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Publicado em 20/02/2015 às 18:36

Como morrer e como viver (com câncer terminal ou com saúde perfeita)

OliverSacks PhotobyAdamScourfield 1024x1009 Como morrer e como viver (com câncer terminal ou com saúde perfeita)

Médicos sabem mais sobre o que somos. Também sabem mais sobre o que não sabemos. Talvez por isso lidem com nossa frágil humanidade com mais graça que o resto de nós. Doutor nenhum conquista o diploma sem suturar vivos e dissecar mortos. Viu um paciente soltando o último suspiro, viu todos?

Médicos da mente vêem além das tripas e carne. Enxergam dentro do crânio, onde massa esponjosa e descargas elétricas nos fazem únicos, eternos, preciosos.

Meu pai é psiquiatra. Impressiona a naturalidade com que trata a morte. Certo que ele acredita em uma vida pós-túmulo, mas isso não é alívio para a maioria dos viventes. Dr. João fala da morte, e até da morte de pessoas próximas, com um à-vontade inconcebível entre civis. Sabe confortar quem sofre perdas. Costuma dizer que vive cercado de “defuntos queridos”, gente que amava e se foi.

Adoraria presenciar um papo entre ele e o colega Oliver Sacks, o neurologista mais famoso do mundo.

Sacks escreveu um artigo anunciando câncer terminal no fígado. Um ano para viver ou menos. Tristeza planeta afora. Professor e pesquisador respeitadíssimo, Sacks se fez escritor. Escreveu sobre epilepsia, fotofobia, doenças degenerativas, tudo de assustador, sempre com humor e delicadeza. Escreveu 13 livros no total. Virou autor best-seller. “Awakenings” ganhou uma adaptação lacrimosa com Robin Williams e Robert de Niro, “Tempo de Despertar”. Sacks papou tudo que é honraria em literatura e medicina. Ficou famoso em nível global. Mais, galáctico. Um planetinha distante foi batizado em sua homenagem em 2003.

Seu artigo de adeus é bonito. Oliver escreve sobre a própria morte sem focar no umbigo. Fala de si mas fala de nós. Seu tema é o único que importa: como morrer? Porque é a resposta à única pergunta: como viver?

Sacks não nega temer final, mas diz que o sentimento dominante é a gratidão. Cita o filósofo David Hume com admiração. Gostaria de ter a abordagem tranquila do filósofo, sua contenção diante da morte, a moderação frente às paixões. Não tem. Mas assina embaixo quando Hume escreve: “É difícil estar mais distante da vida do que estou nesse momento.”

“Neste últimos dias”, conta Oliver Sacks, “tenho sido capaz de ver minha vida como se de uma grande altitude, uma espécie de paisagem, e com um sentido aprofundado da conexão de todas suas partes. Isso não significa que dei adeus à vida. Pelo contrário, me sinto intensamente vivo, e quero e espero que no meu tempo restante possa aprofundar meus relacionamentos, dizer adeus aos que amo, escrever mais, compreender mais.”

Sacks se despedirá da Terra vivendo como sempre viveu – mas Mais, com M maiúsculo. Para isso limpará sua rotina de pequenas distrações. Não assiste mais o noticiário, por exemplo. Não porque não se importe com injustiça ou desigualdade. É que esses são problemas que enfrentarão os que ficam, os jovens. “O futuro está em boas mãos”, nos assegura.

tombeau montaigne 1 1024x731 Como morrer e como viver (com câncer terminal ou com saúde perfeita)

Teremos a chance de decidir como partiremos? Terei eu? Michel de Montaigne, em um de seus ensaios mais inspiradores, aconselha, e traduzo porcamente: “se você não sabe como morrer, não se preocupe. A Natureza te dirá em detalhes e adequadamente o que fazer, quando chegar o momento. Fará o serviço perfeitamente por você. Não esquente a cabeça com isso.”

Montaigne enterrou o pai, o melhor amigo e quatro filhos pequenos. Chegou perto ele mesmo, quando bateu a cabeça caindo do cavalo. Perdeu a memória, que voltou aos borbotões. Depois de tudo isso, se fez o estóico que ainda hoje nos ensina a viver. Como? “Com leveza, na superfície, deslizando”.

Montaigne e Hume nos convidam a viver com a consciência permanente de nossa transitoriedade. E por isso, de maneira mais plena.

Como viverei? Pronto para morrer hoje e com a certeza que viverei para sempre. O sentido da vida é ela própria. Como Sacks, aspiro à sabedoria cuca-fresca dos antigos, mas carrego o sangue quente do Mediterrâneo. E tenho a convicção de que a vida é essa e finita la commedia.

Viverei sorvendo a vida até o último gole. Há que se viver mais e Mais, aqui e agora. Meu pai diz que só quer duas palavras em sua lápide: “Sob Protesto”. Boas palavras de despedida, e podem me pôr na mesma cova – no dia de São Nunca.

 Leia o artigo de Oliver Sacks

E um textinho sobre porque considero Montaigne o nome fundador do jornalismo cultural... com outra participação especial do Forasta pai.

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/03/23/vamos-conversar-sobre-jornalismo-cultural/

Publicado em 06/02/2015 às 12:47

Prefiro enfiar arame farpado no ouvido que ouvir um CD do Bob Marley (ou: porque curtir reggae é unanimidade entre pessoas desentendidas)


es Prefiro enfiar arame farpado no ouvido que ouvir um CD do Bob Marley (ou: porque curtir reggae é unanimidade entre pessoas desentendidas)

Entre os muitos efeitos nefastos da publicidade, incluo a popularidade de reggae no Brasil. No primeiro anúncio daquela famosa série de esportes radicais que nos levariam ``ao sucesso", Peter Tosh cantava ``The Love I Need". Pronto: reggae ficou eternamente associado com surfe, sol, garotas de biquíni.

