Eu não entro num salão pra pular Carnaval desde 1984 - 1985 foi na Bahia, inesquecível, mas outra vibração, axé nascendo, Luiz Caldas, trio elétrico. Na minha adolescência continuavam tocando aquelas maravilhas dos anos 30, 40, 50. Continuam? Era a maioria esmagadora da trilha sonora.

Eu sempre gostei de Carnaval, mas eu nunca gostei de Carnaval. Gostava pra zoar e adoro conceitualmente - uns dias com passe livre pro país inteiro bagunçar? Sensacional. Mas jamais me passou pela cabeça voltar a pular carnaval depois de adulto, casado etc., muito menos assistir ao desfile, looongo demais, nem na TV suporto. Fui uma vez em um ensaio na quadra da Portela, foi o bicho, mas tá bom pra mim.

Mas, enfim, simpatizo, e sei um pouco de onde veio essa esbórnia toda.

Essa semana eu fiquei pensando em escrever um texto todo cabeçudo sobre a origem do Carnaval, os mistérios dionisíacos, o barco de ísis e não sei mais o quê. Mas quem quer ler um alfarrábio empoeirado, crivado de nomes difíceis e citações de Apuleius, quando sol brilha seus últimos raios de verão? Muito menos escrever.

Vai pela sombra então, tiozinho aposentado das folias momescas, faz como eu e faz que o Carnaval nem existe.

Ou, leitor amigo, vai pelo sol e bota fogo em tudo. Flana feliz pelo Carnaval do Brasil, que em algum lugar te espera uma linda morena, o olhar brilhando mais que a lua cheia. Ou, caríssima, se tiveres sorte, um moreno com a inteligência de Lamartine Babo e o charme de Mário Reis.

Vejo vocês quarta-feira de cinzas...

Mario Reis & Lamartine Babo: Linda morena por perolasblogs no Videolog.tv.

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Enquete entre camaradas na internet: qual o filme de 2012 mais esperado por você? Aquele que fazias de tudo para ver neste minuto mesmo?

Numa avalanche de respostas super-heróicas, Batman, Vingadores, Homem-Aranha (a amostra era viciada, 90% homens 25-40 anos), votei preguiçosamente em Prometheus.

Se passa antes, e no mesmo universo, da história de Alien, O Oitavo Passageiro, que me fez passar uma noite em claro aos 13 anos. Tem o mesmo diretor do original, Ridley Scott. Era suficiente aquela hora.

Ridley é um pintor, talvez o melhor em atividade no cinema, e coreógrafo de mão cheia. O roteiro do Alien original tinha suas sacadas, mas era pouco mais que Tubarão no Espaço.

Foi a alma de artista plástico do diretor - e sua refinada escolha do ilustrador suíço H.R. Giger e do quadrinista francês Moebius como designers - que fizeram de Alien uma experiência repetidamente imitada e jamais igualada. O novo filme é Alien por Ridley Scott. Prazer garantido, surpresa zero.

Prometheus Trailer Official 2012 [HD]: Charlize Theron, Michael Fassbender por perolasblogs no Videolog.tv.

Mudo hoje meu voto. Cesare Deve Morire estreou anteontem no Festival de Berlim. Paolo e Vittorio Taviani filmaram Júlio César, meu primeiro Shakespeare, e ninguém esquece sua estreia com o bardo. Adoro a quadradona adaptação original pra cinema.

Marlon Brando faz Marco Antonio e também a caveira de Brutus, James Mason, sem o honesto Brutus perceber, até os romanos se virarem contra ele. Assisti pela primeira vez em uma sessão coruja, adolescente, e me incomodou - é pra torcer pra quem?

Li e reli depois a peça, em português e, uia, no original. Atravessei como quem desbrava uma borrasca em mata fechada, de facão (e dicionário) na mão. Me levou a Marco Antonio e Cleópátra, e muitas outras.

Shakespeare é o que há em ambiguidade, inteligência, sensibilidade, crueldade. Se não te viras em inglês castiço, recomendo a coleção No Fear Shakespeare, com texto contemporâneo acompanhando, ou mesmo os pockets brasileirinhos da LP&M. Não há desculpa pra não ler.

Os atores da versão dos Taviani são detentos e ex-detentos da prisão de segurança máxima Rebibbia. O filme foi realizado em duas fases.

