14
mai
17h55

Todos os dias eu entro em sites de notícias para me manter informada do que ocorre no Brasil. Há dias que as manchetes não passam de algo corriqueiro e não chamam muita atenção, há dias que leio muito... Mas hoje, desde que cheguei, li a melhor de todas as notícias. Hoje fez meu dia ler “CNJ aprova resolução que obriga cartório a celebrar casamento gay em todo país”. Independente de como aconteceu a decisão, das burocracias, do tempo que vai demorar pra que entre em vigor a lei, deu para ter uma esperança de o Brasil entrando em uma nova fase. Uma fase mais justa em relação às escolhas pessoais. Uma fase de superação de preconceitos.

Pode ser pura ilusão, pode ser querer acreditar demais, mas é muito lindo ler que o 1˚ artigo é "É vedada às autoridades competentes a recusa de habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento entre pessoas de mesmo sexo".

O local mais antigo a aceitar o casamento homossexual foi Massachusetts. Vários outros lugares do mundo estão aceitando e eu, pessoalmente, tenho fé que, um dia, a maioria do mundo vá aceitar. Sou 100% a favor do casamento gay. Estou cansada dessa mentira de união estável homoafetiva. Chega de ser “politicamente correto”, de ficar falando semi-verdades, para não assumir a realidade que temos hoje.

Século XXI. Está na hora de assumir que a individualidade das pessoas importa muito para uma sociedade mais justa, mais coerente. Palmas pra obrigatoriedade de os cartórios aceitares o casamento gay.

Em todos os lugares do mundo há pessoas idiotas. Israel não é exceção. Quarta-feira passada, dia 1o de maio, fomos com o Iom Israel conhecer outros assentamentos judaicos na Cisjordânia. Um deles eram ilegal e parecia que de pessoas bastante radicais. Vide um muro pichado ao lado do local:

IMG 03891 1024x768 Pessoas idiotas: all over the world
Essa frase quer dizer "morte aos árabes".

O guia que estava conosco nos contou que esse tipo de gente, que picha desejos de morte a outras pessoas, só por fazerem parte de outro povo, não são tantas assim. Porém, elas estão por ai e causam problemas enormes para os que querem a paz. Infelizmente, elas existem dos dois lados.

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Nessa Estrela de David está escrito "Am Israel Hi", que quer dizer "O povo de Israel vive". Em cima, que não dá para ver muito bem, está escrito "judeus laicos contra árabes". Me questiono, quão lindo pode ser exaltar seu povo se rechaça a exitência de outro?

Acredito que a minha posição política é um dos pontos mais importantes que estou desenvolvendo aqui no Shnat. Independente de qual seja ele, não há nada que eu esteja aprendendo, e que aprendi a minha vida toda, que seja mais essencial que o valor do respeito e da vida. Não tenho raiva, muito menos ódio de pessoas que agem dessa maneira, só fico triste por ser incapaz de compreende-las, pois, assim, é muito mais difícil de mudá-las.

Não tenho medo de julgá-las e dizer que são idiotas. São sim. Porque tudo que não vê o outro lado me parece demasiadamente idiota. Isso passa dos limites de qualquer discussão sobre um Estado para dois povos ou de um Estado Palestino, isso é uma questão de ser humano.

29
abr
15h14

Tenho tido muita dificuldade para escrever algo que me parecesse relevante, quase nada que penso em começar a escrever parece pertinente. É sempre entediante demais ou pessoal demais. É difícil por em palavras o que sinto aqui, o que aprendo, é tudo muito intenso.

Me sinto muito mal de ficar tanto tempo sem escrever. Sinto, além muita falta, que estou abandonando meu blog, o que está longe de ser verdade. Acontece que, ademais do que já contei, o wifi do meu quarto não pega no meu computador (SÓ no meu, aliás). Assim, meu vício intenso por internet tem ficado bastante abandonado aqui, sendo apenas salvo pelo meu iPhone, onde tem wifi.

Não é como se eu não estivesse vivendo um milhão de novas experiências aqui. Toda semana há algo muito novo e interessante. Quarta passada, por exemplo, fomos a diversos assentamentos judaicos em áreas consideradas palestinas. O mais interessante foi o último, que chamava-se Erfat, fica ao lado de um povoado palestino. Lá, árabes muçulmanos e judeus israelenses trabalham juntos por uma comunidade estável e boa de se morar. Além disso, procuram ajudar a comunidade que fica ao lado, proporcionando bens básicos e muito necessários, como água potável.

No final de semana fui viajar com um amigo, cuja avó mora aqui. Foi gostoso sair um pouco do Machon, comer direito, dormir mais que normal. Valeu a pena. É engraçado, porque, apesar de não serem nem 48h, pois fui na sexta de manhã e voltei no sábado a noite, parece que passei muito tempo longe. O tempo no Shnat passa de uma maneira bastante inexplicável.
Assim que cheguei fui a uma comemoração de Lag Baomer (por favor, Google it, a minha explicação vai ser vaga e confusa, então, prefiro não falar besteira) com várias fogueiras em um parque. Enquanto eu estava lá com meus amigos, estava acontecendo o jogo das quartas de final do Campeonato Paulista, Santos e Palmeiras.

