Publicado em 18/05/2015 às 19h48

Vegetariano: ser ou não ser

Há três meses parei de comer carne velha. Gradativamente estou tentando tirar o frango da minha dieta. O peixe fica, simplesmente porque não quero parar.

Parei de comer carne vermelha não porque sou contra o abate de animais, sou contra o abate excessivo de animais. Mais que isso, sou contra a criação excessiva de animais, que demanda muito do solo e acaba sua produtividade depois. O solo é todo usado para alimentar os bois. Estudos comprovam que os cereais utilizados para produzir 225 g de bife poderiam alimentar 40 pessoas. O uso do solo o torna inútil, acabando com a terra.

Outros problemas além desse deveriam fazer as pessoas pensarem, como a produção de gás carbônico e metano que a criação de gado causa. Dados podem ser encontrados na internet, quem procura, acha.

Eu não acho que todos tenham que parar de comer carne vermelha. Não acho que os vegetarianos e veganos tenham que doutrinar o mundo e tenhamos que anular totalmente o consumo de carne vermelha. Acho só que podemos levar mais em consideração que o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, porém, apenas 24% da produção do país vai para o resto do mundo. Os outros 76% nos cabem e poderiam ser menos.

Ninguém é obrigado a parar de comer carne, mas diminuir faria mal? Se tentássemos outros cortes de carne, seríamos afetados?

Falta muito, na minha opinião, a vontade de as pessoas entenderem porque comer carne faz mal ao meio ambiente e entenderem que DIMINUIR o quanto comem não é o fim do mundo. Existe muita relutância e preconceito com os vegetarianos. Eles estão fazendo uma opção, eles não querem comer nenhum tipo de carne e eles podem. Eles tem opiniões e seguem argumentos que fazem sentido para eles.

Mas acho que também falta aos vegetarianos, claro que muitos são, serem pessoas mais didáticas, explicando seus motivos sem querer brigar, sem acusar as pessoas por querem comer carne. Nada no mundo é ou 8 ou 80. Quem não come carne não é obrigado a convencer as pessoas a pararem de comer carne também, ele podem sugerir alternativas mais leves que já ajudam o mundo.

Também é preciso atentar a pessoas que viram vegetarianas e pouco se importam com a saúde, com ter uma dieta balanceada e que supra todas as necessidades que uma pessoa que não come carne vermelha precisa. São muitas. Tem gente que fica anêmica, porque não repõe o ferro da carne vermelha, tem gente que engorda porque troca toda carne por massa.

Muitos nutricionistas não indicam eliminar a carne vermelha do cardápio, mas se você quer, por que não procurar um profissional que possa te ajudar a fazer isso?

A ideologia é bonita, mas precisa ser inteligente e cuidar de si mesmo. De nada adianta salvar o mundo e prejudicar a si mesmo.

Um grande mito sobre ser vegetariano é que quem não come carne, come mal. MENTIRA. Apesar de eu ainda comer peixe - diferente de vegetarianos de verdade -, já comi em alguns restaurantes vegetarianos MUITO bons e já passei mais de um dia sem comer nenhum tipo de carne e comi bem, além de ter ficado satisfeita e ter comido de modo saudável.

Sugestões de restaurantes vegetarianos são bem-vindas, aliás.

Publicado em 27/04/2015 às 20h07

A primeira vez que errei

Uma pessoa muito querida me disse "você não fala do seu novo estágio como você falava do outro. Quando você passou no outros, seus olhos brilhavam, agora não mais".

Eu mudei de estágio. Eu saí da ESPN e não foi fácil tomar essa decisão, simplesmente porque não é fácil desistir de algo que você queria tanto ou que você lutou tanto para que se tornasse realidade. Porém, eu não estava feliz. Simplesmente não deu certo. E foi aquele papo bem de fim de namoro: "o problema não é você, sou eu". E foi isso mesmo, o problema era eu, que não me encontrei como estagiária de TV.

Eu sentia falta das letras, sentia falta de mexer na informação diretamente, de dizer alguma coisa para alguém.

Em outras gerações talvez o emprego não passasse de uma obrigação. Você deveria cumpri-la e a missão estava completa. Mas hoje o trabalho é a sua vida inteira, é tudo e mais um pouco. Mesmo quando você não está no trabalho, você está pensando nele, falando dele, fazendo algo que talvez se encaixasse no trabalho.

Na ESPN eu tinha uma função que muitas outras pessoas adorariam ter, estava ocupando um lugar onde outra pessoa seria feliz, enquanto eu não era.

Então, eu mudei de trabalho. Fui trabalhar no site da Revista Forbes, onde eu escrevo o dia inteiro. Claro que a minoria dos textos são meus, mas nesse período - pouco mais de um mês - eu percebi que eu procurei os meus objetivos e minha felicidade no lugar certo, onde eu sempre soube que seria feliz, na escrita.

