O amigo Alex Antunes, eternamente militante cultural, inventou um programa chamado Pós-Bizz. Foi inspirado pelos intermináveis e divertidíssimos debates político-socio-etílico-musicais das duas comunidades Bizz, do Facebook.

Que diabo é Bizz? Era uma revista onde trabalharam o Alex, e a Bia Abramo, e depois deles, eu. Alex nos convocou os dois para participar da segunda edição do programa. Foi transmitido ao vivo. Agora está pingando aos pedaços na internet.

É de alguma maneira ligado a um negócio chamado Pós-TV. Que é produzido pelo Fora do Eixo. Que eu não sei explicar o que é. E também não importa neste caso. Foram duas horas de papo ou mais. A gente se divertiu bem.

Deve ter saído alguma coisa que preste. Jamais saberei.

Aqui tem sete minutos. É mais que suficiente para responder definitivamente à pergunta que tantas vezes ouvi: por que você nunca trabalhou em televisão?

PosBIZZ 01/02/2012 - parte 1 por perolasblogs no Videolog.tv.

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Portraits FINAL 02 2 A melhor razão para ler um livro

His thoughts are a tattoo needle inking the space on an ace. É com frases cortantes como diamantes que se faz um romance negro como a noite. As mais letais são, como uma mulher fatal, inexplicáveis. Te atacam sem aviso e sem possibilidade de defesa. Evitar escorregar para a paródia é trabalho para homens crescidos.

É o caso de Michael Chabon, fã profissional, que nunca encontrou um gênero que não quisesse parafrasear.  Já remixou capa e espada (Gentlemen of the Road), história de detetive (The Final Solution), romance histórico (The Amazing Adventures of Kavalier and Clay) e por aí vai.

The Yiddish Policemen's Union é um romance noir a la Philip Marlowe, com um detetive maltratado pela vida e pelo amor, chegado numas cachaças, a quem só restou a obstinação de se arrastar até o final do caso que investiga.

Sendo Chabon, tem mais. A história se passa em um lugar e tempo imaginários, uma história alternativa. Depois da Segunda Guerra Mundial, os judeus não conseguiram manter o estado de Israel, que foi tomado pelos árabes. O que fazer com tanto judeu, pós-holocausto? O governo americano, um tanto a contragosto, criou uma solução temporária: migração para um território demarcado no Alasca, sem possibilidade de viagem livre para fora.

É um gueto com prazo de validade: 60 anos. Chegamos em 2007 com Sitka, uma cidade de três milhões de habitantes, todos judeus, a maioria vinda da Europa oriental. Agora todos estão novamente desterrados, porque os EUA estão retomando a cidade, e chegou a hora de enfrentar outra, mais uma, diáspora.

É, portanto, um típico romance policial dos anos 40, mas na verdade de ficção especulativa - embora a tecnologia seja absolutamente alinhada com a nossa - e mais uma história de judeus, e de amor, e ambiciosa, e inventiva, e fácil, como são as histórias de Chabon. Ganhou o Hugo, o principal prêmio da ficção científica mundial, em 2008.

forasta A melhor razão para ler um livro

Sou fã do cara. Li até seus livros de ensaios (Maps and Legends) e de dicas de como ser homem! É Manhood for Amateurs, sobre ser filho e pai, e sensível sem ser babaca. Mas enrolei anos antes de ler este. O título me parecia, hm, judeu demais. Nada contra e arrisca eu ter um sanguinho pelo lado da minha bisavó, Ana; os Coslovic eram judeus convertidos, corre a lenda familiar.

Mas mundinho étnico fundamentalista, tiras de barbicha e trancinha, deu preguiça. Vi em 2007 quando a Amazon me ofereceu, vi em vitrine nos EUA, fui empurrando. Dois meses atrás esbarrei na edição americana capa-dura no sebo aqui de perto. Quinze irresistíveis reais.

Que prazer ler um livro de sebo, com história, com cheiro, anos depois dele ser assunto! Foi minha leitura de reveillon, e escorregou goela abaixo como uma Veuve Clicquot geladinha.

Li que Chabon trabalha agora em Telegraph Avenue, um romance contemporâneo. Não me animou. Pulei seus dois primeiros, The Mysteries of Pittsburgh e Wonder Boys. Não tenho o menor saco para ler sobre universitários e seus professores e namoricos cabeça e os problemecos da classe média intelectualizada dos states.

Aguardo com ansiedade maior a adaptação cinematográfica de The Yiddish Policemen's Union. É infilmável, mas está nas mãos de outros especialistas em refrescar gêneros, os irmãos Joel e Ethan Coen. Sean Penn como Meyer Landmann?

Telegraph Avenue é uma avenida em Berkeley. E segundo o autor, este livro é uma desculpa para passar o máximo de tempo "pesquisando" em lojas de discos usados, como a Amoeba, ali pertinho. De qualquer jeito, tem meu voto de confiança.

