Publicado em 30/12/2009 às 10:00

Minhas resoluções de ano novo

Passarei a virada de ano com os pés afundados no oceano atlântico e o cérebro em um laguinho de champagne. Pode conter também whisky, cerveja e outras bebidas que dão barato e não dão tanta ressaca. Porque não tem coisa mais pavorosa do que já começar o Ano Novo de ressaca, se sentindo derrotado.

É a única data festiva em que eu fico festivo mesmo. Natal, aniversários etc. não me comovem. Os dias antes do Reveillon e imediatamente posteriores sempre são dias felizes para mim. Mesmo que eu saiba que daqui a pouco volta tudo à rotina habitual.

O Ano Novo começa a ser real, pra mim, no dia em que começa o horário de verão. E termina quando acaba o horário de verão, o que para mim é o pior dia do ano. Dali pra frente é business as usual, mesmo, e não há para onde fugir. Até o próximo final de ano.

Eu queria explicar o que sinto sobre o Ano Novo de maneira criativa, engraçada e pelo menos um pouco inspiradora - sem ser piegas - aqui para o Blog.

Às vezes a gente fica procurando a coisa certa para dizer ou escrever. É a maior perda de tempo. Tudo já foi dito ou escrito de maneira melhor do que você ou eu somos capazes (Por exemplo: dá pra desejar algo melhor para o Ano Novo do que “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”? Não dá. A não ser “ eu te amo”. Mas não dá pra sair por aí dizendo isso pra todo mundo).

Minha principal resolução de Ano Novo é encontrar tempo e disciplina para fazer mais exercícios (podem rir, incrédulos).

Como trabalho muito, a única maneira de conseguir me exercitar será trabalhando menos, o que é minha segunda resolução. Como vou trabalhar menos em 2010, posso entrar no aquecimento já e picaretear meu post de Reveillon.

Assim, em vez de escrever algo inteligente sobre o Ano Novo, faço minhas as palavras de gente mais esperta do que eu:

Otimista é quem fica acordado esperando o Ano Novo chegar. Pessimista é quem fica acordado para ter certeza que o ano velho está acabando mesmo.
Bill Vaughn

As pessoas se preocupam muito com o que comem entre o Natal e o Ano Novo. Mas o problema é o que a gente come entre o Ano Novo e o Natal.
Anônimo

A única maneira de enfrentar as festas de final de ano é completamente bêbado. O apogeu é no Ano Novo, quando você está tão bêbado que chega até a beijar a pessoa com quem é casado.
P.J. O'Rourke

Nunca conte sua resolução de Ano Novo para ninguém. Fica duas vezes mais pesada.
John Selden

Resoluções de Ano Novo são cheques que os homens passam de bancos em que eles não têm contas.
Oscar Wilde

Que todos os seus problemas durem tanto quanto suas resoluções de Ano Novo.
Joey Adams

Ano Novo, hora de se encher de boas intenções. Semana que vem você pode começar a pavimentar a estrada para o inferno com elas.
Mark Twain

Agora, contagem regressiva: dez... nove... oito... ah, você sabe o resto. Um brinde!

Nos vemos em 2010...

Beijos

André

Publicado em 27/12/2009 às 06:00

Em 2010, vamos dar continuidade ao miserê de sempre

champagne blog Em 2010, vamos dar continuidade ao miserê de sempre

Em 2010, vamos eleger um novo presidente. Muito papo vai correr sobre as conquistas do mandato de Lula. Como Dilma vai dar continuidade. Como Serra vai avançar ainda mais.

É exatamente a hora de baixar a bolinha dos marketeiros. E deixar dolorosamente claro o seguinte: o Brasil continua - e continuará - sendo um país de merda.

É um país cada vez mais rico. Com um povo que continua muito, muito, muito pobre.

Tanto se falou sobre a entrada de 20 milhões de brasileiros na classe C, vindos das classes D e E. Hei, eu sou o último cara a reclamar do Bolsa Família e cia.

