Resolvi trazer uma dica que pode parecer um pouco boba, mas como gostei bastante quando descobri, resolvi compartilhar.

Um dia, minha amiga da faculdade, Marcela, comentava sobre tweets antigos que ela tinha feito. Sem entender muito porque ela estava cavucando sua conta do Twitter, perguntei por que ela estava falando sobre isso. Então, ela me contou que, na verdade, era um aplicativo chamado Timehop.

Olhando a App Store ela viu que o aplicativo estava entre os mais baixados. Ficou curiosa e resolveu ler a descrição: "O que você estava fazendo há um ano? Há dois anos? Há três anos? Timehop reúne as suas fotos e publicações antigas do seu iPhone, Facebook, Instagram, Twitter e Foursquare e reproduz o seu passado um dia de cada vez".

Ou seja, o aplicativo mostra o que você fez nas suas redes sociais no dia de hoje, mas anos atrás. Ao abri-lo aparece o simpático dinossauro, personagem do app, dizendo "let's time travel". Hoje, por exemplo, quando abri meu Timehop me deparei com tweets de 3 e 4 anos atrás, nos quais eu comentava fatos que, agora, são totalmente insignificantes, mas, naquele momento, pareciam um assunto muito importante. Apesar de eu achar um pouco cômico que, há 4 anos, eu já achava que o Daniel Alves não deveria fazer parte da Seleção Brasileira.

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Há dias em que aparecem fotos muito nostálgicas, como as da última semana de aula da escola, do Shnat e outros eventos que fazem o coração apertar. Despertam os mais variados sentimentos, desde sorrisos de orelha a orelha até olhos cheios de lágrimas e as mais profundas saudades.

Têm também os momentos vergonha alheia: aquele comentário que você fez em uma rede social há anos atrás e hoje você se questiona "POR QUÊ"? Rendem boas risada e, depois, vem o sentimento gratificante de "ainda bem que cresci".

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O aplicativo, talvez, não mude muito a vida de ninguém, mas achei interessante a proposta de reviver alguns momentos que vivemos e acabamos esquecendo com o tempo. É um aplicativo grátis, 100% pessoal e acho que pode ser interessante experimentas diferentes motivações de sentimentos.

04
nov
17h59

"A paz está antes de tudo, é a ambição máxima do povo judeu", foi o final de seu último discurso na Praça dos Reis, em Tel Aviv, momentos antes de ser assassinado por um israelense que não se identificava com o discurso proferido momentos antes e, mais que isso, não se sentia representado pelas ações revolucionárias e inovadoras o chefe de Estado israelense que chegou mais perto da paz.

Em 4 de novembro de 1995, caiu Itzchak Rabin, morto por Igal Amir, um israelense, que atirou pouco antes de Rabin entrar em seu carro e ir embora de um evento que, por pouco, não foi um enorme sucesso.

Naquela noite, os pessimistas que rodeavam o primeiro ministro não esperavam nem 10 mil pessoas. Os otimistas, como Rabin, achavam que 20 mil estariam presentes. Porém, a surpresa foi grande quando, ao chegarem, depararam-se com 200 mil pessoas na Praça dos Reis em Tel Aviv.

O último discurso de Itzchak Rabin, se lido com calma e com bastante atenção, conta tudo que o ex primeiro ministro de Israel representa. Rabin assinou os acordos de Oslo II, que eram provisórios, mas eram os primeiros passos para a paz definitiva, porque ele realmente acredita nela. Entretanto, não era amado por todos: Rabin foi chamado de árabe, como se fosse algo pejorativo, foi chamado de nazista e comparado a Hitler pelos que discordavam de sua ideologia, ou seja, por aqueles que não colocava a paz como objetivo máximo.