O que pouco fã de reggae deste país sabe é que só no Brasil o reggae é a trilha sonora oficial do surf. Fora daqui não tem a menor relação: som de surf é rock australiano e boa.

Pouco depois, Gilberto Gil cantou ``No woman no cry" e uns baianos decidiram que seu estado era parte da Jamaica (o que talvez seja mesmo: já disse alguém que de São Paulo para cima o Brasil é Caribe, de São Paulo para baixo é Mercosul).

Pule alguns anos e venha para São Paulo, onde um cara chamado Otávio Rodrigues começou uma noite jamaicana chamada AeroReggae. A noite paulistana (e pelo que sei a carioca também) ficou infestada de reggae, por uma ótima razão: as garotas, que não frequentavam muito show, frequentavam as noites de reggae. E onde mulher vai, homem vai atrás.

Aí a Folha faz uma pesquisa e os jovens de São Paulo elegem, por unanimidade, o reggae como seu ritmo preferido. Se você é um deles pare de ler imediatamente ou prepare-se para ficar bem irritado.

Acho reggae uma bobagem. Não posso nem ver esses reggaemen falando de Jah e chorando as pitangas pela repressão do homem branco em cima deles.
Para começar, o negócio todo é filosoficamente equivocado. Criado para ser música de resistência contra "o sistema", soa como uma choradeira de quem não tem proteína e nem calorias para resistir nem a uma brisa. Não foi à toa que todos os superstars do reggae assinaram rapidinho com as gravadoras da "Babilônia". E não é à toa que reggae virou um pastichão que só serve para atrair turista para a Jamaica.

Mas pelo menos o reggae teve alguma serventia - encher cofres dos hotéis da Jamaica e bolsos dos traficantes locais. Porque, como filosofia, o reggae não servia para nada. Esse papo de rastafari é uma estupidez. Os caras pregavam que um ditador africano podre, o Hailé Selassié, era Deus na terra. Veja bem, não era filho ou o representante de Deus, era o próprio mesmo.

E as meninas que gostam de reggae talvez gostem de saber que o papel da mulher em ambientes rastafari está só um pouco acima do papel do cachorro.
Possivelmente as novas gerações da Jamaica concordem comigo, porque caras como Shabba Ranks não querem nem saber dessa papagaiada de rastafari. O negócio deles é fazer um som bem acessível, que é para americano comprar.

Em vez de combater o sistema, eles querem é grana e sossego. Carro bacana, mulher bonita e (possivelmente) uma automática no bolso. Como a maioria de nós, aliás.

Já tem até uma Madonna jamaicana, a Patra, uma negra bonita, gostosa e com os peitos enormes, que faz clips bem rebolativos e pelados.

Eu até que engolia mais todo o besteirol conceitual que cerca o reggae se o som não fosse tão chato. Para mim, atravessar um CD do Bob Marley equivale a enfiar arame farpado no canal auricular.

Por isso tudo é que eu fico extremamente surpreso de ouvir alguma coisa que pareça com reggae e gostar. Ano passado, por exemplo, ouvi Apache Indian e gostei. Gosto dessas bandas de reggae brasileiras, que não são só reggae, tipo Skank e Nomad. Claro, adoro ska, mas é por associação com a new wave.

E esse ano, até agora, gostei desse ``Hotstepper" do Ini Kamoze. Mas essa não é muito reggae, é mais rap. Mas isso não justifica, porque rap também é duro de aturar...

Enfim. Detesto reggae. Um amigo me diz que reggae foi inventado para ouvir na praia fumando maconha. Ah, bom isso explica a unanimidade do reggae entre os desentendidos.

O problema é que moro em São Paulo e fumo (advinha) o cigarro que lançou o reggae para o Brasil. Fazer o quê?

(Esse meu texto tem quase vinte anos, é de 1995. Lembrei dele, e resolvi republicar, em "homenagem" aos 70 anos de Bob Marley...)

Publicado em 04/02/2015 às 15:31

Drogas dominam o esporte faz tempo. É hora de liberar o doping

ok Drogas dominam o esporte faz tempo. É hora de liberar o doping

Atletas usam drogas. Superatletas usam superdrogas. Ilegais, legais, e mais ou menos. Durante a vida toda. É bomba pra ficar forte, aditivos diversos comprados com receita, e bola para aguentar as lesões e dores. Depois de aposentados, mal param em pé.

O caso de doping de Anderson Silva é o bilionésimo. Ele nega. Veremos. Chama atenção porque ele é ídolo de muitos, foi vendido como bom moço, virou garoto-propaganda eficiente de marcas diversas, e de luta-livre, ou como quer que você chame MMA e UFC. O caso mais incrível dos últimos anos foi o de Lance Armstrong, o superciclista americano, que venceu o câncer, e viu sua moral rolar escada abaixo pelo uso de drogas.

Todo mundo já acompanhou o jogador que era um franguinho e, contratado por um time grande, em dois anos está coberto de músculos. As tenistas de hoje são mais machas que eu, braços de lenhador. Usam drogas para isso. Tá mais na cara que nariz. Todo mundo do meio sabe. Treinadores dão a benção. A família olha para o lado. A imprensa deixa para lá, porque tira o lustro do esporte, sempre vendido como grande maravilha.

Tomar drogas e remédios a rodo é o caminho mais curto para ser um superatleta, ou tentar. Vale? Se você conquista o ouro, o dinheiro é ótimo. Cada vez mais grana. Qualquer zé que chega à seleção brasileira por uma única Copa fatura mais do que um Rivelino na carreira toda.