Mas, na boa, é um pinguinho d'água no oceano. Os números falam mais alto que qualquer propaganda política. A famosa classe média - de que todo mundo acha que faz parte - tem fronteiras bem delimitadas nas pesquisas.

Trata-se de gente que tem nível de renda entre R$ 1.752.00 (classe C1, o alto da C) e R$ 2.326,00 (classe B2). São 31% dos domicílios. A classe A, a elite do país, representa 3% da população. Esses são os ricaços?

Não. Pelo critério de classificação socioeconômica atual, qualquer um que possui renda superior a R$ 3.267,00 pertence à classe A. E o topo da pirâmide?

É a classe A1, com renda pessoal acima de R$ 4.427,00. Um pouco mais de três mil, e você está na classe A. Quer dizer: 97% dos trabalhadores brasileiros ganham abaixo de três paus e pouco!

E toca pagar imposto alto em tudo, e mais médico, dentista, escola, vigia da rua...

Sei que o Brasil enfrentou a crise melhor que outros países. E que tem pré-sal, copa, olimpíada, mulher gostosa e o escambau. Mas vamos diminuir o tom triunfalista, que tá dando engulhos.

O Brasil não é pobre: é pior que pobre. É um pai rico e injusto com seus filhos. O Brasil dá tudo para zero, vírgula zero nada dos brasileiros. E uma banana para a maioria.

Estamos avançando? Estamos.

Mas se continuarmos avançando na mesma velocidade dos últimos oito (ou 16?) anos, o Brasil só será um país justo lá pelo século 25.

Infelizmente, em 2010 vamos eleger um cara - ou uma mulher - que vai manter a coisa na mesma toada. É cruel. Mas é a real.

Veja mais:

+ O sangue de Berlusconi e a racionalidade da maluquice

+ Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo

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Publicado em 26/12/2009 às 10:56

O ataque dos sorrisos clonados

Tomás tem que usar aparelho móvel. Está usando, azul e vermelho, inspirado pelo Homem Aranha.  É necessário, garante o dentista, porque se ele não usar, os dentes permanentes que estão chegando vão nascer tortos.

Convenci ele que usar aparelho é sensacional e prova de que ele já é um menino grande. Lavagem cerebral!

Quando eu era criança, só menina rica usava aparelho. Homem no colegial, às vezes, e tinha que ser muito macho para aguentar os amigos acusando de afrescalhado.

Hoje todo mundo usa aparelho e todo mundo fica com os dentes iguais - regulares, e portanto "bonitos", mas iguais, sem personalidade.

Custa uma grana preta, enche o saco, mas nessas coisas não dá pra fugir da tribo. Não quero que meu filho daqui vinte anos venha me pentelhar por causa dos dentes esquisitos num mundo de sorrisos clonados.

Agora, os dentistas querem que os marmanjos também fiquem com os dentes bonitinhos. Tenho um buraco em um dente da frente, e a cada dois anos a massinha cai. Meu doutor me chaveca para colocar uma faceta.

Vou acabar me rendendo, mas sempre lembro do que aquela moça falou sobre David Bowie: "gostava mais dele quando tinha os dentes podres".

Veja mais:

+ Meu filho no mundo gay

+ Especial de Natal do R7

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Publicado em 25/12/2009 às 09:49

Meu filho no mundo gay

Almoço em casa, meu filho dispara: “pai, você sabia que tem mulheres que se beijam? Beijo de casamento?”

Beijo de casamento é como Tomás batizou beijo na boca.

Falei “sabia sim, Tomatão, você viu em algum lugar?”

Ele: “na VH1”.

Eu pensei: isto é cultura pop.

Expliquei, “é, tem mulher que beija mulher, tem homem que beija homem, tem tudo que é coisa no mundo. Cada um do seu jeito, meu filho.”

Ele: “como chama mesmo?”

Eu: “gay. Ou homossexual. Tem mulher que casa com mulher, filho, e homem que casa com homem. Só que aí não nasce criança.”

