O escândalo de Pasadena afetou a imagem da presidente Dilma Rousseff; assim como o mensalão afetou a imagem do Partido dos Trabalhadores nos últimos anos. Ademais, difícil não questionar os gastos exagerados com as reformas da Copa do Mundo.

A gestão do governador Geraldo Alckmin no estado de São Paulo é, no mínimo, triste. A segurança (ou a falta dela) só piora, tomando todos os cantos do estado independente de cor, credo ou classe social.

Esses são apenas exemplos de políticos que representam os dois maiores partidos com pré-candidatos a presidência no ano de 2014: PT e PSDB. Nada é certo, mas esses são Dilma Rousseff e Aécio Neves.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Carta Capital com a Vox Populi, esses dois candidatos somam 56% dos votos, sendo que a representante do PT ganharia as eleições no primeiro turno, com 40% dos votos.

A terceira opção mais votada, 18% das respostas, não é nem um candidato, mas "não sei" ou não responderam. Os outros dois candidatos com maior expressividade, que conseguiram atingir mais que 1% dos votos, são Eduardo Campos e o Pastor Everaldo Pereira, com 8% e 2%, respectivamente.

Há uma teoria chamada Espiral do Silêncio, que se aplica bastante às eleições: a maioria (qualitativa ou quantitativa, depende do caso) suprime a voz minoria. Por mais que se queira votar em outros candidatos, há a impressão de que o voto em partidos menos expressivos não tem a mesma validade que o voto no PSDB ou no PT. É como se, para fazer diferença, fosse necessário votar em algum desses dois partidos. Até que ponto, no contexto das eleições, isso é verdadeiro?

É difícil decidir em quem votar levando em consideração todas as falhas que os partidos representam, seus fracassos tão gritante. Tal fato leva a uma decisão feita "por baixo", votar no menos pior. E ainda, se votar no menos popular, que é o que concorda, fica aquela coisa de "meu voto não vale nada", porque ser apenas um no meio de milhares. Dá vontade de não votar, pagar a multa miserável de quem falta às eleições para ir viajar, fazer algo melhor com seu final de semana.

Porém, depois de 30 anos do protesto que reuniu um milhão e meio de pessoas no Vale do Anhangabaú, o movimento das Diretas Já, será que devemos/podemos realmente desvalorizar nosso voto? Quando esse direito não existia, era o que o povo mais ambicionava, mais levantava como sua bandeira, por ser um exercício típico de um regime democrático. Em que momento esse "dever civil brasileiro" (já que o voto é obrigatório) perdeu a relevância? O questionamento, vindo de Ivo Herzog, que viu o pai morrer acreditando na democracia, mesmo que o Estado fizesse o que podia para esconder isso, é válido e faz pensar, ter vergonha. Hoje, o Brasil pode não ser assim se escolhermos bem nosso representante máximo... Será mesmo?

Essa será a primeira vez que eu voto, e não tiro isso da cabeça. Mesmo que a decisão seja complexa, difícil, até doída, temos 6 meses para pensar, pesquisar, achar o que mais nos representa e fazer jus a luta que marcou a história da redemocratização brasileira. Apesar de essa ser uma moça coxa, tentando de equilibrar na corda bamba, ela está ai. Quem quer ajudá-la a atravessar?

11
abr
10h35

Domingo fui ao jogo do Santos com meu pai e, não só por causa do resultado, não gostei de estar lá. Nunca tinha acontecido isso comigo, nunca tive vontade me levantar e ir embora do estádio. Ontem tive uma visão muito diferente do comum.

Quando vamos até Santos ver os jogos, na Vila Belmiro, eu não me sinto assim. Talvez por ser menor, talvez pelas pessoas serem mais tranquilas na praia, mais familiar, não sei, mas no domingo, senti repulsa ao futebol.

O jogo foi péssimo, o time da Vila não jogou nada, o Ituano ficou fazendo cera, o juiz era ruim e a bandeirinha nem se fala. Mas o pior de tudo, eram as pessoas sentadas ao meu redor: o retrato ideal do machismo da sociedade hoje. Primeiro xingamento para qualquer um é, óbvio, "filho da puta", afinal, a mãe é mesmo a culpada por um jogador que perde o gol. É tão intrínseco que as pessoas nem percebem, nem pensam mais nas palavras que usam.

