Não sou daquelas pessoas que ficam falando mal da internet. Que a internet é o mal dos dias de hoje, que causa muitos problemas nas pessoas, nem nada disso. Acho muitas dessas afirmações bobas, porque despertam o maniqueísmo, a eterna briga entre o sim e o não, o bem e o mal, as eternas "duas opções". A internet, como tudo no mundo, tem diversas vantagens e desvantagens.

Um ponto bastante ruim dessa ferramenta que temos hoje é a efemeridade. O excessivo número de informações com as quais somos bombardeados é exagerado e faz com que tudo, absolutamente tudo, passe muito rápido.

Foi exatamente isso que aconteceu com o "Icebucket challenge". Uma semana de muita campanha, muita gente fazendo, compartilhando os vídeos e, mais importante, doando dinheiro para a causa daqueles que têm esclerose lateral amiotrófica. Foi uma ótima maneira de conscientizar as pessoas de como essa doença é grave e ainda precisa de muita ajuda para que seja achada uma solução para os que sofrem com essa doença.

Assim como essa campanha teve seu ápice e passou, o mesmo acontece com todas as vezes em que há algum ato racista que é repercutido na mídia. Normalmente, acontece no esporte, quando torcedores fanáticos ofendem adversário com palavras de "ordem racista", como disse o goleiro Aranha do Santos. Ontem, na Arena Grêmio, em jogo válido pela Copa do Brasil, alguns torcedores do Grêmio chamaram o goleiro de macaco e de "preto fedido", de acordo com ele. E mais: há imagens. É claro que a torcedora está falando "macaco" para o goleiro.

O resultado é o esperado: está todo mundo xingando a menina nas redes sociais (mesmo que eu não concorde com muitas das ofensas), procurando o perfil no Facebook, Instragram, etc. Todos os veículos divulgando o ocorrido, pessoas comovidas pela causa. Tal qual aconteceu quando, na Europa, jogaram uma banana no brasileiro Daniel Alves, quando ele foi cobrar um escanteio.

Falamos muito sobre o tema, como vamos falar do que aconteceu ontem com o Aranha. Hoje o feed do facebook está cheio de indignados, o que me inclui. Durará dois, três dias. Como durou com Arouca, no Campeonato Paulista, quando foi chamado de macaco e como nas tantas outras vezes em que pessoas públicas foram ofendidas por sua cor de pele, seja no futebol ou em qualquer outro ambiente.

É mais que triste, é lamentável que hoje, depois de tudo que acontece e aconteceu no mundo, tenha tão preocupada com com o futebol que chegue a xingar um jogador, porque ele jogou bem ou, simplesmente, porque jogou contra o seu time. Há quem diga que a religião é o mal da humanidade. Parece que o futebol tornou-se como uma religião, movendo as pessoas de modo passional, irracional e extremo. Como o conceito de eugenia, criado no século 19, ainda persiste na sociedade. E não é na brasileira. Infelizmente no "primeiro mundo" também tem um monte de gente que acredita na superioridade de alguém pela cor de sua pele.

O ponto é que, agora, pensamos nisso. Aconteceu ontem, está todo mundo falando disso. Mas quando alguma outra coisa acontecer, quando outra pessoa importante morrer, ou algum famoso passar vexame, esqueceremos e falaremos sobre esse novo tema, o que é perigoso. Perigoso porque nunca levamos uma causa adiante. Porque a luta contra o racismo, por exemplo, não deve ser assunto de redes sociais por uma semana, e sim uma batalha constante, que trabalhe a conscientização e que faça com que acabem os atos racistas.

Enquanto escrevo esse texto li no facebook alguém falando "você pode se orgulhar de ser negro, mas se você se orgulhar de ser branco, é racismo". E é justamente por isso que alguma coisa precisa mudar e que a luta contra o preconceito (e causas tão importantes quanto) devem ser levadas adiante.

Infelizmente tem quem pense assim. Infelizmente não são poucas. Infelizmente o preconceito não é algo exclusivo de pessoas famosas, mas algo de todos dias.

Força Aranha, força a todos que sofrem diariamente preconceito por serem negros.