Ele fez uma careta inescrutável, “hmm”, e mudou de assunto.

Veja mais:

+ Especial de Natal do R7

+ A origem do Natal

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Publicado em 24/12/2009 às 11:05

A origem do Natal

Foi há mais de dois milênios. Ele nasceu no dia 25 de dezembro. Veio ao mundo em cenário humilde, cercado por pastores e animais. Sua mãe, uma jovem virgem.

Ele cresceu. Não era um homem. Era Deus em forma humana. Se tornou um exemplo e um mestre.

Fez os aleijados andarem, os cegos verem. Ressuscitou os mortos. Pregou que os homens são julgados pelo que fazem neste mundo - e que os bons e os maus têm destinos bem diferentes na vida eterna.

E ensinou que há um julgamento final.

Era um profeta e um redentor, o filho de Deus. Para segui-lo, você tinha que aceitar o batismo. E comungar com ele do pão e do vinho. Antes de deixar este mundo, reuniu doze discípulos.

Que levaram seus ensinamentos para muita gente.

O nome dele era... Mithras.

mithras  A origem do Natal

Mithras era o deus do sol e da luz. Antes de Roma, o império mais poderoso era o Persa. Os romanos foram quase tão influenciados pelos persas como foram pelos gregos. Mithras era uma divindade persa.

O profeta Zoroastro previu: Mithras, o deus da luz, que enfrenta as trevas, virá até nós em forma de humano.

Seu nascimento era celebrado no Solstício de Inverno. É o momento do ano em que a Terra está mais distante do Sol. É, portanto, o exato meio do inverno, o momento em que o inverno começa a ceder. Uma festa de triunfo do sol.

O Mistraísmo era a religião mais popular entre os soldados romanos, nos séculos I e II. No Século II, o imperador romano Cômodo se converteu ao Mitraísmo.

Em 220 DC., o imperador Heliogabalo declarou que Deus Sol Invictus (o invencível deus do sol) seria o deus mais importante para Roma, substituindo Jupiter. O Sol Invictus era uma fusão de muitas divindades solares.

Uma  maneira de quase todo romano continuar adorando suas divindades particulares, mas se submeter a Roma. Em 270 DC, Aureliano, um oficial do exército romano se tornou imperador.

Ele conseguiu reunificar o império, através da força militar. Em 274 DC, Aureliano decretou que todos os romanos deveriam adorar uma religião obrigatoriamente, e adorar “Sol Invictus”.

 invictus 1 A origem do Natal

Adorar o Sol é uma outra maneira de dizer que adoramos a beleza, o poder, a vida, a harmonia – afinal, é em volta dele que todos os planetas se movem.

Deuses solares tinham muitos seguidores no império. Como Mithras, Apolo, Dionísio... e Jesus.

Logo depois, na época do imperador Diocleciano, muitos romanos tinham se convertido ao cristianismo. Diocleciano os perseguiu sem dó. Tentava estabelecer a religião estatal como a única.

Seu seguidor Constantino foi mais diplomático. Em 313 DC interrompeu a repressão aos cristãos. Na prática, unificou as duas religiões - a adoração ao Deus Sol e o cristianismo.

Constantine A origem do Natal

Em 321 DC, tirou definitivamente o cristianismo da mão dos judeus, quando mudou o dia de adoração (e de descanso oficial, reconhecido pelo Estado) do Sábado para o Domingo. A nova religião ganhou um líder inconteste, Constantino, e uma estrutura centralizada.

Em 325 DC, Constantino reuniu uma parte dos líderes da nova religião para definir a doutrina definitiva do que seria o Cristianismo: o que era aceito, o que era heresia. Foi numa cidade chamada Nicea. Hoje tem outro nome, Iznik. Fica na Turquia.

A Igreja tinha então aproximadamente 1800 bispos; mais ou menos um sexto deles participaram do Conselho de Nicea. Constantino não fez muita questão que os bispos que discordavam de seus planos participassem. Os debates foram registrados para a história.