Claro que eu já tinha errado. Mas dessa vez era. Eu já tinha tomado decisões ruins, mas nunca tinha tomado uma decisão que tivesse sido errada da forma que foi, mas para tudo tem uma primeira vez na vida. E como toda primeira vez, foi difícil. Fechei uma pauta hoje cujo tema lembra essa situação toda: errei meu curso, e agora? Não errei meu curso, mas tinha errado minha área.

Foi bom ouvir, ao longo desse tempo, que tanta gente errou e erra todos dias. Afinal, tenho certeza que continuarei errando. O importante é tirar lições importantes de fases turbulentas da vida. Do meu erro aprendi mais de mim mesma. Do meu erro procurei uma nova oportunidade e aprendi que quando você trabalha com alguma coisa que te realiza, que te completa, tudo melhora. Acho que o maior impacto que isso teve em mim foi no momento em que uma amiga da faculdade me disse que até minha voz tinha mudado desde que me encontrei um pouco mais.

Não é como se tudo fosse perfeito - aliás, nada é. Não é como se eu fosse ter só um emprego pro resto vida - inclusive, espero muito que ainda tenha muitos.

Mas aprendi a errar. E aprendi que dá pra errar e pra ser feliz depois isso, porque tudo passa. Mesmo se as algo der errado de novo, provavelmente vai voltar a dar certo depois.

Hoje meus olhos talvez não brilhem mais quando falo do meu novo estágio como brilharam quando passei na ESPN, mas talvez nenhum outro estágio tenha esse efeito, e não tem problema. Pelo simples motivo de que aprendi que nada é isento de defeitos e que toda experiência tem seu lado bom e seu lado ruim.

Enfim, eu mudei de emprego e eu estou feliz.

Publicado em 13/04/2015 às 19h20

Felicidade todo dia?

Um dia desses ela me perguntou se nós somos obrigados a sermos felizes.

Não... Mas deveríamos querer ser. E prezar por isso. E nos esforçarmos para isso.

Mas ai pensei o que seria de nós se realmente existe esse compromisso todo, de estar feliz 100% do tempo, de sorrir por tudo.

Frejat não achava que seria bom. Achava que rir de tudo era coisa de gente desesperada.

Têm dias que são ruins mesmo, e a gente quer desabar.

Quer saber? Pode.

Se forem todos, temos um problema.

Se todos forem felizes, temos uma mentira.

Ninguém conhece o prazer sem a dor. Ninguém conhece a alegria sem a tristeza.

Nem todo dia é de sol. Nem todo dia tudo tudo dá certo.

Tem que chover pra encher a cantareira, não dá para tomar sol todos os dias.

E faz parte. A gente aprende assim.

Tô muito mais com Vinicius do que com Chico.

Não existe lei que nos obrigue a ser feliz. Mesmo que ser alegre seja bem melhor do que ser triste.

Não tem obrigação, tem determinação.

Publicado em 07/04/2015 às 20h21

A escravidão que nos impomos

Estamos no meio do feriado de Pessach, feriado judaico que lembra a saída dos judeus do Egito. Os judeus religiosos têm a tradição de lembrar esse momento da história não comendo chametz, ou seja, nada que é fermentado, porque na pressa da fuga o povo não teve tempo de fermentar o pão. Por isso, nessa época do ano é comum comer matzá.

Um valor normalmente relacionado com Pessach é a liberdade. Para mim, que quase não cumpro ritos religiosos, é importante ressignificar os feirados judaicos, porque acredito que todos eles têm algo a nos ensinar. Li um texto uma vez falando sobre os nossos sairmos dos nossos próprios Egitos, ou seja, sermos capazes de nos libertarmos daquilo que nos prende e nos faz mal.

No clima da festa, refleti sobre quanto somos feitos escravos das opiniões de outras pessoas. Muitas vezes, mesmo quando estamos infelizes, ou simplesmente insatisfeitos, aceitamos essa condição por ouvirmos conselhos alheios, não nos esforçando para mudar.

Apesar de muitos argumentarem que ninguém é livre de verdade, acredito que há momentos em que tomamos atitudes libertadores, por mais que elas durem apenas alguns segundos. Quando se trata de nós mesmos, somos os únicos que podem tomar decisões, sejam elas certas ou erradas. Se der certo, ótimo. Se não der, acontece. Aprendemos com nossos erros e ninguém pode viver essas experiências no nosso lugar.

Para mim isso tem relação direta com a outra comemoração do dia de hoje: o dia do jornalista. Ser jornalista tem tudo a ver com se libertar de Egitos internos, com não se render a ser escravo de uma fonte, ou de um veículo ou de trabalhar em algum lugar que não se encaixa com sua ideologia pessoal. Faz parte da profissão não se prender a opiniões alheias e ser independente e autossuficiente para exercer o trabalho jornalístico. Imagina se cada jornalista do mundo levar em consideração tudo que ouve?