27
ago
23h00

Quando pensamos nas qualidades que deve ter o Presidente da República, principal representação política de nosso país, descrevemos tal pessoa como alguém praticamente perfeita. É difícil que alguém aponte um defeito em um candidato e pense que essa característica não afetaria no seu mandato.

Essa é uma análise que fazemos por imaginarmos que o poder máximo do país em que vivemos deva estar o mais longe possível dos defeitos, afinal, ele cuida da minha vida, da sua e da dele. Ele não deveria aumentar os impostos, deixar pessoas na miséria, deixar a educação ficar como está, e, de forma nenhuma, ele deveria apoiar gente que eu não apoio. EU votei nele e agora é isso que ele faz? Apoia alguém que eu não gosto?

Pois bem, além de vivermos em um sistema em que o seu voto é só um em 220 milhões, o presidente não pode fazer tudo que nós queremos, mas tudo que toda a sociedade precisa. Não que eu ache que é isso que acontece hoje ou que aconteceu nos últimos, talvez todos, governos, fossem eles democráticos ou não, que o Brasil já teve. Esquecemos constantemente que o chefe de Estado é um ser humano. Ele é imperfeito e comete erros, independente de seu partido, religião, credo, cor, etc. Deixamos de lado o fato de o poder máximo de nossa democracia ser um emprego, ocupado por um qualquer, como nós.

Assim, ele não pode roubar, como nós não podemos, não pode estacionar em local proibido, sonegar imposto, ser corrupto. O que, infelizmente, acontece. A autoridade máxima (além de muitas outras autoridades) é um exemplo para o resto do povo. Se ela é corrupta sem sofrer consequências, por que nós, população, não podemos fazer igual?

Porém, há, para mim, um defeito que o Presidente da República não pode ter NUNCA (ademais da corrupção): falar mal. Claro que isso é algo que não penso apenas sobre o chefe máximo de uma nação, mas para qualquer líder. Um líder não pode falar mal, não pode ter dificuldade de se expressar. As palavras são a grande arma de um líder político, são seu grande trunfo. São seu modo de persuasão e, também, seu carisma. Em um debate, por exemplo, vence quem fala melhor. Nem sempre os argumentos são os melhores, mas como eles são expressados.

Por outro lado, o que um líder profere pode ser, também, seu grande veneno. Uma promessa não cumprida dá brecha para críticas infinitas e para a mudança de imagem de quem as falou e fez delas vazias.

A vida deveria vir com um aviso como nos filmes quando alguém é preso: tudo que você disser poderá ser usado contra você.

P.S.: Esse texto não fala sobre a atual Presidente, Dilma Rousseff, mas sobre qualquer um que possa vir a ser líder. Acontece que as eleições estão aí e achei bom exemplificado com o cargo de Presidente.

Por muitos anos achei uma enorme besteira a atitude de certas pessoas defender assaltantes, ladrões, no geral, pessoas pobres que tiram dinheiro e/ou bens valiosos de pessoas na rua, nos carros, etc.

Porém, minha opinião de maneira radical depois de ter lido uma série de livros. Os principais foram escritos pelo MV Bill e pelo Celso Athayde, que são uma sequência: Falcão- meninos do tráfico e Falção- mulheres e o tráfico. Com enfoques diferentes, possível de entender qual é o de cada um pelo título. Ambos são relatos feitos por duas pessoas que nasceram e cresceram em favelas e assumem como projeto pessoal transmitir a vida de pessoas que, diferente deles, não tiveram a sorte de ter sucesso e não se envolver com o crime.

O "falcão" da favela é aquele que tem como função vigiar e avisar a comunidade quando a polícia, ou outro inimigo, estiver se aproximando, para que não sejam pegos traficando e/ou praticando atividades ilícitas. O projeto inicial era um documentário com entrevistas com esses falcões, e do documentário surgiram os livros. Foram entrevistados 17 meninos ao longo dos anos de filmagem (se não me engano foram oito anos) e, nesse tempo, 16 morreram.

Vivemos em um país com oportunidades desiguais. Alguns têm a chance de estudar, mesmo que na rede pública, que tem menos qualidade que a privada, e ter uma vida digna, sem precisar roubar para viver. Por outro lado, muitos não têm. Quem mora em favelas vive de um modo que nenhum de nós, que tem um computador e uma casa própria pode imaginar. Um livro foi o mais perto que cheguei disso.

