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Publicado em 27/01/2015 às 16:14

O filme mais louco e influente que ninguém viu

Nunca ninguém remotamente se pareceu com Alejandro Jodorowsky. Foi único, louco, poderoso. Como Duna, o clássico de ficção científica dos anos 60, precursor de debates ambientalistas e de Star Wars, que o maluco quase adaptou para o cinema com Salvador Dali, Orson Welles, Mick Jagger.

Filme que não foi, e influenciou muita e muitos, no cinema, nos quadrinhos, na vida. História incrível que rendeu um documentário, que finalmente vi, e agora te convenço a ver também!

Publicado em 26/01/2015 às 19:45

O que temos a aprender com a Grécia (e porque não teremos Syrizas no Brasil)

imagem O que temos a aprender com a Grécia (e porque não teremos Syrizas no Brasil)

A Grécia tem novo governo. É liderado por um partido recém-criado, o Syriza. Sua plataforma é simples: priorizar a qualidade de vida dos gregos e não os compromissos financeiros assumidos por governos anteriores.

O Syriza é chamado pela imprensa global de partido de "extrema esquerda".

Hoje qualquer mínimo desvio da ortodoxia pró-capital financeiro desregulamentado é tachado no ato de "extrema esquerda", ou pior, "irresponsabilidade". "Extrema esquerda" costumava significar coletivização dos meios de produção, abolição da propriedade privada e eventual extinção do próprio Estado. Nenhum sinal disso no discurso ou prática do Syriza.

Tanto que já começou fazendo aliança. Ganhou de lavada. Elegeu 149 deputados. O partido que estava no governo, a Nova Democracia, elegeu só 76. Mas o Syriza precisava de 151 deputados para ter a maioria e governar sem nenhum outro partido. Precisava fazer acordos e fez. Com outro partido recém-criado. Só que de... direita. Chama-se "Gregos Independentes".

Tem que ser muito nenê ou mal-intencionado para ainda dividir o mundo entre direita e esquerda. Como se o universo das atividades humanas fosse bi, e não tridimensional. Nossos problemas também são 3D. A solução que ouvimos é sempre mono - monotemática, monótona: enfie dinheiro público nos maiores bancos e empresas, pague suas dívidas em dia e tudo se resolverá.

Bem, não, claro. E na Grécia, espetacularmente claro. Tanto que a oposição a essa formulinha maligna uniu supostos opostos. Se você pegar os programas desses dois partidos há muito mais diferenças que semelhanças. Em uma única coisa eles são iguais. Ambos são contra as medidas de "austeridade" que jogaram um terço da população grega abaixo da linha de pobreza. Um terço. Pra baixo da linha de pobreza. Pode pra imaginar o que é isso?

A nova geração de brasileiros não pode. Nunca viu uma crise dessas. Ser pobre no Brasil é bem pior que na Grécia, com certeza. Mas nos últimos vinte anos o Brasil andou para frente. Muito mais devagar que precisamos, mas andou. Ruim, mas meno male. Vamos ver 2015, que começa cheio de más notícias.

Qual a razão da crise grega? O país deve mais de um trilhão de reais.  Por quê? Não interessa mais. Importa que os governantes dos últimos anos priorizaram o pagamento dessa dívida acima do bem estar da população. O "mercado" ficou feliz. Os supermercados gregos ficaram às moscas. Os salários caíram 38% desde 2009. As aposentadorias foram cortadas em 45%. O desemprego está em 26%. O PIB cai em um quarto. As empresas demitem e fecham.

Mais de 200 mil jovens gregos com formação universitária deixaram o país nesses últimos anos, em busca de empregos. Farão falta neste novo momento. Alguns nunca voltarão.

Problema dos gregos? Só se você for o pior cego. Pela primeira vez desde que se mede essas coisas, o 1% das pessoas mais ricas do mundo possuem mais de metade da riqueza do planeta. Exatamente 52%, dado estupidificante da Oxfam, ONG anti-pobreza que nada tem de radical. Divulgado em Davos, convescote do 1%.

Governantes são pragmáticos. Não têm ideologia, têm interesses. Que são os interesses de quem os botou e os mantém no poder. Existem governos que servem exclusivamente o 1%. E existem governos que servem prioritariamente o 1%, com a crença, ou desculpa, de que é a única maneira de melhorar a vida dos outros 99%. A História só foge desse roteiro em situações extremas.

