Publicado em 08/10/2015 às 10h38

Chinuch LaShalom, o caminho para a paz

Queria começar tudo que vou dizer com duas premissas básicas sobre mim: sou judia por causa da minha família e me orgulho disso, mas, mais importante que isso, sou sionista por opção e me orgulho MUITO disso.

Se sou judia E sionista, é fácil concluir que sim, quero que o Estado de Israel exista. Acho que, além de ser extrema importância que os judeus tenham um lar nacional, isso é essencial para a continuidade do judaísmo, não só como religião, mas como cultura e tradição.

Acredito que as guerras que acontecem atualmente entre Israel e o povo palestino são muito, MUITO destrutivas. Quando Israel lutou por sua independência, entre 1947 e 1948, o fim era se defender e conseguir criar seu estado, indo contra o que queriam diversos países árabes ao seu redor. O mesmo cabe a Guerra de Iom Kipur e, enfim, outras.

No entanto, o que acontece hoje é diferente. Depois de inúmeras tentativas de paz, esse, que deveria ser o objetivo máximo de ambos os povos que disputam a região, não chega nunca. Oslo, um dos mais emblemáticos, feito em 1993, há mais de 20 anos, acordava que as duas partes entrariam em acordo sobre os territórios ocupados e definiriam o status de Jerusalém. Mas, mais importante que isso, os dois lados se comprometeram a unir esforços para chegar a paz. Depois de dois anos veio Oslo 2, com ainda mais comprometimento de se chegar a um acordo em que todos ficariam bem - se ele tivesse sido cumprido.

Tenho muitas criticas ao governo atual de Israel. Não sou uma pessoa que votaria no Likud, partido do atual primeiro ministro, que é de direita. Sou contra os assentamentos e outras políticas. Isso não quer dizer que eu seja defensora das políticas do líder palestino, Mahmoud Abbas. Mas o governo de Abbas não me representa. O de Bibi, sim. Para mim, todo judeu sionista (mas sionista de verdade) é pelo menos um pouco responsável pelo que acontece em Israel e é "representado" por isso. Mesmo que, no meu caso, não me represente. Por isso mesmo me sinto no direito e na obrigação de criticar políticas israelenses com as quais não concordo. Sou muito bem resolvida com minha opinião de que qualquer um que apoie apenas um dos dois estados é ignorante em relação a essa questão toda. Nesse caso, ignorante quer dizer que simplesmente não sabe sobre o assunto ou que ignora um dos lados desse conflito. Se os judeus têm direito a um estado, os palestinos também têm e a recíproca é verdadeira. A existência de um lar nacional de um dos povos não anula o outro - ou pelo menos não deveria. Assim, pode-se concluir que não acredito no BDS nem em instituições terroristas como o Hamas, nem na continuidade dos assentamentos. Sou contra todo e qualquer tipo de violência e, enquanto um dos lados usar esse método para conseguir o que quer, não teremos paz, que é o que acontece hoje com as suas partes.

Ok, mas onde eu quero chegar? Em Chinuch LaShalom. Aprendi esse conceito quando fui guia do museu do Rabin, organizado pelo Habonim Dror aqui em São Paulo. Traduzido ao pé da letra no hebraico, chinuch lashalom é educar para a paz. Para mim, no meio de tantas mortes de judeus e palestinos e de tanta violência vinda de ambos os lados, o que falta é justamente isso: educar para a paz. De que adianta fazer acordos entre grandes líderes se alguém que não acredita na paz e não foi educado para acreditar vai matar um desses líderes? De que adianta fazer propostas de paz se a violência e o fim de um povo é, para alguns, a solução desse conflito todo?

Mas, mais que isso, como alguém vai educar para a paz, se não acredita nela? Exercer esse tipo de educação não é algo que só o governo israelense e palestino devem fazer. Nós devemos fazer isso todo e cada dia. E para conseguir ensinar a paz e negociar pela paz é preciso abrir mão de algumas coisas, como antigas convicções. É preciso abrir a cabeça para entender o outro lado. É preciso, acima de tudo, querer.

Educar para a paz quer dizer incentivar o diálogo, a conversa, a troca de ideias. E isso falta tantos aos governos envolvidos no conflito quanto a nós, no dia a dia, que adoramos atacar os outros para sermos atacados de volta. Com a raiva alimentada, podemos dar respostas bem grosseiras e agressivas, esperando que, assim, a pessoa de opinião contrária mude de ideia. Sinceramente, não faz sentido nenhum.

