Na minha primeira dinâmica de grupo no processo seletivo da ESPN tivemos que escrever uma redação cujo tema era: o legado da Copa do Mundo.

Desenvolvi um texto que falava não sobre como o brasileiro ama o futebol ou como nosso país deixou de ser uma grande referência no esporte, tendo um campeonato nacional fraco e de baixo nível. Minha redação discorria sobre como o esporte mais popular do Brasil era muito mais do que um esporte: futebol, aqui, hoje, trata-se, também, de política.

Algumas pessoas vieram comentar comigo durante a semana sobre a saída do jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, da ESPN. Claro que fiquei um pouco chateada, seria muito legal esbarrar com ele pela emissora e conversar com alguém que entende tanto de futebol como ele. Mas o que aconteceu provou sobre como o futebol é, sim, um jogo de interesses e engloba muito mais que o esporte em si. Caso isso não fosse verdade, tantos outros temas importantes do mundo da bola não teriam ficado de lado para dar manchetes à saída de PVC da emissora, como muito bem comentou Cosme Rímoli em seu blog.

Li muito sobre o assunto, todas as manchetes que apareciam sobre o tema me chamavam atenção. Cosme Rímoli sem dúvidas foi quem mais me surpreendeu, porque fez a função mais importante de um jornalista: saiu do óbvio. Além disso, achei que sua colocação sobre o tema reforçou mais ainda minha ideia sobre como o futebol vai além dos campos. A história que Cosme conta mostra como a paixão nacional pode mexer com todo jornalismo do país, com a vida de um comentarista e com a política brasileira.

Se foi mesmo a reunião com Felipão que mudou os rumos da vida de PVC, que o levou a mudar de emissora depois de 14 anos, está provado que o legado da Copa do mundo não é o amor incondicional do brasileiro pelo futebol, mas as condições que o futebol impõe sobre a vida do brasileiro. Sem dúvidas, Paulo Vinícius Coelho não foi o primeiro e não será o último a ter sua vida mudada pelo esporte, mesmo sem ser um jogador.

Saber disso torna minha entrada nesse mundo ainda mais interessante, pois ser um fã do esporte não é só querer saber o que acontece dentro do mundo do futebol, mas tudo que o circunda. Quem sabe um dia eu seja a pessoa que teve sua vida transformada por causa desse esporte, como PVC, ou quem sabe a jornalista que escreverá um texto incrível sobre o assunto, como Cosme Rímoli.

Fiquei muito tempo sem escrever, mas foi bom esperar porque, agora, vale a pena contar cada detalhe.

Há alguns meses, acho que três, fiz os testes online do processo seletivo da ESPN. Se eu passasse neles, receberia a prova em inglês. Passei, mas ao tentar abrir o link dos testes de inglês, dava erro, então, não consegui fazer e pensei que seria melhor deixar para lá, que, talvez, fosse melhor assim. Eram mais de 6000 candidatos inscritos na internet, para 31 vagas, sendo que, delas, apenas 12 eram para jornalismo.

Semanas depois me ligaram da Viva Talentos, a empresa se recursos humanos que estava cuidando do processo, me chamando para ir lá fazer a primeira etapa em grupo. Não entendi muito bem, mas fui. Me ligaram na sexta para marcar na segunda.

Na entrevista estávamos misturados, de jornalismo eu e mais uma menina e os demais eram de economia, engenharia, design, entre outras áreas. Tínhamos três minutos para nos apresentar, depois fizemos uma dinâmica em grupo sobre como melhorar a divulgação do aplicativo ESPN Sync e, por último, uma redação. Além disso, tínhamos que preencher um papel de acordo com nossas preferências de área dentro da ESPN. Na entrevista estavam uma representante da empresa de RH e o responsável dessa área da ESPN.

Meus três minutos foram praticamente um desastre, não falei nada sobre mim, esqueci tudo! Simplesmente não falei que já tinha morado fora... Em compensação, achei que me sai muito bem na redação. Porém quando fui embora não estava muito esperançosa, achei que não passaria de jeito nenhum. O prazo para que eles mandassem a resposta era de duas semanas.

Ao contrário do que eu esperava, na quarta-feira, apenas dois dias depois, recebi um email dizendo que eu tinha sido aprovada para a próxima fase, o painel com o gestor da área para qual fui alocada: redação, mais especificamente do programa Bate Bola. Além deve, estavam uma profissional da Viva Talentos e o responsável pelo RH da ESPN. Nesse dia, uma terça feira, fui novamente a Viva Talentos fazer a entrevista, desta vez com mais sete pessoas que concorriam para a mesma única vaga que eu. Nos foi proposto que levássemos ideias de como a ESPN poderia se expandir no mercado digital e, depois tivemos uma dinâmica em grupo, cujo tema era como atingir mais pessoas para assistirem as transmissões da NFL, principal liga de futebol americano dos Estados Unidos. Achei que, na primeira parte, me sai bastante bem. Já na parte sobre futebol americano, deixei a desejar. Entendo pouco e eles nos trocaram de grupo durante a dinâmica, o que foi difícil. Sai totalmente desesperançosa, sabia que apenas três ou quatro passariam para a última fase.

