Semana passada, quando derrubaram um helicóptero à bala no Rio, dei umas sugestõezinhas de como diminuir a violência no Brasil.
Tipo acabar com a Polícia Militar e investir o dinheiro público onde interessa, não nessa conversa de Copa e Olimpíada. Que, claro, políticos da esquerda à direita estão achando lindo.
Porque todo mundo vai pegar o seu. No jornal de hoje diz que serão 60 bilhões de investimentos para deixar as cidades prontas para a Copa. Uau.
E o repasse já foi antecipado. Veja aqui.
Agora, escrevi no mesmo texto que a PM de São Paulo pegava bem mais leve, matava menos, que a do Rio. E mesmo assim o número de homicídios em São Paulo é bem menor que no Rio. Tudo verdade.
O Marinho colocou lá nos comentários: pois é, mas aqui em São Paulo o PCC manda na periferia. Verdade também e ficou faltando no meu texto.
Em São Paulo também tem guerra civil. É nós contra eles. Nós somos a classe média para cima, para quem a polícia trabalha.
Eles são a classe média para baixo, 70% da população. Que, como a polícia, também trabalha pra gente. E se não tem morro, aqui tem a periferia. Onde a PM também chega passando fogo.
Marcelo Soares me chamou a atenção para uma reportagem do jornal Brasil de Fato, que trata das fronteiras dentro da cidade São Paulo.
O texto precisa ser lido e está aqui.
Para te estimular a ler o artigo completo, reproduzo abaixo apenas a lista de conflitos entre a população e a PM na cidade, neste ano.
Os conflitos de 2009

Reconstituição da morte da estudante Ana Cristina de Macedo - Heliópolis
Favela Chica Luísa, zona norte
31 de julho – Moradores da favela Chica Luísa realizaram um protesto contra a morte de um mecânico pela Polícia Militar. De acordo com a PM, o homem teria reagido durante a uma abordagem. Os moradores atiraram pedras contra viaturas da polícia e, mais tarde, um ônibus foi incendiado próximo ao Rodoanel. O motorista do coletivo ficou ferido.
Favela Filhos da Terra, Tremembé, zona norte
26 de agosto – A execução de um inocente, tido como traficante pela polícia, foi a causa da revolta dos moradores, que organizaram um protesto para denunciar a violência policial na comunidade. Durante a ação, ônibus e carros foram queimados.
Favela Tiquatira, zona leste
6 de janeiro – Protesto contra falta de abrigos municipais depois de um incêndio que destruiu diversos barracos na comunidade. Os manifestantes interditaram a Marginal Tietê, queimando pneus e outros objetos.
Também foram lançadas pedras contra os policiais, que usaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e dispararam tiros de borracha. Três pessoas foram presas.
13 de maio – Moradores fizeram um protesto contra a prisão de um jovem, autuado por tráfico de drogas, e de sua mãe, acusada de desacato. Os manifestantes bloquearam uma rua com pneus e pedaços de madeira e atearam fogo em quatro veículos.
Em resposta, a PM lançou balas de borracha e bombas de efeito moral. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas. Pai e vizinhos do rapaz preso asseguram que ele não tem envolvimento com crimes.
Favela do Sapo, na Água Branca, zona oeste
15 de julho – Moradores realizaram uma forte manifestação nos arredores da comunidade, revoltados com a ameaça de despejo por parte da Prefeitura, que alega que as casas estão em áreas de risco.
As famílias, no entanto, afirmavam ter recebido apenas a oferta de um cheque-despejo no valor máximo de cinco mil reais.
Favela Cidade Jardim, zona sul
6 de abril – Moradores da comunidade realizaram uma manifestação contra a falta de água no bairro, que ocupou totalmente a pista na altura da Ponte Engenheiro Ary Torres.
Favela da Cidade Tiradentes, zona leste
6 de maio – A desocupação de mais de 20 casas depois de um deslizamento de terra foi o estopim de um protesto na comunidade. Moradores atearam fogo em pneus e em um ônibus que estava quebrado.
A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes. Cerca de 120 pessoas ficaram desalojadas.
Paraisópolis, zona sul
2 de fevereiro – Policiais e moradores da comunidade entraram em confronto após o assassinato de um homem durante uma abordagem. A polícia sustenta que o homem assassinado era um traficante; os moradores afirmam que a vítima não tinha relação com o crime.
Em protesto, eles montaram barricadas e atearam fogo em veículos, pedaços de madeira e outros objetos, ocupando as ruas da comunidade. Seis pessoas ficaram feridas e nove foram presas.
Heliópolis, zona sul
31 de agosto – Moradores da maior favela de São Paulo revelaram-se contra a morte de uma estudante de 17 anos atingida por um tiro disparado por um guarda civil durante um suposto tiroteio com um suspeito de roubar um carro.
Os moradores montaram barricadas com madeira e pneus incendiados e receberam bombas de efeito moral e tiros de borracha por parte dos policiais. Pelo menos dois moradores se feriram.
Jardim Aracati, zona sul
25 de maio – O atraso de linhas de ônibus na região foi o motivo da revolta de moradores da comunidade, que apedrejaram nove coletivos nas proximidades da Estrada do M’Boi Mirim.
Com a chegada da polícia, os moradores fugiram. Um passageiro ficou ferido durante a ação.
Veja Confrontos nas favelas de SP em mapa
Se você quer ficar com raiva da polícia, veja a mãe de Ana Cristina, 17, chorando a morte da filha pela bala de um tira. E a reação da comunidade de Heliópolis, enfrentando o batalhão de choque da PM.
É uma reportagem de Paulo Henrique Amorim para o Domingo Espetacular.