Por fim, repito algo que já deixei claro: no momento, vejo que nenhum dos lados quer. Se quero mudar essa realidade, a primeira mudança é em mim. Se não estiver disposta, compactuo com a situação que se vive hoje. Essa é minha opinião. Se alguém concorda, não sei, mas comentários mau educados ou odiosos serão ignorados e/ou apagados. A paz não se contrói com violência e agressividade, mas com o diálogo. Quem quiser conversar comigo, estou mais que disposta, afinal, a paz é uma via de mão dupla.

Publicado em 29/09/2015 às 11h05

A vida real pode ser saudável?

Uma das ondas do momento é ter uma vida fitness. Ser magro, se exercitar, comer bem, ser musculoso e afins. Não tenho críticas a isso, inclusive porque faço parte das pessoas que aderiram a essas práticas.

É comum que, para conseguir incentivos e "aprender" um pouco mais sobre o assunto, as pessoas sigam os famosos blogueiros. Os nomes são vários, eu particularmente sigo a Gabriela Pugliesi (julguem a vontade, não tenho vergonha nenhuma) e o casal Frango com Batata Doce. Não acho que tenha nada de errado com isso, com ser fã deles.

Eu sou muito fã do FCBD, sigo sim a Pugliesi e acredito que não tem nenhum problema. Claro que não sou dona de nenhum fã clube, nenhuma conta de Instagram que fala o que acontece na vida deles nem nada do tipo, mas eu gosto de ver os exercícios que ele fazem, saber o que eles comem e acho que, dentro dos limites, eles são "inspirações" de uma vida saudável.

No entanto, acho que, ao falarmos deles, seguirmos eles em todas as redes sociais e querer imita-los, esquecemos de algo muito importante: essa é a vida deles. Eles são pagos para malhar, para terem os corpos que têm e para mostra-los ao mundo. Um dia eles já não foram assim, mas o corpo que eles têm hoje e a possibilidade de se dedicarem 100% a vida fitness é porque eles dedicam toda a vida aos treinos, a boa alimentação, irem a médicos especialistas no assunto, além de serem patrocinados. Eles têm tempo para cozinhar, ou alguém que cozinhe para eles.

Quantas mulheres no Brasil não querem ser a Pugliesi? Muitas. Isso não necessariamente é um erro, mas acho que esquecemos que ela tem recursos que muitas não tem. Ela vai a milhares de médicos e, provavelmente, não paga alguns deles em troca de divulgar seus trabalhos, assim como faz com marcas, com academias e mais.

Provavelmente o mesmo acontece com o casal Frango com Batata Doce. Já entrevistei eles e sei que eles escolheram largar todo seu trabalho para se dedicarem ao seu blog, ao seu canal do Youtube, enfim, a carreira de blogueiros fitness. Para a sorte deles, deu certo (e muito). Isso não é errado, mas é uma vida que a maioria de nós, pessoas que trabalham, estudam, etc, não tem.

Apesar disso, acho que é possível levar uma vida saudável ao mesmo tempo que faz todo o resto do que precisa ser feito no dia a dia. Claro, tudo depende do caso. Acho que é preciso ter vontade e um mínimo de tempo livre, mas, talvez, quem faça seu tempo livre seja você mesmo. É preciso ter certa disciplina, algum orçamento para dedicar a isso e um incentivo para começar.

No meu caso o incentivo foi ter engordado. Não tenho uma super história de superação de quem emagreceu 30 kg ou algo do tipo, mas acho que tenho disciplina o suficiente para falar um pouco sobre levar uma vida saudável.

Quando fiz intercâmbio cheguei a engordar quase 10 kg, voltei com um pouco menos que isso, mas ainda muito incomodada com como eu estava. Sempre fui muito magra sem fazer nada, mas morar fora e comer muito errado por um ano fez meu corpo mudar e minhas coxas dobrarem. Assim comecei a saga de ir a academia todos os dias e já faz um ano e nove meses que adquiri esse hábito, além de ter mudado bastante minha alimentação.

No primeiro ano era fácil, estudava de manhã e fazia academia a tarde, poderia ir em quase qualquer horário. A mudança em um ano foi grande, meus esforços deram resultado. Atualmente sou mais magra do que era antes de fazer intercâmbio, tenho menos gordura no corpo e mais músculos. Mas, mais importante que isso, aprendi a importância de me cuidar. Nunca tinha dado valor para ser saudável, afinal, não precisava me esforçar para, pelo menos, parecer estar bem.