Do pódio para baixo as recompensas são bem menores. Às vezes nenhuma. Fazendo essa conta não compensa detonar sua saúde tomando tanta porcaria. Mas ninguém sabe até onde vai chegar antes de tentar, certo? E a maioria de quem se dedica a esses esportes que exigem tanto do corpo é gente pobre ou remediada. No caso de MMA, e aliás futebol também, é 99% moleque durango.

Exigimos muito dos atletas. E cada vez mais, mais, mais. "Superar os limites" é o maior chavão de narrativas esportivas. Eles têm que ser cada vez mais rápidos, mais fortes, mais resistentes. Ir além do humano.

O público exige que eles sejam super-humanos. E depois vamos culpá-los por fazer de tudo, dentro e fora da lei, para chegar lá? Quem não usa doping já entra na briga em desvantagem. E quem usa e não é pego ganha nosso aplauso e rios de dinheiro. Como Anderson Silva fez até agora, pelo jeito. E como tantos outros que você vai assistir em campo, nas quadras, no ringue. Uma parte enorme dos seus ídolos, meu amigo, é um bando de drogados. Talvez a maior parte.

Poderíamos parar de transformar meros esportistas em heróis, milionários, modelos de conduta para os jovens. Impossível, porque esporte é um negócio bilionário e global.

A outra opção é liberar totalmente o uso de doping. Qualquer outra alternativa é hipocrisia. É a coisa certa a fazer.

Publicado em 03/02/2015 às 10:36

Pare de economizar água. Pare de chatear os outros. Vá tomar banho! E pode ficar meia hora no chuveiro (como eu)

kok Pare de economizar água. Pare de chatear os outros. Vá tomar banho! E pode ficar meia hora no chuveiro (como eu)

Continuo tomando banhos longos. Sem dor nenhuma na consciência. E molhando o quintal, regando o jardim, lavando o carro como sempre. Sou egoísta? Não, sou consciente, e sai pra lá, maleta.

Só tem uma coisa mais chata que falta de água. É a falta de noção dos chatos que fiscalizam como os outros estão usando a água. Nessas horas de crise sempre vem à tona o ditadorzinho que existe dentro das pessoas. É o clássico problemas dos regimes autoritários. O pior não é o ditador que manda no país, é o guardinha da esquina que quer mandar em você.

Milhões de anos de seleção natural criaram esse nosso ego monstruoso. Seu cérebro te garante que o universo gira em torno do seu umbigo. Que cada pequeno ato seu tem reverberações cósmicas. Que depende fundamentalmente de você tudo que te acontece, que acontece no mundo, no seu mundo. É uma armadilha que a evolução armou para a gente.

A mídia pega a onda. Agora é uma reportagem atrás da outra sobre como economizar água. Estrelando os malas que enchem a paciência do próximo. Sim, inclusive malas amigos. Você mesmo, mano. Você aí, querida. Tenho só uma coisa a dizer para você: vai tomar banho! E pode ficar uma hora no chuveiro. Não fará diferença nenhuma para a cidade, a sociedade, a humanidade. Só pra sua conta.

Egocentrismo é nossa natureza. Você não precisa se render a ela. Existem os seus problemas pessoais. E existem desafios coletivos. Que precisam ser enfrentados coletivamente. Perceba: isso é muito diferente de cada pessoa “fazer sua parte”. Soluções coletivas não são compostas de um monte de iniciativas individuais. É, como grupo, como sociedade, compreendermos a raiz do problema, articularmos como sociedade as soluções, e enfrentar os desafios de implementá-las.

Não percamos tempo listando aqui as barbaridades e bandalheiras várias que nos levaram a esta situação. O ponto principal é: sabemos o que fazer para garantir água farta e barata, talvez grátis, para todos.

Sabemos quais obras precisam ser feitas. Sabemos que precisamos despoluir os rios. Sabemos que é preciso acabar com o desperdício na distribuição (um terço da nossa água se perde aí).Sabemos que precisamos de saneamento básico universal. Sabemos que precisamos de uma economia que não exporte nossa água como commodity, na forma de soja e bife. Sabemos que precisamos parar de derrubar floresta e reflorestar a Amazônia. Sabemos de tudo.

Então por que não fazemos o que sabemos ser fundamental? Porque “sabemos” que não há dinheiro para isso. Quem diz? Os  caras que a gente botou lá para gerir o dinheiro dos nossos impostos. E um monte de sub-experts e jornalistas matraca-trica que macaqueiam esse discurso.

Os cofres públicos estão recheados. Municípios, estados e governo federal usam nossos recursos de maneira errada. Errada de três maneiras diferentes. Errada porque uma boa parte da grana é roubada. Errada porque outra boa parte é gasta com coisas que não são prioritárias, mas garantam visibilidade e reeleição.

E errada da maneira mais sem cabimento e menos visível para você. Que é pagando os juros mais altos do planeta. Sim: entre todos os países da Terra, o Brasil tem os juros mais altos. Todo empresário está comprando títulos públicos, em vez de investir na produção. Tudo que é investidor gringo está faturando altíssimo nessa.

Municípios, estados e governo federal estão sufocados com o pagamento dessa dívida, cada vez mais impagável. Para os investidores, é o melhor investimento do mundo. Para os brasileiros, é o pior investimento possível dos nossos impostos. Dilma acaba de subir os juros mais ainda. A Selic hoje está em 13%.

Chamam isso de responsabilidade fiscal. É uma irresponsabilidade social. Em 2014 o Brasil pagou R$ 249 bilhões de reais em juros da dívida. Esse ano pagará mais. Precisa pagar menos. Preferencialmente nada. Que pagasse um terço a menos. Seriam mais R$ 66 bilhões para investir, um oceano de grana. Sabe como se faz isso? Com uma canetada lá em Brasília. Agora, como forçamos dona Dilma a dar essa canetada? Coletivamente.

