"Bianca é uma moça que acabou de se formar no ensino médio, em uma ETEC, e desde os 12 anos sonha em fazer jornalismo. Tem paixão pela profissão e se identifica muito com ela.

Determinada a cursar jornalismo em uma faculdade de qualidade, ela prestou Cásper e ESPM, mesmo que sua família não apoiasse tanto, porque são faculdade particulares.

Depois de muito estudo e esforço, passou nas duas. Graças a sua excelente colocação na ESPM, ofereceram a ela uma bolsa. Foi muito difícil decidir-se mas, no final das contas, ela resolveu cursar ESPM.

E a USP? Ficou de fora por quê? Não tem qualidade? Não. Só que cada um tem seus próprios ideais e ideias, e ela não se identifica com o ambiente da universidade e seus alunos, mesmo tendo grande admiração por eles.

O problema é: após fazer essa escolha tão difícil, Bianca está bastante insegura porque não sabe se conseguirá adaptar-se ao perfil de alunos da faculdade. Ela é quieta, na dela, destoa do perfil de jovem universitário que sai da aula e adora ir pro bar beber uma cerveja.

Quem não tem medo de se adaptar e de não ser feliz? Quem nunca se sentiu deslocado no primeiro dia? Quem não sofre antecipadamente pelo medo desesperado de ter feito uma escolha errada?

É a consequência das escolhas, uma das alternativas sempre fica de fora. Cabe a nós mesmos não nos torturarmos com o tão famoso e assustar 'e se'.

Talvez um dos aprendizados mais importantes da vida de alguém - especialmente se esse alguém for inseguro - seja conseguir se olhar e enxergar em si mesmo o seu lado bom e suas qualidades. Defeitos todos temos e, quase sempre, conseguimos vê-los de forma bem mais clara.

Claro que de um dia pro outro alguém levanta da cama, olha no espelho e pensa 'como eu confio em mim mesmo!', é um processo e ele não vai ser fácil. Mas quem dá o primeiro passo é você, você mesmo que está refletido nesse espelho e parece tão cheio de defeitos. Essa, sem dúvidas, não é única pessoa que pode te ajudar, mas é, com certeza, a que mais pode".

Fiquei um tempo sumida não por falta de assunto, mas por falta de tempo. Cheguei de viagem no domingo a noite e segunda cedo já comecei a trabalhar. Desde então minha rotina tem estado muito corrida e eu, bastante cansada. Porém, hoje algo me motivou a escrever de uma forma inexplicável.

Durante toda minha vida de Chazit, que já tem nove anos, o que aprendi de mais importante é que o modo mais eficaz de educar não é passando conteúdos ou incitando questionamentos, mas sendo um exemplo. Desde que passei a acreditar nessa premissa, tento ao máximo agir no meu cotidiano de maneira consciente e de forma que outros possam olhar para mim e refletir sobre o motivo pelo qual eu faço certas coisas e por que elas fazem diferente ou fazem igual.

Dentro da Chazit já senti muitos resultados em relação a isso. Afinal, durante todos os meus sábados, por três anos, eduquei de acordo com ideias que eu acredito totalmente.

Hoje, porém, senti um impacto direto de "ser um exemplo" na minha vida como "pessoa que almejo ser", e não só como ativista de um movimento juvenil.

Entrei nos comentários do meu blog sem esperar encontrar nada, afinal, não postava há bastante tempo. Encontrei dois comentários: um no meu mais recente post, sobre livros, e o outro em um post mais antigo, de 19 de outubro.

O segundo comentário é da Bianca, e, no fim de tudo que me contou, me pediu um conselho e o meu maior conselho é: vai, e se der medo, vai com medo mesmo!

Bianca, só pelo seu comentário já deu pra notar que você escreve super bem, além de ser uma menina determinada e sensível, o que pode ser seu grande trunfo ou um problema para si mesma. Acredito que a ESPM vai te ensinar mais do que jornalismo. Vai te ensinar, também, a respeitar a individualidade das pessoas, inclusive a sua. É verdade, tem muita gente diferente lá e, talvez, você não se dê com todo mundo, mas posso prometer que em nenhum lugar isso aconteceria.

Parabéns por ter passado nessas duas gigantes da comunicação e por ter conseguido bolsa, não é pra qualquer um. Agora, acredita e chega de mente e sorriso aberto. Assim, não tem erro.

Obrigada por esse comentário, por ter mudado meu dia para MUITO melhor, pelas lindas palavras e, principalmente, pela confiança.

Sem dúvidas hoje, depois de ler seu comentário, me sinto muito mais gratificada pela coragem e vontade de escrever para quem quiser ler. Acredito mais em mim mesma, mais que ontem e, para terminar o clichê, espero que menos que amanhã.

Boa sorte, Bianca! Espero sempre ser um exemplo e apoio para você.