No entanto, neste ano, quando comecei a trabalhar, a situação mudou. No momento não estou trabalhando, mas até um mês atrás eu estava e entrava 10h no trabalho. Ficava atrás às 18h, ia direto para a faculdade e só voltava às 23h para casa. Todos os dias eu ia na academia, às 7h30 da manhã. Treinava por, mais ou menos, uma hora e ia para casa me arrumar para sair. Como ainda moro com meus pais, sempre dava tempo de preparar uma marmita para comer no trabalho.

Logo que voltei fui a nutricionista algumas vezes, mas não dá para ficar bancando uma consulta a cada mês, mesmo que esse seja o ideal. Agora que já mudei meus hábitos, as impressões vão do espelho mesmo. Sinceramente, sinto falta. Queria ter um acompanhamento melhor. Não tomo nenhum tipo de suplemento, porque nunca me indicaram e, também, porque nunca quis, talvez por falta de informações sobre os benefícios deles. Estou bem assim, mas também respeito quem toma.

Hoje em dia, como estou esperando o novo estágio começar, estou com bastante tempo livre e meu tempo para ir a academia todos os dias é mais folgado e posso passar mais tempo treinando. Sempre faço musculação três vezes por semana e corro duas. Às vezes vou aos sábados e faço alguma atividade diferente e, em alguns domingos, faço provas de corrida, o que mais gosto entre as atividades físicas.

A minha sorte é que eu sempre fui uma pessoa muito disciplinada. Diz minha mãe que desde que nasci sou assim. Então, quando me comprometo a cumprir uma missão, eu vou até o fim - mas acreditem, foi MUITO difícil tirar os doces da minha vida.

Outro aspecto que mudou é para mim é que passei a pesquisar muito para conseguir me adaptar, inclusive esse é um dos motivos pelos quais sigo os blogueiros. Sempre procuro receitas diferentes para conseguir conciliar os meus interesses: ser saudável sem comer carne. Também há várias opções para substituir doces.

Todo mundo tem seu ponto fraco que o impede de começar a vida saudável: para alguns é a comida, para outros é a preguiça de levantar cedo, outros demoram a encontrar o que gostam. Acredito que cabe a cada um achar sua motivação, que pode ser estética, saúde, hobbie, depende da pessoa. E não, não é preciso ser a Pugliesi, Gracyanne, Frango com Batata Doce. É preciso querer.

Quero deixar claro que ninguém é obrigado a ser magro, musculoso nem nada do tipo. Cada um faz o que quiser com seu corpo, mas quem quer ter uma vida saudável não precisa achar que só os blogueiros conseguem.

Sempre tive vergonha de falar sobre isso, não costumo postar muito nas redes sociais sobre a minha “vida saudável” porque acho que muitos podem achar ridículo e, infelizmente, ainda não consegui me desprender totalmente da opinião das pessoas. Mas se alguém for incentivado por mim, já fico feliz!

Publicado em 21/09/2015 às 15h24

Perdão como oportunidade

Amanhã é Iom Kipur mais uma vez. Todos os anos os judeus têm um dia dedicado a pedir perdão e, junto com as desculpas, vem 25 horas de jejum, sem comer ou beber nada. Não, não é fácil, mas acho que é importante e cada vez que essa data chega é essencial encontrar um novo significado para ela.

Pedir desculpas não é o grande desafio. Difícil mesmo é mudar depois de ter cometido um erro, de ter magoado alguém, de ter feito algo pelo qual sentiu vergonha. Em 2015 acho que uma das minhas grandes resoluções para mim mesma foi me tornar uma pessoa mais calma e mais tranquila e com essa nova característica talvez o perdão fique mais fácil, mas não menos necessário.

O perdão tem dois lados: pedir e aceitar. Nenhum deles é simples, mas cada pessoa tem uma dificuldade maior. A minha talvez seja aceitar, porque tenho receio de que essas palavras sejam em vão e que não signifiquem nada. Sou o tipo de pessoa que gosta de comprometimento, de que alguém me dê sua palavra para que eu possa confiar.

No meu último post, em que falei sobre futebol, uma pessoa fez dois comentários que me deixaram um pouco atordoada:

1- "se essa a tua opinião, so n vai p jogo e n enxe o saco"

2- "acho ridículo.futebol é pra homem,mulher tem que lavar roupa e cozinhar,e se o cara não ve o jogo,e diz que musica cantar,tenha certeza,eke faz mais pelo corinthians do que voce.a menos que você cozinhe p os jogadores. passar bem"

Li esses comentários tantas vezes que é até difícil de acreditar. Mostrei para várias pessoas, só para ter certeza de que eram reais. Eu quase fiquei irritada, foi por pouco, mas consegui escapar. Pensei muito, muito mesmo e concluí que, nem sempre, alguém precisa pedir perdão para que a desculpemos. Nesse caso, depois de tantas leituras e releituras, conclui que deveria perdoar a pessoa que escreveu isso. Foi difícil. E muito. Porque eu não queria simplesmente deixar passar, e não deixei. No entanto, percebi que a raiva não é a única maneira de se importar com alguma coisa. Não deixar passar quer dizer que isso foi importante para mim e que eu vou fazer algo sobre o assunto.