Michael Chabon não é uma figura ímpar, um ícone, um rebelde, nem vai entrar para a história. Foi bonito; aos 49 anos, acusa o golpe. É só um de nós, um pouco mais talentoso, e agora mais riquinho - entre livros, vende seu tempo para Hollywood, dando um tapa nos diálogos de superproduções (a próxima é John Carter de Marte, de Edgar Rice Burroughs e da Disney; outro gênero, fantasia heróica, pronto para a recriação).

O que Chabon não é: gênio ou aspirante a. Sem problema. Desde quando ler é ligar os pontos do canône ocidental? Dane-se. Faço minha sua resposta a críticos que o acusam de submissão às regras da baixa literatura: "eu leio para me divertir. E escrevo para divertir."

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free Como trabalhar de graça e ganhar com isso (te conto na Campus Party)

É um dos enigmas de nosso tempo: a tecnologia em geral e a internet em particular acostumou todos nós a acessar conteúdo de graça. Está tudo lá, ao alcance de quem teclar. Ninguém quer pagar nada por livro, música, cinema, jornalismo. Mas vai mais longe. Ferramentas digitais ajudam todo mundo a comprar mais e mais barato todo tipo de produto, de alface orgânica a armário para o bebê.

Ótimo para quem compra, péssimo para quem vende. As margens de lucro vão sendo espremidas, e os empregos terceirizados para cada vez mais longe. Sugira que alguém deve pagar por música, filme ou jornalismo, e só falta os mais jovens te cuspirem na cara. Sugira que estes mesmos jovens trabalhem de graça, e serás chamado de porco capitalista.

Esses tempos atrás, eu li sobre a debandada da indústria têxtil da China. É, os salários chineses subiram um pouco nos últimos anos, as empresas estão indo para lugares onde os salários são mais desgraçados, Miyamar, Laos e por aí vai. Tá pensando que é para fabricar porcaria?

Estas fábricas produzem roupas com algumas das grifes mais famosas do Ocidente. A mocinha compra a blusa pensando em Paris e Milão, mas ela foi fabricada por uma garota do Laos de dezoito anos, que trabalha 14 horas por dia...

Tá, é drama bem mais explícito para proletários asiáticos do que para o brasileiro que quer viver de conteúdo. Mas pega mesmo assim. Tenho um amigo que dirige uma das maiores revistas do país. Sabe que o futuro já chegou e se instalou e quer fazer parte dele.

Mas quando eu conto como é o mundo digital, ele gela. Como sobreviver? Como exercer sua profissão? E o que garante que o modelo de negócio e trabalho que funciona hoje vai ser viável no ano, no mês que vem?

Donde que apareceu este tema para a próxima Campus Party. Quatro caras que têm o que dizer sobre o assunto, e respeitáveis currículos para bancar seus pitacos. E seu amigo aqui, convocado para moderar o papo, ou melhor, provocar debates e aumentar a temperatura ao talo.

Serão 45 minutos no mínimo interessantes - resuminho oficial abaixo. Se vais ao Campus Party, está convidado. Te espero no dia 10/2, das 15h15 às 16h45, no Anhembi Parque!

A CULTURA DO GRÁTIS E DO FREEMIUM TRABALHANDO A SEU FAVOR

Um mundo free representa um apelo enorme para os usuários, mas um enorme desafio para quem quer viver da internet. Uma discussão sobre os modelos, oportunidades e ideias (que vão além da publicidade) para resolver essa questão!

Debatedores

Caique Severo

Jornalista com formação em administração e marketing, trabalha com internet desde 1993. Participou da criação de alguns dos principais portais brasileiros, como Brasil Online, Zaz e Terra. Desde 2007 é um dos responsáveis pelo portal iG.

Jonny Ken Itaya

Responsável pelo Migre.me, um dos principais aplicativos para Twitter no Brasil. Trabalha com informática desde 97. Já trabalhou com edição de fotos, animações flash, administração de redes e programação. Também participa do Decodificando, podcast que fala de aplicação das leis sobre as novas tecnologias, é colunista do Techtudo e blogueiro no Infopod.

Daniel Wjuniski

CEO e co-fundador do Minha Vida. Também é sócio e participou da criação do Portal iCarros junto com os fundadores da WebMotors e do Banco Itáu. Foi selecionado pela Endeavor em 2009. Em 2011 foi vencedor do prêmio Empreendedor do Ano - E&Y, na categoria Emerging e do Prêmio Empreendedor de Sucesso da revista Pequenas Empresas Grandes negócios.

Alexandre Canatella

Empreendedor nato, apontado pelo revista Próxxima como uma das personalidades pioneiras da internet brasileira, co-fundador de CyberCook, CyberDiet e VilaMulher. sobrevivente da bolha de internet com o modelo de freemium no ano de 2000 com o lançamento de um serviço de dietas online. Palestrante e debatedor nos principais eventos e conferências do mercado online, escreve para ResultsOn e INFO. Ganhador do Prêmio iBest, ABANET e Prêmio ""Hermann Gmeiner"" de Responsabilidade Social.

