que estava acostumada a correr.

Durante esse período de treinos notei o quanto a corrida ensina sobre a vida. O paralelo não poderia fazer mais sentido:

Quando se começa a correr, tem-se um objetivo, seja em relação a tempo ou quilometragem. E tem que penar para conseguir. Tem que dedicar sempre e se esforçar. Além disso, é importantíssimo, talvez até essencial, pedir ajuda. Um iniciante não tem conhecimento básico. Talvez não saiba que não se pode apenas sair correndo, tem que fortalecer quadril, pernas e por ai vai. Quem acabou de começar não sabe seus limites, não sabe montar seus próprios treinos. Se insistir nisso, pode acabar se machucando.

Correr cansa.

Se você respira errado, dói.

Se você diminui a velocidade, o tempo piora.

Se você forçar demais, se machuca.

Ficar correndo muito tempo pode encher a paciência, imagina só quem corre 21 km, 42 km, e por ai vai.

Mas quando você termina o seu objetivo daquele dia, vale MUITO a pena.

IMG 0120 1024x1024 Os quilômetros que deixamos para trás

O mais importante é que, independente de ter sido ajudado, o mérito de conseguir chegar aonde quer é seu. Foi você que correu, você que treinou, fortaleceu seus músculos e superou suas próprias expectativas.

Sem contar que correr se torna terapia, vira o momento em que você pode não pensar em mais nada e não prestar atenção em nada além de você e seu esforço e crescimento.

IMG 0116 768x1024 Os quilômetros que deixamos para trás

Todo esse processo demanda tempo e dedicação. Você não começa a correr e, do nada, está correndo meia maratona – no meu caso, nem mesmo 10 km. É um processo e depende do seu esforço.

IMG 1166 Os quilômetros que deixamos para trás

Queria agradecer e parabenizar todos que correm e sabem o quão difícil é todo esse longo o processo, mas o quanto é gostoso olhar e ver todos aqueles quilômetros que deixamos para trás.

“People sometimes sneer at those who run every day, claiming they'll go to any length to live longer. But don't think that's the reason most people run. Most runners run not because they want to live longer, but because they want to live life to the fullest".

Perfil

Anita Efraim, estudante de jornalismo na ESPM. Vivendo a vida desde 25 de setembro de 1994, e com este blog compartilha cada dia que vive em busca de algo que não tem ideia do que seja.

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