É o caso da Grécia. O inimigo do inimigo é meu amigo, ditam as regras da política real. Moderados, Syriza e Gregos Independentes reconhecem um no outro o melhor aliado para combater o mal maior, que é a política recessiva imposta pela "troika". É o apelido do grupo que realmente manda no pedaço, formado por União Européia e Banco Central Europeu (controlados principalmente pela Alemanha) e mais o Banco Mundial (idem pelos EUA).

A vitória do Syriza só foi possível por causa da situação extrema em que vive a Grécia. Mudanças importantes só acontecem em momentos assim, quando as pessoas comuns perdem o chão; revoluções, só em caso de fome e guerra. O ser humano quer sossego e segurança, não marchar nas ruas ou arriscar em gente nova e idéias novas.

Como os números da Oxfam escancaram, cada vez menos gente controla mais riqueza e mais poder. O que faz dessa turma os eleitores que importam para os governantes do planeta.

O capitalismo tem se mostrado bem inteligente nos últimos séculos. Mas o capital globalizado do século 21 tem se provado burro. Uma graninha bem investida na Primavera Árabe, e Iraque e Síria, mais alguma pressão política, evitariam muito fundamentalismo e terror. Um "plano Marshall" para a América Central e os americanos não enfrentariam imigração ilegal. Mas como botar grana onde não se vê dividendos pingando no próximo trimestre? Aqui, bem, temos um novo governo velho, que a Troika aprovaria. Quem nos representou em Davos foi o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ortodoxo até. E nem foi preciso uma coalizão PT-PSDB para isso.

Veremos qual a reação dos mercados aos próximos passos do novo governo grego. Não esperemos o apocalipse nem milagres do novo governo. Não dá para torcer contra. Estive na Grécia em 2010, um pais dos sonhos, e um sonho pessoal realizado. Encantado, compartilhei os mandamentos da Grécia em um post, aqui.

Outro sonho: voltar para ver a Grécia de pé, não prostrada, e quanto antes melhor. Um pequeno sucesso do Syriza será uma grande vitória, porque Davi contra Golias. Desafiar gigantes têm poder. Onde estão agora os indignados da Espanha, o Occupý, e a garotada que ocupou as ruas brasileiras em 2013? Derrotados? Não - continuam inspirando.

A briga é boa e se ganha por pontos, não nocaute, o que jovens não entendem, felizmente. Os próximos anos no Brasil prometem, com a primeira crise econômica que a nova geração viverá. Marolinha, perto do maremoto grego, mas péssima novidade mesmo assim.

Teremos nossos Syrizas? Mesmo que o bicho pegue por aqui, a resposta é definitivamente não. Essa virada na política da Grécia foi possível porque eles têm uma democracia representativa. No Brasil, ainda não criamos uma democracia que nos represente. Uma reviravolta como essa, via eleitoral, não é possível aqui. Nosso desafio é acelerar a democratização do Brasil, ainda incompleta. Alargar seus horizontes. A pontapés, que é mais rápido.

É possível. No século 20, depois de séculos de ocupação pelos turcos, e enfrentando otomanos, nazistas, guerra civil e ditadura militar, os gregos deram um jeito de construir um sistema eleitoral imperfeito, mas decente. Parlamentarista, com financiamento transparente, povo alfabetizado e imprensa batendo duro.

Certo que eles têm tradição. Foi lá sob o sol de Apolo que a humanidade começou a criar a democracia. Uma chama frágil, que há 2400 anos muitos tentam apagar. É uma tocha preciosa para carregar. A Grécia nos deu - e passo para a sua mão.

 

Leia sobre o país mais bem governado do mundo.

E agora, saiba onde ele fica.

Finalmente, saiba como é o meu mundo perfeito, e porque os alemães não tem moral para amolar os gregos.

 

Publicado em 14/01/2015 às 19:11

Veja aqui a novíssima edição da Charlie Hebdo (e o que fazer agora: ofender)

charlie hebdo cover1 765x1024 Veja aqui a novíssima edição da Charlie Hebdo (e o que fazer agora: ofender)

Se você acredita que os problemas da liberdade se resolvem com menos liberdade, pare de ler esse texto agora. Você é o inimigo.

Se você acredita que os problemas da liberdade se resolvem com mais liberdade, tenho duas coisas para te dizer. A primeira é: não debata com o inimigo.