Primeiro, os criminosos foram filmados em preto e branco, durante a seleção do elenco e ensaiando, sempre em cana - no xadrez, nos corredores, no pátio. Um teatro improvisado na penitenciária serve de cenário para a peça, agora já em cores.

Os diálogos são falados nos variados dialetos originais dos traficantes, mafiosos e tal. Finda a peça, todos de volta para suas celas. A vida, e a morte, continuam.

forasta1 O filme mais esperado de 2012

Paolo e Vittorio Taviani, antes da exibição de Cesare Deve Morire no Festival de Berlim

Paolo tem oitenta anos. Vittorio, 82. Fizeram juntos vinte filmes. Pai Patrão teria sido suficiente, ou A Noite de São Lourenço, ou Allosanfàn, ou Bom Dia Babilônia.

Ganharam prêmios, fizeram algum sucesso. Jamais fizeram nada tão irresistível, embasbacante, plasticamente perfeito como o melhor de Ridley Scott, o próprio Alien, Blade Runner, Os Duelistas, ou Gladiador.

Mas os Taviani não são pintores, são escritores. Assinam os roteiros de seus filmes, Sempre têm muito o que dizer. Já começam pelo trailer: A arte é a primeira forma de liberdade. São humanistas toscanos, e honram a estirpe.

Grande Guerra1 O filme mais esperado de 2012

Não abro mão do cinema espetáculo. Eu estava lá em Tintim, Thor e Lanterna Verde. Mas sacia cada vez menos. É hamburguer; pança cheia, em duas horas a fome retorna sem dó.

Também não me rendo ao cinema puramente cerebral, e vade retro filme chato. Existe um ponto perfeito, shakespeariano, cômico e trágico e épico e emocionante e real e irreal.

Por exemplo, A Grande Batalha, de Mario Monicelli, de 1959, filme maravilhoso, o melhor que vi em 2011.

Outro italiano? É, e não é à toa. O melhor cinema, a arte que satisfaz completamente, não é fast food - é antipasti, vino, primi i secondi piatti, dolci, espresso.

Júlio César encenado pelos Taviani e estrelado por assassinos? Banquete para neurônios e sentidos.

CESARE DEVE MORIRE: trailer ufficiale por perolasblogs no Videolog.tv.

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john severin blog RIP John Severin

Bom descanso ao gênio da EC Comics, da MAD, da Marvel. Poucos desenharam tão bem tantos gêneros diferentes - histórias de guerra, de super-herói, de cowboy, bárbaros, paródias doidas.

Recebeu obituário quase à altura, incluindo uma foto inacreditável de John ladeado por Harvey Kurtzmann, criador da MAD, e René Goscinny, co-criador de Asterix, em 1940! Veja aqui.

quadrinho blog RIP John Severin
Com Herb Trimpe, fez meu Hulk favorito, e será sempre a assinatura visual da revista Cracked, no Brasil, Pancada. Foi-se aos 90 anos, e aos 80 e tantos continuava mandando bem. Para poucos. Mas John era único.

severin john cracked anual RIP John Severin

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Pics from Whitney Houstons Final Days 4 897x1024 Whitney e Adele: We are the robots

Whitney Houston não tinha nada a dizer, e gritava nada aos quatro ventos, com o máximo de piruetas, acrobacias, entrega e rebolado, embalados cientificamente para consumo do mínimo denominador comum. Seu estilo era soul sem alma, rhythm'n blues sem ritmo nem sofrimento.

Adele é herdeira à altura. A melancólica morte de Whitney, drogada e patética, no mesmo dia do triunfo de Adele no Grammy, é sincronia iluminadora. Entre uma e outra são tantas, e já não lembramos de quase nenhuma. Adele parece menos de mentira que Whitney, porque gordeta, humana. Amy Winehouse era da mesma estirpe; feia e sofrida, parecia de verdade. Amy quem? Quem se importa?

Outras virão, virtuais, perfeitas. O declínio destas sempre virá seguido de uma triunfal volta por cima; estará pré-programado no software-DNA de nossas futuras divas. Emoção de plástico para pessoas pré-fabricadas; sample de sentimento; produto.