Quer criticar? Por que não usamos ruim, grosso, péssimo, qualquer coisa do tipo? Por que é "sua mãe tá na zona"? De verdade, fiquei pensando nisso o jogo todo.

A bandeirinha era um desastre, nunca vi alguém apitar tão mal na vida, porém, não entendo porque sua incapacidade visual/falta de atenção fazem dela uma vadia. Cega, incompetente, idiota, mas o xingamento é sempre machista, é sempre sobre como a mulher usa seu corpo.

Triste mesmo foi quando disse ao meu pai que estava ficando bastante irritada com tudo aquilo e ele me disse, com a maior calma do mundo "não existe ambiente mais machista do que um estádio de futebol", e eu assenti, sem ter como discordar, sem ter vontade de continuar frequentando esses lugares, que sempre foram tão presentes na minha vida. Isso tudo levou levou a infeliz conclusão: não deveria ter Copa, mas vai ter. Porque, além de todos os problemas estruturais que o país tem, falta civilidade, falta ver que tem o outro ao seu lado.

Interessante fazer um retrato do brasileiro a partir desse cenário. Porém, a maioria dessas pessoas não estarão presentes nos jogos da copa, então, para quem estará nessas partidas, não terá essa visão. Ótimo para a imagem brasileira, não é mesmo? Bom mesmo é mascarar, é não dar a educação de base, exemplos de comportamento, e depois disfarçar, para não comprometer a 7a maior economia do mundo.

Me senti em um tal programa de futebol da TV aberta que eu detesto, era como se todo o público do estádio fosse doutrinado por aquele apresentador que fica puxando o saco de jogador, depois xingando o mesmo, que ganha audiência por comprar brigas com os companheiros de programa.

Muitos podem discordar, mas outro ponto que achei bastante negativo é a permissão de fumar em estádios. Acho que eu só não lembrava deste fato, por ter ficado mais de um ano sem ir a um jogo. É realmente muito distante da mente das pessoas o questionamento "aquela pessoa que está perto de mim não deve querer ser um fumante passivo"?

Lamento pelo futebol, pelos estádios, pela Copa, pelo dinheiro desviado que tem obras só como pretexto, pela construção de estádios inúteis. Mas muito mais que isso, lamento pela falta de oportunidades para todos os brasileiros. Não deveria ter Copa porque a imagem não deveria vir acima do que o país realmente precisa.

Apesar de todas as críticas, domingo estarei lá de novo. Por estar com meu pai, por ainda ter uma esperança em relação ao futebol, por pagar para ver, para ver se minhas impressões realmente estão corretas, ou se foi um mal dia.

07
abr
20h59

Hoje, 7 de abril, é o dia do jornalista. Li um texto referente a data que disse tudo sobre um jornalista:

"Ser jornalista é vida sem meio-termo. É ter diploma de bipolaridade. Ou não ter diploma. É amor e é dor. Entusiasmo e apatia no mesmo dia. É querer salvar o mundo sabendo que essa merda não tem mais jeito, não. É ter muitas ideias para o futuro e não ter a menor ideia do futuro. É bater e é apanhar. É ser seguramente inseguro. É ter ora uma vontade louca de viajar o planeta ora de ficar quietinho no seu canto. É ir do Inferno ao Céu numa única pauta. É odiar Matemática, mas encher a matéria de números. É querer fazer tanta coisa e ter uma preguiça danada. É ser livre sem ser livre. É se achar mesmo quando se está perdido. É ter porra nenhuma para celebrar e, ainda assim, ir ao bar. Um brinde à porra nenhuma! É fazer graça da desgraça. É dormir cheio de aflição e acordar cheio de excitação. Ser jornalista é ser tudo isso e não ser. Eis a confusão." - Duda Rangel.

E é isso mesmo, ser jornalista é contraditório por definição. É querer mudar o mundo, mesmo sendo testemunha de muita palhaçada. É reclamar que está sempre trabalhando, mas amar o que faz com todas as forças. É, muitas vezes, ter que ser o mais imparcial possível, quando sua vontade é expressar opinião. É ver as coisas mais chocantes e emocionantes, transmitir o ocorrido, estando lá.

diadojornalista Parabéns, jornalistas

Há alguns anos, logo no começo do blog, escrevi um post nesse mesmo dia. Nele, falava sobre um sonho, hoje, sobre a vida que escolhi. Todos os dias fico feliz por essa escolha, mesmo que ainda não seja efetivamente uma profissional. Só o gostinho já mostra o tamanho da vontade. Parabéns a todos que são, todos os dias, sustentados por todas essas vontades e suas contradições.

