Sobre tudo que falarei, parto do princípio que todos temos esperanças. Independente de ser bom ou ruim tê-las, elas existem. São produzidas por nós, mesmo que sem intenção, e projetam expectativas. Nossas esperanças sempre apontam para que, em nossas vidas, tudo acabe bem. Mas não é bem assim que tudo acontece.

Acredito que a maior falácia motivacional que existe é a que garante que, no final, tudo dará certo e, se ainda não deu, é porque ainda não chegou o final. Não vivemos em filmes da Disney ou comédias românticas com 120 minutos de duração.

Quantas coisas não terminam mal? Desde vidas que são tiradas de maneira violenta e brutal até um simples dia em que coisas ruins aconteceram. Têm sim um monte de coisas que acabam mal. Relacionamentos podem acabar mal, demissões podem acabar mal e por ai vai. A vida é um eterno risco. Tudo que começa acaba, e corre risco de ter um desfecho negativo. A parte boa é que tudo que acaba mal já acabou. E você tem a chance de recomeçar.

Sempre dá para virar a página, para tentar algo novo, para ir do zero. Claro que não é fácil, afinal, exige vontade e coragem. Nem sempre nos sentimos seguros para largar as nossas certezas, mesmo que elas não estejam nos fazendo bem, para começar de novo de algo incerto, sem segurança ou garantia. O fim nem sempre é lindo, nem sempre é a melhor parte, e sim o recomeço.

O recomeço traz novas esperanças, novas perspectivas, novas oportunidades. A insegurança e o desconhecido trazem novas vontades, novas motivações e isso sim é "dar certo", nem que seja por apenas um momento. Essa é a parte que é, quase sempre, mágica e feliz.

Assim, o que quero dizer é: pode ser que o final seja bom, mas nem sempre. O que há de mais lindo é o recomeço.

Todos os dias somos motivados a sonhar. Ou pelo menos deveríamos.

Ontem fui dormir com a cabeça cheia de sonhos. Cheia de vontades, de desejos, de planos. Quantas noites deitamos nossa cabeça carregada de novas ideias no travesseiro? E quantas manhãs acordamos com elas vazias, deixando a rotina nos levar e apagar nossos maiores desejos?

Acordei, segui a metódica lógica de um dia igual a qualquer outro. Felizmente, hoje fiz tudo pensando em todos os planos, porém, me questionando eles se realizarão em algum momento. Com um pouco de medo de continuar a rotina sem perspectiva de seguir pensando nos meus mais profundos desejos, segui meu dia, martelando meus sonhos para dentro da minha cabeça.

Nunca somos inteiramente livres. Sempre há algo que nos prende, mesmo que nossas amarras sejam criadas por nós mesmos. Há sempre algum empecilho que nos faz pensar que nossos sonhos não valem o suficiente para deixemos o que nos segura. Mas eles valem a pena sim. Aliás, eles valem muito mais do que pensamos. Somos arrastados na inércia do dia a dia; devemos deixar que isso aconteça?

"Quem não se movimenta não sente as correntes que o prende", disse Rosa Luxemburgo, mostrando que se não lutarmos pelo que almejamos, nunca saberemos o que nos faz deixar os sonhos de lado. Se não conhecermos nossos inimigos, aquilo que nos impede, como enfrentaremos o que nem ao menos sabemos o que é?

De acordo com a Wikipédia, a inércia é uma propriedade física da matéria (e segundo a Relatividade, também da energia). Considere um corpo não submetido à ação de forças ou submetido a um conjunto de forças de resultante nula; nesta condição esse corpo não sofre variação de velocidade. Isto significa que, se está parado, permanece parado, e se está em movimento, permanece em movimento em linha reta e a sua velocidade se mantém constante. Tal princípio, formulado pela primeira vez por Galileu e, posteriormente, confirmado por Newton, é conhecido como primeiro princípio da Dinâmica (1ª lei de Newton) ou princípio da Inércia.

O dia a dia nos dá movimento, tal qual a rotina. Ela tem a parte ruim, ela nos leva, nos arrasta, nos deixa em constante movimento, sem que nós façamos nada. Porém, pelo menos não estamos parados. Não podemos lutar contra a maré se não há maré. E não há maré sem mar.

08
set
22h03

Fiquei o dia todo pensando no que escrever. No meio da rotina cheia de compromissos está difícil de achar um tempo livre em que eu consiga me concentrar em um tema interessante e falar sobre ele. Quando finalmente tomei coragem e pensei em um tema sobre o qual queria escrever, apareceu um número 1 ao lado de "comentários", mostrando que, mesmo depois de muito tempo sem escrever nada, alguém havia lido um texto meu e comentado alguma coisa.