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trip207 capa conceito Não fume e não encha

A nova edição da revista Trip dedica a maior parte de suas páginas a uma cantilena contra o tabaco. Como se fosse disso que precisamos: a tia beata puxando nossa orelha. Não tem um desgraçado no planeta que não saiba que cigarro faz mal. Informação a respeito não falta. A nova Trip é desperdício de celulose. Olha a sustentabilidade aí!

Quem fuma sabe o que faz. Se não sabia, agora aprendeu nos maços com as fotos das pernas amputadas, pés gangrenados, filhos chorando a morte dos pais ainda jovens etc. Sabe com a cabeça, não com o coração, claro. Mas isso vale pra todas as decisões que tomamos hoje e vão nos ferrar amanhã. O ser humano foi treinado pela evolução para investir no hoje e deixar o amanhã para amanhã. Somos animais. Civilização é planejamento, conflito e repressão.

A Trip sempre quis dar uma no cravo e outra na ferradura, o que é explícito no discurso feminista com vendas puxadas por meninas peladinhas. Dispenso a pregação e aprovei a ninfetinha desta edição. A Trip faz campanha contra o tabaco e apóia a descriminalização da maconha. Não aceita propaganda de cigarro, mas nesta mesma edição publica duas páginas de anúncio de bebida. Bebida faz bem? Mata quantos por ano? Quantas homicídios são embalados por álcool? A nova Trip também tem um anúncio de automóvel. Quantas pessoas morrem em acidentes todos os anos? Quanta fumaça de escapamento emporcalha nossos pulmões? Cadê a edição contra a bebida e os carros?

Eu fumei um maço por dia durante dezoito anos e parei há catorze. Hoje só fumo quando tomo uns tragos, e se for com algum amigo fumante, reativo a chaminé, e pago em ressaca de nicotina dia seguinte. Vai bem com álcool, como comidas gordurosas e humor grosso. Nada que faça bem, engrandeça o espírito ou contribua para o progresso da nação - e daí?

chimp Não fume e não encha

Tenho grande simpatia pela Trip e nenhuma pela indústria do tabaco (que é podre, mas não ilegal, e faz bem menos estrago do que outras supostamente mais respeitáveis). Mas temos uma diferença ideológica irreconciliável. A Trip acredita que o problema está com você, e que se cada indivíduo tiver força de vontade, informação, estímulo econômico e espiritual para mudar, a transformação acontece. Eu acredito que a solução está com todos nós, na defesa radical do máximo de liberdade pessoal, e impingindo o máximo de responsabilidade ao coletivo.

Eu quero socializar os pepinos. A Trip privatiza a alternativa. Na mesma edição, J.R. Duran diz que embora a calçada não faça parte da rua, ele não se incomoda de cuidar dela. E Ricardo Guimarães defende que cigarro tem que ser proibido mesmo. Eles e outros colaboradores e jornalistas da Trip são nomes que honram qualquer expediente. Mas esse papo me incomoda. Como essa desconversa de tentar emplacar bicicleta como big solução para a poluição automotiva. Ou proibir sacolinha plástica de repente, sem colocar nada no lugar.

O amigo André Barcinski outro dia resumiu bem. Proibir beber e dirigir é só dar uma canetada. Investir em metrô e ônibus que funcionem de madrugada nas principais áreas de balada, o que custa dinheiro e dá trabalho, os políticos não querem nem saber, e a população e imprensa nem pensa em cobrar.

Enquanto aplaudirmos esses factóides autoritários e proibições carolas, que pentelham a vida do cidadão comum sem transformar institucionalmente a coletividade, estamos fingindo que as coisas mudam para mantê-las do mesmo jeito. É uma postura conservadora, não transformadora. Não quer fumar, não fume. Mas não encha.

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Começou com meus pais em visita de final de semana, e Madonna. Meu texto de sexta sobre a não-tão-moça acabou saindo terça. Deu tempo de me perguntarem: quem é aquela outra lá no vídeo? É M.I.A., uma das figuras mais interessantes do século 21, e seu novíssimo vídeo está aqui:

M.I.A. - Bad Girls por perolasblogs no Videolog.tv.

Segunda à noite chorei de rir nos 20 anos do Garagem. Duas horas e meia de recuerdos e conversa mole, cercado de velhos amigos. No final me pediram para escolher uma única música, para entrar na edição final do programa. Eu escolhi uma que a gente tocou logo no começo do programa, lá em 1992, e continua uma pedrada.

