Quando transferi meu blog do UOL para o R7, mudei um pouquinho o foco, de totalmente “lo que quieras” para uma pegada, digamos, contra a corrente.
Não do contra. De vez em quandíssimo, quando escrevo aqui uma crítica, já saio com a pedra na mão.
Mas cotidianamente tenho tentado - num estilo coloquial e quiçá cutuquento - colocar contrapontos ao senso comum, confundir, complicar, jogar luz sobre os muitos matizes de cinza que existem entre o preto e o branco.
Ou seja, é exatamente o contrário da proposta de ser um provocador. O provocador é um cartunista. Exagera o narigão do retratado, aumenta a careca, carrega nas cores, para ficar muitíssimo claro quem é o alvo e porque ele merece bala.
Mesmo assim - como arrumei umas brigas boas umas décadas atrás, e quem faz fama deita na cama - para um ou outro ainda carrego a pecha de cara do contra.
Esclareço novamente: sou seguidor de Eris, a deusa da discórida, não de Ares, o deus da Guerra.
Agora, para quem ainda tinha alguma ilusão de que o emprego de bad boy (nem tão boy) oficial do R7 era meu, novidades.
Temos agora um provocador oficial no R7, Marco Antonio Araújo, também conhecido como... O Provocador.
Welcome, my friend, to the show that never ends!
Marco Antonio chegou chegando, defendendo a recepção ao presidente do Irã, metendo o pau na lei antifumo e provocando a ira da colega Rosana Hermann.
Bem, eu meti o pau na lei antifumo, e meio que entendo porque o Brasil deve fazer negócios com o Irã, e espero não provocar nunca a ira da Rosana, de quem sou leitor e, espero, querido.
Mas em um país em que ninguém quer arrumar treta com ninguém, bato palmas para qualquer um que dê a cara para bater. E o nosso Provocador pontua bem para caramba. Pago pau para um cara que sabe usar pontos e economizar nas vírgulas.
Claro que o fato do Marco Antonio ter estreado defendendo a Record e descendo o pau na Folha vai gerar críticas de cara.
De fato, provocador a favor não existe, assim como não há jornalismo a favor - vira relações públicas.
Eu não sou a favor. Ou melhor, sou a favor de todo mundo. Só sou contra os monopólios e os cartéis.
Torço para o sucesso do R7? Claro e colaboro em tudo que puder.
Espero que a Folha de S. Paulo vá à falência? É evidente que não.
Quero mais é que todos os grandes grupos de comunicação continuem competindo cada vez mais.
É mais emprego para os jornalistas, mais oportunidades para as empresas de tecnologia, de internet, de comunicação.
Mais ação, mais confusão, mais diversidade, e principalmente salários melhores.
A competição acirradíssima na internet brasileira, com UOL à frente, Terra renovando o jornalismo, G1 dando banho em hard news, MSN crescendo, agora um projetão como o R7, daqui a pouco a estreia do novo iG, que tem uma megareestruturação editorial a caminho - tudo isso é sensacional.
A Folha, o Estadão, o Globo, o Valor, os diversos jornais fortes regionais - OK, não vivemos no melhor dos mundos, mas é muito melhor do que se tivéssemos só um grande jornal nacional ditando as regras.
Tem alguma empresa de comunicação que seja a dona da verdade, inatacável e impoluta? Não é o ponto. O ponto é a distribuição razoavelmente equânime de forças. E olho crítico e vigilante nos deslizes de gregos e troianos.
Tenho um pé no mercado de internet e outro no mercado de revistas.
Qualquer editor de revistas vai te dizer: é um problemão a existência de uma empresa que domine dois terços do mercado, como a Abril.
Você pode argumentar que ninguém teve competência para peitar a Abril e roubar dela uma fatia do mercado. Procede. Independente disso, é um pepino você ter uma editora só com tanto poder. E ainda por cima, dona da única distribuidora de revistas do país.
O nosso mercado de revistas seria mais saudável se tivéssemos quatro ou cinco empresas de porte similar quebrando o pau? Com certeza. Vai acontecer? Passou a hora. A Abril é a Ambev das revistas. Não tem mais como ninguém encarar de frente. Restam os nichos.
Leio revistas da Abril? Frequentemente. Folha? Na web. G1? Sempre. R7?
Virou hábito diário. E mais um milhão de outros veículos, grandes, médios, minúsculos.
O homem, meus amigos, é um animal onívoro.
Agora, conversando sobre a estreia do Marco Antonio Araújo, um chapa me provocou: se a Abril tem um Reinaldo Azevedo, porque a Record não pode ter alguém que compre suas brigas?
Pode, claro. Cada potência que escolha seu melhor guerreiro, que orem todos para Ares, escolham suas armas e vão à luta. Eu fico na arquibancada, clamando por sangue na hora do pau e pedindo clemência para os derrotados. Polegar para cima, sempre.
Nosso colega Provocador vai, com o tempo, deixar claro se é o campeão da Record, ou se - diferente do Reinaldo, por exemplo - é metralhadora giratória, como se autodefinia meu herói Paulo Francis.
Enquanto isso, seguirei lendo o Provocador. E no aguardo de um post do Marco Antonio cutucando a Record.
Inspirado por tanta animação, eu, que estou semiaposentado dessas refregas, estou preparando um artigo sobre... A Fazenda.
Só pra provocar, claro.