Quando isso aconteceu, percebi no perdão uma motivação para continuar na incansável tentativa de mudar a realidade que está ao nosso redor. Se eu queria que essa pessoa tivesse me pedido desculpas? Não faço questão, mas queria que ela mudasse. Gostaria que ela respeitasse mais as outras e os outros e que, amanhã, ela tivesse a oportunidade de pensar sobre isso. Afinal, Iom Kipur é justamente isso: uma oportunidade que nos é dada para pensarmos sobre nossas atitudes certas, que devemos manter e repedir, e sobre as erradas e como podemos muda-las e melhorar a partir delas.

E sobre o futebol: vou continuar a opinar, debater, irei ao estádio e vou apontar o que eu acho que há de errado. Vou lutar pelo espaço das mulheres não só no esporte, mas no mundo todo. E por isso eu posso prometer, não vou me desculpar.

Publicado em 27/08/2015 às 14h16

Anonimato na massa das torcidas de futebol

A parte de todas as piadinhas sobre o resultado dos últimos dois jogos entre Santos e Corinthians, certos aspectos no futebol tem me chamado muita atenção.

Sou louca por futebol desde sempre, herança do meu pai e paixão que construímos e mantivemos juntos durante toda a vida. Não tenho nenhuma vergonha disso, muito pelo contrário: tenho orgulho. Faz parte da cultura brasileira e é entretenimento, mas alguns aspectos me incomodam - e muito.

As pessoas levam o futebol muito a série. Mexe com a gente, que gosta, que ama. Eu me irrito, meu pai se irrita, a gente grita e xinga um pouco, mas a hora que acabou o jogo, a gente vai embora do estádio, ou muda de canal, e continua sendo feliz. Quando chega o jornal do dia seguinte, comenta-se um pouco sobre a vitória ou a derrota e é isso ai. Faz parte do nosso cotidiano e assim é gostoso.

No entanto, o comportamento dos seres humanos (é isso mesmo?) dentro do estádio é assustador. Existe aquela teoria de que, quando em bando, as pessoas se sentem no anonimado e, por isso, fazem coisas absurdas, porque não levarão a culpa por elas. Isso vai desde as músicas até as barbáries noticiadas pela mídia.

Não, não é só a torcida do Corinthians, e sei que muitos vão vir com o argumento de "é só uma música", mas "se o Corinthians não ganhar o pau vai quebrar"? Sério? Por que alguém sempre tem de ser responsabilizado por isso? Vão quebrar quem? O juiz, a torcida adversária, os jogadores? Não é caso demais pra.. UM JOGO?

As torcidas organizadas, para mim, são as instituições mais absurdas da sociedade em que vivemos. Vocês sabiam que alguns deles, provavelmente os líderes, passam o jogo DE COSTAS pro campo para orientar o que as pessoas vão tocar? Gente... Que sentido isso tem? Você paga para ver o jogo, não vê o jogo e fica escolhendo o que a torcida vai cantar. Tem de apoiar o time? Tem, tem mesmo. Mas esse cara também é aquele que orienta todos a cantarem que o juiz tem de ir tomar no cu ou que vão quebrar a torcida adversária. Isso ai é doente.

Somos todos movidos por emoções, todos se descontrolam, mas será que podemos viver com a ideia de que "podemos tudo" e TALVEZ as consequências venham depois?

Uma das cenas que mais me deixou repugnada ontem foi ver um torcedor cuspindo no tapete no meio do hall na Arena Corinthians ontem. Eu não sei o que ele tinha, eu não sei por que ele fez isso, mas eu sei que ele não se importou nenhum pouco e continuou andando, assim como o amigo que estava ao lado dele. Me deu vontade de peguntar se ele cospe no chão da casa dele também, mas eu estava sozinha e fiquei com medo. Porque somos educados a achar que estádio de futebol é terra de ninguém, que lá podemos xingar, bater, gritar, ser machistas sem ter consequências depois, e provavelmente alguma dessas coisas iria acontecer.