Na quinta-feira, de novo dois dias depois, recebi a notícia de que estava na estava na última fase da entrevista e teria que aguardar as informações sobre data e horário.

Alguns dias depois recebi um email com tudo que precisava saber. Dessa vez a entrevista não seria na Viva Talentos, mas na própria ESPN, que fica na frente do Parque da SABESP, em Perdizes, onde era a antiga MTV. Fui lá quarta-feira passada e a ideia era uma conversa mais pessoal com o gestor da área e o mesmo responsável de RH que participou de todas as fases do processo. Foi muito gostoso ir lá, a conversa fluiu bem e sai, pela primeira vez durante o processo, confiante. Descobri que apenas eu e mais dois meninos tínhamos passado. Era, de longe, o momento em que eu tinha a maior chance de passar.

Eles deram o mesmo prazo que das outras vezes: duas semanas. Porém, eu já sabia que seria menos tempo, afinal, nas outras etapas demorou só dois dias. Quinta-feira eu estava ansiosa, mas sabia que não chegaria tão rápido a resposta. Sexta-feira passei mal de tão nervosa, ainda assim, a resposta não veio. Não cabia em mim a sensação de não poder controlar o que viria a acontecer comigo! No final de semana consegui ficar mais tranquila, pois sabia que nada poderia fazer, se não esperar até que a semana recomeçasse. Segunda-feira chegou e nada... Já não aguentava mais.

Hoje de manhã, enquanto tomava café, chegou o email do mesmo remetente que mandou todos os outros emails. Quando abri, tremia, mal conseguia ler o que estava escrito, até que pulei para a parte em negro:

Captura de Tela 2014 12 02 às 18.21.53 #ESPNtem estagiária nova

Sem exageros, eu larguei tudo e berrei "MÃE!" o mais alto que pude. Tadinha, deve ter achado que eu me machuquei ou algo assim. Logo eu comecei a falar "EU PASSEI, EU PASSEI", ai aquela cena toda, nos abraçamos e foi lindo. Até demos uma choradinha, não podia faltar.

Durante esses dias se espera ouvi muitos "você vai passar", mas preferi ignorar todos para não criar grandes expectativas. Se não tivesse passado seria uma decepção muito grande, afinal, a vida não é sempre sobre justiça, às vezes as coisas só são como são, sem grandes explicações.

A alegria agora mal cabe em mim. Não é só um primeiro emprego, é o primeiro emprego que eu sempre sonhei. Passei a vida inteira ouvindo desde piadas até recriminações mais sérias sobre "mulher não entender nada de futebol ou de esporte", e agora acho que provei para todos e para mim mesma, que eu estava certa. Além disso, não é só sobre entender de esporte ou não, é sobre acreditar e ir atrás do que você quer e acreditar em cada oportunidade.

Sinceramente, foi melhor do que passar no vestibular, muito melhor. Afinal, não é sobre uma prova, é sobre quem eu sou.

Que seja só um primeiro passo de uma carreira na área que eu sempre sonhei pra mim, não o esporte, mas o jornalismo.

Resolvi trazer uma dica que pode parecer um pouco boba, mas como gostei bastante quando descobri, resolvi compartilhar.

Um dia, minha amiga da faculdade, Marcela, comentava sobre tweets antigos que ela tinha feito. Sem entender muito porque ela estava cavucando sua conta do Twitter, perguntei por que ela estava falando sobre isso. Então, ela me contou que, na verdade, era um aplicativo chamado Timehop.

Olhando a App Store ela viu que o aplicativo estava entre os mais baixados. Ficou curiosa e resolveu ler a descrição: "O que você estava fazendo há um ano? Há dois anos? Há três anos? Timehop reúne as suas fotos e publicações antigas do seu iPhone, Facebook, Instagram, Twitter e Foursquare e reproduz o seu passado um dia de cada vez".

Ou seja, o aplicativo mostra o que você fez nas suas redes sociais no dia de hoje, mas anos atrás. Ao abri-lo aparece o simpático dinossauro, personagem do app, dizendo "let's time travel". Hoje, por exemplo, quando abri meu Timehop me deparei com tweets de 3 e 4 anos atrás, nos quais eu comentava fatos que, agora, são totalmente insignificantes, mas, naquele momento, pareciam um assunto muito importante. Apesar de eu achar um pouco cômico que, há 4 anos, eu já achava que o Daniel Alves não deveria fazer parte da Seleção Brasileira.