Quando você ataca, o inimigo revida com o veja bem, olha só, mas por outro lado. Aponta a luz na injustiça de lá para obscurecer a injustiça daqui. Questiona a importância da passeata pela presença de uns picaretas marchando. Confunde povo com pátria, fé com religião, voto com cheque em branco. Dá tanta razão porque isso e aquilo que a razão sai derrotada.

Quando você debate com o inimigo, você não está sendo democrático. Pelo contrário. Está qualificando um interlocutor que não merece o diálogo. Então: feche a boca. Deixe essa gente falando com as paredes, nas masmorras de sua própria ignorância. Diferente do que diz a capa da nova Charlie Hebdo, nada está perdoado.

A segunda coisa importante que eu tenho para te dizer é: se você se importa de verdade com a liberdade de expressão, gritar isso na internet é vergonhosamente pouco. Precisamos de mais. De brigar coletivamente, de não nos rendermos à falta de humor, de financiar as organizações que defendem a liberdade de expressão, como Anistia Internacional, Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch...

Precisamos, principalmente, ofender, e nos mantermos na ofensiva.

Mas nesse momento, jogar a Charlie Hebdo no ventilador é um bom começo.

Aqui está o PDF da nova edição, celebrando o triunfo da zoação sobre os fundamentalistas. Como eu previ no dia dia do atentado: o humor triunfou sobre o ódio.

Espalha aí..

https://aventadores.files.wordpress.com/2015/01/charlie-hebdo-1178.pdf

Publicado em 12/01/2015 às 14:33

Charlie e Chris: como combater a ignorância

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O atentado à Charlie Hebdo gerou um vendaval de burrice. Não permitamos que ele apague nossa faisquinha de civilização. É hora de lembrar e ler Christopher Hitchens.

Publicado em 07/01/2015 às 14:36

O humor é mais forte que o ódio

ch10121 O humor é mais forte que o ódio

Onze pessoas foram assassinadas pelo crime de... zoar. Em 7 de janeiro de 2015, não nas trevas medievais. Em Paris, berço das luzes, não num beco do Iêmen.

Obra de radicais isolados? Não. Sintoma de sociopatia de massa.  Horas antes na tevê Ian Bremmer fuzilava: "2014 viu a morte do Islã político e ascenção do Islã Radical". Sabe do que fala. É fundador do Eurasia Group, empresa de consultoria sobre geopolítica. O Eurasia é da pesada. Cravou bonitinho as idas e vindas da eleição no Brasil.

Na entrevista a Charlie Rose, da Bloomberg TV, Bremmer estava afiado como uma cimitarra. Vendia o peixe de uma publicação do Eurasia Group, Top Risks 2015, sobre os principais desafios da política internacional no novo ano. Rose disparava temas: Irã, China, Grécia, Estado Islâmico, Ucrânia. Respostas no ricochete: pá-pum, pá-pum. O exato contrário das análises políticas pátrias.

O problema segundo Brenner: de onde vieram esses assassinos virão muito mais. "Disenfranchised youth": jovens alienados, pobres, ignorantes, para quem o sonho de consumo ocidental é só um sonho. Crescendo sem horizonte em sociedades sem liberdade - ou até deflagradas. Garotos sem possibilidade de articular suas frustrações além de uma visão medieval da existência: nós versus eles, Alá contra o Grande Satã. O petróleo agora barato fará desses países mais pobres, celeiro de mais e mais gente sem noção, sem humor e sem nada a perder.

A única solução segundo Bremmer é de longuíssimo prazo: educação. Haja paciência. Enquanto isso nos resta explicitar exatamente qual o nosso desafio. E ter coragem de continuar zoando.

Quem criou o Oriente Médio? As grandes potências ocidentais, menos de um século atrás. Hoje o Iraque se desmancha, a Síria sangra, a primavera árabe esfria. Que fez a Europa para desarmar os ditadores amigos? Que fazem os Estados Unidos para pela democratização das monarquias do petróleo? Nada e nada. Agora a Europa se tortura com a entrada sem controle de refugiados, que polariza a política do continente da Sicília à Suécia. E os ianques se escondem no Bunker América, felizes de só terem que lidar com imigrantes latinos.

Para mudar as coisas onde nascem esses assassinos, há que mudar as coisas nos países ricos. Semana passada aconteceu uma manifestação anti-xenofobia na Alemanha. De boas intenções o inferno está cheio. Enfrentar a "muçulmanização" da sociedade alemã não é racismo. A Alemanha tem leis, a França tem leis, e elas incluem uma dose altíssima de liberdade de expressão, como não há em nenhum país de maioria islâmica.