Esses meninos que foram entrevistados por Athayde e MV Bill eram pessoas que não pareciam ter escolhas. A maioria não tinha pai (que ou fugiu ou foi morto, ou pelo próprio tráfico ou pela polícia) e a mãe não dava conta das despesas de casa e, então, eles têm que "tomar providências". Abandonam a escola em busca de emprego, mas na comunidade o emprego com maior piso salarial é o de traficante, para ajudar a mãe a pagar as contas. Será que realmente tem outra alternativa?

Quantas vezes no dia a dia nós pensamos nessas pessoas? Qual a importância que o governo dá para elas? Parece que, para elas, não há saída. Em muitas entrevistas os meninos dizem que não queria ter que fazer essa escolha, mas não havia outra viável. Sem escolaridade, com urgência de levar comida para casa, ou eles assaltam, roubam ou entram no tráfico.

Infelizmente, ontem minha amiga foi assaltada na 25 de março. Enquanto andava na rua um cara chegou e disse "passa tudo", no reflexo ela pegou a carteira e deu, e o cara foi embora. Quando viu que o documento dela estava junto, jogou para trás e saiu correndo. Isso me fez pensar muito sobre tudo que li e aprendi e refleti enquanto lia e depois que terminei os livros. Cada história, cada relato. Talvez esse homem que a assaltou fosse só mais um deles, que teve que largar a escola e não teve oportunidades de entrar em um trabalho digno, que ajudasse a família a se sustentar. Ele não queria o mal da minha amiga, ele queria dinheiro e só.

Assumo que, hoje mais que nunca, morro de medo de ser uma vítima de assaltos e furtos. Vivo no paradoxo do medo e da constante tentativa de ajudar essas pessoas. Mas como? Elas devem ser as pessoas que mais odeiam e abominam o sistema, as pessoas que têm mais raiva dos mais abastados, afinal, só eles sabem o que é isso, o que é ter que se submeter a violência e a humilhação para poderem ter o que comer.

Honestamente, somos todos prejudicados por essa sociedade desigual e injusta, na qual poucos têm muito e muitos têm pouco. Porém, os mais vitimizados são eles, que morrem todos os dias vítimas da violência excessiva da PM, que enfrentam risco de vida todos os dias em busca do mais básico que um ser humano precisa. Quantas vezes no dia pensamos nisso? Neles?

Não que tenhamos que ser condizentes com sermos assaltados e hostilizados no nosso cotidiano, mas é fácil dizer que eles tiveram a escolha de entrar nessa vida. Talvez eles não tenham tido a oportunidade de fazer escolha alguma. E todos os dias em que penso nisso, vejo um morador de rua, sei de histórias de alguém que foi assaltado, me pergunto, há um solução? Posso fazer algo para ajudar essa situação a melhorar?

03
ago
16h23

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Pessoalmente, não acredito que a Bíblia, seja o Velho ou o Novo Testamento, nem nenhum dos livros sagrados pelas religiões, tenha sido escrito por escribas, orientados por D-us. Na minha concepção de mundo (porém isso é só o que eu acho, respeito todas as outras opiniões) esses textos são como fábulas, não relatos históricos verídicos. Sendo assim, eles querem nos mostrar algo, nos dar uma lição, são contos com uma moral no final.

Pegando o trecho do Velho Testamento que conta como D-us criou o homem (isto é, o ser humano, não o gênero masculino) vemos que todas as pessoas são criadas da mesma forma, então, são iguais e tem um pouco de seu criador em si.

No Velho Testamento está escrito que o povo judeu é o povo escolhido. Não creio que nós sejamos. Veja bem, esse "nós" já é bastante duvidoso: há diversas pessoas que se consideram judias, porém, os ortodoxos não as consideram, ou porque são convertidas por uma linha judaica que não é a ortodoxia, ou por não ter nascido de ventre judaico.

