Maria Amélia foi pra balada. Balada de tiazinha, claro: Donna Summer no Credicard Hall com uma amiga.

Com cinquenta anos, dois filhos, tá ótimo - Hot Stuff, Bad Girls, bom pra dançar, pra reviver a adolescência nos anos 70, pra lembrar como a vida é boa.

Era a noite do apagão. Fim de show, sem transporte público nem táxi fácil, mais de uma da manhã, Maria Amélia ofereceu uma carona para a amiga, que mora no Jabaquara.

Demorou. O trânsito na Avenida do Café estava travado. Luz na rua não havia. Estavam quase chegando. O Fiesta Preto avançava devagarinho, metro após metro.

Um motoqueiro aproveitou a escuridão. Encostou ao lado do Fiesta preto de Maria Amélia e apontou a arma. Ela pisou no acelerador. O motoqueiro apertou o gatilho duas vezes e fugiu.

A bala calibre 38 atravessou o cérebro de Maria Amélia Leite Roque Taiana.

Segundo o Ministro da Justiça, Tarso Genro, o apagão foi um “microincidente”. 

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