Quer morar no país dos outros? Submeta-se à lei deles. As leis da França incluem, sim, o direito de zoar com Maomé. As do Brasil também (embora não permita que você tire sarro de alguém em uma biografia não-autorizada...). Você se sente seguro para republicar os cartuns que causaram a morte da equipe do Charlie Hebdo? Eu não. Sozinho, não. Eu não sou besta para tirar onda de herói, como dizia Raul Seixas. Se todo mundo no planeta publicar junto comigo, pode ser. Seremos mais do que eles; há segurança na multidão.

Esse é o duplo desafio da Liberdade. Ela só pode ser exercida individualmente, e ela só pode ser defendida coletivamente. Liberdade é a liberdade do outro ridicularizar o que eu julgo sagrado - e não existe outra.

Que loucura lembrar que o nome anterior da Charlie Hebdo era Harakiri. E que orgulho recordar que o próprio governo francês pediu em 2012 que os editores da Charlie não publicassem mais cartuns de Maomé, para evitar retaliação a cidadãos franceses em países islâmicos. A equipe da revista se recusou. Radicais jogaram bombas incendiárias e destruiram a redação. A revista saiu com outro cartum provocativo na capa, com um árabe dando um beijo de língua num cartunista e a chamada, "o amor é mais forte que o ódio."

Quero acreditar nisso. Mas quero acreditar mais ainda que o humor é mais forte que o ódio.

Na web: http://www.ianbremmer.com/ e www.charliehebdo.fr

Siga no Twitter: @ianbremmer e @Charlie_Hebdo_

Hebdo Harakiri

Publicado em 23/12/2014 às 00:05

E a música do ano é…

selfie mr E a música do ano é...

A música mais tocada no planeta Terra em 2014 foi "Happy". Diz muito sobre o ano que passou. O trecho mais esclarecedor  é “bata as palmas se você sente que a felicidade é a verdade”. Tem outra que diz mais.

Foi em 28 de janeiro que os Chainsmokers registraram o espírito de nossa época com "Selfie". Faz tanto tempo que, imagine só, "selfie" tinha acabado de ser eleita "a nova palavra de 2013". Tinha acabado de entrar no dicionário! Pré-história da civilização! Como podíamos viver antes de termos a incrível capacidade de tirarmos nossas próprias fotos e compartilhá-las nas redes sociais?

Os Chainsmokers são uma dupla de DJs de Nova York . Musicalmente, "Selfie" é mais uma dessas canções que parecem feitas por robôs e dominam as casas noturnas. Rótulo novo, EDM, Electronic Dance Music, para algo que está aí pelo menos desde o início dos 80, Yazoo, Depeche Mode etc.

A graça é a "letra". É uma moça no banheiro de uma boate conversando com a amiga. Fala do carinha que paquera, da mina que está dando bola para ele, fofoca, toma umas biritas, tricota, toma mais umas, e entre cada atividade diz: "mas antes deixa eu tirar uma selfie".

A graça dois é o vídeo, com duas gatas fazendo exatamente isso sob tiroteio de zilhões de selfies. Dos Chainsmokers. De uns famosos como Snoop Dogg. De uma multidão de desconhecidos fazendo-se de famosos.

Somando a esperteza da letra, a sacada do vídeo e a batida massacrante, temos... uma nova versão de "Valley Girl", de Frank Zappa. Igualmente perfeita como instantâneo de uma explosão de vacuidade. Com a diferença que décadas fazem.

As adolescentes do vale de San Fernando eram um subgrupo muito específico num cantinho afluente da Califórnia de Reagan. A filha de Zappa, Moon Unit, captou perfeitamente o vocabulário abilolado das burguesinhas que passavam o dia no shopping. A música doidona virou hit de FM em 1982, o primeiro e único da longa carreira de Frank.

"Selfie" não tem a loucura de Zappa nem a moleca Moon. Ganha fácil em tosqueira, volume, pertinência global. É o grito do planeta, norte, sul, pobre, rico, aqui e acolá. Me olha, me nota, me enxerga. Me vê posando, estou arrumada, andei malhando, aqui estou mandando beijinho, bombando. Me assiste porque mereço, me aplaude que sou uma estrela, reza no meu altar. Vê como estou feliz, because I´m happy!