Talvez não existam livros ruins.

Só livros que não são para nós. Mas são para outra pessoa.

Talvez alguns livros tenham muito a nos dizer, talvez, criemos uma relação de amizade e confiança que encham os olhos de lágrimas quando o laço se finda junto com a páginas, que, infelizmente, são sempre limitadas.

Talvez livros sejam como pessoas, que vem e vão, e alguns fazem mais o nosso tipo.

Ninguém é obrigado a gostar de todo mundo por ai, assim como não é obrigado a gostar de todos os livros.

Mesmo que todos os outros falem bem. Mesmo que o autor seja renomado.

Por outro lado, tem gente que alguém não gosta. E nós acabamos gostando.

Que atire a primeira pedra quem nunca teve vergonha de falar que adorou um livro que o melhor amigo odiou.

Gosto é gosto. Cada livro é um, e cada um nós também.

Às vezes nos encontramos, encaixa. Aquela história, aquele relato, é tudo que precisamos.

Às vezes não.

Mas o importante é ir tentando. Um livro pode nos decepcionar.

Será isso motivo suficiente para assinar a carta de demissão do cargo de leitor?

Tem tantos outros peixes no mar.

E tantos outros livros nas livrarias. E nos sebos. E dos nossos amigos. E de pessoas que admiramos.

Cada livro tem uma vida por trás, que nem nós.

Às vezes nos identificamos.

Às vezes não.

Porém, quando achamos um livro que muda a vida, dá vontade de ficar com ele pra sempre.

Ler e reler e ler mais uma vez, pra poder dizer que "releu de novo".

E quando achamos dá sede. Sede de achar outro que te faça sentir assim.

Ruim é que os livros podem ser como as pessoas: algumas nos decepcionam.

Talvez nós decepcionemos os livros, quando vemos os filmes sem tanto interesse de lê-los.

Vai saber.

Dizem por ai que o ano de 2014 passou muito rápido. Entretanto, tenho a impressão de que se fala isso sobre todos os anos. Acho que há muito mais para falar desse ano do que sua duração, aspectos que não senti sobre nenhum outro que vivi.

Por muito tempo achei que o ano em que morei fora seria o ano em que mais aprendi na vida. Talvez eu estivesse certa em relação a teoria, tirei de 2013 as mais importantes lições da minha vida - pelo menos até agora -, mas o que 2014 teve de único foi que tudo que aprendi no ano anterior pude por em prática.

Foi um ano difícil pelo simples fato de que voltar a uma realidade antiga não é fácil. Você se acostuma com outra rotina, outro cotidiano, outras companhias, outra realidade e, então, acaba e você volta. Como lidar com esse choque? Particularmente, achei na terapia meu caminho para organizar todas as milhares de ideias que passavam pela minha cabeça. Infelizmente muitos acham que psicólogo ou psiquiatra é só pra quem é louco. Digo infelizmente por ainda ter quem pense que há algum de nós que não têm sua loucura particular.

Como escrevi a ele, 2013 foi meu grande amigo e parceiro. No início, pareceu que 2014 veio para destruir toda aquela alegria, especialmente no primeiro semestre. Sala nova na faculdade, não ter muitos amigos e uma quantidade quase infinita de trabalhos em grupo, desilusões que eu nunca poderia imaginar, projetos pessoais que falharam. Em um certo momento parecia que eu queria que esse ano fosse péssimo para que nada nunca fosse melhor que 2013. Idealizamos tanto alguns momentos que queremos santificá-los, para garantir que eles nunca serão esquecidos.

Foi necessário recomeçar, mais uma vez. O segundo semestre, aos poucos, foi se tornando um lugar melhor, apesar de estar exatamente no mesmo espaço físico, me propus o desafio de me jogar de cabeça em tudo que faria, sem frear a felicidade se ela quisesse vir. Deu certo, bem certo. Não é como se tudo tivesse sido perfeito, mas me sentia muito melhor na faculdade e comigo mesma. Acho que o mais importante de fazer terapia foi entender que os fracassos e as frustrações nem sempre eram minha culpa e, mesmo que fossem, eles fazem parte do dia a dia de qualquer um. A diferença é se sabemos ou não lidar com eles.

A revolução interna é saber tirar das decepções novas motivações para seguir em frente. Sem aquele otimismo, papo de Poliana de que tudo tem um lado bom. Todos podem ficar chateados, é normal uma criança chorar quando cai da bicicleta quando está aprendendo. O que importa é que ela tenha a coragem de tentar de novo e de novo, até aprender.

Algo bastante importante que aprendi não em 2013 mas ao longo de toda a vida é que o sofrimento alheio não é mensurável. Não temos o direito de julgar se alguém pode ou não sofrer, independente do motivo. 2013 me ensinou a julgar menos as pessoas e me preocupar mais em avaliar o que eu faço ou deixo de fazer. Sofri como outros que voltaram comigo e, hoje, sei que o que eu senti não cabe a ninguém além de mim.