André Forastieri (mediador)

Diretor de conteúdo do portal social Bubot e da Tambor Digital, agência de conteúdo e marketing especializada em games. Jornalista desde 1988, passou pela Folha e revistas Bizz e SET; fundou e dirigiu durante doze anos a Conrad Editora, especializada em quadrinhos e livros; foi diretor editorial da revista PC Magazine. Escreve sobre cultura, comportamento e tecnologia em seu blog, no portal R7.

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forasta Trabalhar menos: é bom pra saúde e pra economia

Meu primeiro emprego foi em jornal. Jornal é fábrica. Fui adestrado para imersão absoluta na produção de textos em prazo exíguo, e para fazer isso sob tiroteio de interrupções e distrações, telefone tocando, colega do lado batendo papo, TV ligada no jogo, e você lá parindo seu artiguinho. Foi e é utilíssimo na minha vida.

Na época não existia email, web, nada disso. Dava bem mais trabalho ser jornalista. Hoje é moleza, está tudo à distância das teclas; memória valia muito, hoje nada. Mas essa facilidade atordoante também é a mãe de todas as distrações.

Quanto tempo já gastei zanzando pela internet, ou cavocando vídeos obscuros? Eu e todo mundo, mas como jornalista passa pelo menos oito horas por dia na frente de um computador, é maior a chance de ver sua produtividade escorrer pelo ralo.

Por isso, muitas boas soluções para lidar com pressões e distrações vêm de jornalistas. Várias levam a assinatura da minha colunista de carreira favorita, Lucy Kellaway, do Financial Times. Sua coluna é republicada no Brasil pelo jornal Valor Econômico. Leia aqui.

A autora do malvado Who Moved My Blackberry?, romance engraçadíssimo sobre lesmas corporativas, deu esta semana a melhor dica para gerenciar seu trabalho que eu vi em muito tempo. Com a palavra, Lucy:

"Quando meus filhos eram pequenos, eu tinha de chegar em casa em um horário determinado todos os dias para liberar a babá. Eu não tinha escolha, e assim minhas tarefas ficavam milagrosamente sempre pronta a tempo.

Agora tenho a opção de trabalhar de forma mais flexível - ou seja, por mais tempo e de maneira menos inteligente - e por isso nunca deixei de aproveitá-la. Mas agora que tenho a oportunidade de pensar nisso, vejo que que essa ideia radical, de sair do trabalho na hora certa, não é nova. É chamada de trabalho das nove às cinco, e se não me falha a memória, teve muito sucesso."

Lucy Kellaway ok Trabalhar menos: é bom pra saúde e pra economia

Lucy Kellaway

Ironia de Ms. Kellaway? A demanda está mais que nunca em pauta. Segundo a federação de sindicatos britânica Trades Union Congress (TUC), mais de cinco milhões de trabalhadores do Reino Unido trabalharam 1.968 milhão de horas-extra sem pagamento em 2011. Se eles fizessem todo esse trabalho grátis começando dia primeiro de janeiro de 2012, iriam trabalhar na faixa até dia 24 de Fevereiro!

Por isso, a TUC selecionou 24/2 para ser a décima celebração anual do Work Your Proper Hours Day, o Dia de Trabalhar Suas Horas E Nada Mais. Para participar do protesto, basta neste dia o trabalhador chegar na hora certa, e não mais cedo, usar todo seu horário de almoço, e ir embora na hora certa.

É bom para a saúde. Segundo um estudo de 2010 do European Heart Journal, trabalhar três horas (ou mais) do que sete horas por dia corresponde a um aumento de 60% em doenças do coração.

Mas se todo mundo trabalhar menos não vai fazer um estrago desgraçado na economia? Pelo contrário. Segundo a TUC, as horas extras sem remuneração equivalem a um milhão de empregos que deixam de existir no Reino Unido. E como não rola salário em hora extra sem remuneração, o governo também perde em impostos, e esse trabalho todo não se traduz em maior consumo, também.

Atenção: o cálculo da TUC não inclui o tempo gasto fora de hora com emails, smartphones, pesquisa e tal ligados ao trabalho. Se incluísse, o número de horas extras que os britânicos trabalham sem ganhar nada aumentaria muito.

No Brasil já temos legislação mais avançada que a britânica, na teoria. Uma nova lei determina: tempo que você passa conectado digitalmente com seu trabalho, fora das suas oito horas diárias, conta como tempo extra. Parece bom, mas é contraproducente.

