Vinte milhões de dólares em um dia.
Foi a bilheteria global de This is It, na última quarta-feira.
Considerando-se que é feito de um monte de trechos filmados obviamente para complementarem os extras no inevitável DVD, não está nada mau.
Veja o trailer do filme.
A explicação é a comoção com a morte de Michael Jackson. Encontrei meu primo uns dias depois da morte de Jackson. O cara é um sarrista. Tem trinta anos, nasceu em 78. Era criancinha no reinado de MJ.
Estava todo consternado com a morte do cara. O descanso de tela de seu notebook era MJ, estava assistindo os shows, comentando.
Que que deu no povo? Mesmo quem não dava mais pelota para Michael Jackson virou fã de repente.
Eu acho que tem pouco a ver com Michael Jackson, sua música (a imortal e a intragável) ou sua imagem (de fofo a assustador).
E tudo a ver com a uma sensação de “lá se foi minha infância” ou “lá se foi minha juventude” ou “lá se foi meu primeiro amor” que acontece quando se vai um ícone que embalou nossa vida.
A prova está na tradicional lista da revista Forbes.
Todo ano a revista norte-americana de negócios elenca “as celebridades mortas que mais faturaram no ano”.
As treze deste ano faturaram conjuntamente US$ 886 milhões.
São:
1. O costureiro Yves Saint Laurent, US$ 350 milhões
2. Os compositores de musicais Rodgers & Hammerstein (de A Noviça Rebelde), US$ 235 milhões
3. Michael Jackson, US$ 90 milhões
4. Elvis Presley, US$ 55 milhões
5. O autor de O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien, US$ 50 milhões
6. O criador de Charlie Brown, Charles Schultz, US$ 35 milhões
7. John Lennon, US$ 15 milhões
8. O escritor de livros infantis Dr. Seuss, US$ 15 milhões
9. Albert Einstein, US$ 10 milhões
10. O escritor de best-sellers (como Jurassic Park) e diretor Michael Crichton, US$ 9 milhões
11. O produtor de TV (de As Panteras e Barrados no Baile) Aaron Spelling, US$ 8 milhões
12. O guitarrista Jimi Hendrix, US$ 8 milhões
13. O artista plástico Andy Warhol, US$ 6 milhões.
Como essa lista foi divulgada no dia 27 de outubro, ainda não incluía a receita com This Is It, o filme, e muito menos o DVD e Blu-ray, que serão lançados antes deste Natal.
Dos treze, seis são músicos. Não é de graça. É que música nos toca como nenhuma outra arte. É a trilha sonora da vida.
Se eu ouvir, por exemplo, Steppin' Out, do Joe Jackson, me lembro instantaneamente de um carnaval no Clube de Campo de Piracicaba, 1983.
Se ouvir Mistreated, com o Rainbow, do primeiro semestre de 1988. Ou You Were My Last High, dos Dandy Warhols, dos últimos meses de 2003.
Lembro do meu amigo Beto e eu, 1982, consternados com a notícia de que Nile Rodgers, do Chic, iria produzir um disco de David Bowie.
Beto me consolou um pouco, “é moda, o Quincy Jones botou o Eddie Van Halen para modernizar o funk com Michael Jackson, agora o Bowie que é rock vai pro funk”.
Ah, se você gosta de ligar os pontos: o álbum Thriller foi lançado em novembro de 1982.
Let's Dance, de Bowie, foi gravado em Nova York em dezembro de 1982 e lançado em abril de 1983.
Se você nunca ouviu, ouça. Se você assistiu o filme Bastardos Inglórios, já ouviu uma faixa: Cat People (Putting Out Fire), que toca quando Shoshanna se embeleza, na preparação para mandar seu cinema cheio de nazistas para o inferno.
É o tema do filme “Sangue de Pantera". Adoro o filme original e a refilmagem, Jacques Tourner, Natasha Kinski, a guitarra de Stevie Ray Vaughn e o produtor da faixa, Giorgio Moroder. E Bowie, claro.
Se ele morrer, compro de novo todos os discos dele - mesmo já tendo tudo. Mesmo que ele não faça um bom disco desde, hmm, Let's Dance, 1982.
E a gente investe tempo e dinheiro em astros mortos, mesmo que eles já não fossem tão interessantes ou relevantes assim, porque eles nos falam ao coração.
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