Neste sábado eu e Ramalho continuamos na Lituânia. Vocês já viram, pelo Museu do Genocídio, que a coisa foi bem pesada para eles na época da União Soviética. Então não foi por acaso que o País foi o primeiro a se separar do regime, em 1990. A coisa já complicava na língua: os caras falavam lituano. Os soviéticos queriam que eles falassem russo. Qualquer manifestação cultural tradicional (que incluia cantar em lituano) era violentamente reprimida, com a desculpa que era revolucionária.
Depois que tudo isso acabou, quando eles declararam independência, o natural seria querer esquecer. Mas eles não querem. Eles fazem questão de lembrar tudo o que passaram para evitar que a história se repita. E uma dos exemplos mais bizarros dessa lembrança é o Soviet Bunker. Fica nos arredores de Kaunas e o visitante paga pra viver a experiência do que era uma prisão em um bunker soviético. Lá nós fomos recebidos por cães policiais. Tiraram nossos relógios, carteiras, celulares. Os guardas só falam russo com todos os visitantes, nem aí se a gente entende ou não. E se não entender, leva tapa na orelha. A gente faz teste de máscara de gás, come a comida que os presos comiam e ainda passa por um monte de coisa que nunca na minha vida eu imaginaria que passaria. Lá em cima está minha foto com a máscara de gás. Eu ria porque não entendia bulhufas, mas já estava com medo de levar uns safanões. a minha via crucis por esse bunker vocês vão ver no sábado. Mas uma prévia do que eu e Ramalho passamos vocês entendem assistindo o vídeo oficial do Bunker Soviético:
No próximo programa eu e Ramalho vamos chegar na extinta Usina de Chernobyl, na Ucrânia. Eu já escrevi sobre isso no blog (você pode ler clicando aqui), porque enquanto eu estava lá a experiência me marcou muito.
O nosso passeio foi na cidade de Pripyat, porque – ainda hoje – nós não podemos chegar perto do reator. Mas depois da visita, o que mais me assustou foi a falta de informação e a ignorância das pessoas a respeito desse acidente.
Em 1986, isso foi uma tragédia tão grande para o mundo quanto o 11 de setembro (se a gente for fazer a conta do número de mortes, a tragédia foi bem maior).
Lembro das pessoas no norte da Europa vivendo de janela fechada. Todos meus amigos na Europa com muito medo. Então eu realmente não entendo como as pessoas não sabem, não tem qualquer informação sobre um evento tão importante na história recente do mundo.
Por isso eu vou deixar aqui uma ajudinha. Descobri um documentário na internet e vou deixar pra vocês.
São dez partes, mas vale muito ver. Quem não tem ideia do que foi Chernobyl, por favor, assista. Quem tem, lembre-se. Daí vocês vão entender o que eu e Ramalho sentimos quando visitamos a cidade de Pripyat.
Já que o Sandro Hojo anda fazendo uns cartoons para ilustrar essa Volta ao Mundo, minha equipe resolveu dificultar o trabalho dele e fazer um guia ilustrado do que vai acontecer no programa deste sábado. Sei não, mas acho que tentaram me sacanear. E o Ramalho também.
Para quem achava que a viagem andava fácil, no próximo episódio eu e Ramalho vamos mostrar que a coisa sempre pode piorar. Nossa primeira parada é Ecaterimburgo. Essa é a 4ª maior cidade da Rússia e Ecaterimburgo ficou famosa por ter sido a cidade onde os Romanov foram mortos, em 1918. Aliás, minha visita se concentrou em coisas que já bateram as botas ou dataram. Visitei um cemitério mantido e controlado pela máfia russa - e o negócio é bizarro. Também fui a um restaurante que recria a atmosfera da falecida União Soviética. RIP.
Depois de Ecaterimburgo nós embarcamos para Moscou e passamos mais uma enormidade de horas no trem. Mas ainda chegamos a tempo de treinar numa academia de Sambo - uma arte marcial desenvolvida pelos delicados agentes da KGB. E lá fui eu tomar porrada de russo, para deixar de ser besta.
É isso, sábado vocês vão ver que o que não nos mata, nos deixa mais roxo. Meia noite e meia, hein?
Neste sábado vocês vão acompanhar minha chegada à Sibéria, na cidade Irkustsk - capital da província com o mesmo nome. Irkustsk é a capital mais fria do mundo, o inverno dura seis meses e as temperaturas chegam a impressionantes -49°C. Eu e Ramalho não sofremos com esses tais de 49 graus negativos, mas garanto que a temperatura estava gelada o suficiente.
A maior atração do local é o Lago Baikal, o maior lago de água doce da Ásia e o maior em volume de água do mundo. O lago é citado como a "Galápagos" da Ásia, dado o volume de espécies endêmicas (naturais) do local. O Baikal é realmente lindo, a natureza é impressionante, mas nessa viagem eu descobri que não nasci para viver na beira de lago gelado. Nossos anfitriões nos convidaram para uma atividade típica da regiâo, que é tomar sauna. Pois bem, depois da sauna a gente tem que pular direto no lago gelado. Ou congelado. Ramalho amarelou - recusou o convite, fingiu que estava gripado, manco, com tosse, tonto, o diabo. Só sei que disse não. Sobrou pra quem? O apresentador que vos escreve.
Será que eu virei picolé? Vocês só vão saber se ligarem suas TVs no sábado à meia noite e meia, na Record.
Álvaro Garnero é um viajante nada acidental: por causa do trabalho e da família conheceu os quatro cantos do mundo. Até que em 2007 suas viagens viraram seu trabalho. Hoje ele é o apresentador do 50 por 1, que vai ao ar todo sábado, depois da meia noite na Rede Record. Viaje aqui com ele