Fevereiro sempre significou o começo do ano letivo, aquele fim de férias que mistura ansiedade e preguiça. Esse ano é tão diferente... Fevereiro, agora, é sinônimo de começar a fazer a mala, começar a me despedir das pessoas e acertar os últimos detalhes para o começo de uma nova vida.

Comecei a mala. Ainda não pus quase nada, além de um sobretudo, que com certeza eu não usarei aqui, ainda mais em fevereiro. Não consigo nem dizer o que eu estou sentido. Quase comecei a chorar quando peguei minhas roupas para guardar na mala, porque é uma sensação esquisita. Nunca passei mais de um mês longe de casa e, agora, tenho que preparar malas para passar um ano fora. Além disso, nunca fui muito boa em fazer mala. Sempre fui muito exagerada, o que é um problema, especialmente neste momento. A mala é o menor de meus problemas, na verdade. Minha cabeça está a mil por hora, não penso em mais nada. É um período de adaptação, de aceitação. Não é nada fácil aceitar sair de casa por um ano, acreditem se quiserem. Parece que é muito fácil, já que há momentos em que nós nos enchemos e queremos ficar sozinhos, sem nossos pais. Acontece que a partir do momento em que o "ficar sozinho" é um ano todo, fica um pouco mais complicado. Parece simples deixar a faculdade por um ano, mas dói ver seus amigos continuando sem você. Dá saudades mesmo antes de ir embora.

É estranho. Nesse mesmo período, no ano passado, eu ainda estava passando pela adaptação de ter entrado na faculdade, que não era a que eu queria exatamente, de ver outros passando na USP, que era onde eu queria estar. Hoje tudo é tão diferente. Hoje só fico muito feliz pelas pessoas que passaram, mas não me importo de não ser uma delas. São as escolhas que eu fiz. Se eu tivesse passado o ano de 2012 todo estudando para passar, e tivesse passado, eu não estaria indo embora. Ir embora é estranho, é doído, mas é o que eu quero. É o que eu sempre quis! É uma loucura, aos olhos de alguns, além de um risco. Mas vivemos de riscos! Pelo menos eu acho... Vivemos de adaptações e mudanças. Eu quero isso para mim, e eu vou. Em 24 dias eu me vou, junto com 14 outras pessoas maravilhosas que eu gosto muito.

São 24 dias até eu ir para o aeroporto me jogar no mundo, pelo menos é assim que eu vejo, afinal, conhecer o mundo não é, necessariamente conhecer o mundo inteiro, mas conhecer a si mesmo.

Fevereiro não será um mês fácil. Sair na rua e ver as pessoas saindo da escola, da faculdade, seguindo sua rotina, enquanto você não tem rotina, é uma delícia, mas faz a ansiedade crescer cada vez mais! Mas as despedidas são momentos difíceis, e terei que as encarar, afinal, faz parte da escolha que fiz: a de ir embora.

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