Não vou nem entrar na questão do machismo nos estádios porque esse tópico é mais velho que andar para frente. Deveria acabar. Deveria mesmo. Mas será que vai? Provavelmente não. Assim como, provavelmente, a violência nos estádios também não vai. Tive de ficar quietinha ontem, bem na minha, para que ninguém percebesse que eu estava lá torcendo contra o time adversário. Como se fosse um crime. Como se eu não pudesse e estivesse infringindo leis. Imagina se eu comemorasse o gol? Alguém ia vir falar com a gente e me cobrar e talvez cobrar meu namorado, por ter levado uma santista, e poderia dar briga. Por que uma pessoa briga com a outra por querer ver um jogo no estádio? Futebol deveria ser entretenimento, não guerra. Não deveríamos ter medo de ir com A COR DE ROUPA ERRADA em um jogo. Isso é estúpido e irracional.

Isso sem entrar no mérito do absurdo que é um jogador de futebol ganhar R$ 300 mil por mês e o esporte ter estabelecido um teto desse valor para os profissionais. Sem mencionar o desvio de dinheiro público para construir estádios (não, o Itaquerão não foi o primeiro) e as dívidas colossais que o clubes têm e não vão pagar nunca.

Nós nos irritamos demais com o futebol. Se teve uma coisa que eu aprendi foi que esse estresse, essa irritação, a agressividade, a violência, o machismo, ele só faz mal a nós, torcedores. Aquele jogador que perdeu aquele gol, que deixou o título escapar, que isolou a bola no pênalti ou que foi expulso durante o jogo, no fim do mês ele continua com o salário de R$ 300 mil que, provavelmente, eu nunca terei.

Deveria ser mais entretenimento ou diversão. Deveria ser para assistir o jogo. Não tudo de ruim que se tornou.

Publicado em 16/08/2015 às 22h43

Cansei de ser estressada

Cansei de ser estressada, simplesmente porque estresse cansa. Estresse deixa a gente sempre “demais”: magro demais, gordo demais, sonado demais, ligadão demais, agressivo demais, até com cabelos brancos demais, muito mais do que alguém deveria ter com 20 anos de idade.

Sempre fui uma pessoa nervosa, por me cobrar muito. Não é que eu queira ser melhor que todo mundo, mas sempre quero ser o melhor que eu puder e, para isso, tento minimizar a possibilidade de errar, porque dói. Dói quando algo sai diferente do esperado, dói quando eu sei que tentei fazer o melhor e falhei, dói quando sinto que decepcionei alguém que esperava o melhor de mim.

Quando qualquer uma dessas coisas acontece, eu fico irritada e, as vezes, desconto em gente que gosto, mas faco algo um pouco pior e destrutivo: desconto em mim mesma. É um mal que vem de fora para dentro e me destrói toda vez que acontece. O estresse acaba comigo e, antes que os resultados sejam piores, eu preciso acabar com ele. Nunca tinha me dado conta, mas esse é, sem dúvidas, o meu pior defeito. Eu tenho cabelos brancos, eu tive gastrite nervosa com 19 anos. O que vai ser de mim quando chegar aos 30? Quem dirá aos 50?

Não é que eu queira ser desleixada daqui para frente, que só quero deixar que tudo seja mais natural, que o que tem de acontecer aconteca e, caso nao de certo, preciso encarar que isso não é o fim do mundo. Quase nada é.

Tenho pensado em diversas maneiras de tentar eliminas esse problema da minha vida e uma das alternativas na qual pensei foi falar. Talvez por para fora seja um bom método de erradicar esse mal que me atormenta. Meu primeiro passo foi baixar o Periscope. Eu não me importo se ninguém quiser ouvir o que eu tenho a dizer, eu só preciso tirar de mim o que me irrita, falar com alguém, nem que seja comigo mesma.

Morar em São Paulo não ajuda. São horas no transito, luzes vindas de todas as partes que cansam os olhos. Mas, por enquanto, tudo isso faz parte.

quero que o transito deixe de ser um motivo para eu ficar nervosa, que um atraso não acabe com meu dia, que errar seja só mais um aprendizado.

Fazia muito tempo que eu não escrevia, e achei que fosse por falta de tempo, mas talvez seja só falta de saber estabelecer prioridades. Daqui para frente o estresse não é mais a minha prioridade, aprender é. E todos os dias são sobre isso: ter experiências novas e, se aproveitarmos, quem sabe, assim não de tempo de ficar nervosa.

Perfil

Anita Efraim, estudante de jornalismo na ESPM. Vivendo a vida desde 25 de setembro de 1994, e com este blog compartilha cada dia que vive em busca de algo que não tem ideia do que seja.

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