Há pouco mais de duas semanas de o Golpe Militar de 64 completar 50 anos, recebemos uma lembrancinha. Sabe quando saímos de uma festa de criança e recebemos algo bobinho para lembrar-nos do evento ou agradecer-nos por termos estado presentes:

O vídeo não diz tanto assim, muito menos a proposta da segunda Marcha da Família com deus pela Liberdade, se as tomarmos de forma literal. Um vídeo com gente falando besteira não é novidade nenhuma na internet, mas esse, em especial, me parece uma demonstração perfeita das consequências da Ditadura Militar brasileira.

Tenho feito muito a pergunta "o que ainda resta da ditadura hoje?", e a resposta está ai, neste vídeo feito pela TV Folha, nas falas de cada uma das pessoas entrevistadas. Violações aos direitos humanos, à liberdade de pensamento (aliás, essa tal marcha não prezava pela liberdade?). Claro que é questionável eu falar de cada um pensar o que quer e estar criticando as ideias deles, mas e no momento em que a nossa liberdade esbarra na liberdade do outro e o priva de dela?

Não é como se fosse um problema ter uma visão mais de direita ou mais de esquerda, mas quando alguém declara que, na época em que Jango estava no poder, a melhor opção era uma ditadura feita pelos militares, aí já vai para um ponto que existe nos dois lados: o extremismo (para não falar sobre andar armado desde os 13 anos, né). Sem contar os montes de besteiras que essas pessoas estão falando. COMO ASSIM AGORA ESTÁ ACONTECENDO A MESMA COISA EM 64?

Posso parecer injusta e intolerante ao falar sobre tudo isso, mas basta colocar o Ato Institucional 5 em pauta justificar a indignaçnao. Quantos pais e mães nunca mais viram seus filhos? Quantas mentiras, torturas, crimes não aconteceram em nome de "cuidar no Brasil" e não torná-lo um país subversivo? Era proibido falar o que se pensava, porque, se falasse, iria preso e, se com MUITA sorte saísse vivo da cadeia, não seria ileso.

A Marcha da Família com deus pela Liberdade é composta de gente que foi condizente com os que proibiram o método de alfabetização de Paulo Freire, além de todas as outras violações aos direitos humanos. Quer dizer, eles querem proteger as famílias! Mas só aquelas que não são compostas por esses comunistas imundos que comem criancinhas. Quem é comunista, não tem família. Ou, ainda pior, não tem deus! A falta de respeito e de tolerância com as opiniões alheias eram características do regime, mas GENTEE, se é para proteger nosso país, tá tudo bem, NÉ?!

Não costumo escrever deus dessa maneira, mas ao me referir àquele que estava presente na primeira marcha, em 19 de março de 64, falo de um ser no qual não acredito, o que não me leva a nenhum tipo de respeito.

Há 50 anos atrás, o evento reuniu 200 mil pessoas. Espero muito que a sua repetição seja um ato pífio, sem forças e sem representação. Porque se milhares de pessoas forem condizentes com a ditadura estamos muito mal, e tão ruim quanto se forem milhares de pessoas sem a menor ideia do que estão fazendo lá e do significado dessa marcha.

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