Para fazer tudo aquilo que sabemos que tem que ser feito, há que enfrentar a roubalheira dos políticos. Há que melhorar a gestão dos recursos públicos. Mas nossa pressa é grande. A solução mais rápida é pagar menos juros e já. Isso nada tem de radical. É uma proposta modesta para uma questão bem arroz com feijão. Se você, na sua casa, tiver que optar entre ter água na torneira ou pagar as dívidas, vai escolher o quê? Morrer de sede com o carnê em dia?

Os brasileiros precisam tomar esta decisão. Isso é que é "fazer a sua parte". Pense nisso quando entrar hoje no chuveiro. Sem pressa...

Publicado em 30/01/2015 às 16:55

Vamos comemorar o dia da HQ Nacional com novos gibis brasileiros que parecem gringos

meedevil2 Vamos comemorar o dia da HQ Nacional com novos gibis brasileiros que parecem gringos

Muita coisa nova e boa pintando. Fiz a rapa na Comic Con. Conheci um monte de HQ made in Brasil bacanésima. Conversei com vários criadores.

Como se publica coisa diferente nos dias de hoje! E grande surpresa: muito brasileiro criando como se estivesse em qualquer parte do mundo. Sem pretensão de "entrar no mercado" internacional, mas também sem amarras nem qualquer perfume nacionalista.

Sou grande fã de arte brasileira que fale do Brasil. Mas desta vez selecionei HQ brazuca made in the world.

Publicado em 27/01/2015 às 16:14

O filme mais louco e influente que ninguém viu

Nunca ninguém remotamente se pareceu com Alejandro Jodorowsky. Foi único, louco, poderoso. Como Duna, o clássico de ficção científica dos anos 60, precursor de debates ambientalistas e de Star Wars, que o maluco quase adaptou para o cinema com Salvador Dali, Orson Welles, Mick Jagger.

Filme que não foi, e influenciou muita e muitos, no cinema, nos quadrinhos, na vida. História incrível que rendeu um documentário, que finalmente vi, e agora te convenço a ver também!

Publicado em 26/01/2015 às 19:45

O que temos a aprender com a Grécia (e porque não teremos Syrizas no Brasil)

imagem O que temos a aprender com a Grécia (e porque não teremos Syrizas no Brasil)

A Grécia tem novo governo. É liderado por um partido recém-criado, o Syriza. Sua plataforma é simples: priorizar a qualidade de vida dos gregos e não os compromissos financeiros assumidos por governos anteriores.

O Syriza é chamado pela imprensa global de partido de "extrema esquerda".

Hoje qualquer mínimo desvio da ortodoxia pró-capital financeiro desregulamentado é tachado no ato de "extrema esquerda", ou pior, "irresponsabilidade". "Extrema esquerda" costumava significar coletivização dos meios de produção, abolição da propriedade privada e eventual extinção do próprio Estado. Nenhum sinal disso no discurso ou prática do Syriza.

Tanto que já começou fazendo aliança. Ganhou de lavada. Elegeu 149 deputados. O partido que estava no governo, a Nova Democracia, elegeu só 76. Mas o Syriza precisava de 151 deputados para ter a maioria e governar sem nenhum outro partido. Precisava fazer acordos e fez. Com outro partido recém-criado. Só que de... direita. Chama-se "Gregos Independentes".

Tem que ser muito nenê ou mal-intencionado para ainda dividir o mundo entre direita e esquerda. Como se o universo das atividades humanas fosse bi, e não tridimensional. Nossos problemas também são 3D. A solução que ouvimos é sempre mono - monotemática, monótona: enfie dinheiro público nos maiores bancos e empresas, pague suas dívidas em dia e tudo se resolverá.

Bem, não, claro. E na Grécia, espetacularmente claro. Tanto que a oposição a essa formulinha maligna uniu supostos opostos. Se você pegar os programas desses dois partidos há muito mais diferenças que semelhanças. Em uma única coisa eles são iguais. Ambos são contra as medidas de "austeridade" que jogaram um terço da população grega abaixo da linha de pobreza. Um terço. Pra baixo da linha de pobreza. Pode pra imaginar o que é isso?

A nova geração de brasileiros não pode. Nunca viu uma crise dessas. Ser pobre no Brasil é bem pior que na Grécia, com certeza. Mas nos últimos vinte anos o Brasil andou para frente. Muito mais devagar que precisamos, mas andou. Ruim, mas meno male. Vamos ver 2015, que começa cheio de más notícias.

Qual a razão da crise grega? O país deve mais de um trilhão de reais.  Por quê? Não interessa mais. Importa que os governantes dos últimos anos priorizaram o pagamento dessa dívida acima do bem estar da população. O "mercado" ficou feliz. Os supermercados gregos ficaram às moscas. Os salários caíram 38% desde 2009. As aposentadorias foram cortadas em 45%. O desemprego está em 26%. O PIB cai em um quarto. As empresas demitem e fecham.

Mais de 200 mil jovens gregos com formação universitária deixaram o país nesses últimos anos, em busca de empregos. Farão falta neste novo momento. Alguns nunca voltarão.

Problema dos gregos? Só se você for o pior cego. Pela primeira vez desde que se mede essas coisas, o 1% das pessoas mais ricas do mundo possuem mais de metade da riqueza do planeta. Exatamente 52%, dado estupidificante da Oxfam, ONG anti-pobreza que nada tem de radical. Divulgado em Davos, convescote do 1%.

