Publicado em 25/11/2009 às 11:26

Avatar: James Cameron além da fronteira final

Você gosta de cinema? Gosta de verdade, ou gosta só de ver um filminho legal de vez em quando?

Você sabe que uma pessoa gosta de cinema quando ela gosta de ler sobre cinema. É a mesma coisa em música, arte, culinária, qualquer coisa.

Se você é apaixonado por uma coisa, quer saber mais, se informar, imergir naquele universo. Eu gosto muito de cinema. E tenho o prazer incrível de estar editando uma revista de cinema.

O nome da revista é MOVIE.

A MOVIE está longe de ser perfeita, mas tem bons textos, colaboradores muito interessantes, e visualmente está convidativa.

O número dois está nas bancas. Não todas - é revista independente, meus amigos. Mas está nas maiores bancas das maiores cidades.

Se quiser comprar a 2 e não está achando, mande um email para a Andreia: andreiaqueda@tambordigital.com.br

E se quiser receber a 3 de graça na sua casa, você pode garantir a sua já. Revista grátis? Veja como clicando aqui.

Você pode e deve colaborar com a revista. Estamos sempre procurando gente boa e nova. Às vezes nova mesmo.

Na número 2, tem uma resenha de O Solista feita por um garoto de 13 anos. Para mim, está sendo um prazer enorme lançar a MOVIE. Também porque me dá oportunidade de escrever sobre cinema.

A matéria de capa da MOVIE 2 é o filme Avatar, de James Cameron. É o primeiro que ele faz desde Titanic. Ele chega em dezembro e, francamente, estou contando os minutos para a estreia.

Como é um dos filmes mais esperados de todos os tempos, e como é um grande salto em termos de inovação tecnológica no cinema, mereceu a capa.

É uma reportagem de doze páginas. Já viu revista com matéria de capa de doze páginas? E mais o editorial abaixo, que eu escrevi.

Jim era o tipo de adolescente que você não encontra toda hora:  estudioso, boas notas, ótimo em exatas. Não dava trabalho. As horas vagas passava mergulhado em livros de ficção científica.

Os adultos perguntavam: vai ser engenheiro como seu pai? Ninguém estranhou quando ele decidiu fazer faculdade de Física. Pertinho estava a University of South California, que tinha curso de cinema e uma coleção de filmes muito grande.

Jim se apaixonou por cinema – pelo lado técnico do cinema. Pesquisava métodos de projeção, funcionamento das câmeras, efeitos visuais. Lia textos técnicos, xerocava trabalhos acadêmicos. Foi se educando. A faculdade de física foi se tornando cada vez menos interessante.

Jim abandonou os estudos. Sem profissão nem certezas, foi tocando a vida. Motorista de caminhão foi a profissão em que durou mais tempo.

Já tinha 23 anos quando viu o filme que mudou sua vida – a mais perfeita integração de avanço técnico, mitologia clássica e ficção científica que já tinha visto na vida.

O ano era 1977, o filme era Star Wars, e nosso herói encontrou sua missão: fazer melhor que George Lucas. E isso, Cameron nunca fez. Até agora.

Não faltou dedicação à parte técnica do cinema. Para fazer seu primeiro filme, o curta Xenogenesis, em 1978, Jim desmontou a câmera antes do primeiro take, para descobrir exatamente do que ela era capaz.

Quer ver o Xenogenesis? Está em duas partes, aqui:

Foi maquetista, designer e diretor de arte em alguns dos melhores filmes de baixo orçamento da época. Aprendeu com mestres como Roger Corman e John Carpenter em títulos como Fuga de Nova York e Galáxia do
Terror.

Dirigiu os efeitos especiais de umas das melhores cópias baratas de Guerra Nas Estrelas, Mercenários das Galáxias.

Também não faltou dedicação ao lado artístico do cinema. Desde o início, Cameron não se propôs a ser um simples diretor. Queria controle. O Exterminador do Futuro já trazia crédito de “writer”.

Mas ele também não queria só ser um roteirista bem-sucedido (embora entre seu primeiro e segundo filme, tenha assinado o argumento de Rambo 2).

RAMBO Avatar: James Cameron além da fronteira final

A cada filme, Cameron deu um passo à frente, técnica e emocionalmente. Ganhou fama de mestre da ficção científica hardcore, mas arrastou multidões ao cinema.

Porque os argumentos de Cameron tocam em problemas reais e atuais, num ambiente fantástico -  uma fórmula para a melhor ficção científica.

O filme que finalmente trouxe o Oscar a Cameron é o menos realista de todos. Titanic não tem robôs ou alienígenas, mas é 90% pura fantasia.

Um filme deslavadamente romântico para o público feminino – algo que o diretor nunca tinha tentado. A razão porque Cameron fez Titanic em 1997 é técnica.

O outro filme que ele queria fazer em meados dos anos 90 era impossível.

O universo virtual mais convincente criado até então era o de Jurassic Park. Mas nem Steven Spielberg se arriscou a recriar em computação gráfica um meio ambiente inteiro.

Jurassic Park 2 blog Avatar: James Cameron além da fronteira final

Cameron havia escrito aventura de ficção científica inteiramente passada em um planeta chamado Pandora.

O romance entre uma alienígena e um humano é inspirado em um dos mitos fundadores dos EUA, o de Pocahontas – a história real da princesa indígena que salva o colonizador inglês e se apaixona por ele.

Avatar parece ser muito mais leve, mais mágico, que a maioria dos filmes de Cameron. E ele sabe ser delicado. Lembra da criatura feita de água, em O Segredo do Abismo?

Claro que o lado milico linha-dura também não pode faltar. No caso, personificado em um brucutu, o Coronel Quaritch.

O filme ilustra o choque entre civilizações e seu custo para o meio ambiente requeria a criação convincente de um ecossistema – fauna, flora, e uma civilização de cultura absolutamente alienígena, a dos Na’vi.

Uma boa comparação que vem sendo feita: O Último dos Moicanos.

A computação gráfica, os sistemas de filmagem, os sistemas de captura de movimento e os métodos de projeção dos anos 90 não estavam avançados o suficiente.  Agora, doze anos depois, estão.

Veremos Avatar e saberemos se valeu esperar tanto tempo pelo trabalho da vida de Cameron, a obra que ele prepara desde que viu Star Wars em 1977.

A única coisa que James Cameron jamais fez: um filme para toda a família.

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