Publicado em 22/12/2014 às 16:51

Meus dez textos mais lidos de 2014

Escrevi pouco esse ano. Muitas distrações e desafios geraram uma certa constipação mental. Agora estou desopilando, tentando uma abordagem diferente.

Tenho sido sempre positivo nas minhas indicações de artefatos culturais variados, filmes, livros, discos etc. Se usa muito e malíssimo a palavra "curadoria", mas é exatamente disso. No meu caso, fazendo força para diferenciar o bom do ótimo. E ignorando as modinhas, o lançamento do momento, a agenda dos assessores de imprensa, varejistas etc.

Essa abordagem me impossibilita de fazer uma dessas listinhas de dez melhores isso ou aquilo do ano. Beleza, o mundo não precisa de mais uma - a gente tropeça em listas nas redes sociais! Reparando nisso me ocorreu levantar quais meus dez textos deste ano tiveram mais leitores.
O texto sobre Laís Souza, tetraplegia e hipocrisia foi o mais popular da minha carreira - 838 mil leitores. O post sobre Neca Setúbal, o mais influente politicamente. Quase meio milhão de eleitores (exatamente 475.387) aprenderam quem era a conselheira política de Marina Silva lendo meu texto. Nas duas semanas seguintes todo mundo foi para cima de Marina citando a conexão com Neca, inclusive Dilma Roussef. Divertido.

O que têm em comum textos sobre o acidente de uma atleta olímpica, a conselheira de uma candidata a presidente, donos folgados de cachorro, um roqueiro arrependido, a mulher mais bonita do mundo, um filme oscarizado, uma campanha humanitária, o Bolsa Família e seus inimigos, e a repercussão midiática de mais uma morte no Rio?

Todos foram escritos com o fígado. Mesmo os mais palhaços. E é por isso que manterei em 2015 as recomendações e toda essa pegada positiva. Mas manterei também a raiva.

É minha marca e minha terapia. Minha melhor chance de me comunicar com as pessoas - em alta voltagem.

É o que eu sou.

41 1024x682 Meus dez textos mais lidos de 2014

 

 

 

Laís Souza

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/03/20/lais-souza-esta-tetraplegica-alguem-tem-que

 

Neca Setúbal e Marina Silva

838.033
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/20/antes-de-votar-em-marina-voce-precisa-conhe

 

Neymar fora da copa

475.387
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/07/05/neymar-merece-estar-fora-da-copa/

 

Lupita, a mulher mais linda do mundo

296.295
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/04/25/12-razoes-porque-lupita-foi-eleita-a-mulher

 

Rodolfo e os Raimundos

211.577
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/06/10/rodolfo-abra-mao-das-suas-musicas-ou-assuma

 

12 Anos de Escravidão

155.717
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/02/27/16-razoes-para-nao-assistir-12-anos-de-escr

 

Fernanda Torres e a falta de Buda

127.559
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/06/03/o-que-falta-a-fernanda-torres-oito-mil-assa

 

A febre do balde de gelo na cabeça

110.127
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/18/que-aparecer-jogue-um-balde-de-gelo-na-cabe

 

Os donos de cachorro, esses folgados

106.109
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/09/25/seu-cachorro-e-burro-e-voce-e-porco/

 

Em defesa do bolsa-família

88.842
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2013/06/04/quem-e-contra-o-bolsa-familia-ou-e-mal-inte 38.248

 

Publicado em 18/12/2014 às 16:42

E a música desse verão é…

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Uma viagem no tempo. Quando o balanço começou a ficar robotizado, quando o  black power tomou os sintetizadores dos roqueiros. Espontânea e planejadíssima, uma brisa fresca no suor de quem tá dançando sem parar.

Publicado em 16/12/2014 às 14:47

Discoteca Básica: conheça mil discos que você precisa ouvir

discotecacapa1 Discoteca Básica: conheça mil discos que você precisa ouvir
Conta falsa. Tem muito disco repetido nesse livro de listas, com os dez álbuns favoritos de cem pessoas, organizado pelo jornalista Zé Antônio Algodoal. Leitura delícia, surpresas diversas, presentão de amigo secreto. E você, leitor, leitora, quais são seus 10 discos favoritos?

Publicado em 08/12/2014 às 14:48

Ei, pedestre, sai da minha frente, quer morrer atropelado?