Na população mundial os judeus são 0,2%, porém, esse número conta com pessoas como eu, que se consideram judias. Sendo assim, na visão dos ortodoxos judeus, menos de 0,1% do mundo inteiro foi escolhido por D-us. São tantas pessoas no mundo, todas vindos do mesmo antepassado. Esse pensamento é absurdo, individualista e menospreza as outras pessoas. O que eu não entendo é o que faria essa distinção, se D-us criou O homem, Adão e Eva, pai e mãe de todos os outros que vieram depois, ou seja, todos têm a mesma origem.

Cada vida tem o mesmo valor. Mais que 1500 palestinos e 30 israelenses mortos, são 1530 pessoas mortas. São humanos, que vieram das mesmas origens, não há uma vida mais importante que a outra. Claro que o número de mortos de cada lado é desproporcional, mas em uma guerra não há lógica, não há matemática. O número total é o que o que nos fala sobre o conflito. Pessoas morrem, pessoas matam. Ninguém sai feliz.

Tão absurdo quanto o pensamento de um povo ser superior ao outro, é uma facção que domina um território ter como meta principal a destruição de um Estado, em vez de priorizar a criação do seu. Se o Hamas prezasse pela vida, investiria mais em cuidar dos seus cidadãos do que em matar judeus e acabar com Israel. Se prezasse, os líder não estariam em outros países árabes, seguros com suas fortunas, achando que podem escolher outros para morrerem pela jihad (guerra religiosa).

A direita israelense, que atualmente está no poder, diz que faz o que pode para cuidar de seus cidadãos, entendo, mas será que realmente não há alguma outra forma de salvar mais vidas, dando importância igual para todas as vidas? Sim, o Estado deve cuidar dos israelenses, eu concordo, mas acho que falta pensar um pouco mais além. Pensar que, por trás do Hamas, existe um povo que não tem suporte algum e está morrendo por causa do que uma facção terrorista fez e faz.

Entristece ver que há pessoas não pensam assim, que colocam um "povo" na frente de outro. Entristece, talvez ainda mais, que o governo israelense não esteja pensando assim. Entristece que as pessoas leiam o que querem e compartilhem como se, só porque defende o seu ponto de vista, seja a verdade. Tem muito mais GENTE envolvida nisso do que pensamos. É simples ler qualquer colunista, que mora do outro lado do mundo e não vive o conflito, dando pitaco de um lado ou de outro. Temos que procurar pessoas de lá, palestinos, israelenses, procurar FONTES, não opinadores. Opinião todo mundo pode ter. Os fatos poucos veem.

Israel não está certo, na minha opinião, e eu não acho que a defesa incondicional do Estado Judeu diminua o antissemitismo (talvez aconteça até o contrário). Está certo ao defender seus habitantes, mas não está certo em matar civis. Tenho forças e coragem para criticar Israel abertamente porque acho que o Estado pode mais. Pode mais em relação ao conflito, em relação ao acolhimento de imigrantes, em relação a política num geral.

Eu não posso falar sobre o Hamas, porque sou ignorante em relação a eles. Como você e como muitos dos que estão escrevendo por ai, não conheço ninguém que faça parte do Hamas ou que more na Faixa de Gaza. Mas eu gostaria, gostaria de saber o que eles passam, o que eles vivem, como eles são governados. Como eles acham que a paz viria. Qual o valor que eles dão para uma vida, seja deles ou de um israelense.

Sinceramente, tenho medo, muito medo de tudo que está ocorrendo. Medo pelos civis palestinos, pelos soldados israelenses, que tem o mesmo valor: o de uma vida. Queria saber como Yitzhak Rabin (que foi o primeiro ministro de Israel que chegou mais perto da paz, até ser assassinado por um judeu fanático) lidaria com a situação, se estivesse no lutar de Netanyahu. O atual primeiro ministro, para mim, preza mais pela vida de judeus do que pela de palestinos, política da qual discordo totalmente.

Assumo que minha visão é que é obrigação de Israel lutar fortemente pela paz, porque o Estado Judeu tem, ou deveria ter, esse objetivo. O Hamas não tem.

Se eu pudesse dar um conselho ao atual primeiro ministro israelense, repetiria as palavras de Rabin: "Devemos pensar diferente, olhar as coisas de modo diferente. Paz requer novos conceitos, novas definições", pensando que cada vida, independente de religião, crenças pessoal, tem o mesmo valor.

