Estou querendo escrever sobre este filme que vi há algum tempo. Chama-se O Filho do Outro. Fui vê-lo na semana passada após muita insistência dos meus pais, que me disseram muitas vezes que o filme era maravilhoso e que valia a pena ir ao cinema para assistir. Já aviso que não entendo nada de cinema, mas acho que posso opinar bem sobre esse filme.

É um filme francês que conta a história de duas famílias que tiveram seus filhos trocados. Uma família é judia, mas não é ortodoxa, e israelense e a outra é palestina. Os dois meninos sofrem muitos com essa descoberta, por serem povos inimigos, assim como suas famílias.

Eu nunca tinha visto como era a região da Cisjordânia. O filme, mesmo que seja francês, é inteiro filmado em Israel e além do muro, além de ter as três línguas, hebraico, árabe e francês. As cenas de onde vive o povo palestino são chocantes. Tristes. Não é porque sou judia que sou incapaz de ver mais de um lado da questão. Ninguém merece viver em condições precárias como as que são mostradas no filme. Não tenho a menor ideia se toda Cisjordânia é como o filme, se é pior, se é melhor. Sei que não gostei do que foi mostrado em O Filho do Outro.

Houve momentos do filme em que eu me emociei muitos, um deles foi quando apareceu, nas partes da família palestina, uma pichação em um muro que dizia "Free Palestin". Venho pensando muito neste assunto desde que vi o filme. Inclusive, criei uma enorme vontade de ler um livro chamado O Filho do Hamas, que conta a história de um dos filhos deste grupo que é a principal força política dentro da Faixa de Gaza, uma outra região ocupada pelos palestinos.

Outra cena do filme que me marcou muito foi quando o menino que pensou que era judeu a vida todo, mas na verdade é palestino, vai conversar com o rabino com quem tem aulas. É normal judeus terem aulas de religião, e esse menino teve durante toda a vida. Era considerado pelo rabino um dos melhores alunos, muito dedicado e esforçado. De um momento para o outro, o menino não é mais considerado judeu. E a visão que o professor tem sobre o que é ser judeu me deixou um pouco nervossa, irritada, eu diria. Porque é exatamente a mesma visão de judaismo que algumas pessoas tem de mim: que eu não sou judia. Exatamente por isso tocou tanto. Minha mãe é convertida, ou seja, eu não nasci de um ventre judaico, o que faz com que eu não seja judia para alguns, dependendo da corrente judaica da pessoa. Eu me considero e pratico mais que alguns judeus "de verdade", como eles dizem. Então, me coloquei no lugar do menino, e é claro o quanto ele sofre e perde sua identidade quando o rabino diz que ele precisa cumprir algumas etapas da conversão ortodoxa para ser judeu.

Além disso, o menino que vivia na Cisjordânia, antes de saber quem eram seus verdadeiros pais, tinha muita dificuldade em atravessar a fronteira. Os guardar o olhavam feio não era nem um pouco gentis. Depois que descobriu sua real identidade, conseguiu um passe mais fácil, afinal, era judeu, e passou a ser tratado de um modo diferente. Não consigo entender essa generalização. Até parece que todo árabe quer o mal de todo israelense e virse-versa.

Aspectos como esses que eu citei só me dão mais vontade de ir à Israel e entender mais ainda como tudo funciona por lá. Quem sabe até tentar mudar alguma coisa futuramente. Só vivendo lá eu posso formar opiniões e dizer se concordo ou não com o que ocorre naquele Estado, e ainda mais, só indo morar lá para pensar em mudar algo. Estou certa de que posso crescer muito conhecendo um mundo completamente diferente do meu.

Acho que é um filme que vale muito a pena de ver, pois acaba com alguns preconceitos e, talvez, crie outros, o que pode não ser bom. Não acho que seja um filme imparcial, mas acho que é bem mais do que tudo aquilo a que temos acesso, quando o tema é o conflito árabe isralense. Quem puder ver, seja. Dá um visão bem diferente sobre muitos temas que valem bastante tempo de discussão.

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