Ser jornalista envolve o comprometimento com a verdade, envolve não se aprisionar na escravidão da vaidade, preocupando-se com marcas, com aparecer, além do mais, envolve ser feliz no meio dessa loucura toda. Ser jornalista é, talvez, nunca ter sua vida pessoal separada da profissional.

Mais importante que tudo, ser jornalista é ajudar a tirar pessoas da escravidão da ignorância do dia a dia, da qual só podemos nos libertar pela informação.

jornalista A escravidão que nos impomos

Publicado em 18/03/2015 às 22h54

Liberdade não assegurada

A laicidade do Estado brasileiro sempre me intrigou. Em meio a crise de confiança entre sociedade e governo, o caso continua a chamar atenção.

O Estado garante muitos direitos aos cidadãos que deixam de ser cumpridos. A promessa de ser um país laico está feita na Carta Magna de 1988, a mais recente Constituição Brasileira, no artigo 5˚:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

Nota-se, porém, que no dia 15, essa liberdade não foi assegurada.

Charlyane Souza, 29, estava fazendo a prova para passar na OAB, Ordem dos Advogados do Brasil e, mais de uma vez, foi interrompida enquanto fazia o exame por causa de sua hijab.

O que é isso?

hijab designs Liberdade não assegurada

Uma veste que se usa na religião islâmica, religião seguida pela aluna. Ela, em entrevista ao UOL, alega que leu todo o edital da prova e nada dizia-se sobre o tema. Conta que, além de ter sido revistada ao chegar, foi questionada duas vezes. Para piorar, a primeira mulher que foi falar com ela alegou que ela estava usando um objeto de chapelaria.

CHAPELARIA? Sério? Ai entra a questão da laicidade: cadê o respeito com a religião que nos é estranha? Seria a mesma coisa que pedir para que um judeu tirasse sua kipá, alegando ser um chapéu.

Somos ignorantes e preconceituosos com o islamismo. Mas nota-se um aspecto pior que esse: há a imposição de uma religião sobre as demais ou mesmo sobre aqueles que decidem não seguir religião nenhuma.

O catolicismo está em toda parte. Às vezes passa despercebido, mas a ditadura da maioria pode ser notada em mais de um órgão público no Brasil, provando a fragilidade do termo "laico".

Brazilian Supreme Federal Tribunal 1024x625 Liberdade não assegurada

Por que tem uma cruz no Supremo Tribunal Federal? Não que o certo fosse ter a representatividade de todas as religiões, pois no Brasil elas são inúmeras. Contando todas as vertentes do cristianismo, há pelo menos 15. Ainda assim, o Brasil não se declara como pluralista, mas LAICO. Ou seja, nada que diga a respeito do Estado deve estar ligado a qualquer tipo de religião.

Tal qual uma estudante não poderia ser prejudicada pela ignorância em relação às escolhas pessoais dela. Talvez a cruz no STF não ofenda muitos, porém, ele é uma mera prova de que o Brasil não está pronto para deixar de lado a ditadura da maioria, impondo a vontade de muitos e oprimindo minorias, como é o caso de Charlyane.

Disseram a ela que ela deveria ter feito um pedido dizendo ter uma "necessidade especial", como se tivesse algum tipo de deficiência, e não apenas uma diferença do que se considera "normal".

Mas o que mais pode se esperar de um país onde não se abona falta por respeitar feriados religiosos?

Perfil

Anita Efraim, estudante de jornalismo na ESPM. Vivendo a vida desde 25 de setembro de 1994, e com este blog compartilha cada dia que vive em busca de algo que não tem ideia do que seja.

Leia mais

Publicidade

Galeria de fotos

Top 10 Comentaristas

  1. 1
    aefraim60 comentários
  2. 2
    Gabriel37 comentários
  3. 3
    Odonir31 comentários
  4. 4
    Tally29 comentários
  5. 5
    Lívia (sabe a ruiva da s...26 comentários
  6. 6
    Daniel Lagares23 comentários
  7. 7
    ubira20 comentários
  8. 8
    Tara18 comentários
  9. 9
    agoranaodatempo17 comentários
  10. 10
    Marina Hallack16 comentários

Arquivo

maio 2015
D S T Q Q S S
« abr    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

@niefraim: @Uber_Brasil Estou fazendo uma matéria sobre a suspensão do app no Brasil e gostaria de saber a posição da empresa. 30/Apr/2015 - 12h24

@niefraim: @Uber_Brasil Como posso falar com alguém da Uber Brasil? Tem algum telefone? Obrigada! 30/Apr/2015 - 11h30

@niefraim: Blog com layout novo, vem ver! http://t.co/mQZUJOWBMl 13/Apr/2015 - 19h26

@niefraim: Sonhos de criança que chegam ao fim http://t.co/KcOEIbcXWU 07/Apr/2015 - 22h02

@niefraim: Primeiro dia de uma nova rotina. 06/Apr/2015 - 14h48

Arquivo

maio 2015
D S T Q Q S S
« abr    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Tags

Home de Blogs +