Alguns evangelhos, como os de Tomé e de Maria, ficaram de fora. Os quatro que conhecemos todos foram oficializados. A santíssima trindade – pai, filho e espírito santo - foi reconhecida ali.

E foi neste mesmo ano de 325 DC que Constantino decretou que, daí em frente, o dia 25 de dezembro seria a festa do nascimento de Jesus, comemorada em todo o Império Romano.

Em muitos lugares do mundo, muito antes do império Romano, esta época do ano foi celebrada por muitos povos.

É o solstício de inverno. Basicamente, o momento em que o nosso planeta está mais longe do Sol. É quando temos a noite mais longa e o dia mais curto. O exato meio do inverno, e portanto o começo do seu fim, e o começo do triunfo do sol.

O solstício foi ou é comemorado por, basicamente, todo mundo, desde a Era do Bronze. Do Japão à Índia à Pérsia e Grécia antigas; em todos os países do norte europeu; no império Inca; e também em Roma.

E muitos dos rituais envolviam mitos sobre morte e renascimento. Como a natureza, que parece morrer no inverno, para ressuscitar com a chegada do sol. Os deuses destas festas são deuses solares.

No hemisfério sul, acontece por volta do dia 20 de junho, e é menos pronunciado. No hemisfério norte, é sempre por volta do dia 21 de dezembro.

Mas muito antes de Constantino escolher o dia em que Jesus “oficialmente” nasceu, o imperador romano Júlio Cesar definira – em 46 AC - que oficialmente o solstício de inverno acontece no dia 25 de dezembro.

Celebramos o Natal porque imperadores romanos, dois milênios atrás, decidiram que esta data era sagrada.

Mas eles assim decidiram porque o solstício de inverno sempre foi tempo de esperança. Porque é quando a esperança é mais necessária.  No Hemisfério Norte, é o momento em que o inverno, a morte, a fome, começa a ceder.

Quando os povos começavam a acreditar que poderiam atravessar mais uma estação de dificuldades. Não é hora de ficar sozinho. É no maior desafio que você mais precisa de união e de solidariedade.

E quando você passa ileso pela maior provação, tem boas razões para acreditar que alguém está olhando por você.

Spas A origem do Natal

Não há evidência histórica confiável de que algum dia tenha existido um homem chamado Jesus. Se ele existiu, é impossível saber exatamente o que pregava. Os únicos relatos sobre Jesus são os evangelhos, escritos muito depois da suposta data de sua morte.

Muitos deles não entraram na Bíblia, e muita interpretação foi feita sobre o que Jesus “realmente” queria dizer. Começando no Conselho de Nicea, e continuando até hoje.

No final, pouco importa se Jesus existiu, nem se pregou isso e aquilo. Pouco importa o quanto da história do Cristo foi adaptada das histórias de deuses solares que vieram antes – e especificamente, de Mithras. E muito menos importa se ele nasceu no dia 25 de dezembro.

Importa o que Jesus representa: uma tradição milenar de união, de esperança, de solidariedade, de harmonia, de paz entre homens e mulheres. E de renascimento. A cada novo ano que chega ao fim, renasce nossa esperança de que o pior ficou para trás, que o melhor está por vir.

Vamos, então, comemorar a festa do nascimento – do nosso novo nascimento.

Feliz Natal!

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Publicado em 23/12/2009 às 12:40

Eu bebo sim, estou vivendo, e mais ainda no final de ano

BF Eu bebo sim, estou vivendo, e mais ainda no final de ano

“A cerveja é a prova que Deus existe e quer que sejamos felizes.”

Benjamin Franklin

Um velho amigo meu parou de fumar maconha do dia para a noite, depois de 29 anos de consumo constante.

Nos últimos muitos anos, pitava um assim que acordava, com um balde de café. A vida, pelo jeito, ficou mais angular, sem sintonia fina. Mas continua.

Fiquei chocado com a facilidade com que meu chapa abandonou sua droga do coração, ou uma delas - continua na birita, light, e cigarro.