Mais que um líder político, foi um líder militar por grande parte de sua vida. Foram 27 anos dedicando-se ao exército e lutos em algumas das principais guerras de Israel. Como pode um homem que matou e mandou matar tantos árabes ser um ícone para a paz? Mudando. Rabin foi capaz de abrir mão de ideais antigos, de práticas que, em algum momento, pareceram certas para ele, para negociar de um novo jeito e educou parte da sociedade israelense mostrando que há sim um caminho para a paz. Infelizmente, tocou apenas parte dela, pois se tivesse conseguido atingir a todos, teria vivido mais tempo.

Irônico pensar que tememos muito o inimigo, mas aquele que mais se aproximou do suposto perigo, foi morto foi alguém que pensava ser um irmão.

rabin Paz é compromisso

Dentre as frases mais sábias que já ouvi está a que diz que só é possível fazer a paz com seu inimigo. E Rabin fez dessa a sua bandeira. Desde que se comprometeu com a paz, fez dela seu norte e foi um exemplo toda uma nação que, desde seu primeiro dia de existência, conheceu a guerra e a intolerância. Apontar para o outro e culpá-lo a fácil, difícil é mobilizar toda a sua vida para ser um exemplo e realmente lutar por uma causa.

Há 19 anos o extremismo tentou derrubar a paz, de modo inesperado e frio. Um tiro não só tirou a vida de um homem que simbolizava a paz, mas esvaziou corações ao redor do mundo, que estavam cheios de esperanças.

Há 19 anos a letra de Shir laShalom, a Canção da Paz, que estava no bolso do ex primeiro ministro, foi manchada pelo sangue de um dos maiores exemplos de militância por essa causa.

Shirhashalom Paz é compromisso

A partir de hoje, 4, até o dia 16 de novembro, na sede do movimento juvenil Habonim Dror, acontecerá uma exposição sobre a vida de Itzchak Rabin. Para os interessados, vale a pena. Para os desinteressados, mais ainda.

Serviço:
Exposição Rabin - Paz é Compromisso
Endereço: R. Bahia 883- São Paulo, SP
Horários: Segunda a Sexta das 17h às 22h; Sábados e Domingos das 10h às 19h;
Entrada franca

rabinexpo Paz é compromisso

03
nov
16h58

Nunca tive vontade de fazer tatuagem. Com 15 anos fiz um piercing quando fui passar um mês na Nova Zelândia, talvez um efeito da adolescência, de querer ser rebelde. Tenho ele até hoje. No Shnat fiz outro, porque já queria fazer mas, talvez, mais porque muita gente que faz Shnat faz piercing. Sempre achei piercing algo simples, é um brinco em outro lugar. Dá para tirar, é uma opção e há como voltar atrás. Além disso, um furo não tem significado profundo, é algo mais estético.

Tatuagem é diferente. Você marca algo em você sem possibilidade de volta. Ok, agora existe meios de remoção, mas não é que nem um brinco que você tira e espera o buraco fechar. É algo que para você tem um significado, um motivo. Pelo menos para mim, ninguém marcaria algo para sempre em seu corpo se não tivesse um ótimo motivo.

De uns tempos para cá, comecei a pensar sobre o assunto. Não porque queria fazer uma tatuagem, mas porque queria marcar em mim algo específico: meu amor, carinho e admiração sem limites aos meus pais. Se tem duas pessoas no mundo que me apoiam incondicionalmente, me motivam e confiam em mim, são eles. A princípio, a ingenuidade de uma criança que tem pais presentes faz pensar que todos os pais são assim. Ao longo dos anos fui percebendo que ter um pai como o meu e uma mãe como a minha é um privilégio enorme.

A primeira ideia de tatuagem que tive foi escrever, em hebraico, "meus exemplos". Eu não sou uma pessoa de desenhos ou, pelo menos até hoje, não achei uma figura significativa para mim. Uma palavra, ainda mais escrita em hebraico, diz muito mais sobre minha identidade e minha história.

No meu aniversário, minha mãe me deu de presente uma pulseira com um dos nomes de D-us da Cabala, que tem três letras (todos os nomes de D-us têm, na verdade), que também quer dizer "amor incondicional". Achei lindo e me encontrei nessas duas palavras, afinal, o que seria "amor incondicional" se não amar alguém acima de qualquer defeito ou qualquer problema ao longo do caminho?

