Há muitas práticas da religião judaica que não me agradam, especialmente das correntes mais ortodoxas. Respeito a maioria, só não as que me desrespeitam. Porém, acho que ver o judaísmo apenas como religião é muito limitado. Há, também, o povo judeu, a cultura judaica. Sim, são coisas diferentes.

Um povo é composto por pessoas diferentes e diversas, com todas as opiniões possíveis, chegando a ser até controversas. Sendo assim, cada um tem sua própria concepção das festas judaicas, de acordo com suas crenças pessoais, sua história, seu passado e outras variantes.

Há quem acredite que as festas são momentos de intensa relação com D-us. Essa relação pode ser realizada de formas diferentes, também. Alguns vão a sinagoga rezar, outros estabelecem seus modos particulares de fazê-lo. Há quem veja as festas judaicas não como uma forma de aproximar-se de forças maiores, mas daquilo que está conosco todos os dias, seja a natureza, nós mesmo e/ou o outro.

O que mais admiro na cultura judaica é esse momento que é oferecido para que se possa refletir. É importante pensarmos na nossa relação com o outro, conosco, com D-us, com a natureza e com o que/quem nós mesmos considerarmos importantes.

Quarta e quinta-feira foi Rosh Hashaná, que quer dizer "cabeça do ano", ou seja, é o ano novo judaico, marcado pela criação do primeiro homem e da primeira mulher. Não é igual dia 31 de dezembro que todos passam de branco e festejam até caírem. Não desmereço o ano novo laico, adoro a comemoração, porém, acho que tem um significado diferente de Rosh Hashaná, é outra proposta.

Rosh Hashaná, para mim, que não chego nem perto de ser uma pessoa religiosa, é um oportunidade de recomeço. Nessa festa judaica diz-se que D-us nos escreve no livro da vida para o próximo ano. Todos queremos ser inscritos no livro da vida, queremos ter mais tempo para fazer mais coisas da nossa vida, fazemos planos e queremos poder realizá-los. Assim, devemos fazer por merecer nossa escritura. Sendo verdade que D-us. Levando isso ao pé da letra ou não, é válido levar isso como reflexão.

Acredito que Rosh Hashaná é uma proposta que nos é feita. Uma proposta para refletir, repensar tudo que fizemos no último ano, de avaliar nossas atitudes e a nós mesmos. Nessa época do ano nós temos essa oportunidade. Quando digo "nós" não falo sobre o povo judeu, mas sobre qualquer um que conheça o significado dessa festa.

É estranho que isso seja chamado de "festa", aliás. Parece que não há uma comemoração, que não estamos festejando nada. É comum que se tenha nos dois dias de Rosh Hashaná jantares em família. Porém, festejamos sim. Festejamos o que temos de bom em nossas vidas, e festejamos a nova chance que temos: de melhorar, de crescer, de aprender e, especialmente, de mudar. Não sou crente que a mudança dentro de cada pessoa venha de D-us. Acredito com todo meu coração que ela venha de nós mesmos, que queremos mudar e ser pessoas melhores para o mundo, assim, tornando-o um lugar melhor.

Shaná Tová Umetuká- isto é, um ano bom e doce. Que possamos refletir, repensar e recomeçar. Que sejamos todos reescritos no livro da vida, por nós mesmos.

Jean Wyllys. Queria me mudar para o Rio de Janeiro só para saber em quem votar para o cargo de Deputado Federal.

Recentemente terminei de ler a autobiografia do candidato, Tempo bom, tempo ruim. Mesmo tendo um início de vida bastante pobre e sem grandes perspectivas, em nenhum momento o autor se põe no papel de coitado, mas de alguém que lutou pelo que acreditava desde sempre, traçando seus próprios caminhos a partir de suas crenças pessoais.

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Porém, Jean Wyllys não se atém somente em falar de si, mas em dar uma aula de política, de pensamentos inovadores e que quebram qualquer argumento tradicionalista e conservador. Desde projetos e postural sobre sua principal bandeira, a causa LGBT, até propostas de melhora do atual modelo de governo brasileiro, as 200 páginas escritas pelo atual Deputado são uma aula de política.

Mais que isso, tive a impressão que parte da mágica que Jean viveu e soube por em palavras e em seu livro, ele conseguiu quebrar as barreiras entre estar na televisão, na parte de entretenimento, e ser um intelectual, engajado politicamente e que busca, a cada dia, novas ferramentas para fazer do mundo um lugar melhor. Em 2005 ele estava no Big Brother Brasil, o maior reality show do país. Lá fez sua fama, mas soube mudar sua imagem ao longo do seu tempo, usando seu trabalho e sua luta pelos direitos LGBT e, mais que isso, pelo direitos humanos, para fazer sua carreira com muito sucesso.