Hoje, no dia em que o Golpe Militar completa 50 anos, quero contar sobre uma pessoa que conheci na sexta-feira.

Ricardo Jacob é, hoje, coronel da Polícia Militar de São Paulo, e fez esse discurso no último dia 22, na Marcha da Família com deus, o retorno.

Um dos ensinamentos básicos em uma escola de jornalismo é aprender a ouvir mais de uma versão da história. Então, lá fomos nós, da matéria sobre Ditadura Militar, entrevistar o Coronel Ricardo, que entrou na PM em 74, quando o Regime já estava em vigência.

A entrevista ocorreu em uma Igreja em Santo Amaro, porque o Coronel tinha um compromisso lá e acabamos marcando neste local. Sem problemas, só é um local meio peculiar para se entrevistar alguém, que não seja um eclesiástico.

Um momento emblemático da entrevista foi quando perguntamos "o que você acredita que ficou da Ditadura?", e ele disse "O que ficou de bom da Ditadura foi...", mesmo que essa não tenha sido a pergunta, foi muito diferente ouvi-lo falar sobre os pontos positivos, depois de tantas pessoas apresentando resquícios negativos da Ditadura. Isso dá margem a uma matéria mais completa, pois possibilita aos leitos terem diferentes visões do período, perceberem que há os mais diversos tipos de pensamento em relação aos 21 anos de Ditadura.

Achei bastante polêmico quando ele apresentou a alfabetização como algo bom que ficou, pois outro entrevistado, que trabalhou muitos anos com Paulo Freire e foi preso, assim como Freire, que teve de ser exilado por ser um subversivo. O que ele fez? Criou um método eficaz e rápido de alfabetizar adultos, também os conscientizando.

Quando questionado sobre o que pensava da tortura, o Coronel respondeu: "É claro que não sou a favor da tortura, mas se um bandido sequestra a sua mãe, o que você faz? Pede 'seu sequestrador, será que você pode me dizer onde está minha mãe?' e faz carinho, ou dá uns tapas nele?", porém, há controvérsias quando dizem que todos os presos, torturados e/ou mortos durante o Regime eram realmente perigosos. Quando perguntamos sobre a morte de Vlado Herzog no DOI-Codi, ele respondeu que "a morte de Herzog foi um erro de cálculo". A afirmação é polêmica para aqueles que acreditam que o jornalista não deveria, em primeiro lugar, ter sido preso, pela falta de motivos e, também, para os que não são a favor da tortura. Sim, havia militantes de esquerda envolvidos na luta armada, fizeram atentados e mataram pessoas. Por que isso legitima a ação do Estado tirar vidas? É correto matar por uma ideologia? E os civis que tinhas opiniões mais de esquerda, mas não eram da luta armada, morreram por quê?

Uma pesquisa do Datafolha, que saiu hoje, mostra que 14% preferem uma ditadura no país, em certas circunstâncias. Mesmo sabendo o que a Ditadura ofereceu ao Brasil. Há pessoas que concordam com o Coronel Ricardo. E há 65% de nossa população que acredita que mulheres que usam roupa curta deixam-se à mercê de serem estupradas.

Hoje, às 9h, ocorreu um ato contra a Ditadura Militar no pátio do DOI-Codi, local onde tantos foram mortos e torturados. Dentre tudo que ouvi hoje, o que mais chocou foi uma senhora, que estava chorando, falando que, naquele pátio, seu pai tinha morrido com um tiro. E naquele banheiro, ela contou apontando para uma janelinha no segundo andar, foi abusada sexualmente. A mulher carregava uma foto em preto e branco do seu pai, assim como muitos outros participantes do ato, que tinham fotos de desaparecidos, com seu nome embaixo, com a pergunta atrás "onde estão nossos desaparecidos?". Cinquenta anos passaram-se, e não há respostas o suficiente. Outra participante carregava três fotos: eram seus irmãos. Apenas um corpo foi encontrado.