Porque com essa nova lei, seremos estimulados a passar MAIS tempo trabalhando fora de hora, e não menos. Sugiro lei no sentido contrário: cada minuto que você passar respondendo email à noite ou escrevendo relatório no final de semana deve ser descontado do seu salário. Em compensação, poderíamos passar a contar como hora extra o tempo que a gente passa no trânsito, a caminho do trabalho.

Estou com Lucy, ou melhor, um pouco além. Embora eu seja seis anos mais novo que ela, essa vida de jornalista no terceiro-mundo é bem mais puxada que na Inglaterra. Jornalista aqui leva vida de cão, e envelhce quatro anos em um, como cachorro.

Oito horas por dia, ou mesmo sete, já é muito para minha carcaça. Meu plano é adotar a semana de trabalho de 21 horas - mas vou deixar para explicar isso direito depois, porque decidi começar a diminuir minha carga horária neste exato minuto.

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alckmin 20100915 g Contra o impeachment de Geraldo Alckmin
Clique aqui

Recebi um convite para endossar o abaixo-assinado pelo impeachment do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O documento cita os casos Nossa Caixa e Alstom, ambos com perfume de falcatrua grossa; a mão pesada na USP e na Cracolândia; a desocupação da fazenda Pinheirinho, que fede aos céus; e por aí vai.

Eu teria mais uma bela lista de reclamações a fazer da administração do meu estado (e bairro, e cidade, e país, mas vamos focar). A principal é a militarização da administração pública da cidade de São Paulo, um retrocesso e tanto (leia post aqui).

Outro ponto importante: o Brasil não tem caminho para o futuro que não passe por São Paulo, estado mais rico e moderno do país, nossa conexão com o século 21. A visão desinformada e autoritária do eixo tucanato-malufismo que administra São Paulo é obstáculo a ser posto abaixo com urgência (leia o post aqui).

Mas vamos ser realistas: é difícilimo derrubar Alckmin com abaixo-assinado. Ele tem apoio de quem tem bala, porque se provou de confiança dos home. E mesmo que fosse viável desalojar o governador, desaconselho. Porque se devolvemos Geraldo para a sacristia, assume seu vice, Guilherme Afif Domingos, hoje candidato a prefeito pelo PSD de Gilberto Kassab. A empresa de Afif, a Indiana Seguros, foi acusada em 2010 de favorecimento: levou contratos de mais de dez milhões de reais da prefeitura de Kassab, então seu colega de partido no DEM. Afif trabalhou muitos anos com Maluf e Pitta. Deve ter aprendido alguma coisa.

Boa desculpa para impedirmos Afif? Talvez seja. Mas neste caso assume o presidente da Assembléia Legislativa. É o advogado, ex-ministro da agricultura do governo FHC e representante do agronegócio Barros Munhoz, do PSDB. Ele é réu em 21 processos, e já foi condenado por improbidade administrativa. Se fazes questão, a ficha completa está aqui.

barros munhoz2 Contra o impeachment de Geraldo Alckmin
Temos então duas alternativas, as duas ruins. Uma é tentar botar essa gente para fora via eleitoral, primeiro na Cidade e depois no Estado, com altíssimo risco de substituirmos seis por meia dúzia. Afinal, o principal candidato da oposição para prefeitura de São Paulo é o ex-ministro Fernando Haddad, responsável nos últimos anos por esta beleza de educação pública que temos no Brasil. Haddad vem cortejando Gabriel Chalita (escritor católico conservador, ex-secretário de educação de Alckmin), do PMDB, e o próprio Kassab, 80% de rejeição em São Paulo, que acenou com a possibilidade de indicar um vice para Haddad. Para o estado, daqui a dois anos, o ungido de Lula para concorrer ao cargo atual de Alckmin parece ser Aloysio Mercadante, imagino que em aliança com a pior escória da política paulista, dentro da política de apoio-não-se~rejeita que garantiu Lula e Dilma.

Não se emocionou? Nem eu. Adoraria empichar Alckmin, Kassab e uns 99% dos ocupantes de cargos públicos no Brasil. Só a bala, e estou velho pra pregar a revolução armada, não sei atirar etc. Por essas e outras que não voto há anos, manterei a posição em 2012, e fico com a segunda alternativa, também ruim. Que é bater em todo mundo. Todos esses caras merecem apanhar, alguns mais que outros; mais que obrigação, é um prazer.

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no cell phone sign Por que nunca atendo o celular

"Bora beber na vespera do feri? Liguei, mas celula ta desligado, claaaaaro!"

Puxão de orelhas merecido. Mais um de muitos, passados e futuros. Só fui ler dia seguinte, no email. Raridade, que em feriado jamais checo email.

Perdi boa chance de tomar uns tragos com amigo velho. Pena: depois de uma certa idade não se faz mais amigos velhos. Bem, é o preço da paz de espírito. Pago com gosto.