Meu veneno é álcool. Tomo alguma coisa toda noite, e vou de tudo, menos vodka e bebida doce. Misturo fermentado com destilado, cachaça com cerveja, vinho com whisky etc. Não dou mole para o fígado, que nunca espanou.

À beira dos 45, começo a entrar no bico do corvo, idade de risco, e daqui a pouco estou na sala de espera para o toque na próstata. Devia maneirar, trocar o drink noturno pela academia... Devia? Pra quê?

Os check-ups continuam OK, e de consequência visível só a perda das minhas formas esguias da adolescência, ha.

Fora que os amigos da minha idade que fazem esportes vivem contundidos.

Às vésperas do Natal e Ano Novo, me preparo para mais uma maratona de encheção de lata, e faço aqui pública minha decisão para 2010: vou continuar tomando meus tragos.

Faço minhas as sábias palavras de Joe E. Lewis: “parei de comer bem e beber bastante, e em duas semanas perdi catorze dias”.

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Publicado em 22/12/2009 às 11:19

O fracasso de Copenhague (ou: você teria vergonha de trabalhar na Petrobras?)

globo copenhague tv 20091222 O fracasso de Copenhague (ou: você teria vergonha de trabalhar na Petrobras?)

Hopenhagen, Hope (esperança) + Copenhague, ilumina a cidade sede da conferência

Uns meses atrás publiquei um texto sobre Apple, a Petrobras, e o capitalismo construtivo defendido por Umair Haque. Com o fiasco da cúpula ambiental de Copenhague, resolvi botar o assunto na roda de novo.

Porque agora todo mundo tem mais razões para se informar. Por exemplo, lendo o blog do Umair Haque.

Porque Lula, superstar do evento, e Dilma, nossa representante oficial por lá, são as duas pessoas que mais mandam na Petrobras. E porque a Petrobras só vai ficar maior na nova década, com pré-sal e tal.

Como empresa de energia, maior empresa do Brasil, e estatal ou quase, tem que dar o exemplo. É a história da mulher de César: não basta ser honesta, tem que estar acima de qualquer acusação de desonestidade.

O post teve uns comentários bem interessantes. Minha turma usa o cérebro (com as devidas exceções de uns convidados bem trapalhões, claro). E não me dá mole. Mais de um me questionou, “e tu, ó virgem vestal, terias vergonha de recusar um emprego bacanudo na Apple ou Petrobras?”

Minha resposta foi: Eu não teria vergonha de trabalhar em lugar nenhum. Quer dizer, talvez como carcereiro, ou como assessor de imprensa do Fernando Collor ou similar. 

Já trabalhei na Folha e na Abril, já fiz frila para um monte de empresas diferentes, fiz conteúdo customizado para a HP e revista pôster do Rush etc.

Hoje meu trabalho é na Tambor e no meu blog, que encontrou abrigo no R7. Agora, uma coisa é não ter vergonha de trabalhar num tal lugar, outra é almejar.

E digo mais: continuo usando produtos da Petrobras e da Apple. Incoerência? É, sim, mas parcial. Boto fé zero em iniciativas ligadas ao consumo individual, numa questão deste tamanho. Iniciativas coletivas que façam barulho, encham o saco, contenham alguma inovação ou impactem em leis e em regras, em política e economia, opa, aí sim.

A questão chave, como eu defendia aqui outro dia, é tornar a insustentabilidade insustentável. Se a valorização das ações das empresas estiver organicamente vinculada ao seu desempenho social (o que inclui o seu desempenho ambiental) é que existirá estímulo eficiente para que elas se comportem da melhor maneira.

Ou seja: se poluir te der mais prejuízo que não poluir, você vira verde rapidinho. Vale para governos e para mim também.