Governantes são pragmáticos. Não têm ideologia, têm interesses. Que são os interesses de quem os botou e os mantém no poder. Existem governos que servem exclusivamente o 1%. E existem governos que servem prioritariamente o 1%, com a crença, ou desculpa, de que é a única maneira de melhorar a vida dos outros 99%. A História só foge desse roteiro em situações extremas.

É o caso da Grécia. O inimigo do inimigo é meu amigo, ditam as regras da política real. Moderados, Syriza e Gregos Independentes reconhecem um no outro o melhor aliado para combater o mal maior, que é a política recessiva imposta pela "troika". É o apelido do grupo que realmente manda no pedaço, formado por União Européia e Banco Central Europeu (controlados principalmente pela Alemanha) e mais o Banco Mundial (idem pelos EUA).

A vitória do Syriza só foi possível por causa da situação extrema em que vive a Grécia. Mudanças importantes só acontecem em momentos assim, quando as pessoas comuns perdem o chão; revoluções, só em caso de fome e guerra. O ser humano quer sossego e segurança, não marchar nas ruas ou arriscar em gente nova e idéias novas.

Como os números da Oxfam escancaram, cada vez menos gente controla mais riqueza e mais poder. O que faz dessa turma os eleitores que importam para os governantes do planeta.

O capitalismo tem se mostrado bem inteligente nos últimos séculos. Mas o capital globalizado do século 21 tem se provado burro. Uma graninha bem investida na Primavera Árabe, e Iraque e Síria, mais alguma pressão política, evitariam muito fundamentalismo e terror. Um "plano Marshall" para a América Central e os americanos não enfrentariam imigração ilegal. Mas como botar grana onde não se vê dividendos pingando no próximo trimestre? Aqui, bem, temos um novo governo velho, que a Troika aprovaria. Quem nos representou em Davos foi o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ortodoxo até. E nem foi preciso uma coalizão PT-PSDB para isso.

Veremos qual a reação dos mercados aos próximos passos do novo governo grego. Não esperemos o apocalipse nem milagres do novo governo. Não dá para torcer contra. Estive na Grécia em 2010, um pais dos sonhos, e um sonho pessoal realizado. Encantado, compartilhei os mandamentos da Grécia em um post, aqui.

Outro sonho: voltar para ver a Grécia de pé, não prostrada, e quanto antes melhor. Um pequeno sucesso do Syriza será uma grande vitória, porque Davi contra Golias. Desafiar gigantes têm poder. Onde estão agora os indignados da Espanha, o Occupý, e a garotada que ocupou as ruas brasileiras em 2013? Derrotados? Não - continuam inspirando.

A briga é boa e se ganha por pontos, não nocaute, o que jovens não entendem, felizmente. Os próximos anos no Brasil prometem, com a primeira crise econômica que a nova geração viverá. Marolinha, perto do maremoto grego, mas péssima novidade mesmo assim.

Teremos nossos Syrizas? Mesmo que o bicho pegue por aqui, a resposta é definitivamente não. Essa virada na política da Grécia foi possível porque eles têm uma democracia representativa. No Brasil, ainda não criamos uma democracia que nos represente. Uma reviravolta como essa, via eleitoral, não é possível aqui. Nosso desafio é acelerar a democratização do Brasil, ainda incompleta. Alargar seus horizontes. A pontapés, que é mais rápido.

É possível. No século 20, depois de séculos de ocupação pelos turcos, e enfrentando otomanos, nazistas, guerra civil e ditadura militar, os gregos deram um jeito de construir um sistema eleitoral imperfeito, mas decente. Parlamentarista, com financiamento transparente, povo alfabetizado e imprensa batendo duro.

Certo que eles têm tradição. Foi lá sob o sol de Apolo que a humanidade começou a criar a democracia. Uma chama frágil, que há 2400 anos muitos tentam apagar. É uma tocha preciosa para carregar. A Grécia nos deu - e passo para a sua mão.

 

Leia sobre o país mais bem governado do mundo.

E agora, saiba onde ele fica.

Finalmente, saiba como é o meu mundo perfeito, e porque os alemães não tem moral para amolar os gregos.

 

Publicado em 14/01/2015 às 19:11

Veja aqui a novíssima edição da Charlie Hebdo (e o que fazer agora: ofender)

charlie hebdo cover1 765x1024 Veja aqui a novíssima edição da Charlie Hebdo (e o que fazer agora: ofender)

Se você acredita que os problemas da liberdade se resolvem com menos liberdade, pare de ler esse texto agora. Você é o inimigo.

Se você acredita que os problemas da liberdade se resolvem com mais liberdade, tenho duas coisas para te dizer. A primeira é: não debata com o inimigo.

Quando você ataca, o inimigo revida com o veja bem, olha só, mas por outro lado. Aponta a luz na injustiça de lá para obscurecer a injustiça daqui. Questiona a importância da passeata pela presença de uns picaretas marchando. Confunde povo com pátria, fé com religião, voto com cheque em branco. Dá tanta razão porque isso e aquilo que a razão sai derrotada.

Quando você debate com o inimigo, você não está sendo democrático. Pelo contrário. Está qualificando um interlocutor que não merece o diálogo. Então: feche a boca. Deixe essa gente falando com as paredes, nas masmorras de sua própria ignorância. Diferente do que diz a capa da nova Charlie Hebdo, nada está perdoado.

A segunda coisa importante que eu tenho para te dizer é: se você se importa de verdade com a liberdade de expressão, gritar isso na internet é vergonhosamente pouco. Precisamos de mais. De brigar coletivamente, de não nos rendermos à falta de humor, de financiar as organizações que defendem a liberdade de expressão, como Anistia Internacional, Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch...