Os amigos e colegas já sabem: a chance de meu celular estar desligado é igual à de estar ligado. A chance de eu retornar uma mensagem deixada no celular é ínfima. Quer garantia de me achar, é por email, e mesmo assim até umas nove da noite. Saí do trabalho, só amanhã. Cada um com suas técnicas de gerenciamento do tempo. Eu com a minha: sumi.

Por que isso, porque não quero ir beber com os amigos ou fofocar com desconhecidos no Facebook? Não, é por causa do trabalho, que é muito, para um vagabundo convicto, se não prático, como eu.

Muita gente sofre, estressada, ansiedade a mil com os tantos estímulos da tal vida contemporânea, com a internet, as redes sociais e tal. Tanto as exigências do trabalho, como as da diversão. Eu não. Também não criei uma fórmula mágica que funciona para todos. Simplesmente desligo os aparelhos e tento dar conta da função toda. Quando saio do trabalho, é como se desligassem a internet do planeta. Atendo o número fixo de casa, que pouquíssima gente tem. Não tenho tablet, Flickr, Tumblr, não posto foto, não baixo nada. Quero menos input, não mais.

Quase ninguém pode se dar ao luxo de fazer como eu. Para começar, quem trabalha para empresas grandes tem que estar disponível o tempo todo, ou fazer de conta que está. Aí aumenta a pressão para "descansar" nas horas livres. Por isso, teóricos andam defendendo que o luxo máximo no século 21 é tirar férias off the grid - fora da megamatriz de tecnologia de informação e comunicação que nos cerca. Tem livro sobre isso, hotel que oferece isso, consultor vendendo esse peixe pra corporações.

Fácil falar. Tenho um amigo jornalista que foi passar uma semana numa pousada divina de frente para o mar na Praia do Forte e não conseguiu dormir uma noite, por causa do sossego e silêncio. Se você é daqueles que não acredita que está vivo se não postar no mesmo minuto sua experiência no Foursquare, no Flickr, Tumblr e não sei o quê, passar uma semana em um hotel off the grid vai ser causa de angústia, e não motivo de felicidade.

Embora eu tenha virado especialista em escapar das distrações e obrigações virtuais, na verdade ainda lido com elas bem melhor do que com as reais. Hoje de manhã, em casa, tive que lidar com eletricista, Eletropaulo, o funcionário do seguro que veio botar uma lona no forro que está vazando, a gerente do banco, meu filho que está nos últimos dias de férias, a mãe do amigo onde ele foi passar o dia, os livros dele que não estarão entregues no primeiro dia de aula, burocras variadas, oito emails escritos ou respondidos e 32 outros lidos, olhei Twitter, Facebook, li umas várias coisas e ainda escrevi isso aqui e mais um pouco. Tudo isso antes do almoço e antes de começar minha jornada oficial de trabalho. Ufa!

Pelo menos nessa função toda descobri um sistema de gerenciamento de tempo que parece perfeito para mim. Coisa de um carcamano pazzo. Te conto amanhã. Hoje acabou o tempo!

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Por enquanto temos uns quatro mil imigrantes haitianos no Brasil. Mixaria. Mas já é número suficiente para tocar o alerta em alguns quartéis. Olha a invasão dos negão! Daqui a pouco isso aqui tá cheio de vudu. A fronteira do Brasil é indefensável. Vamos ter que investir para murar a nação!

A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República está elaborando um projeto de política nacional de migração. A ideia é ser seletivo. Atrair cérebros e estabelecer limites bem rígidos pra quem chega fugindo da pobreza. O governo anunciou restrição à entrada de haitianos - serão somente cem vistos de trabalho por mês.

É piada. De janeiro a setembro do ano passado, o Ministério do Trabalho concedeu 51.353 autorizações de trabalho a estrangeiros, a maioria portugueses. Foi um aumento de 32% com relação ao ano anterior. E também segundo o governo, até agora entraram no país quatro mil haitianos, e a maioria já teve a situação regularizada. Mas os haitianos são pobres e pretos. Fossem lusos, ou adolescentes norueguesas ou surfistas australianos, estaríamos de boa.

De fato o Brasil não precisa de imigrantes haitianos. Há de haver os mais qualificados entre os que estão vindo, mas o grosso dos haitianos é bem pobre, e eles estão vindo ao Brasil para fazer trabalho de pobre - 45% dos haitianos são analfabetos. Já temos bastante pobre fabricado aqui mesmo, disposto a trabalho de peão, fazer o quê. Nosso Nordeste agora cresce a ritmo chinês, mas se a China que é a China faz tempo ainda tem meio bilhão de miseráveis, não vai ser aqui que vai faltar gente com pouca educação, vendendo o braço.

Também é fato de que nosso país é grande e vazio. Poderíamos transferir o total de dez milhões de haitianos para cá, que eles seriam absorvidos numa boa entre 200 milhões de brasileiros. E imigrantes imigram por que precisam - é lá justo fecharmos as portas para os sofridos haitianos?
Bem, justiça por justiça,  o Brasil não tem um pingo de responsabilidade por esse desgracê de cinco séculos no Haiti.