Decidi perguntar a um rabino que conheço e confio qual era opinião dele sobre essas três letras que eu tinha escolhido para marcar em mim para sempre. Ele me disse que "amor incondicional", em hebraico, era חסד, que se diz chessed (lembrando que CH na transliteração tem som de dois Rs). Argumentos que essa palavra poderia ser mais significativa, pelo fato de qualquer um que lê hebraico poder entendê-la. O nome da Cabala seria compreendido por poucos, que estudam essa área.

Pesquisei bastante sobre a sugestão do rabino e descobri que חסד não tem uma tradução exata para nenhuma outra língua. Quer dizer bondade, benevolência, mas também representa o tipo mais verdadeiro de amor. Então, estava decidida.

Tive bastante medo de fazer. Não conheço tatuadores, fiquei insegura de escrever em hebraico aqui e algo não sair perfeito. Então, aproveitei a oportunidade de ir para Israel e de ter um dia livre lá para procurar um lugar para fazer a tatuagem. Lembrei do lugar onde eu fiz meu piercing logo no primeiro dia que cheguei no Shnat, em Jerusalém e foi lá mesmo que fui fazer. Estava com três amigos que estão agora no Shnat e eram 14h. Agendei para as 16h, não deu nem tempo de pensar em nada.

Enrolamos duas horas e, quando voltei, escolhi a fonte e o tamanho que queria fazer. Estava bem nervosa, achei que fosse doer muito. Entrei na sala e em 15 minutos, talvez menos, ela estava lá. A verdade é que o barulho assusta muito mais do que qualquer coisa. Não posso dizer que não doeu, mas doeu pouco, muito menos do que eu esperava.

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Pessoalmente, achei que ficou linda, super delicada e discreta. Além de, para mim, ter um significado que vale a pena ter marcado em mim para sempre.

É difícil acostumar-se com a ideia de que há algo novo que faz parte de você fisicamente. É como se eu tivesse uma nova pinta, uma nova cicatriz: faz parte de mim agora não só de maneira intangível.

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25
out
13h33

Enquanto os nervos estão a flor da pele em todas as cidades brasileiras, nesse clima agressivo e estressante um dia antes da eleição, o dia em Jerusalém é tranquilo, calmo, talvez como todos os sábados.

Na religião judaica, a sexta a noite e o sábado, até que anoiteça, compõe o dia sagrado. De acordo com a Tora, livro sagrado da religião, neste dia D-us descansou, e o povo judeu deve fazer o mesmo. Jerusalém é uma cidade religiosa, não só no âmbito judaico, envolve as três principais religiões monoteístas do mundo, mas como sua maioria é de judeus, as tradições da religião tomam conta da cidade. Assim, hoje, sábado, não há lojas abertas, a não ser o shuk (mercado) árabe e alguns outros poucos lugares. O movimento de carros não é inexistente, mas não se compara com um dia da semana em que há a correria comum de uma cidade grande.

Não há ônibus, há pouquíssimos taxis. Uma das grandes discussões entre a população é se isso é correto ou não. Muitos, aliás, a maioria, dos moradores de Jerusalém, e de Israel como um todo, não respeitam Shabat, por que essas pessoas são impedidas de andar de ônibus? O debate entre separação entre Estado e religião existe em Israel há quase 67 anos, isto é, desde sua independência.
Muitos judeus não guardam Shabat, tem seu sábado como pessoas de outras religiões. É um costume, uma tradição religiosa, não só ortodoxa, porque outras linhas também respeitam esse dia de descanso. Para os que não nasceram dentro dessa cultura mais religiosa é difícil entender, me sinto como uma criança que fica perguntando pra mãe o tempo todo “o que é isso”, porque o que pode ou não ser feito nesse dia depende da linha e, além disso, mudou muito ao longo do tempo.