Infelizmente, o comentário foi ofensivo. Falando mal dos meus textos e da faculdade na qual estudo. Felizmente, ele me fez querer escrever mais.

É ruim quando alguém te ofende, quando alguém tem tanto ódio que procura um post antigo seu, mesmo sem saber quem você é, e direciona as forças dela para te colocar para baixo. É, magoa. Porém, dentro tudo que maravilhoso que aprendi com meu blog depois de 3 anos de constantes postagens e, ainda bem, alguns poucos comentários maldosos, aprendi que não devo e não devemos levar essas pessoas em consideração.

Quem não te conhece, não conhece sua história, não sabe nada sobre você não pode criar um conceito sobre você. Fazê-lo seria um preconceito, ou simplesmente uma expressão de inveja. Tem quem diga que elas não podem te julgar. Quer saber a verdade? Elas podem sim. Não tem nada nem ninguém que as proíba.

A internet é imensa. Mesmo que só 5% estejam em atividade, há 200 milhões de blogs nela. Para quem não gosta do meu, um pontinho no meio desse universo, tenho duas sugestões:
1- procure outro que te interesse
2- crie o seu

Acredito piamente que gente que perde o seu tempo precioso querendo ofender gente na internet tem alma pequena. A vida é uma só e você dedica uma parte dela a gente que você não gosta? A internet é tão boa, tem tantas utilidades, oferece tantas ferramentas! Para que pegar a parte ruim dela (na opinião dessa pessoa, o meu blog) e dedicar suas forças a isso ou a mim?

Esse é o mais legal da internet: ela tem milhares de possibilidades e permite que ignoremos muitas coisas que não nos interessam. Então vai lá! Pegue seu tempo e invista no que te faz feliz, no que te acrescenta e deixe pra lá o que não. Claro que isso não é só pra internet e pros blogs que você gosta ou não de ler, mas pra vida toda.

Eu vivo lendo coisa que não gosto, mas eu acho bom, acho que faz bem, mas não perco meu tempo ofendendo quem escreveu. Uso para mim, para formar minha opinião e meu senso crítico. Admito que já fui disso, de gastar meu tempo falando mal, criticando o que nem me fazia mal e eu falava só de birra. Mas a gente cresce e aprende. Nunca é tarde para isso.

Quem odeia faz mal a si mesmo. É desgastante.

Não sou daquelas pessoas que ficam falando mal da internet. Que a internet é o mal dos dias de hoje, que causa muitos problemas nas pessoas, nem nada disso. Acho muitas dessas afirmações bobas, porque despertam o maniqueísmo, a eterna briga entre o sim e o não, o bem e o mal, as eternas "duas opções". A internet, como tudo no mundo, tem diversas vantagens e desvantagens.

Um ponto bastante ruim dessa ferramenta que temos hoje é a efemeridade. O excessivo número de informações com as quais somos bombardeados é exagerado e faz com que tudo, absolutamente tudo, passe muito rápido.

Foi exatamente isso que aconteceu com o "Icebucket challenge". Uma semana de muita campanha, muita gente fazendo, compartilhando os vídeos e, mais importante, doando dinheiro para a causa daqueles que têm esclerose lateral amiotrófica. Foi uma ótima maneira de conscientizar as pessoas de como essa doença é grave e ainda precisa de muita ajuda para que seja achada uma solução para os que sofrem com essa doença.

Assim como essa campanha teve seu ápice e passou, o mesmo acontece com todas as vezes em que há algum ato racista que é repercutido na mídia. Normalmente, acontece no esporte, quando torcedores fanáticos ofendem adversário com palavras de "ordem racista", como disse o goleiro Aranha do Santos. Ontem, na Arena Grêmio, em jogo válido pela Copa do Brasil, alguns torcedores do Grêmio chamaram o goleiro de macaco e de "preto fedido", de acordo com ele. E mais: há imagens. É claro que a torcedora está falando "macaco" para o goleiro.

O resultado é o esperado: está todo mundo xingando a menina nas redes sociais (mesmo que eu não concorde com muitas das ofensas), procurando o perfil no Facebook, Instragram, etc. Todos os veículos divulgando o ocorrido, pessoas comovidas pela causa. Tal qual aconteceu quando, na Europa, jogaram uma banana no brasileiro Daniel Alves, quando ele foi cobrar um escanteio.

Falamos muito sobre o tema, como vamos falar do que aconteceu ontem com o Aranha. Hoje o feed do facebook está cheio de indignados, o que me inclui. Durará dois, três dias. Como durou com Arouca, no Campeonato Paulista, quando foi chamado de macaco e como nas tantas outras vezes em que pessoas públicas foram ofendidas por sua cor de pele, seja no futebol ou em qualquer outro ambiente.