Para começar, não há haitianos originários do Haiti. A população é 80% negra e 20% mulata. Seus antepassados foram levados lá para trabalhar pela Espanha. Os moradores originais, índios Tainó, começaram a ser exterminados logo depois da chegada de Cristóvão Colombo, 1492. A história do Haiti é história de escravos. Os sobrenomes são pela segunda colonização da Ilha, por piratas franceses.

Os haitianos conquistaram a independência relativamente cedo, em 1804. É uma história bonita de luta, e a liberdade foi paga com sangue. Mas a independência de uma ilhota entre a Europa e os Estados Unidos é sempre relativa. O século 19 foi de sabotagem agressiva ao Haiti, embargos, invasões etc.

Os americanos ocuparam o Haiti diretamente na primeira metade do século 20. O regime dos Duvalier, que controlou o Haiti de 1946 a 86 e sangrou o país à inanição, foi integralmente bancado pelos EUA.

Ditadura total, e os detalhes de como tratavam qualquer oposição é material para pesadelos. O Haiti nunca mais conseguiu andar com as próprias pernas, com golpes e contragolpes, e a população em miséria subsaariana.

Dois anos atrás, 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções bíblicas reafirmou aos haitianos a insensibilidade da natureza a qualquer ilusão de justiça terrena. Morreram mais de 300 mil dos quase dez milhões de habitantes. A capital, Porto Príncipe, foi 80% ao chão. Um milhão de haitianos perderam as casas. O país, que era o mais pobre das Américas, foi à lona de vez.

Entram em cena a ONU e os países mais ricos da Terra. Quem prometeu ajuda para o Haiti? Quem entregou o que prometeu?

O jornal inglês Guardian fez o levantamento. Os países que prometeram as maiores somas para reconstrução, Venezuela e Estados Unidos (juntos, mais de US$ 1,8 bilhão), desembolsaram só 24% (US$ 223 milhões) e 30% (US$ 278 mi). Dos valores prometidos para projetos de agricultura - o povo lá passa fome - foram desembolsados somente US$ 125 milhões dos US$ 311 milhões prometidos. Para projetos ligados a saúde, US$ 108 milhões de US$ 315 milhões prometidos. Só apareceu de verdade grana para socorro imediato de emergência, como dizem os gringos: 86% dos US$ 2,5 bi prometidos.

E essa dinheirama foi para quem, para a população? Bem, 1% foi para o governo do Haiti; 34% para organizações de ajuda ligadas aos governos dos países doadores e 25% para ONGs. Uma bela parte da grana de ajuda para o Haiti está indo para empresas e ONGs dos próprios países que estão doando a grana. Business as usual.

O Brasil não fez tão feio quanto os Estados Unidos em termos de ajuda para reconstrução. Desembolsamos mais de dois terços do que prometemos, US$ 113,5 milhões dos US$ 163,6 milhões prometidos.

Fora os militares brasileiros que despachamos para lá. Na prática é dinheiro de cachaça. O Haiti não precisa do Brasil. Precisa de justiça.

Por parte de quem o injustiçou.

Por mim, teríamos colaborado com zero. Não matamos os índios que moravam lá antes do Colombo, não importamos africanos para as plantações, não ganhamos um centavo em meio milênio de ocupação do Haiti, e principalmente não tivemos nada a ver com a sabotagem da república haitiana, promovida pelas potências colonialistas europeias no século 19 e pelos Estados Unidos no século 20. Mas já que prometemos uma grana, devemos cumprir a promessa, e envergonhar americanos e europeus a botar a mão no bolso com vontade. Fazer caridade com palavras é fácil.

Se for para abrir a porteira, mais justo abrirmos para os paraguaios - afinal, o Brasil tem muita culpa no cartório pelo pobre estado do vizinho de Mercosul. E que tal abrirmos as portas da esperança para os tantos brasileiros que vivem levando porta fechada na cara?

A situação no Haiti é problema do Haiti, mas responsabilidade histórica da Europa, nos antigamentes, e dos Estados Unidos, até outro dia mesmo. Quem fez a sujeira que limpe. O Brasil tem seus próprios haitianos, made in Brasil.

haitianos imigrantes O Brasil não precisa de imigrantes haitianos, e o Haiti não precisa do Brasil

Os americanos ocuparam o Haiti diretamente na primeira metade do século 20. O regime dos Duvalier, que controlou o Haiti de 1946 a 86 e sangrou o país à inanição, foi integralmente bancado pelos EUA. Ditadura total, e os detalhes de como tratavam qualquer oposição é material para pesadelos. O Haiti nunca mais conseguiu andar com as próprias pernas, com golpes e contragolpes, e a população em miséria subsaariana.