Antes de conviver com pessoas mais religiosas, respeitar Shabat era algo que me parecia inviável. Como assim não andar de carro, não andar de elevador, não ver TV e não mexer em aparelhos eletrônicos no geral? Mas se tem quem faça, não deve ser algo impossível e nem tão sofrido. Claro que é necessário adaptar-se, tem que querer e ser importante para você. Acho que é interessante pensar nisso como um exercício, uma tentativa. Será que somos capazes de deixar tudo isso de lado por 25 horas?
Jerusalém para antes de o Shabat começar e volta algumas horas depois que ele termina. Mesmo que não agrade a todos, o dia praticamente obriga alguns ao descanso, prática tão difícil para alguns, que vivem dia a dia na correria do cotidiano.

Não é tão simples passar sábado em Jerusalém, é necessário andar bastante e saber previamente o que está aberto ou não, alguém que não conheça nada sobre a cidade pode acabar ficando sem almoço no sábado. Mas é uma experiência única que ainda pretendo repetir algumas vezes. Shavua tov, isto é, boa semana, a todos, afinal, aqui a semana começa no domingo.

Em dois dias vou para Israel. Sim, isso mesmo. Menos de um ano depois de chegar no Brasil, volto a Israel. Vou para um "seminário" de política da Federação Israelita do Estado de São Paulo, chamado Assefa Ba'Aretz. Junto a um grupo de mais 22 pessoas, passarei oito dias conversando com personalidades importantes de Israel, como o ministro da educação, o embaixador do Brasil em Israel entre outros. O programa não tem com objetivo uma lavagem cerebral, inclusive porque se tivesse eu não iria. Falaremos com pessoas de oposição ao governo atual, com palestinos, com pessoas que estudam a ISIS e o que está acontecendo no Iraque e na Síria e com muitos outros. Ficaremos hospedados em Jerusalém, mas viajaremos pelo país de acordo com a programação.

A viagem é intensa e bastante corrida, o único momento livre entre o dia 20, em que chego, até o dia 26, em que termina o programa, é antes de começar o shabat, na sexta-feira, dia 24. Vou embora de Israel no dia 27, sendo assim, terei um dia entre o final da Assefa e minha volta ao Brasil. Um dia em Israel, em Jerusalém, onde morei nos quatro primeiros meses do último ano. É difícil de acreditar. Desde que tive essa notícia, há pouco mais de duas semanas, é complicado viver o hoje, sem pensar no dia 18, quando embarco. Não consegui nem começar a pensar no que levarei, no que colocarei na mala, porque é difícil de acreditar.

Decidi me inscrever para participar dessa viagem faz tempo. Tinha que escrever um projeto, um mini CV e conseguir uma carta de recomendação de um presidente de alguma instituição judaica, e o prazo para mandar tudo era 19 de setembro. Enviei tudo no último dia que podia, sem ter ideia do que aconteceria. Eram duas vagas e eu não tinha ideia de quantas outras pessoas tinham mandado o material. Algumas semanas depois, que passei muito ansiosa, fiquei sabendo que tinha sido selecionada. Quase chorei na hora, e desde então não tenho entendido muito bem o que está acontecendo.

Quando desembarquei no Brasil era dia 8 de janeiro deste ano. Achei que só iria novamente para Israel em 2015 ou depois. Mas também sabia que faria tudo para voltar o quanto antes. Porém, tenho certeza que será uma experiência completamente diferente, na qual a única semelhança é o local. O Shnat teve toda uma parte mágica pelas companhias, por ter ido com meus melhores amigos e ter voltado com o sentimento fortalecido em relação a eles, além de pessoas novas que conheci lá. Agora vou sem ninguém que seja meu amigo, sendo a mais nova do grupo, que é composto por pessoas de idades bastante variadas. Sem dúvidas, além de todo o conteúdo que terei lá, será uma experiência enriquecedora viajar "sozinha", algo que nunca fiz.

Chego no Brasil no dia 28, ou seja, não votarei no segundo turno das eleições. Não sei ainda se acho isso bom ou ruim, porque é importante fazer meu papel. Mas não abriria mão dessa oportunidade pelo voto.

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