Política ambiental global é política econômico-financeira global, e passa (entre outros lugares) pela regulamentação dos mercados internacionais, pelo final dos paraísos fiscais, por uma Organização Mundial do Comércio que possa ser levada a sério, por uma política de renda mínima global, pelo questionamento de leis antiquadas de propriedade intelectual, por um judiciário global que faça frente às transnacionais, por uma ONU fortalecida que represente adequadamente o Século 21... e por aí vamos, pelos caminhos da ficção científica.

Terreno mais que pantanoso, mas não há outra trilha à vista.

Veja mais:

+ Governo monta força-tarefa para revisar meta ambiental

+ Pense global, aja global

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Publicado em 21/12/2009 às 15:05

Capitalismo 2.0: apagando incêndio com molotov

(Reciclo um texto de meses atrás, porque tem muito a ver com a Cúpula de Copenhague e o imbróglio meio ambiente/economia/política. Acho que vale a leitura, pelo menos por apresentar Umair Haque.

Se você achar algo interessante no artigo abaixo, me faça um favor: visite o blog dele).

Umair Haque estudou neurosciência. É diretor do Havas Media Lab, uma consultoria-boutique de inovação e gestão. Foi colaborador de Chris Anderson em A Cauda Longa. Tem um blog provocativo chamado Edge Economy, no site da Harvard Business Review.

Está lá, e na capa da versão impressa da revista, sua receitinha para o futuro da humanidade: “The Smart Growth Manifesto”. Como esperteza no Brasil cheira malandragem, rebatizo de Crescimento Inteligente.

Haque declara: a economia global foi para o saco, ninguém está sendo capaz de reativá-la, nem será, e nem devemos tentar. Queimar dinheiro no problema é "apagar incêndio com coquetel molotov".

Resta recriar o conceito de crescimento. Porque o crescimento do século 20 era burro, insustentável, frágil e falhou. Não tem planeta para sustentar seis bilhões de pessoas no padrão da classe média americana. É balela.

O Crescimento Inteligente não é propulsionado pela venda de produtos e serviços. Ele virá de uma globalização turbinada pelo empreendorismo, inovação radical e o que Hague chama de “venture economies”, economias empreendedoras. Que devem buscar resultados, não receita (“outcomes, not incomes“).

Haque defende “foco em mobilidade do trabalho, investimento no capital humano, padrões globais no mercado de trabalho, e eficiência do mercado de trabalho. O Crescimento Inteligente não será propulsionado pelo capital buscar o trabalhador de custo mais baixo - mas sim, dando ao trabalho o poder de procurar o capital com o qual poderá criar, inventar e inovar ao máximo”

E Haque conclui triunfante: “o Capitalismo 2.0 não pode ser propulsionado pelo crescimento 1.0. Por isso a corrida pelo Crescimento Inteligente é inevitável. A pressão para isso - o potencial para criação de valor, em um mundo que está sendo estraçalhado pela destruição de valor - é simplesmente forte demais.”

Manifesto não é lugar para minúcias. Faltou dizer que esse papo todo vai contra a lógica do dividendo trimestral. E que a economia do século 21 se dirige para lucros menores, mínimos, para as empresas. Ou talvez lucro nenhum.

O pioneiro da internet barata Tom Evslin, citado por Jeff Jarvis no livro What Would Google Do?, é outro bom professor.

Ensina que empresas que explodem como Skype, Amazon, YouTube, Twitter e Google não cobram tanto quanto o mercado suporta pagar.

Cobram o mínimo que dá: “a única saída é ter sua margem tão próxima do zero quanto possível. Assim, qualquer concorrente terá que aceitar prejuízo para brigar com você.”

Valia para web, agora vale para muitas outras coisas. Pós-crise, o cobertor é menor que o corpo.

Resta canalizar os recursos para onde eles terão mais resultado na vida das pessoas. E penalizar pessoas e empresas que são parte do problema.

Mas quem decide quem é quem? São decisões políticas, sempre, e quem apita mais chora menos. No nosso país, o grupo Votorantim acaba de descolar US$ 9,2 bilhões em dinheiro público.