Dois anos atrás, 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções bíblicas reafirmou aos haitianos a insensibilidade da natureza a qualquer ilusão de justiça terrena. Morreram mais de 300 mil dos quase dez milhões de habitantes. A capital, Porto Príncipe, foi 80% ao chão. Um milhão de haitianos perderam as casas. O país, que era o mais pobre das Américas, foi à lona de vez.

Entram em cena a ONU e os países mais ricos da Terra. Quem prometeu ajuda para o Haiti? Quem entregou o que prometeu?

O jornal inglês Guardian fez o levantamento. Os países que prometeram as maiores somas para reconstrução, Venezuela e Estados Unidos (juntos, mais de US$ 1,8 bilhão), desembolsaram só 24% (US$ 223 milhões) e 30% (US$ 278 mi). Dos valores prometidos para projetos de agricultura - o povo lá passa fome - foram desembolsados somente US$ 125 milhões dos US$ 311 milhões prometidos. Para projetos ligados a saúde, US$ 108 milhões de US$ 315 milhões prometidos. Só apareceu de verdade grana para socorro imediato de emergência, como dizem os gringos: 86% dos US$ 2,5 bi prometidos.

E essa dinheirama foi para quem, para a população? Bem, 1% foi para o governo do Haiti; 34% para organizações de ajuda ligadas aos governos dos países doadores e 25% para ONGs. Uma bela parte da grana de ajuda para o Haiti está indo para empresas e ONGs dos próprios países que estão doando a grana. Business as usual.

O Brasil não fez tão feio quanto os Estados Unidos em termos de ajuda para reconstrução. Desembolsamos mais de dois terços do que prometemos, US$ 113,5 milhões dos US$ 163,6 milhões prometidos. Se me perguntar, deveríamos ter colaborado com zero. Não matamos os índios que moravam lá antes do Colombo, não importamos africanos para as plantações, não ganhamos um centavo em meio milênio de ocupação do Haiti, e principalmente não tivemos nada a ver com a sabotagem da república haitiana, promovida pelas potências colonialistas europeias no século 19 e pelos Estados Unidos no século 20. A situação no Haiti é problema do Haiti, e responsabilidade histórica da Europa, nos antigamentes, e dos Estados Unidos, até outro dia mesmo. Quem fez a sujeira que limpe. O Brasil tem seus próprios haitianos.

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2011 The Adventures of Tintin Wallpapers Movie 1920x1440 A traição de Tintim

Traduttori, traditori, tradução é traição, me explicou Ezra Pound, que entendia dos dois, e não esqueci. Está no ABC da Literatura? Onde? Descobri anos depois que a pepita não era de sua lavra, mas tradicional epitáfio italiano às nossas pobres tentativas de nos fazer entender em outras línguas e linguagens. Nós carcas manjamos dessa parada; a velha bota já foi terra de gente de todo canto, núbios, vikings, sumérios,  persas, celtas, conquistadores e conquistados. Tutti buona gente... E ainda assim persiste a pergunta preguiçosa: mas é fiel ao original? Como se fosse essa a fogueira que o crítico deve atravessar quando julga uma adaptação. E agora somos todos críticos, dando nossos pitacos na internet sobre esse livro, aquele político, a roupa da moça da novela e a pertinência da construção de hidrelétricas na Amazônia, não é?

tintin A traição de Tintim

Tintim traz a assinatura bilionária do diretor Steven Spielberg e do produtor Peter Jackson, este famoso pela ortodoxia na adaptação de O Senhor dos Anéis. O novo filme leva à telona pela primeira vez outro objeto de culto, a idolatrada série de 24 álbuns em quadrinhos que fez a alegria de três gerações. Camisa pesa: é o mais famoso título da HQ em língua francesa.

O roteiro do filme mistura trechos e personagens de vários dos álbuns clássicos do personagem. Visualmente, não tem patavina a ver com o traço de seu roteirista e desenhista, o belga Hergé. Tintim é marco fundador
da ligne claire, a linha de nanquim sem volume, homogênea, elegante, estilo extremamente influente no quadrinho franco-belga e em todo lugar.

O filme é animação por computador, baseada na captura de movimentos de atores em carne e osso, e com versão em 3D. Já passou dos trezentos milhões de dólares de bilheteria e vai longe. Ignorantes relembram de má-fé o conservadorismo do belga George Remi, o homem por trás do pseudônimo Hergé. Destacam seu preconceito com pardos e terceiro-mundistas, seu eurocentrismo, sua fraqueza frente ao fascismo.