Precisamos, principalmente, ofender, e nos mantermos na ofensiva.

Mas nesse momento, jogar a Charlie Hebdo no ventilador é um bom começo.

Aqui está o PDF da nova edição, celebrando o triunfo da zoação sobre os fundamentalistas. Como eu previ no dia dia do atentado: o humor triunfou sobre o ódio.

Espalha aí..

https://aventadores.files.wordpress.com/2015/01/charlie-hebdo-1178.pdf

Publicado em 12/01/2015 às 14:33

Charlie e Chris: como combater a ignorância

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O atentado à Charlie Hebdo gerou um vendaval de burrice. Não permitamos que ele apague nossa faisquinha de civilização. É hora de lembrar e ler Christopher Hitchens.

Publicado em 07/01/2015 às 14:36

O humor é mais forte que o ódio

ch10121 O humor é mais forte que o ódio

Onze pessoas foram assassinadas pelo crime de... zoar. Em 7 de janeiro de 2015, não nas trevas medievais. Em Paris, berço das luzes, não num beco do Iêmen.

Obra de radicais isolados? Não. Sintoma de sociopatia de massa.  Horas antes na tevê Ian Bremmer fuzilava: "2014 viu a morte do Islã político e ascenção do Islã Radical". Sabe do que fala. É fundador do Eurasia Group, empresa de consultoria sobre geopolítica. O Eurasia é da pesada. Cravou bonitinho as idas e vindas da eleição no Brasil.

Na entrevista a Charlie Rose, da Bloomberg TV, Bremmer estava afiado como uma cimitarra. Vendia o peixe de uma publicação do Eurasia Group, Top Risks 2015, sobre os principais desafios da política internacional no novo ano. Rose disparava temas: Irã, China, Grécia, Estado Islâmico, Ucrânia. Respostas no ricochete: pá-pum, pá-pum. O exato contrário das análises políticas pátrias.

O problema segundo Brenner: de onde vieram esses assassinos virão muito mais. "Disenfranchised youth": jovens alienados, pobres, ignorantes, para quem o sonho de consumo ocidental é só um sonho. Crescendo sem horizonte em sociedades sem liberdade - ou até deflagradas. Garotos sem possibilidade de articular suas frustrações além de uma visão medieval da existência: nós versus eles, Alá contra o Grande Satã. O petróleo agora barato fará desses países mais pobres, celeiro de mais e mais gente sem noção, sem humor e sem nada a perder.

A única solução segundo Bremmer é de longuíssimo prazo: educação. Haja paciência. Enquanto isso nos resta explicitar exatamente qual o nosso desafio. E ter coragem de continuar zoando.

Quem criou o Oriente Médio? As grandes potências ocidentais, menos de um século atrás. Hoje o Iraque se desmancha, a Síria sangra, a primavera árabe esfria. Que fez a Europa para desarmar os ditadores amigos? Que fazem os Estados Unidos para pela democratização das monarquias do petróleo? Nada e nada. Agora a Europa se tortura com a entrada sem controle de refugiados, que polariza a política do continente da Sicília à Suécia. E os ianques se escondem no Bunker América, felizes de só terem que lidar com imigrantes latinos.

Para mudar as coisas onde nascem esses assassinos, há que mudar as coisas nos países ricos. Semana passada aconteceu uma manifestação anti-xenofobia na Alemanha. De boas intenções o inferno está cheio. Enfrentar a "muçulmanização" da sociedade alemã não é racismo. A Alemanha tem leis, a França tem leis, e elas incluem uma dose altíssima de liberdade de expressão, como não há em nenhum país de maioria islâmica.

Quer morar no país dos outros? Submeta-se à lei deles. As leis da França incluem, sim, o direito de zoar com Maomé. As do Brasil também (embora não permita que você tire sarro de alguém em uma biografia não-autorizada...). Você se sente seguro para republicar os cartuns que causaram a morte da equipe do Charlie Hebdo? Eu não. Sozinho, não. Eu não sou besta para tirar onda de herói, como dizia Raul Seixas. Se todo mundo no planeta publicar junto comigo, pode ser. Seremos mais do que eles; há segurança na multidão.

Esse é o duplo desafio da Liberdade. Ela só pode ser exercida individualmente, e ela só pode ser defendida coletivamente. Liberdade é a liberdade do outro ridicularizar o que eu julgo sagrado - e não existe outra.

Que loucura lembrar que o nome anterior da Charlie Hebdo era Harakiri. E que orgulho recordar que o próprio governo francês pediu em 2012 que os editores da Charlie não publicassem mais cartuns de Maomé, para evitar retaliação a cidadãos franceses em países islâmicos. A equipe da revista se recusou. Radicais jogaram bombas incendiárias e destruiram a redação. A revista saiu com outro cartum provocativo na capa, com um árabe dando um beijo de língua num cartunista e a chamada, "o amor é mais forte que o ódio."

Quero acreditar nisso. Mas quero acreditar mais ainda que o humor é mais forte que o ódio.

Na web: http://www.ianbremmer.com/ e www.charliehebdo.fr

Siga no Twitter: @ianbremmer e @Charlie_Hebdo_

Hebdo Harakiri

Publicado em 23/12/2014 às 00:05

E a música do ano é…

selfie mr E a música do ano é...

A música mais tocada no planeta Terra em 2014 foi "Happy". Diz muito sobre o ano que passou. O trecho mais esclarecedor  é “bata as palmas se você sente que a felicidade é a verdade”. Tem outra que diz mais.

Foi em 28 de janeiro que os Chainsmokers registraram o espírito de nossa época com "Selfie". Faz tanto tempo que, imagine só, "selfie" tinha acabado de ser eleita "a nova palavra de 2013". Tinha acabado de entrar no dicionário! Pré-história da civilização! Como podíamos viver antes de termos a incrível capacidade de tirarmos nossas próprias fotos e compartilhá-las nas redes sociais?

