Neste papo todo sobre educação, veio à baila o livro O Clube do Filme.

Ele tem uma premissa irresistível para cinéfilos. Pai crítico de cinema, canadense, aceita que filho de quinze anos largue a escola, contanto que os dois assistam três filmes juntos por semana e conversem sobre eles.

Li em um dia de folga. É besta, na linha “como ser tão sensível e moderno a ponto de não educar o seu filho”, e os draminhas existenciais da dupla são vomitório puro.

Algumas anedotinhas memoráveis na linha jogo de trivia não compensam as horas e a grana. Premissas, como intenções e ideias, são 10 reais a dúzia. Execução é tudo na vida.

Agora, existem maneiras melhores de educar seu filho fora da escola. Não, necessariamente, abandonando a escola. Minha valentia não chega a tanto. E uma parte importante desta educação paralela envolve, sim, filmes. 

up 253 1024x573 Como enfrentar a adolescência vendo filmes

Up - Altas Aventuras

Eu vejo filmes com meu filho. Vejo desenhos também. Fomos assistir Up - Altas Aventuras neste domingo.

Quando ele tinha quatro anos e meio levei para assistir Homem de Ferro. Rola uma pancadaria nervosa e corre sangue, mas tudo bem. Se tem alguma cena mais assustadora, cubro os olhos dele.

O filme que mais meteu medo no moleque foi Coraline, porque aparecia uma mãe que virava bruxa, tinha olhos feitos de botão e prendia espíritos de criancinhas num armário escuro.

Tomás prefere histórias de ação com heróis. Ben 10, Naruto, Homem Aranha e tal. Também gosto. Heróis ensinam você a fazer o que é certo, proteger os mais fracos e enfrentar inimigos muito mais poderosos que você.

Também ensinam que você tem que dar um jeito de prevalecer, que o problema é seu. E que as garotas gostam mais dos heróis do que dos bundões que não dão a cara pra bater. Ensinamentos utilíssimos. 

Se eu for desfilar aqui tudo que aprendi lendo gibi, assistindo desenho animado e seriados de televisão dos cinco aos, sei lá, 44 anos, boto todo mundo pra dormir.

Então hoje só digo que os heróis modernos são muito mais legais que os antigos, porque são cheios de defeitos. 

Benjamin Tennyson, o Ben 10, não gosta de estudar, tem preguiça de ajudar o avô, vive brigando com a prima e só pensa em jogar videogame e colecionar cards. Naruto é manhoso e marrento.

São todos bisnetos, claro, de Peter Parker, o primeiro super-herói nerd, durango, cheio de defeitos e problemas. 

E um filho mais velho, adolescente? Não dá para fazer um “currículo” de filmes importantes para a educação de um teen? Claro.

Dá até pra fazer uma seleção de filmes sobre o primeiro emprego, ou sobre a maternidade, ou sobre ficar velho. Filmes que iluminem cada fase da vida. Quem diz que educação é só para jovem? 

outsiders 01 182x300 Como enfrentar a adolescência vendo filmesOutro dia, por causa da morte de Patrick Swayze, lembrei de dois bons filmes de Francis Coppola para adolescentes, Vidas sem Rumo e Rumblefish - O Selvagem da Motocicleta.

Eu emendaria no meu “currículo” outros dois de Elia Kazan, Vidas Amargas, com James Dean, e Esplendor na Relva, com Warren Beatty e Natalie Wood.

Na mesma linha eu adorava Buster e Billie, clássico da sessão coruja, de 1974, que nunca mais vi.

Warriors, os Selvagens da Noite. Laranja MecânicaAs Virgens Suicidas, Rushmore, Garotas Malvadas, Peggy Sue... ih, vou ficar aqui até o ano que vem.

E filmes europeus sobre teen, asiáticos, não tem? Tem, mas não lembro agora de nenhum. Esse negócio de teen é invenção de americano.

Lembro instantaneamente de ótimos filmes europeus sobre ser criança, que não são para criança assistir - Vítimas da Tormenta, Os Incompreendidos, Esperança e Glória.

E brasileiro? Não lembro de nenhum e acho que não existe. Estou desmemoriado? Menino do Rio era ruim como eu me lembro? Por favor, me ajude a encontrar um bom filme brasileiro, para entrar no nosso curso.

Taí, já vai sair um resultado útil desse papo todo: um currículo fundamental de “Como Aprender a Enfrentar a Adolescência Assistindo Filmes”.


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