Ministry - Jesus Built My Hotrod por perolasblogs no Videolog.tv.

Terça ia bem com um almoço com três executivos / empreendedores de Internet, uma conversa exploratória do tema que debateremos nesta sexta-feira, na Campus Party: a cultura do tudo grátis e o que isso significa pra gente, a gente normal e a gente que trabalha com jornalismo, cultura, internet e tal.

Minha semana capotou sangrentamente à tarde, com a morte de um velho amigo e a constatação de que nos falamos três vezes nos últimos cinco anos. Não consegui fazer a homenagem que ele merecia, nem tentei - é próximo e dolorido demais. Só consegui postar um bilhete de adeus no Facebook, e um vídeo da canção que Mauro Martinez dos Prazeres queria na sua despedida.

O assunto da semana foi a rebelião da polícia militar. Escrevi sobre isso duas vezes, primeiro para exigir a dissolução da PM, depois para apresentar a quem não conhecia o projeto de lei, hoje no Senado, que propõe a unificação das polícias de todo o Brasil. Lembrava de uma citação e não conseguia localizar, agora caiu a ficha:

Sobre a polícia

Talvez tenhamos inventado um novo tipo de homem quando nós (Eles) designaram alguns homens para policiar outros. Eles escolheram homens a quem seriam arrancados os véus da sociedade, grandes e pequenos. Alguns enlouquecerão. Outros se transformarão em brutos e obedientes funcionários de um Estado insensível. E alguns se tornarão incapazes de ver o mundo a não ser como um zoológico feio, injusto e sem esperança, cheio de animais que os destroçariam na primeira oportunidade - somente por eles serem os guardas do zoológico, somente por eles manterem a todos vivos e seguros.

Warren Ellis, Captain Swing

Mas também fui pegar os livros do meu filho, que chegaram bem atrasados, e levei ele pra fazer um teste e ver em que estágio vai entrar na escola de inglês, que ele começa agora. Assisti um pedaço de um velho Arquivo X, triste, triste. Conversei sobre gibis e política e internet e dei muita risada ao perceber que estava de gaiato na festa de aniversário de Clara Ant. Lidei com a reforma na parte elétrica aqui da casa. A tortura nunca acaba.

FoxMulder small A minha semana

Trabalhei bastante - no novo site da Tambor, em um press release sobre o convidado de honra de nosso evento, GameWorld, e também no conteúdo da festa que vai ser boa; li algumas dezenas de emails, respondi uns; dei meus pitacos sobre detalhes finais da nossa rede social Bubot; li uns três artigos que prestaram; xinguei a pseudo-privatização dos aeroportos e liguei para o banco e procurei documentos e não encontrei; avancei umas trinta páginas em Reamde, de Neal Stephenson; e que tantas mais coisas que nem sei?

E ainda é quinta, meio dia e oito, e tenho uma reunião às duas, mas antes de é preciso almoçar, tomar banho e me despachar para o Morumbi, e o jantar à noite é depois das dez, e a Campus Party sexta à tarde requer uma mini-reflexão, e preciso fazer umas compras para a barca com casais amigos e seus filhos no final de semana, mas acaba de queimar o micro-ondas e vou precisar comprar outro urgente.

Meu amigo morreu e eu decidi não ir no velório nem no enterro. Eu estou vivo.

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Choro a perda de Mauro Martinez dos Prazeres, cérebro único, coração enorme, amigo que acaba de zarpar de repente, e que sou incapaz de homenagear. É cedo; algum dia.

Porque nunca foi um sujeito normal, nunca fez tudo igual, e misturava lucidez e maluquez como ninguém que eu jamais conheci. É um caminho tão fácil seguir...

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greve 2 ok Pela unificação de todas as polícias do Brasil em uma polícia civil

Os protestos da Polícia Militar por todo o país têm razão de ser, mas não têm direito de ser. A razão é que as polícias militares estaduais, por serem militares, não têm direitos civis.

A falta de segurança que afeta todos os brasileiros precisa ser enfrentada. Um dos pressupostos para ganharmos esta guerra é  a dissolução da Polícia Militar.

É evidente que não basta transformarmos todos os policiais militares do país em policiais civis, amanhã, para que magicamente o Brasil se transforme numa Suíça.

