Lua Nova caminha para ser uma das maiores bilheterias da história. É o recorde de maior bilheteria para dia de estreia, 72,7 milhões de dólares.

É a terceira maior abertura de final de semana de todos os tempos, nos Estados Unidos.

Faturou 140 milhões de dólares, versus 151 milhões de Homem-Aranha 3 e 158 milhões de Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Considerando que os outros dois foram produções bem mais caras, com super-heróis super-conhecidos, e que estrearam no verão americano, quando as bilheterias sempre são grandes mesmo... os vampiros teen ficam muito bem na fita.

Lua Nova, dizem, é maior e melhor que Crepúsculo. Não vi e não verei tão cedo, não tenho pressa, mas verei. Até porque meu moleque viu e gostou do primeiro, vamos ver o segundo juntos.

E porque Chris Weitz, o diretor de Lua Nova, entende muito de criança e adolescente.

É o diretor de American Pie, de A Bússola de Ouro, e de um filme que já vi várias vezes - Um Grande Garoto, com Hugh Grant e Rachel Weisz, que acho linda de morrer.

Espero que todas as meninas que estão vendo Lua Nova essa semana assistam Um Grande Garoto, About a Boy. O filme explica muito sobre meninos de todas as idades.

Eu sempre fico com um soluço preso na garganta quando vejo essa cena:

 

Chris não pensa pequeno. Seus próximos projetos são a adaptação de um clássico da literatura fantástica, Elric de Melniboné, um cavaleiro albino que porta uma espada vampira, sugadora de almas, Stormbringer.

Ele foi criado por um inglês chamado Michael Moorcock. Que é um loucão e uma das maiores influências sobre muita gente boa no mundo da literatura e, claro, dos quadrinhos. Meus ídolos Alan Moore e Grant Morrison inclusos.

Fico pensando que as fãs de Lua Nova vão acabar assistindo um filme de Elric, só por causa do diretor. A ideia me traz um sorriso mefistofélico aos lábios.

cymoril Por que Lua Nova é maior que Crepúsculo 

E depois, Chris quer fazer o que chama de “minha homenagem a um clássico do cinema neo-realista italiano, Ladrões de Bicicleta”, intitulado The Gardener, o jardineiro.

É sobre... um menino, claro, e seu pai. Não viu o filme original de Vittorio de Sica? Men, todos os críticos do mundo já disseram que é um dos melhores filmes de todos os tempos. Tenho inveja de você. Assista hoje!

  

Engraçado que o primeiro Crepúsculo tenha sido dirigido por uma mulher que entende de meninas - Catherine Hardwicke, de Aos Treze - e o segundo por um cara que entende de garotos.

Mas natural que o novo seja melhor que o primeiro. O diretor é muito melhor, entende de teen, teve muito mais grana para gastar.

Nos Estados Unidos, os caras medem tudo, então naturalmente analisaram quem foi assistir Lua Nova neste final de semana.

Adivinha: 80% mulher e 50% com menos de 21 anos. Garotas adolescentes, claro. Eu tenho convivido com fãs da saga Crepúsculo adultas, e uma ou outra adolescente.

Tem alguma coisa na saga que transforma instantaneamente qualquer mulher em uma menininha de doze anos. Deve ser um feitiço de Stephanie Meyer.

85 milhões de livros vendidos em 39 línguas? Ela deve ter é pacto com o capeta.

Vi uma menininha assistir o primeiro filme em DVD meses atrás. Allana tem onze anos. Nunca tinha ouvido falar de Crepúsculo. Assistiu o filme hipnotizada.

Quando acabou, mal comentou o que tinha visto - apertou o play e assistiu o filme inteiro de novo.

Você pode analisar livro e o primeiro filme como quiser. E achar razões que explicam o sucesso. Mas não um sucesso deste tamanho, na boa.

Eu tenho lá minhas teorias. A principal nem é teoria, é fato: meninas têm medo de perder a virgindade (e meninos também, assunto para outro dia).

E quando perdem, geralmente dão um muxoxo, “é só isso?”

Tem uma diferença importante. Culturalmente, o mais habitual é que as meninas adiem um bom tempo perder a virgindade e os garotos tentem acelerar ao máximo.

O momento da adolescência quando seus hormônios estão fervendo mas você ainda não transou é mágico e poderoso. Ninguém esquece.

É muito frequente que grandes fenômenos pop sejam projetados minuciosamente para atingir esta faixa etária.

São meninos imberbes, bonitos, românticos mas não ameaçadores. Lembra do dos New Kids on The Block, do N'Sync? Da mania das meninas por Leonardo Di Caprio, na época de Titanic? Do Menudo?

 

No caso de Crepúsculo, Edward, o vampiro vivido por Robert Pattinson, é alto, bonito, charmoso, rico, galante, bom ouvinte, tem uma família glamurosa, carros bacanas, é absolutamente apaixonado por Bella... e não quer transar com ela!

É a fantasia das fantasias; a menina pode passar a noite abraçadinha com seu amor, no aconchego romântico da adolescência, olhando a lua e conversando... e não se preocupar que daqui a pouco ele vai estar tentando tirar sua calcinha.

Eu comentei com a Beatriz, editora da revista Movie, que leu os livros: parece o melhor amigo gay que toda garota sonha em ter.

Ela disse não, no final da história toda - Spoiler, pessoal - Bella e Edward casam, ela engravida, quase morre, e ele a transforma em vampira para salvá-la.

E a saga acaba aí, claro. Quem quer ver Edward trocando as fraldas cocozentas de sua filhinha e levando a menina no dentista para colocar aparelho?

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