Os Chainsmokers são uma dupla de DJs de Nova York . Musicalmente, "Selfie" é mais uma dessas canções que parecem feitas por robôs e dominam as casas noturnas. Rótulo novo, EDM, Electronic Dance Music, para algo que está aí pelo menos desde o início dos 80, Yazoo, Depeche Mode etc.

A graça é a "letra". É uma moça no banheiro de uma boate conversando com a amiga. Fala do carinha que paquera, da mina que está dando bola para ele, fofoca, toma umas biritas, tricota, toma mais umas, e entre cada atividade diz: "mas antes deixa eu tirar uma selfie".

A graça dois é o vídeo, com duas gatas fazendo exatamente isso sob tiroteio de zilhões de selfies. Dos Chainsmokers. De uns famosos como Snoop Dogg. De uma multidão de desconhecidos fazendo-se de famosos.

Somando a esperteza da letra, a sacada do vídeo e a batida massacrante, temos... uma nova versão de "Valley Girl", de Frank Zappa. Igualmente perfeita como instantâneo de uma explosão de vacuidade. Com a diferença que décadas fazem.

As adolescentes do vale de San Fernando eram um subgrupo muito específico num cantinho afluente da Califórnia de Reagan. A filha de Zappa, Moon Unit, captou perfeitamente o vocabulário abilolado das burguesinhas que passavam o dia no shopping. A música doidona virou hit de FM em 1982, o primeiro e único da longa carreira de Frank.

"Selfie" não tem a loucura de Zappa nem a moleca Moon. Ganha fácil em tosqueira, volume, pertinência global. É o grito do planeta, norte, sul, pobre, rico, aqui e acolá. Me olha, me nota, me enxerga. Me vê posando, estou arrumada, andei malhando, aqui estou mandando beijinho, bombando. Me assiste porque mereço, me aplaude que sou uma estrela, reza no meu altar. Vê como estou feliz, because I´m happy!

Publicado em 22/12/2014 às 16:51

Meus dez textos mais lidos de 2014

Escrevi pouco esse ano. Muitas distrações e desafios geraram uma certa constipação mental. Agora estou desopilando, tentando uma abordagem diferente.

Tenho sido sempre positivo nas minhas indicações de artefatos culturais variados, filmes, livros, discos etc. Se usa muito e malíssimo a palavra "curadoria", mas é exatamente disso. No meu caso, fazendo força para diferenciar o bom do ótimo. E ignorando as modinhas, o lançamento do momento, a agenda dos assessores de imprensa, varejistas etc.

Essa abordagem me impossibilita de fazer uma dessas listinhas de dez melhores isso ou aquilo do ano. Beleza, o mundo não precisa de mais uma - a gente tropeça em listas nas redes sociais! Reparando nisso me ocorreu levantar quais meus dez textos deste ano tiveram mais leitores.
O texto sobre Laís Souza, tetraplegia e hipocrisia foi o mais popular da minha carreira - 838 mil leitores. O post sobre Neca Setúbal, o mais influente politicamente. Quase meio milhão de eleitores (exatamente 475.387) aprenderam quem era a conselheira política de Marina Silva lendo meu texto. Nas duas semanas seguintes todo mundo foi para cima de Marina citando a conexão com Neca, inclusive Dilma Roussef. Divertido.

O que têm em comum textos sobre o acidente de uma atleta olímpica, a conselheira de uma candidata a presidente, donos folgados de cachorro, um roqueiro arrependido, a mulher mais bonita do mundo, um filme oscarizado, uma campanha humanitária, o Bolsa Família e seus inimigos, e a repercussão midiática de mais uma morte no Rio?

Todos foram escritos com o fígado. Mesmo os mais palhaços. E é por isso que manterei em 2015 as recomendações e toda essa pegada positiva. Mas manterei também a raiva.

É minha marca e minha terapia. Minha melhor chance de me comunicar com as pessoas - em alta voltagem.

É o que eu sou.

41 1024x682 Meus dez textos mais lidos de 2014

 

 

 

Laís Souza

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/03/20/lais-souza-esta-tetraplegica-alguem-tem-que

 

Neca Setúbal e Marina Silva

838.033
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/20/antes-de-votar-em-marina-voce-precisa-conhe

 

Neymar fora da copa

475.387
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/07/05/neymar-merece-estar-fora-da-copa/

 

Lupita, a mulher mais linda do mundo

296.295
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/04/25/12-razoes-porque-lupita-foi-eleita-a-mulher

 

Rodolfo e os Raimundos

211.577
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/06/10/rodolfo-abra-mao-das-suas-musicas-ou-assuma

 

12 Anos de Escravidão

155.717
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/02/27/16-razoes-para-nao-assistir-12-anos-de-escr

 

Fernanda Torres e a falta de Buda

127.559
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/06/03/o-que-falta-a-fernanda-torres-oito-mil-assa

 

A febre do balde de gelo na cabeça

110.127
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/18/que-aparecer-jogue-um-balde-de-gelo-na-cabe

 

Os donos de cachorro, esses folgados

106.109
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/09/25/seu-cachorro-e-burro-e-voce-e-porco/

 

Em defesa do bolsa-família

88.842
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2013/06/04/quem-e-contra-o-bolsa-familia-ou-e-mal-inte 38.248

 

Publicado em 18/12/2014 às 16:42

E a música desse verão é…

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Uma viagem no tempo. Quando o balanço começou a ficar robotizado, quando o  black power tomou os sintetizadores dos roqueiros. Espontânea e planejadíssima, uma brisa fresca no suor de quem tá dançando sem parar.