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Guiava eu para o trabalho quando o cretino apareceu do nada na minha frente. Saiu de trás de um carro, uma kombi, sei lá, não deu tempo de ver, e quase não deu tempo de brecar. O cara parou no meio da rua, me olhou muito feio, e acabou de atravessar no ritmo mais lento possível. Só faltou me xingar. Ainda bem que não. Perigava eu ter atropelado o infeliz.

Bem, não, que sou calminho. Mas vai ser folgado assim na Cochinchina. Atrás de mim vinham dois carros e um ônibus, todos obrigados a brecar de repente, um monte de gente em risco. Por quê? Porque um folgado se sente no direito de atravessar a rua na hora que quiser, no ritmo que quiser, e o mundo motorizado que se exploda.

Comentei com conhecidos. Vários viveram ou ouviram histórias parecidas. Um me contou que ouviu uns palavrões de uma moça, "velho broxa" etc. É o novo personagem das nossas cidades: o pedestre-dono-da-rua. Gente que se sente superior a quem está dentro de veículos. Nem olha para os lados antes de atravessar, haja faixa ou não. Os carros, motos, ônibus que estão vindo que freiem como puderem, se puderem. O trânsito que piore, os motoristas que se ferrem, os passageiros que se explodam.

Sou pedestre também. Ando mais nas cercanias da minha casa e do meu trabalho, como a maioria de nós. No meu bairro, supostamente moderninho e civilizado, Vila Madalena, é um perigo dirigir. Não tem tanta gente na rua, mas é enorme a concentração de pedestres (e ciclistas) que se julgam donos do espaço público.

As ruas em volta do R7 são em bairro popular e coalhadas de gente. Temos ali o terminal Barra Funda, de ônibus, metrô e trem; os fóruns trabalhista e criminal; faculdades; botecos, comércio popular; pedestre pra dedéu. E mil carros, ônibus, motos, tudo. Observação: a classe trabalhadora, veja só, olha antes de atravessar. Por quê?

Talvez porque essas mesmas pessoas sejam as que mais usem ônibus. Quando usam carro, são as que mais sofrem com trânsito, porque moram na periferia? Pode ser. Arrisco outra explicação.

Os americanos inventaram a teoria do excepcionalismo dos Estados Unidos. Segundo a doutrina, por natureza a América é completamente diferente dos outros países. Por isso, tem um conjunto de deveres e direitos muito diferente.

A elite brasileira é americanófila em muita coisa e também nisso. Tem plena consciência de que está acima da peãozada. Está de fato. O que vale pra rico não vale para pobre. É dificílimo punir as transgressões de nossos poderosos. Só que "a elite" não é um punhado de bilionários encastelados em fortalezas no Leblon ou na Vila Nova Conceição. Segundo o governo do Brasil, você tem renda acima de R$ 2480,00, já faz parte da "alta classe alta". A elite brasileira somos nós.

No topo da pirâmide está gente que nem caminha na rua, só em carrão blindado com motorista. Alguns agora estão ali citados na Operação Lava-Jato... fantasiemos planos diabólicos para eles. Mas na real, no dia-a-dia, me incomodam menos que essa turminha ongueira-culturets-descolex, que se acha muito cosmopolita mas é caipira até. Que está sempre falando do coletivo mas não desfoca do próprio umbigo. Vivem em São Paulo, esse monstrengo do terceiro mundo, como se estivessem em Amsterdam ou Portland.

Se você acha que atravessar a rua quando lhe dá na telha é um ato de rebelião, de afirmação de civilização, de resistência ao "apocalipse motorizado", cuidado. Um dia desses alguém lhe passa por cima, pateta.

Publicado em 27/11/2014 às 06:00

Leia O Inescrito

es Leia <i>O Inescrito</i>

Era uma vez uma marca de quadrinhos que davam vertigem. Foi devorada pelas beiradas. Agora revive seus tempos de glória, em uma série que celebra o poder das histórias.

Publicado em 26/11/2014 às 06:00

Quem quer fama, quer loucura

 

es Quem quer fama, quer loucura

Neil Strauss e amigas

De perto, todo artista desaponta. Mas alguns capricham no egocentrismo e birutice. E uma coleção de minutos assim dá um livro sensacional - o melhor do pior, por Neil Strauss.

Publicado em 25/11/2014 às 06:00

Planeje seu ano com as brasileiras lindas da minha infância

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Os maiores símbolos sexuais dos anos 70 tinham duas dimensões. Benício as colocou em cartazes de cinema e capas de pocket books. Agora elas voltaram. E uma vai me fazer feliz o ano todo, em 2015.