Polícia de qualidade exige treinamento, salários e cobrança à altura. Há que se prever esse investimento nos orçamentos. Há que criar um sistema de supervisão desta polícia pela sociedade.

Felizmente já existe uma proposta de lei que prevê as principais mudanças necessárias. Não sou especialista, mas parece um grande avanço, para a população, os policiais e o país; no mínimo é um ótimo começo.

O projeto é do senador Blairo Maggi, e a íntegra está aqui. É a PEC SF 102/2011, apresentada em outubro do ano passado.

greve bahia terça G okokokokok Pela unificação de todas as polícias do Brasil em uma polícia civil

Os principais trechos estão abaixo. Tratam da adoção de uma polícia única e civil, do piso nacional e de onde virá o dinheiro para isso, e da criação de um conselho civil que supervisionará as atividades desta polícia única.

O movimento na Bahia incendeia as polícias de todo o país. Os governos estaduais não têm como resolver a situação. Tem gente morrendo à toa todo dia. Estamos na véspera do Carnaval. Cabe ao governo federal tratar esta proposta de emenda à constituição com a urgência que o momento exige.

“Art. 144

§ 9º A remuneração dos agentes públicos integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39, assegurado piso nacional a ser fixado em lei federal, que disciplinará fundo nacional, com participação da União, dos Estados e dos municípios, visando a sua suplementação, bem como a vinculação de percentuais do orçamento.

§ 10. É facultado à União, no Distrito Federal e Territórios, e aos estados a adoção de polícia única, no seu respectivo âmbito, cujas atribuições congregam as funções de polícia judiciária, a apuração de infrações penais, de polícia ostensiva, administrativa e a preservação da ordem pública.

§ 11. O Conselho Nacional de Polícia, cuja competência e organização são definidas em lei complementar, presidido por Ministro do Superior Tribunal de Justiça e composto por membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, das polícias estaduais, federal e do Distrito Federal e Territórios, por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil e membros da sociedade civil indicados pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, para mandato de dois anos, admitida uma recondução.” (NR)

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Os policiais da Bahia estão em pé de guerra. Nove outros estados ameaçam aderir à greve. É uma oportunidade de ouro para fazer o que precisa ser feito: dissolver a Polícia Militar.

greve1 ok Pela dissolução imediata da Polícia Militar

Greve da Bahia/Foto:Lucio Tavora/AE

A PM é um aborto legal. É criação ditatorial. Polícia é um serviço como qualquer outro. Tem que se submeter às leis e à Justiça, como qualquer outro departamento público. O policial é tão funcionário público quanto um enfermeiro ou um professor. É um cidadão como você e eu. O que serve para um tem que servir pra todos - princípio básico da democracia.

Mas a PM é militar. Segue regras militares e é julgada pela Justiça Militar, garantia de impunidade para aprontadas. Sendo militar, por definição não tem direito a greve.

Desde que existe Exército, soldado tem que lutar, nem que na marra, e quem se recusa sempre foi severamente punido, muitas vezes com pena de morte. Se não a debandada era geral, né? Viu o inimigo chegando com forças superiores, dá licença, vamos entrar em greve...

greve2 ok Pela dissolução imediata da Polícia Militar

Greve na Bahia - Foto: Raul Spinassé/Agência A Tarde/AE

Se os policiais militares brasileiros querem ter direto a greve - o que é muito justo - precisam abdicar de serem militares. Não dá pra querer ter diretos civis e militares ao mesmo tempo. Qualquer grupo civil pode muito bem ocupar a Assembleia Legislativa da Bahia. A PM não tem esse direito.

pinheirinho1 ok Pela dissolução imediata da Polícia Militar

Confronto no Pinheirinho/Foto: Nilton Cardin/AE

A reivindicação dos PMs é a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 300, que estabelece um piso salarial nacional para eles. Cobram aprovação para já. O governo diz que só em 2013, por causa de cortes orçamentários. Os tiras dizem que Dilma volta atrás em promessa de campanha.

pinheirinho2 ok Pela dissolução imediata da Polícia Militar

Confronto no Pinheirinho/Foto: Nilton Cardin/AE

O governo diz que não tem grana agora. Mentira. O governo tem dinheiro pra fazer estádio pra Copa e emprestar para Cuba reformar seu porto, claro que tem dinheiro pra aumentar a polícia. Não interessa.