Sabendo lidar com as frustrações e com meus sentimentos fui colhendo a maturidade que plantei e termino 2014 mil vezes mais feliz do que poderia imaginar. Foi um ano cheio de altos e baixos, mas acho que com tudo que vivi esse ano trouxe mais conquistas que perdas.

Ter medo é normal, e eu tive. Tive muito medo que 2013 deixasse de ser o que foi, que ele ficasse como uma lembrança apenas. Hoje tenho certeza de que isso jamais acontecerá. 2013 faz parte de mim e, sem ele, nunca teria aprendido a lidar com as dificuldades que 2014 trouxe. O ano que agora se encerra me pôs a prova, me colocou na parede e gritou na minha cara "você é mulher ou menina?", demorei mas hoje, sem necessidade de gritar de volta, lhe digo calmamente que tornei-me uma mulher e, justamente por isso, ele foi único.

Já é a terceira árvore que cai na mesma rua no bairro de Higienópolis, a rua Itacolomi. A primeira, no dia 22, na esquina da Alagoas com a Itaolomi, caiu bem em cima de um táxi e o passageiro não sobreviveu. No dia 23 mais uma caiu e no dia 25 outra. Sim, todas na mesma rua.

A do dia 25 caiu entre as ruas Pará e Sergipe.

IMG 0282 1024x768 Terceira árvore cai na rua Itacolomi

Fui para o local conferir a queda da terceira árvore. Aconteceu entre as 18h e as 19h e os moradores disseram que o barulho foi estrondoso.

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Ninguém se machucou, apenas um carro ficou amassado, pois a árvore caiu em cima dele. A árvore era bem grande, foi bastante impressionante ver as raízes dela despregadas do chão.

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IMG 0292 1024x1024 Terceira árvore cai na rua Itacolomi

Em São Paulo temos implorado tanto pela chuva que parece que São Pedro se irritou e resolver mandar tudo o que não choveu nos últimos meses nos últimos dias. Hoje foi bastante impressionante o quanto choveu. Só de atravessar a rua fiquei encharcada

Espero muito que esteja chovendo na Cantareira para equilibrar as consequências das fortes chuvas.

Na minha primeira dinâmica de grupo no processo seletivo da ESPN tivemos que escrever uma redação cujo tema era: o legado da Copa do Mundo.

Desenvolvi um texto que falava não sobre como o brasileiro ama o futebol ou como nosso país deixou de ser uma grande referência no esporte, tendo um campeonato nacional fraco e de baixo nível. Minha redação discorria sobre como o esporte mais popular do Brasil era muito mais do que um esporte: futebol, aqui, hoje, trata-se, também, de política.

Algumas pessoas vieram comentar comigo durante a semana sobre a saída do jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da ESPN. Claro que fiquei um pouco chateada, seria muito legal esbarrar com ele pela emissora e conversar com alguém que entende tanto de futebol como ele. Mas o que aconteceu provou sobre como o futebol é, sim, um jogo de interesses e engloba muito mais que o esporte em si. Caso isso não fosse verdade, tantos outros temas importantes do mundo da bola não teriam ficado de lado para dar manchetes à saída de PVC da emissora, como muito bem comentou Cosme Rímoli em seu blog.

Li muito sobre o assunto, todas as manchetes que apareciam sobre o tema me chamavam atenção. Cosme Rímoli sem dúvidas foi quem mais me surpreendeu, porque fez a função mais importante de um jornalista: saiu do óbvio. Além disso, achei que sua colocação sobre o tema reforçou mais ainda minha ideia sobre como o futebol vai além dos campos. A história que Cosme conta mostra como a paixão nacional pode mexer com todo jornalismo do país, com a vida de um comentarista e com a política brasileira.

Se foi mesmo a reunião com Felipão que mudou os rumos da vida de PVC, que o levou a mudar de emissora depois de 14 anos, está provado que o legado da Copa do mundo não é o amor incondicional do brasileiro pelo futebol, mas as condições que o futebol impõe sobre a vida do brasileiro. Sem dúvidas, Paulo Vinícius Coelho não foi o primeiro e não será o último a ter sua vida mudada pelo esporte, mesmo sem ser um jogador.

Saber disso torna minha entrada nesse mundo ainda mais interessante, pois ser um fã do esporte não é só querer saber o que acontece dentro do mundo do futebol, mas tudo que o circunda. Quem sabe um dia eu seja a pessoa que teve sua vida transformada por causa desse esporte, como PVC, ou quem sabe a jornalista que escreverá um texto incrível sobre o assunto, como Cosme Rímoli.

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