É mais que triste, é lamentável que hoje, depois de tudo que acontece e aconteceu no mundo, tenha tão preocupada com com o futebol que chegue a xingar um jogador, porque ele jogou bem ou, simplesmente, porque jogou contra o seu time. Há quem diga que a religião é o mal da humanidade. Parece que o futebol tornou-se como uma religião, movendo as pessoas de modo passional, irracional e extremo. Como o conceito de eugenia, criado no século 19, ainda persiste na sociedade. E não é na brasileira. Infelizmente no "primeiro mundo" também tem um monte de gente que acredita na superioridade de alguém pela cor de sua pele.

O ponto é que, agora, pensamos nisso. Aconteceu ontem, está todo mundo falando disso. Mas quando alguma outra coisa acontecer, quando outra pessoa importante morrer, ou algum famoso passar vexame, esqueceremos e falaremos sobre esse novo tema, o que é perigoso. Perigoso porque nunca levamos uma causa adiante. Porque a luta contra o racismo, por exemplo, não deve ser assunto de redes sociais por uma semana, e sim uma batalha constante, que trabalhe a conscientização e que faça com que acabem os atos racistas.

Enquanto escrevo esse texto li no facebook alguém falando "você pode se orgulhar de ser negro, mas se você se orgulhar de ser branco, é racismo". E é justamente por isso que alguma coisa precisa mudar e que a luta contra o preconceito (e causas tão importantes quanto) devem ser levadas adiante.

Infelizmente tem quem pense assim. Infelizmente não são poucas. Infelizmente o preconceito não é algo exclusivo de pessoas famosas, mas algo de todos dias.

Força Aranha, força a todos que sofrem diariamente preconceito por serem negros.

27
ago
23h00

Quando pensamos nas qualidades que deve ter o Presidente da República, principal representação política de nosso país, descrevemos tal pessoa como alguém praticamente perfeita. É difícil que alguém aponte um defeito em um candidato e pense que essa característica não afetaria no seu mandato.

Essa é uma análise que fazemos por imaginarmos que o poder máximo do país em que vivemos deva estar o mais longe possível dos defeitos, afinal, ele cuida da minha vida, da sua e da dele. Ele não deveria aumentar os impostos, deixar pessoas na miséria, deixar a educação ficar como está, e, de forma nenhuma, ele deveria apoiar gente que eu não apoio. EU votei nele e agora é isso que ele faz? Apoia alguém que eu não gosto?

Pois bem, além de vivermos em um sistema em que o seu voto é só um em 220 milhões, o presidente não pode fazer tudo que nós queremos, mas tudo que toda a sociedade precisa. Não que eu ache que é isso que acontece hoje ou que aconteceu nos últimos, talvez todos, governos, fossem eles democráticos ou não, que o Brasil já teve. Esquecemos constantemente que o chefe de Estado é um ser humano. Ele é imperfeito e comete erros, independente de seu partido, religião, credo, cor, etc. Deixamos de lado o fato de o poder máximo de nossa democracia ser um emprego, ocupado por um qualquer, como nós.

Assim, ele não pode roubar, como nós não podemos, não pode estacionar em local proibido, sonegar imposto, ser corrupto. O que, infelizmente, acontece. A autoridade máxima (além de muitas outras autoridades) é um exemplo para o resto do povo. Se ela é corrupta sem sofrer consequências, por que nós, população, não podemos fazer igual?

Porém, há, para mim, um defeito que o Presidente da República não pode ter NUNCA (ademais da corrupção): falar mal. Claro que isso é algo que não penso apenas sobre o chefe máximo de uma nação, mas para qualquer líder. Um líder não pode falar mal, não pode ter dificuldade de se expressar. As palavras são a grande arma de um líder político, são seu grande trunfo. São seu modo de persuasão e, também, seu carisma. Em um debate, por exemplo, vence quem fala melhor. Nem sempre os argumentos são os melhores, mas como eles são expressados.

Por outro lado, o que um líder profere pode ser, também, seu grande veneno. Uma promessa não cumprida dá brecha para críticas infinitas e para a mudança de imagem de quem as falou e fez delas vazias.

A vida deveria vir com um aviso como nos filmes quando alguém é preso: tudo que você disser poderá ser usado contra você.

P.S.: Esse texto não fala sobre a atual Presidente, Dilma Rousseff, mas sobre qualquer um que possa vir a ser líder. Acontece que as eleições estão aí e achei bom exemplificado com o cargo de Presidente.

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