A PM é o cão de guarda das autoridades. Na hora de tirar estudante da USP, de tratar craqueiro na porrada, de invadir Pinheirinho, os policiais obedecem aos comandos sem pestanejar - "estamos apenas cumprindo ordens".

Pois a Justiça baiana decretou a ilegalidade do movimento grevista. Agora não obedecem a Justiça, por que querem aumento? Piada.

Os policiais têm uma missão importantíssima. Precisam de salários, treinamento e cobrança à altura de suas responsabilidades. Só assim vão conquistar o respeito que merecem, e serem de fato integrados à sociedade brasileira. Para isso, o Brasil precisa dissolver as polícias militares. Polícia, só civil.

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cicalacom Garagem, vinte anos hoje à noite

Foto: Barcinski e Paulão com o produtor Roy Cicala

Se você vê uma vaca sagrada e já vai puxando o sal grosso e botando a cerveja pra gelar, é da minha turma. Tive sorte de encontrar, hm, almas gêmeas. Vou encontrar outros espíritos de porco semelhantes hoje à noite. A diferença é que eles são mais engraçados e inteligentes e entendem mais de rock que eu. Seus melhores amigos são sempre melhores que você.

Vou me divertir MUITO. Mais do que seria razoável em uma segunda-feira. Beleza. Eu já fazia isso duas décadas atrás. É um reencontro de velhos amigos, ao vivo, na concorrência: os 20 anos do programa Garagem, no UOL, nove horas da noite.  Aqui.

O Garagem se dedicou sempre a tocar o melhor rock, principalmente novo - com amor às velharias, mas sem submissão baba-ovo a nada. A entrevistar gente estranha, divertida e interessante. A zoar quem merece ser zoado, com a maior brutalidade e malvadeza de que fomos capazes. Alvos clássicos: Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes.

O Garagem começou de brincadeira e continuou de sacanagem. Foi culpa do amigo André Barcinski. Ele fazia um programa de rádio legal no Rio de Janeiro, o Caixa Preta. Depois que mudou pra São Paulo, não sossegou enquanto não começou um programa aqui. Me convocou pra sócio-fundador. Era segunda, da meia-noite às duas, na Gazeta FM. Fazíamos totalmente de graça, e é assim até hoje, independência total.

Logo percebi que não tinha o menor jeito pra ficar escolhendo música, e que minha parca atenção com novidades não gerava material em quantidade para um programa semanal. Sem problemas: eu atendia o telefone, que não parava de tocar, batia papo com os convidados, falava bastante besteira. Lembrança querida: coro de O Homem de Nazaré, com João Gordo e mais uma renca, no dia que Antonio Marcos, nosso Brian Jones, morreu.

Saíamos pilhadíssimos do programa e íamos pra noite. Ia dormir quatro, cinco da manhã toda segunda. Eu entrava antes do almoço no meu emprego na Bizz. Já começava a semana ferrando tudo. Mesmo com 26 anos, era punk. Depois de uns quatro meses, tirei o time. Continuei da turma e fiz algumas participações especiais nas duas décadas seguintes.

Fui no máximo coadjuvante, e ouvinte frequente. A turma oficial do Garagem inclui, além de Barcinski, os também jornalistas Paulo César Martin e, na última temporada menos presente, Álvaro Pereira Jr - esse trio é o espírito da bagaça. Mas a turma oficiosa vai bem mais longe. Renato Yada estava ali nos primeiros momentos; Gabriel Gaiarsa e Larissa Zylbersztajn foram os escravos da, hm, formação clássica; e mais Marcelo Orozco, Fábio Nipo Luso, e uma gangue de desajustados, e outra multidão de esquisitos, dos quais muitos foram nas muitas e boas festas do Garagem.

O programa de vinte anos do Garagem reúne os melhores (!) momentos dessas duas décadas. Precioso trabalho de arqueologia do Paulão. Estaremos todos lá ao vivo pra rachar o bico e dar nossos pitacos.

Se você alguma vez ouviu o Garagem - e muita gente descobriu maravilhas lá, e se descobriu - o programa de hoje é obrigatório. Se não, bem, não dá pra descrever, mas dá para garantir: você nunca ouviu nada igual. E tem muito, muito mais - aqui.

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