Timehop 385x480 Timehop   aplicativo da nostalgia

Há dias em que aparecem fotos muito nostálgicas, como as da última semana de aula da escola, do Shnat e outros eventos que fazem o coração apertar. Despertam os mais variados sentimentos, desde sorrisos de orelha a orelha até olhos cheios de lágrimas e as mais profundas saudades.

Têm também os momentos vergonha alheia: aquele comentário que você fez em uma rede social há anos atrás e hoje você se questiona "POR QUÊ"? Rendem boas risada e, depois, vem o sentimento gratificante de "ainda bem que cresci".

Screen shot 2011 12 19 at 4.37.35 PM Timehop   aplicativo da nostalgia

O aplicativo, talvez, não mude muito a vida de ninguém, mas achei interessante a proposta de reviver alguns momentos que vivemos e acabamos esquecendo com o tempo. É um aplicativo grátis, 100% pessoal e acho que pode ser interessante experimentas diferentes motivações de sentimentos.

04
nov
17h59

"A paz está antes de tudo, é a ambição máxima do povo judeu", foi o final de seu último discurso na Praça dos Reis, em Tel Aviv, momentos antes de ser assassinado por um israelense que não se identificava com o discurso proferido momentos antes e, mais que isso, não se sentia representado pelas ações revolucionárias e inovadoras o chefe de Estado israelense que chegou mais perto da paz.

Em 4 de novembro de 1995, caiu Itzchak Rabin, morto por Igal Amir, um israelense, que atirou pouco antes de Rabin entrar em seu carro e ir embora de um evento que, por pouco, não foi um enorme sucesso.

Naquela noite, os pessimistas que rodeavam o primeiro ministro não esperavam nem 10 mil pessoas. Os otimistas, como Rabin, achavam que 20 mil estariam presentes. Porém, a surpresa foi grande quando, ao chegarem, depararam-se com 200 mil pessoas na Praça dos Reis em Tel Aviv.

O último discurso de Itzchak Rabin, se lido com calma e com bastante atenção, conta tudo que o ex primeiro ministro de Israel representa. Rabin assinou os acordos de Oslo II, que eram provisórios, mas eram os primeiros passos para a paz definitiva, porque ele realmente acredita nela. Entretanto, não era amado por todos: Rabin foi chamado de árabe, como se fosse algo pejorativo, foi chamado de nazista e comparado a Hitler pelos que discordavam de sua ideologia, ou seja, por aqueles que não colocava a paz como objetivo máximo.

Mais que um líder político, foi um líder militar por grande parte de sua vida. Foram 27 anos dedicando-se ao exército e lutos em algumas das principais guerras de Israel. Como pode um homem que matou e mandou matar tantos árabes ser um ícone para a paz? Mudando. Rabin foi capaz de abrir mão de ideais antigos, de práticas que, em algum momento, pareceram certas para ele, para negociar de um novo jeito e educou parte da sociedade israelense mostrando que há sim um caminho para a paz. Infelizmente, tocou apenas parte dela, pois se tivesse conseguido atingir a todos, teria vivido mais tempo.

Irônico pensar que tememos muito o inimigo, mas aquele que mais se aproximou do suposto perigo, foi morto foi alguém que pensava ser um irmão.

rabin Paz é compromisso

Dentre as frases mais sábias que já ouvi está a que diz que só é possível fazer a paz com seu inimigo. E Rabin fez dessa a sua bandeira. Desde que se comprometeu com a paz, fez dela seu norte e foi um exemplo toda uma nação que, desde seu primeiro dia de existência, conheceu a guerra e a intolerância. Apontar para o outro e culpá-lo a fácil, difícil é mobilizar toda a sua vida para ser um exemplo e realmente lutar por uma causa.

Há 19 anos o extremismo tentou derrubar a paz, de modo inesperado e frio. Um tiro não só tirou a vida de um homem que simbolizava a paz, mas esvaziou corações ao redor do mundo, que estavam cheios de esperanças.

Há 19 anos a letra de Shir laShalom, a Canção da Paz, que estava no bolso do ex primeiro ministro, foi manchada pelo sangue de um dos maiores exemplos de militância por essa causa.

Shirhashalom Paz é compromisso

A partir de hoje, 4, até o dia 16 de novembro, na sede do movimento juvenil Habonim Dror, acontecerá uma exposição sobre a vida de Itzchak Rabin. Para os interessados, vale a pena. Para os desinteressados, mais ainda.

