Começou com meus pais em visita de final de semana, e Madonna. Meu texto de sexta sobre a não-tão-moça acabou saindo terça. Deu tempo de me perguntarem: quem é aquela outra lá no vídeo? É M.I.A., uma das figuras mais interessantes do século 21, e seu novíssimo vídeo está aqui:
M.I.A. - Bad Girls por perolasblogs no Videolog.tv.
Segunda à noite chorei de rir nos 20 anos do Garagem. Duas horas e meia de recuerdos e conversa mole, cercado de velhos amigos. No final me pediram para escolher uma única música, para entrar na edição final do programa. Eu escolhi uma que a gente tocou logo no começo do programa, lá em 1992, e continua uma pedrada.
Ministry - Jesus Built My Hotrod por perolasblogs no Videolog.tv.
Terça ia bem com um almoço com três executivos / empreendedores de Internet, uma conversa exploratória do tema que debateremos nesta sexta-feira, na Campus Party: a cultura do tudo grátis e o que isso significa pra gente, a gente normal e a gente que trabalha com jornalismo, cultura, internet e tal.
Minha semana capotou sangrentamente à tarde, com a morte de um velho amigo e a constatação de que nos falamos três vezes nos últimos cinco anos. Não consegui fazer a homenagem que ele merecia, nem tentei - é próximo e dolorido demais. Só consegui postar um bilhete de adeus no Facebook, e um vídeo da canção que Mauro Martinez dos Prazeres queria na sua despedida.
O assunto da semana foi a rebelião da polícia militar. Escrevi sobre isso duas vezes, primeiro para exigir a dissolução da PM, depois para apresentar a quem não conhecia o projeto de lei, hoje no Senado, que propõe a unificação das polícias de todo o Brasil. Lembrava de uma citação e não conseguia localizar, agora caiu a ficha:
Sobre a polícia
Talvez tenhamos inventado um novo tipo de homem quando nós (Eles) designaram alguns homens para policiar outros. Eles escolheram homens a quem seriam arrancados os véus da sociedade, grandes e pequenos. Alguns enlouquecerão. Outros se transformarão em brutos e obedientes funcionários de um Estado insensível. E alguns se tornarão incapazes de ver o mundo a não ser como um zoológico feio, injusto e sem esperança, cheio de animais que os destroçariam na primeira oportunidade - somente por eles serem os guardas do zoológico, somente por eles manterem a todos vivos e seguros.
Warren Ellis, Captain Swing
Mas também fui pegar os livros do meu filho, que chegaram bem atrasados, e levei ele pra fazer um teste e ver em que estágio vai entrar na escola de inglês, que ele começa agora. Assisti um pedaço de um velho Arquivo X, triste, triste. Conversei sobre gibis e política e internet e dei muita risada ao perceber que estava de gaiato na festa de aniversário de Clara Ant. Lidei com a reforma na parte elétrica aqui da casa. A tortura nunca acaba.
Trabalhei bastante - no novo site da Tambor, em um press release sobre o convidado de honra de nosso evento, GameWorld, e também no conteúdo da festa que vai ser boa; li algumas dezenas de emails, respondi uns; dei meus pitacos sobre detalhes finais da nossa rede social Bubot; li uns três artigos que prestaram; xinguei a pseudo-privatização dos aeroportos e liguei para o banco e procurei documentos e não encontrei; avancei umas trinta páginas em Reamde, de Neal Stephenson; e que tantas mais coisas que nem sei?
E ainda é quinta, meio dia e oito, e tenho uma reunião às duas, mas antes de é preciso almoçar, tomar banho e me despachar para o Morumbi, e o jantar à noite é depois das dez, e a Campus Party sexta à tarde requer uma mini-reflexão, e preciso fazer umas compras para a barca com casais amigos e seus filhos no final de semana, mas acaba de queimar o micro-ondas e vou precisar comprar outro urgente.
Meu amigo morreu e eu decidi não ir no velório nem no enterro. Eu estou vivo.
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