Mas estão aí Citibank e GM derretendo. E a indústria alimentícia, notícia de hoje, vai pelo caminho do cigarro. Na França e em vários estados e cidades americanas, políticos já propõem “impostos contra a obesidade”.

Capitalismo 2.0 é pouco. Como todo mundo tem direito a um plano e eu também, digo: não dá pra ser capitalista e socialista ao mesmo tempo. E não compensa escolher um lado. É como escolher entre uma bicicleta e uma frigideira. Porque os dois sistemas servem para coisas diferentes.

Capitalismo é bom para gerar mil variedades de cabernet, picolé de cupuaçu, smartphone, jacuzzi, bandas de rock e inovação hardcore. As delícias da existência.

Socialismo, economia planejada, funciona para o básico da vida: água, luz, saúde, segurança, transporte, teto, três refeições por dia. Eu incluiria escola até o doutorado e tecnologia fundamental.

Muita gente boa inclui informação razoavelmente imparcial. O modelo clássico é a BBC. Outro: jornais publicados por fundações sem fins lucrativos, como acontece na Alemanha.

Pode ser a saída para gigantes da comunicação que não tem futuro “de mercado”. Como o New York Times, que alguns analistas já avaliam com valor próximo de zero.

O século 20 não acabou no 9/11; acabou no 9/14/2008, com a quebra da Merryl Lynch. Só entra no século 21 quem capitular ao futuro – que está enterrando o crédito barato, o hiperconsumo, o crescimento infinito, e o lucro gordo. Heresia? É, mais uma.

(Com agradecimentos a Amanda Zoe Morris, que me apresentou Haque. Thanks, pal…)

Veja mais:

+ Pense global, aja global

+ Vamos lutar pela insustentabilidade

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Publicado em 19/12/2009 às 09:20

Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo

O problema de escrever todo dia é que chega uma hora que você se repete sem parar. Ou, como eu faço, simplesmente republica textos antigos. É ruim dos dois jeitos.

Quando soube que Aécio saiu da disputa para ser candidato a presidente, pensei em escrever um comparativo entre Serra e Dilma. Aí lembrei que já tinha feito uns seis meses atrás. E francamente, não faria melhor agora.

Bem, nesta época meu blog estava para outras bandas. Quem sabe este texto tenha outros leitores agora.

De lá para cá, a novidade foi Marina. Que pode ter os defeitos que você quiser, mas que é novidade, ninguém negará. Mas por enquanto, nada que Marina falou ou fez vai me fazer sair de casa no dia da próxima eleição.

Temos menos de um ano até lá. Torço por surpresas, mas sem muita esperança. Para os que já leram, sorry, segunda tem repeteco de novo...

Em 1973, Dilma Rousseff terminava uma temporada de três anos de cana.

Era guerrilheira, o governo chamava de terrorista. Lá foi torturada e judiada. Tinha 26 anos.

Em 1974, com o começo da ditadura militar de Augusto Pinochet, José Serra deixou o Chile, onde fez mestrado em economia e lecionou, para fazer doutorado na universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Tinha 31 anos.

Ambos foram jovens radicais. Diferença mínima de idade. Ela aderiu à luta armada contra a ditadura militar, ele não. Hoje são tiozinhos. Ela é ministra, ele governador. Ambos com chances de ser o próximo presidente.

O atual disse que o Brasil tem sorte de poder escolher entre tantos candidatos bons. Os outros são Ciro e Aécio. Todos mais esquerdistas ou menos.

Quando eu nasci era o general Humberto Castelo Branco. Dei tchauzinho para o Galaxy preto do Médici numa visita do ditador a Piracicaba. Tive um álbum de figurinhas com o ministério todo do Geisel, foi difícil conseguir Shigeaki Ueki e Reis Velloso.

Vi espantado o Figueiredo puxando ferro de sunguinha na capa da revista Manchete. Assisti sem botar fé a campanha pró-diretas e a eleição indireta. E quando chegaram as diretas, elegemos Collor.