Yitzhak Rabin Quotes 3 Gênesis 1:26Yitzhak Rabin Quotes 31 Gênesis 1:26

Nos últimos dias perdi a vontade de falar, a vontade de escrever. Limito-me a ler. Ler notícias, ler declarações de pessoas ignorantes, ler textos esclarecedores, ler gente inteligente. Fico quieta, no meu canto. Leio, às vezes, pessoas que falam exatamente as mesmas coisas que eu. Ainda assim, me calo. Não entro em brigas, discussões, me limito a alimentar-me das informações. Observo o que há ao meu redor e alimento esperanças de que, em dado momento, eu pensa em algo que possa reverter algo que me incomoda, como por exemplo, as visões de extremistas que existem dos dois lados. Acredito que, nesse momento, o que posso fazer é procurar ser equilibrada e ajudar as pessoas, cegas pelo ódio e o extremismo, a verem um lado diferente daquele que as conforta.

Assim, hoje, resolvi trazer um texto e traduzir outro. Ambos falam muito sobre mim e sobre o que eu penso. O primeiro é de um site chamado Forum 18, vale a pena. O traduzido é de um movimento juvenil de esquerda(Hashomer Hatzair) da Austrália. Agradeço muito ao autor por tê-lo escrito:

Por que defender Israel nem sempre é o melhor para Israel
Daniel Stiglec

Hasbará é o termo que se refere ao ato de defender, publicamente, Israel contra críticas negativas. A tradução literal é "explicação" – mas, talvez, a melhor tradução seja "explicação de porque Israel está certo e você errado".

Enquanto eu crescia, sempre me ensinaram que eu não deveria falar mal de Israel na frente de pessoas que não são judias, porque "o mundo já demoniza Israel o suficiente, se nós, judeus, não defendermos o Estado Judeu, quem defenderá?

Eu tenho uma visão sobre Israel: eu quero que Israel seja uma sociedade moral, uma sociedade democrática e uma sociedade judaica pluralista. Eu quero que o meu Estado Judeu seja um Estado para todos os judeus e todas as minorias que lá vivem. Sou abertamente e assumidamente um sionista. No entanto, eu me recuso a defender ações de Israel quando elas são as custas de outras pessoas. Eu também acredito que Israel tem o direito de existir, assim como a Alemanha, a Itália ou a Australia.

Há alguns aspectos sobre as políticas contemporâneas de Israel, tanto internas como externas, que eu discordo totalmente, e eu me recuso a defendê-los. Independente se é para meus amigos, colegas, companheiros de classe, defender essas políticas dá a Israel o direito de perpetuar essas ações, que são contra o que eu acredito. Políticas como a construção de assentamentos na Cisjordânia, repetidas destruições de vilas beduínas e o monopólio dos ortodoxos sobre o judaísmo.

Como judeus e sionistas da diáspora, nós precisamos dizer a Israel que já chega, e nós discordamos de suas ações. O governo israelense é apoiado mundialmente com doações por judeus do mundo todo. Se os judeus da diáspora criticassem e condenassem abertamente, além de parar com as doações, o governo teria que levar em consideração o povo judeu. O Estado judeu precisa do apoio da comunidade judaica mundial para sobreviver. Se nós deixarmos de apoiar suas ações, Israel não será outra escolha se não se tornar Israel que desejamos.

É isso que nos faz sionistas. Nós lutaremos, nós nos esforçaremos e nós não pararemos até que nossa Israel seja moral, democrática e a sociedade judaica pela qual lutamos. Vou continuar criticando Israel até o dia em que eu sentir orgulho de dizer que essa é a minha casa e eu imploro que vocês façam o mesmo.

Não estamos lutando por uma Israel radical, nós estamos lutando apenas por um Estado que pode tornar-se a luz entre as nações. Devemos continuar criticando Israel até que realize o que está em sua declaração de independência – [O Estado Judeu] será baseado em liberdade, justiça e paz, como previram os profetas de Israel; assegurará completamente a igualdade social e polícia e os direitos a todos os seus cidadãos, independente da religião, raça ou sexo..."

Parafraseando Marc Light, Diretor da Escola King David – As pessoas que mais te amam (sua família), são as que mais te criticam - porque são as que mais se importam com você.

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