Serviço:
Exposição Rabin - Paz é Compromisso
Endereço: R. Bahia 883- São Paulo, SP
Horários: Segunda a Sexta das 17h às 22h; Sábados e Domingos das 10h às 19h;
Entrada franca

rabinexpo Paz é compromisso

03
nov
16h58

Nunca tive vontade de fazer tatuagem. Com 15 anos fiz um piercing quando fui passar um mês na Nova Zelândia, talvez um efeito da adolescência, de querer ser rebelde. Tenho ele até hoje. No Shnat fiz outro, porque já queria fazer mas, talvez, mais porque muita gente que faz Shnat faz piercing. Sempre achei piercing algo simples, é um brinco em outro lugar. Dá para tirar, é uma opção e há como voltar atrás. Além disso, um furo não tem significado profundo, é algo mais estético.

Tatuagem é diferente. Você marca algo em você sem possibilidade de volta. Ok, agora existe meios de remoção, mas não é que nem um brinco que você tira e espera o buraco fechar. É algo que para você tem um significado, um motivo. Pelo menos para mim, ninguém marcaria algo para sempre em seu corpo se não tivesse um ótimo motivo.

De uns tempos para cá, comecei a pensar sobre o assunto. Não porque queria fazer uma tatuagem, mas porque queria marcar em mim algo específico: meu amor, carinho e admiração sem limites aos meus pais. Se tem duas pessoas no mundo que me apoiam incondicionalmente, me motivam e confiam em mim, são eles. A princípio, a ingenuidade de uma criança que tem pais presentes faz pensar que todos os pais são assim. Ao longo dos anos fui percebendo que ter um pai como o meu e uma mãe como a minha é um privilégio enorme.

A primeira ideia de tatuagem que tive foi escrever, em hebraico, "meus exemplos". Eu não sou uma pessoa de desenhos ou, pelo menos até hoje, não achei uma figura significativa para mim. Uma palavra, ainda mais escrita em hebraico, diz muito mais sobre minha identidade e minha história.

No meu aniversário, minha mãe me deu de presente uma pulseira com um dos nomes de D-us da Cabala, que tem três letras (todos os nomes de D-us têm, na verdade), que também quer dizer "amor incondicional". Achei lindo e me encontrei nessas duas palavras, afinal, o que seria "amor incondicional" se não amar alguém acima de qualquer defeito ou qualquer problema ao longo do caminho?

Decidi perguntar a um rabino que conheço e confio qual era opinião dele sobre essas três letras que eu tinha escolhido para marcar em mim para sempre. Ele me disse que "amor incondicional", em hebraico, era חסד, que se diz chessed (lembrando que CH na transliteração tem som de dois Rs). Argumentos que essa palavra poderia ser mais significativa, pelo fato de qualquer um que lê hebraico poder entendê-la. O nome da Cabala seria compreendido por poucos, que estudam essa área.

Pesquisei bastante sobre a sugestão do rabino e descobri que חסד não tem uma tradução exata para nenhuma outra língua. Quer dizer bondade, benevolência, mas também representa o tipo mais verdadeiro de amor. Então, estava decidida.

Tive bastante medo de fazer. Não conheço tatuadores, fiquei insegura de escrever em hebraico aqui e algo não sair perfeito. Então, aproveitei a oportunidade de ir para Israel e de ter um dia livre lá para procurar um lugar para fazer a tatuagem. Lembrei do lugar onde eu fiz meu piercing logo no primeiro dia que cheguei no Shnat, em Jerusalém e foi lá mesmo que fui fazer. Estava com três amigos que estão agora no Shnat e eram 14h. Agendei para as 16h, não deu nem tempo de pensar em nada.

Enrolamos duas horas e, quando voltei, escolhi a fonte e o tamanho que queria fazer. Estava bem nervosa, achei que fosse doer muito. Entrei na sala e em 15 minutos, talvez menos, ela estava lá. A verdade é que o barulho assusta muito mais do que qualquer coisa. Não posso dizer que não doeu, mas doeu pouco, muito menos do que eu esperava.

IMG 9663 1024x768 חסד

IMG 9666 e1415040869258 768x1024 חסד

Pessoalmente, achei que ficou linda, super delicada e discreta. Além de, para mim, ter um significado que vale a pena ter marcado em mim para sempre.

É difícil acostumar-se com a ideia de que há algo novo que faz parte de você fisicamente. É como se eu tivesse uma nova pinta, uma nova cicatriz: faz parte de mim agora não só de maneira intangível.

IMG 9695 e1415041086243 768x1024 חסד

Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009- Rádio e Televisão Record S/A
exceda.com