Até aos corações mais descrentes em uma mudança na política de nosso país, a perspectiva de Jean Wyllys revive esperanças.

Me assusta que haja pessoas que reprovam a postura dele, que veem como algo que vai contra "os princípios da família", seja lá que família é essa que não aceita as diferenças de seus membros. Aconselharia essa leitura até às pessoas mais conservadoras que existem por aqui, que votam em militares e apoiam a volta da ditadura. Quem sabe não seja uma boa lição sobre cidadania, sobre aceitar o outro e pensar tanto nele quanto em você e no seu próprio umbigo.

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O atual Deputado Estadual pelo Rio de Janeiro comprou a causa da minorias, dos que não tem direitos iguais. Assim, seu slogan é sensível e ideal: "um de nós". Porque ele é mesmo, é mais um brasileiro que é discriminado no dia a dia e que, ainda assim, continua acreditando nos seus ideais.

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Talvez o mais incrível sobre esse candidato seja a falta de medo de reprovação por expor suas opiniões. Ele acredita, e fala e tem coragem. Aliás, em seu livro o autor critica e questiona não só a esquerda brasileira como o partido a qual ele é filiado. Diferente de muitos, Jean Wyllys é capaz de discernir "a melhor opção" do "ideal".

Voe, Jean Wyllys. Que um dia sua campanha tenha tanto volume e apoio que você possa ser eleito para um cargo ainda maior e que continue disseminando essa ideologia inovadora, altruísta e consciente pelo mundo. Quem me dera o mundo fosse feito de mais pessoas assim.

Terminando esse texto notei como falei como se o candidato fosse perfeito. Ele com certeza não é, afinal, é humano. Ele não tem propostas para todas as áreas do país, ele tem um foco, que são os direitos humanos e a reforma da política em relação a eles. Não daria para se candidatar à Presidência da República sem pensar em outros aspectos, como a economia. Pensando no foco que Jean Wyllys tem, ele sabe exercer o seu papel.

Sobre tudo que falarei, parto do princípio que todos temos esperanças. Independente de ser bom ou ruim tê-las, elas existem. São produzidas por nós, mesmo que sem intenção, e projetam expectativas. Nossas esperanças sempre apontam para que, em nossas vidas, tudo acabe bem. Mas não é bem assim que tudo acontece.

Acredito que a maior falácia motivacional que existe é a que garante que, no final, tudo dará certo e, se ainda não deu, é porque ainda não chegou o final. Não vivemos em filmes da Disney ou comédias românticas com 120 minutos de duração.

Quantas coisas não terminam mal? Desde vidas que são tiradas de maneira violenta e brutal até um simples dia em que coisas ruins aconteceram. Têm sim um monte de coisas que acabam mal. Relacionamentos podem acabar mal, demissões podem acabar mal e por ai vai. A vida é um eterno risco. Tudo que começa acaba, e corre risco de ter um desfecho negativo. A parte boa é que tudo que acaba mal já acabou. E você tem a chance de recomeçar.

Sempre dá para virar a página, para tentar algo novo, para ir do zero. Claro que não é fácil, afinal, exige vontade e coragem. Nem sempre nos sentimos seguros para largar as nossas certezas, mesmo que elas não estejam nos fazendo bem, para começar de novo de algo incerto, sem segurança ou garantia. O fim nem sempre é lindo, nem sempre é a melhor parte, e sim o recomeço.

O recomeço traz novas esperanças, novas perspectivas, novas oportunidades. A insegurança e o desconhecido trazem novas vontades, novas motivações e isso sim é "dar certo", nem que seja por apenas um momento. Essa é a parte que é, quase sempre, mágica e feliz.

Assim, o que quero dizer é: pode ser que o final seja bom, mas nem sempre. O que há de mais lindo é o recomeço.

Todos os dias somos motivados a sonhar. Ou pelo menos deveríamos.

Ontem fui dormir com a cabeça cheia de sonhos. Cheia de vontades, de desejos, de planos. Quantas noites deitamos nossa cabeça carregada de novas ideias no travesseiro? E quantas manhãs acordamos com elas vazias, deixando a rotina nos levar e apagar nossos maiores desejos?

Acordei, segui a metódica lógica de um dia igual a qualquer outro. Felizmente, hoje fiz tudo pensando em todos os planos, porém, me questionando eles se realizarão em algum momento. Com um pouco de medo de continuar a rotina sem perspectiva de seguir pensando nos meus mais profundos desejos, segui meu dia, martelando meus sonhos para dentro da minha cabeça.