Publicado em 16/12/2014 às 14:47

Discoteca Básica: conheça mil discos que você precisa ouvir

discotecacapa1 Discoteca Básica: conheça mil discos que você precisa ouvir
Conta falsa. Tem muito disco repetido nesse livro de listas, com os dez álbuns favoritos de cem pessoas, organizado pelo jornalista Zé Antônio Algodoal. Leitura delícia, surpresas diversas, presentão de amigo secreto. E você, leitor, leitora, quais são seus 10 discos favoritos?

Publicado em 08/12/2014 às 14:48

Ei, pedestre, sai da minha frente, quer morrer atropelado?

pedestre Ei, pedestre, sai da minha frente, quer morrer atropelado?

Guiava eu para o trabalho quando o cretino apareceu do nada na minha frente. Saiu de trás de um carro, uma kombi, sei lá, não deu tempo de ver, e quase não deu tempo de brecar. O cara parou no meio da rua, me olhou muito feio, e acabou de atravessar no ritmo mais lento possível. Só faltou me xingar. Ainda bem que não. Perigava eu ter atropelado o infeliz.

Bem, não, que sou calminho. Mas vai ser folgado assim na Cochinchina. Atrás de mim vinham dois carros e um ônibus, todos obrigados a brecar de repente, um monte de gente em risco. Por quê? Porque um folgado se sente no direito de atravessar a rua na hora que quiser, no ritmo que quiser, e o mundo motorizado que se exploda.

Comentei com conhecidos. Vários viveram ou ouviram histórias parecidas. Um me contou que ouviu uns palavrões de uma moça, "velho broxa" etc. É o novo personagem das nossas cidades: o pedestre-dono-da-rua. Gente que se sente superior a quem está dentro de veículos. Nem olha para os lados antes de atravessar, haja faixa ou não. Os carros, motos, ônibus que estão vindo que freiem como puderem, se puderem. O trânsito que piore, os motoristas que se ferrem, os passageiros que se explodam.

Sou pedestre também. Ando mais nas cercanias da minha casa e do meu trabalho, como a maioria de nós. No meu bairro, supostamente moderninho e civilizado, Vila Madalena, é um perigo dirigir. Não tem tanta gente na rua, mas é enorme a concentração de pedestres (e ciclistas) que se julgam donos do espaço público.

As ruas em volta do R7 são em bairro popular e coalhadas de gente. Temos ali o terminal Barra Funda, de ônibus, metrô e trem; os fóruns trabalhista e criminal; faculdades; botecos, comércio popular; pedestre pra dedéu. E mil carros, ônibus, motos, tudo. Observação: a classe trabalhadora, veja só, olha antes de atravessar. Por quê?

Talvez porque essas mesmas pessoas sejam as que mais usem ônibus. Quando usam carro, são as que mais sofrem com trânsito, porque moram na periferia? Pode ser. Arrisco outra explicação.

Os americanos inventaram a teoria do excepcionalismo dos Estados Unidos. Segundo a doutrina, por natureza a América é completamente diferente dos outros países. Por isso, tem um conjunto de deveres e direitos muito diferente.

A elite brasileira é americanófila em muita coisa e também nisso. Tem plena consciência de que está acima da peãozada. Está de fato. O que vale pra rico não vale para pobre. É dificílimo punir as transgressões de nossos poderosos. Só que "a elite" não é um punhado de bilionários encastelados em fortalezas no Leblon ou na Vila Nova Conceição. Segundo o governo do Brasil, você tem renda acima de R$ 2480,00, já faz parte da "alta classe alta". A elite brasileira somos nós.

No topo da pirâmide está gente que nem caminha na rua, só em carrão blindado com motorista. Alguns agora estão ali citados na Operação Lava-Jato... fantasiemos planos diabólicos para eles. Mas na real, no dia-a-dia, me incomodam menos que essa turminha ongueira-culturets-descolex, que se acha muito cosmopolita mas é caipira até. Que está sempre falando do coletivo mas não desfoca do próprio umbigo. Vivem em São Paulo, esse monstrengo do terceiro mundo, como se estivessem em Amsterdam ou Portland.

Se você acha que atravessar a rua quando lhe dá na telha é um ato de rebelião, de afirmação de civilização, de resistência ao "apocalipse motorizado", cuidado. Um dia desses alguém lhe passa por cima, pateta.

Publicado em 27/11/2014 às 06:00

Leia O Inescrito

es Leia <i>O Inescrito</i>

Era uma vez uma marca de quadrinhos que davam vertigem. Foi devorada pelas beiradas. Agora revive seus tempos de glória, em uma série que celebra o poder das histórias.

Publicado em 26/11/2014 às 06:00

Quem quer fama, quer loucura

 

es Quem quer fama, quer loucura

Neil Strauss e amigas

De perto, todo artista desaponta. Mas alguns capricham no egocentrismo e birutice. E uma coleção de minutos assim dá um livro sensacional - o melhor do pior, por Neil Strauss.

Publicado em 25/11/2014 às 06:00

Planeje seu ano com as brasileiras lindas da minha infância

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Os maiores símbolos sexuais dos anos 70 tinham duas dimensões. Benício as colocou em cartazes de cinema e capas de pocket books. Agora elas voltaram. E uma vai me fazer feliz o ano todo, em 2015.

Publicado em 24/11/2014 às 06:00

Despeça-se de Jack Bruce

dsds Despeça se de Jack Bruce

Durante dois curtos anos, ele estava entre a nata do rock. Ou será que era outra coisa? Foi-se embora e nos convida a ouvir um álbum precioso e semiesquecido: Goodbye.

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