Hergé nasceu em 1907 e criou Tintim em 29. Era homem de sua época, e tão imperfeito quanto nós - surpresa! Queriam o quê, que fosse multiculturalista, politicamente correto, e inserisse um romance gay entre nosso herói e o Capitão Haddock? Cresçam.

tumblr l6q0u1KGUr1qziw2po1 400 A traição de Tintim

Fãs fiéis de Tintim pelo mundo afora também esperneiam - como estes porcos capitalistas anglófonos puderam trair tão cruelmente minhas queridas memórias da infância? Se és desses, o único retruque possível é, de novo: cresça. Seus álbuns empoeirados continuam lá no teu armário, camarada, exatamente da maneira como você se lembra, se é que ainda os têm. A boa tradução tem o desafio de ser fiel ao espírito do original, não à forma ou as minúcias; cada novo intérprete adiciona ou subtrai ao original; dinheiro manda; é assim que é.

A constatação é lugar comum para quem cresceu lendo também outro tipo de herói de gibi, o americano, em que cada novo desenhista ou roteirista deixa sua própria marca no Flash, Homem-Aranha e companhia uniformizada.O Batman de Bill Finger é tão Batman quanto o de Denny O´Neil e Neal Adams, ou o de Grant Morrison e Frank Quitely; o da série cômica dos 60 tão válido quanto a grotesqueria de Tim Burton ou o tech-noir de Christopher Nolan. Não gostou de nenhum, faça seu próprio Batman; e se a dona dos direitos não deixar, muda ele de nome e faz mesmo assim. Meu filme favorito do Batman chama-se O Corvo.

Tintim, bem, eu adoraria ver os talentos de Peter Jackson e Steven Spielberg enfrentando o problema criativo de traduzir a linha clara para o cinema. Não encararam, covardões. Verei mesmo assim, com meu filho de oito anos. E forçarei ele a atravessar pelo menos um episódio do desenho de Tintim, que volta ao ar diariamente no canal Futura. Quem sabe essas versões estimulam o moleque a enfrentar o gibi? Bem que me daria um prazerzinho ver o garoto atrás daquelas capas duras, mergulhado nos infinitos detalhes das incríveis, ultrapassadas e colonialistas aventuras de Tintim. O problema é que mostrei uma vez um álbum de Tintim para o moleque e ele não deu a menor bola. Gibi 2D de cinquenta anos atrás não tem bala para enfrentar Mario na terra do 3D; cada época tem seus Disneys, Kirbys e Hergés, e hoje a maioria deles trabalha na indústria dos videogames, não na dos quadrinhos.
Todos os romances são sequências, diz Michael Chabon; influência é êxtase.

Vi ontem O Espião que Sabia Demais. É uma adaptação solene do celebrado romance de espionagem. Interpretações sólidas, roteiro tosco à gastura. Mas passa com louvor pelo desafio de ser fiel à morna melancolia de John Le Carré. Agora toca rever a versão anterior, Alec Guinness, 1979; e dar uma folheada na minha edição do Círculo do Livro, o final era bem diferente, não? E onde está minha biografia de Kim Philby, líder dos Cambridge Five, inspiração real do traidor ficcional de O Espião Que Sabia Demais? Infinitas traduções, infinitas traições.

tin A traição de Tintim

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Arlindo Chinaglia Em 2012, você vai pagar mais que nunca para bancar os partidos políticos do Brasil

Arlindo Chinaglia/ABr

Em 2012, os partidos políticos receberão uma verba recorde do governo federal. Serão R$ 324,7 milhões de dinheiro dos brasileiros para os cofres dos partidos.

São cem milhões a mais do que o governo havia proposto para o fundo, que foi criado para financiar campanhas políticas com recursos públicos.

O partido que vai receber mais dinheiro é o PT, da presidente Dilma Rousseff. Com esse aumento da verba, o total que vai para o Partido dos Trabalhadores chegará a R$ 53,9 milhões.

O PMDB, do vice Michel Temer, vem logo depois com R$ 41,6 milhões. O PSDB, R$ 37,7 milhões. O DEM, R$ 24 milhões.

Quem aprovou o aumento da verba? Nossos parlamentares, durante a tramitação do orçamento de 2012, no finzinho do ano passado.

O relator do Orçamento foi o deputado federal Arlindo Chinaglia, do PT. O cálculo é baseado no número de eleitores do país.

A divisão da maior parte da grana é feita de acordo com a proporção de votos para cada partido obtida na Câmara dos Deputados; uma fatia pequena é dividida em partes iguais.

Para que os partidos podem usar essa dinheirama? Para "alistamento e campanhas eleitorais", para a manutenção das sedes dos partidos, para bancar serviços que eles prestam aos filiados, para propaganda, para financiar campanhas. Também pode ser usado para pagar dívidas de campanhas anteriores.

Achei que você gostaria de saber.

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...dar crack para os viciados.

Do bom. Sem porcaria no meio.

Melhor ainda: cocaína.

E comida farta.

E atendimento médico.

E suporte psicológico.

E entretenimento e roupa e xampu.

E apoio espiritual, para quem pedir.

E tratamento, para quem quiser.

E ajuda para o viciado reconectar com sua família.

Em um ambiente seguro e confortável. Fora da Rua.

Acabou-se a Cracolândia.

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