Ao som das famosas músicas do período, como Cálice, Apesar de você, entre outras, cerca de 600 pessoas reuniram-se para repudiar o que foi do país por 21 anos, que deixou feridas ainda bastante abertas.

50 anos sem respostas 1024x624 Há 50 anos esperando o salve, salve

Independente de milagre econômico, de como o Brasil "cresceu" na época da Ditadura, as sequelas dessa doença que foi o Golpe de 64 ainda estão aqui. Fazem parte não só da nossa história, mas do nosso presente. Ainda falta democracia, espaço para minorias, igualdade, justiça. Paz.

Que esses 50 anos em nenhum momento sejam comemorados, mas lembrados, relembrando a força que pode ter o povo, quando quer mudar sua realidade, por mais que seja difícil acontecer, como nas Diretas Já. Os brasileiros não conquistaram seus direitos, mas mostraram seu poder. Que seus filhos, Brasil, realmente não fujam a luta nunca e que você, um dia, volte a ser uma pátria amada, idolatrada. Que nós possamos ter a força de ter o seu "salve, salve", que os últimos 50 anos não conseguiram curar. Cabe a nós darmos o brado retumbante desse "povo heroico".

Desaparecida até hoje 553x1024 Há 50 anos esperando o salve, salve

(in)Feliz 50 anos do Golpe Militar, Brasil. Que todos nós conheçamos essa história, o que, quem, quando, onde, por quê? É a única maneira de não deixar que o país siga neste rumo, de novo.

Desaparecidos no Araguaia 1024x659 Há 50 anos esperando o salve, salve

A falta de posts recentes deve-se ao fato de eu pensar que não há muito o que falar. Sei que essa não é uma verdade absoluta, porém, todas as minhas experiências recentes, que tem sido incríveis, dariam um spoiler sobre a 4a edição da Revista Plural, revista-laboratório do alunos da ESPM-SP.

Tal atividade extracurricular, juntamente com a mudança de alguns hábitos e necessidades pessoais, transformou minha rotina, meus costumes, de uma maneira que, antes de eu ir, eu seria incapaz de imaginar.

Sim, eu ainda penso nessa ida, afinal, a volta, apesar de já não tão recente (já são quase três meses de vida regular no Brasil), ainda tem seus problemas e estranhamentos. Sinceramente, ainda tem dias que estar aqui não faz tanto sentido quanto já fez antes de saber como era estar em outro lugar.

Porém, o que pude notar é que as mudanças internas tem feito com que a adaptação seja bastante diferente do que eu pensei que seria. Os motivos de minha felicidade e satisfação pessoal mudaram, junto com as minhas necessidades.

Minha dedicação a faculdade mudou radicalmente. Não que antes eu não gostasse ou fizesse pouco caso, não é isso, sempre soube que aceitei na escolha de carreira, mas antes eu tinha algo para esperar. Eu sabia que, depois de um ano de faculdade, eu iria para o Shnat e fazia muitas coisas em função disso. Hoje, meu próximo passo, aquilo que eu espero, é me formar, é ser uma profissional com um ótimo currículo, que interesse às empresas onde quero trabalhar. Assim, estudo mais que antes, me dedico mais que antes aos trabalhos e atividades. Sem falar da Plural, que tem tomado muito do meu tempo. Quem diria que ficar às sextas-feiras na faculdade não me incomodaria nem um pouco. Estou ansiosa para o fechamento, não pelo alívio do fim, mas para ver o resultado.

Além disso, tenho lido muito. Claramente isso tem a ver com a faculdade, afinal, percebo a cada dia mais a importância que ler tem na vida de um profissional. Não só de jornalismo, mesmo que seja essencial para a área, porque quem lê muito, aprende mais sobre escrita, mas qualquer um deve ter cultura geral. Isso é bastante pessoal, digo, o gosto pela leitura. Eu acredito que ler faz bem pra alma. Não só clássicos e coisas cultas, mas de tudo. Achei nesse hobbie um entretenimento enorme, até mais do que era antes. Me faz muito melhor do que passar horas na internet, o que prejudica um pouco a minha leitura de portais de notícias e blogs de opinião, até mesmo o tempo dedicado ao meu blog, mas acreditem: é plantar para colher depois.

Em breve, mais comentários sobre a Plural, assim que tudo estiver pronto. Melhor não falar demais antes de ter certeza.

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