Nunca somos inteiramente livres. Sempre há algo que nos prende, mesmo que nossas amarras sejam criadas por nós mesmos. Há sempre algum empecilho que nos faz pensar que nossos sonhos não valem o suficiente para deixemos o que nos segura. Mas eles valem a pena sim. Aliás, eles valem muito mais do que pensamos. Somos arrastados na inércia do dia a dia; devemos deixar que isso aconteça?

"Quem não se movimenta não sente as correntes que o prende", disse Rosa Luxemburgo, mostrando que se não lutarmos pelo que almejamos, nunca saberemos o que nos faz deixar os sonhos de lado. Se não conhecermos nossos inimigos, aquilo que nos impede, como enfrentaremos o que nem ao menos sabemos o que é?

De acordo com a Wikipédia, a inércia é uma propriedade física da matéria (e segundo a Relatividade, também da energia). Considere um corpo não submetido à ação de forças ou submetido a um conjunto de forças de resultante nula; nesta condição esse corpo não sofre variação de velocidade. Isto significa que, se está parado, permanece parado, e se está em movimento, permanece em movimento em linha reta e a sua velocidade se mantém constante. Tal princípio, formulado pela primeira vez por Galileu e, posteriormente, confirmado por Newton, é conhecido como primeiro princípio da Dinâmica (1ª lei de Newton) ou princípio da Inércia.

O dia a dia nos dá movimento, tal qual a rotina. Ela tem a parte ruim, ela nos leva, nos arrasta, nos deixa em constante movimento, sem que nós façamos nada. Porém, pelo menos não estamos parados. Não podemos lutar contra a maré se não há maré. E não há maré sem mar.

08
set
22h03

Fiquei o dia todo pensando no que escrever. No meio da rotina cheia de compromissos está difícil de achar um tempo livre em que eu consiga me concentrar em um tema interessante e falar sobre ele. Quando finalmente tomei coragem e pensei em um tema sobre o qual queria escrever, apareceu um número 1 ao lado de "comentários", mostrando que, mesmo depois de muito tempo sem escrever nada, alguém havia lido um texto meu e comentado alguma coisa.

Infelizmente, o comentário foi ofensivo. Falando mal dos meus textos e da faculdade na qual estudo. Felizmente, ele me fez querer escrever mais.

É ruim quando alguém te ofende, quando alguém tem tanto ódio que procura um post antigo seu, mesmo sem saber quem você é, e direciona as forças dela para te colocar para baixo. É, magoa. Porém, dentro tudo que maravilhoso que aprendi com meu blog depois de 3 anos de constantes postagens e, ainda bem, alguns poucos comentários maldosos, aprendi que não devo e não devemos levar essas pessoas em consideração.

Quem não te conhece, não conhece sua história, não sabe nada sobre você não pode criar um conceito sobre você. Fazê-lo seria um preconceito, ou simplesmente uma expressão de inveja. Tem quem diga que elas não podem te julgar. Quer saber a verdade? Elas podem sim. Não tem nada nem ninguém que as proíba.

A internet é imensa. Mesmo que só 5% estejam em atividade, há 200 milhões de blogs nela. Para quem não gosta do meu, um pontinho no meio desse universo, tenho duas sugestões:
1- procure outro que te interesse
2- crie o seu

Acredito piamente que gente que perde o seu tempo precioso querendo ofender gente na internet tem alma pequena. A vida é uma só e você dedica uma parte dela a gente que você não gosta? A internet é tão boa, tem tantas utilidades, oferece tantas ferramentas! Para que pegar a parte ruim dela (na opinião dessa pessoa, o meu blog) e dedicar suas forças a isso ou a mim?

Esse é o mais legal da internet: ela tem milhares de possibilidades e permite que ignoremos muitas coisas que não nos interessam. Então vai lá! Pegue seu tempo e invista no que te faz feliz, no que te acrescenta e deixe pra lá o que não. Claro que isso não é só pra internet e pros blogs que você gosta ou não de ler, mas pra vida toda.

Eu vivo lendo coisa que não gosto, mas eu acho bom, acho que faz bem, mas não perco meu tempo ofendendo quem escreveu. Uso para mim, para formar minha opinião e meu senso crítico. Admito que já fui disso, de gastar meu tempo falando mal, criticando o que nem me fazia mal e eu falava só de birra. Mas a gente cresce e aprende. Nunca é tarde para isso.

Quem odeia faz mal a si mesmo. É desgastante.

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