O jogo acabou empatado em 1x1, então, foi para os pênaltis. Liguei para o meu pai e ele me narrou cada segundo até o final das cobranças. O Santos ganhou e fiquei muito feliz. Talvez toda a felicidade não se deva a vitória, que foi sofrida, mas de ter sentido a conexão tão forte com meu pai, afinal, os jogos do Santos são algo muito nosso. Foi um dos momentos em que mais deu saudade de casa, aquele apertinho no coração com um sorriso no final.

Sei que contei muitas coisas desconexas, mas é um pouco do que tenho vivido e sentido aqui. Nem todo dia tem um grande acontecimento, mas tenho certeza que cada um deles é crucial para mim e para tudo que eu tenho crescido aqui.

20
abr
14h32

A semana que se passou agora em Israel foi bastante diferente de todas as outras. Terça-feira em especial. De segunda a noite até o meio de terça ocorre aqui o dia de Iom Hazikaron, que quer dizer Dia da Lembrança. O objetivo é recordar todos aqueles que caíram por Israel, ou seja, todos os soldados que morreram em guerras e também as vítimas de atentados terroristas.

Na segunda a noite fomos a um ato de uma organização que financia programas para jovens que vem a Israel, inclusive o Shnat. Foram contadas cinco histórias de soldados que morreram, com direito a músicas bem tristes depois e depoimentos de famílias e amigos. Foi extremamente tocante e, na minha opinião, apelativo. Claro que esse fato não tira, de maneira nenhuma, o sofrimento de todos que perderam pessoas queridas. Mas os organizadores queriam muito comover a todos e passar a ideia de que eles se foram pelo país que amavam e honravam. Essa minha impressão se acentuou pelo fato de que todos tinham vindo morar em Israel depois de mais velhos, por vontade própria.

Enfim, o ato foi muito bonito e a maioria das pessoas que estavam comigo choraram muito. Inclusive eu. Valeu muito a pena ter ido pela oportunidade de sentir a importância de Iom Hazikaron.

O que foi muito notável foi a diferença entre este dia e Iom HaShoa. Não que um dia seja menos importante que o outro, mas quando se relembra o Holocausto, poucos tem a conexão direta com esse evento. Claro que há sobreviventes e suas famílias, mas o número de pessoas que tem entes queridos que faleceram em guerras e atentados é maior.

Voltando agora ao motivo de terça-feira ter sido um dia tão especial: quando a noite chega, comemora-se Iom Haatzmaut, o Dia da Independência! Depois de muito pesar, o país entra em festa. Em todas as cidades as pessoas saem as ruas e comemoram. Este ano Israel fez 65 anos. Eu fiquei aqui em Jerusalém e fui a uma festa de rua. Alguns amigos meus foram a Tel Aviv, onde havia várias festas pela cidade, e outros a Haifa, onde as atrações eram shows de artistas israelenses, também na rua, nada pago. Foi incrível, nessa data é possível sentir a alegria das pessoas, o enorme significado que esse dia tem para os israelenses.

Por um lado, acredito que essa quebra que ocorre todos os anos é positiva pois ressalta a importância que tem Israel para os moradores daqui, dando ainda mais valor para os que caíram pelo Estado. Porém, vendo pelas pessoas que perderam outras, é como se Iom Haatzmaut obriga-se as pessoas a ficarem extremamente felizes, o que não é possível para alguns.

Há prós e contras desses dois eventos tão importantes serem seguidos, porém, vejo que o importante não é exatamente isso, a vivência que tive desses dois marcos.

11
abr
06h52

Na segunda-feira lembrou-se em Israel o dia de Iom HaShoá, isto é, o dia de recordação do Holocausto. Esse dia foi escolhido pois é o dia do levante do Gueto de Varsóvia, que esse ano comemora 70 anos.

O modo de mobilizar a população, quer dizer, de fazer todos pararem para pensar, é tocar uma sirene por dois minutos. Nesse tempo todos tem que parar e fazer silêncio, os que estão dentro dos carros e ônibus tem que sair.

No Machon tivemos um exercício que era o de sair pelas ruas de Jerusalém divididos em grupos. Cada um tinha um modo de representar o que se passa aqui no momento da sirene e depois. As maneiras eram foto, vídeo, entrevista e arte. Meu grupo era o de arte. Saímos pelas ruas com um cartas escrito “How are you feeling today?”, e quem quisesse se expressar podia. As pessoas demoraram para começar a escrever e, pelo visto, algumas não ligaram a data com a nossa iniciativa. Alguns expressaram sentimentos como fome e cansaço, mas outros escreveram mensagens como “always remember”.

Foi um pouco impressionante algumas pessoas não terem se importado nem um pouco... Um pouco frustrante. Mas outras pessoas se comoveram e disseram que é muito importante ter esse dia para relembrar.

Esse é o vídeo do ano passado em Jerusalém, quando tocou a sirene.

O que eu gravei ia demorar para fazer o upload, mas o YouTube está ai para isso, não é.
A noite fomos a um ato de Iom HaShoá que aconteceu no kibutz Yad Mordechai. O nome é em homenagem ao líder do levante do Gueto, Mordechai Anilewicz, que era de um movimento juvenil socialista, o Hashomer Hatzair (para mais informações, Google it).

Muitas pessoas importantes, como o Ministro de Relações Internacionais de Israel, falaram. Houve apresentações, vídeos sobre o Holocausto etc.

Foi muito emocionante passar esse dia aqui. Tem um significado muito maior, mais relevante. Espero que seja o primeiro de muitos.

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