Publicado em 24/11/2014 às 06:00

Despeça-se de Jack Bruce

dsds Despeça se de Jack Bruce

Durante dois curtos anos, ele estava entre a nata do rock. Ou será que era outra coisa? Foi-se embora e nos convida a ouvir um álbum precioso e semiesquecido: Goodbye.

Publicado em 21/11/2014 às 07:25

Edite sua vida em The Newsroom

l Edite sua vida em <i>The Newsroom</i>

É americaníssima, para o bem e para o mal. É liberal de coração mole. E é um absurdo de bem escrita, editada, costurada, interpretada. A preferida dos jornalistas: The Newsroom.

Publicado em 19/11/2014 às 11:26

Interestelar: uma odisséia ao umbigo

okokok <i>Interestelar</i>: uma odisséia ao umbigo

Não há sequências ou personagens memoráveis nos 169 minutos de Interestelar. A alardeada premissa científica é lugar comum no cinema desde O Planeta dos Macacos, 1968. Só ouvimos duas notas, as únicas no repertório do diretor Christopher Nolan: solene e estridente.

O roteiro conecta coincidências. Não há emoção verdadeira. Os momentos eletrizantes são de matinê, "o computador quebrou, vou ter que dar a volta no buraco negro usando só o manual" etc.

O protagonista vai do piloto audaz ao frio engenheiro sem razão e na velocidade da luz. Ao alcançar seu grande objetivo, o abandona.

Já vimos esses efeitos especiais em filmes anteriores e melhores, como 2001. Em A Origem, do próprio Christopher Nolan. E em uma pá de seriados de divulgação científica, como a recente reinvenção de Cosmos.

O filme acaba quando começa Elysium. O futuro pertence a uns poucos ricaços sortudos, vivendo em condomínios espaciais de luxo. Faltou mostrar os bilhões de miseráveis chafurdando na Terra.

O colunista Georges Monbiot elogiou Interestelar como filme emocionante (não é) e criticou pela mensagem. O herói, logo no começo do filme, explicita: "nós nascemos para ser pioneiros, exploradores, não cuidadores... não estamos na Terra para morrer aqui, mas para deixá-la".

É propaganda da exploração espacial, preferencialmente privada, modinha do momento entre bilionários gringos. É postura indefensável em tempos de aquecimento planetário, pontua Monbiot. Como a unificação da economia e a globalização das culturas, o desafio climático impõe soluções consensadas e transnacionais, além do horizonte do empreendedorismo cowboy.

Interestelar viaja a outra galáxia  sem deixar a órbita do umbigo de Christopher Nolan. O diretor e co-roteirista se pretende intelectual, ideólogo, terapeuta, ambientalista. Quer fazer grande arte e vender pipoca. Quer demais.

Gravidade, outro pseudoépico espacial recente, era assumidamente sobre nada, fora embasbacar o espectador. Interestelar quer ser sobre tudo. E assim em tudo falha.

 

Publicado em 19/11/2014 às 07:00

Faça o que eu digo: investigue o mundo preto e branco de Eduardo Risso

 

risso2 Faça o que eu digo: investigue o mundo preto e branco de Eduardo Risso

 

Todo gibi nasce em preto e branco. Ninguém vivo contrasta os dois com a categoria, crueldade e sex-appeal de Eduardo Risso.

Publicado em 18/11/2014 às 07:00

Faça o que eu digo: ouça o disco que mais ouvi na vida

6a0148c6c126f4970c0162fe8ffe00970d 320wi Faça o que eu digo: ouça o disco que mais ouvi na vida

Todo mundo tem um disco favorito. É o disco que você mais ouviu na vida. Esse é o meu. Qual é o seu?

Publicado em 17/11/2014 às 07:00

Faça o que eu digo: embarque em Night Train, de Martin Amis

amis and hitchens 1 Faça o que eu digo: embarque em <i>Night Train</i>, de Martin Amis

Sou fã de livros secretos de autores conhecidos. Aqueles que nunca entram nas listas de leituras obrigatórias. Que são esquecidos depois de uns anos, obras "menores". Esse é um caso clássico. Grande autor, pequeno livro. Mas vai em velocidade de bala até um final irritantamente inconclusivo. E por isso mesmo, perfeito (e, sim, é Christopher Hitchens ao lado de Amis na foto acima, giovanottos, anos 70...).

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