De verdade? Os quatro candidatos atuais, no contexto histórico, até que são bem razoáveis. Aliás, FHC e Lula também. Podia ser beeem pior, e lembro quando era.

É o suficiente? Não. Tá louco? Devia ser muuuito melhor. Se eu for começar a criticar, nem sei por onde começar.

Mas o problema não são as pessoas, é a lei. Diz que tem que ter mais de 35 anos para se candidatar.

Eu digo que tem que ter menos de trinta. Depois dos trinta a gente já passou por tanta desgraça que abençoa qualquer refresco. Depois dos quarenta, nem conto pra não te desanimar. Vamos ficando - oh, céus - razoáveis.

Vale para eleitores e eleitos. Congressista vá lá ser coroa, o lance dos caras é digerir, negociar, demorar. Combina com meia-idade. Presidente é o capitão do time, tem que ter bravura, senso de sacrifício e muita irresponsabilidade. É outra história.

Ninguém escreveu melhor que George Bernard Shaw:

The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him. The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself. All progress depends on the unreasonable man.”

Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo. Escolha o seu. Na próxima eleição, infelizmente serei obrigado a manter minha política habitual: eu não voto.

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+ Eleições e Marina Silva pautam agenda verde do governo

+ Desistência de Aécio pode favorecer Ciro

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Publicado em 18/12/2009 às 08:07

Vamos lutar pela insustentabilidade

copenhage blog Vamos lutar pela insustentabilidade

Caminho para a conferência sobre a mudança climática em Copenhage - Foto por Frank Schwarzbach/EFE

O balé diplomático em Copenhague continua. Pra nada. Todo mundo fala em avançar, mas ninguém cede onde interessa. A solução é simples de encontrar, difícil de implementar.

Antes de buscarmos o sustentável, temos que tornar o insustentável, economicamente insustentável.

O jornalista Alan M. Webber, fundador da revista Fast Company, coloca da maneira mais clara possível: “a mudança só acontece quando o custo de manter as coisas como estão é maior do que o custo de mudar. Por isso, precisamos focar nossos esforços em aumentar o custo do que é insustentável.

Ele está falando de coisas como sistemas de energia insustentáveis, de saúde, de transporte, sistemas educacionais falidos, sistemas alimentares que produzem obesidade e doenças.

É muito mais excitante ficar discutindo sistemas super novos, modernos, high-tech. Todo mundo se sente muito importante lá em Copenhague, discutindo macromudanças, macroacordos.

Webber diz “precisamos trabalhar no lado certo da equação. Precisamos aumentar os custos destes sistemas insustentáveis, que carregam o peso morto do passado. O caminho para a sustentabilidade é através da insustentabilidade.”

Isso acontece de duas maneiras. No mundo da política, quando sistemas insustentáveis recebem taxações mais altas, e sistemas sustentáveis recebem taxação baixa ou nenhuma, suporte, subsídios.

Trata-se de coisas tão simples quanto aumentar os impostos sobre combustível fóssil e zerar os impostos sobre energias não-poluentes, ou menos poluentes. Ou quadruplicar os impostos sobre junk food e zerar sobre produtos orgânicos.

No mundo das empresas é parecido, mas diferente. Temos que penalizar produtos que geram (ou que são gerados) por sistemas insustentáveis deixam de ser consumidos, e produtos ligados a sistemas sustentáveis são valorizados pelo consumidor.

Em ambos os casos, as coisas só avançam através da pressão organizada do cidadão, muito mais que da decisão individual. Seja organização local, nacional ou global.

Em português claro: reciclar o lixo da sua casa não atrapalha, mas ajuda muito pouco. É muito mais eficiente penalizar quem não recicla.

lixo Vamos lutar pela insustentabilidade

Exemplo: basta a prefeitura de São Paulo selecionar as 500 maiores empresas da cidade e começar a cobrar caro para retirar lixo não-reciclado. Porque aí existirá um grande incentivo econômico para a reciclagem.

Seja no âmbito da sociedade ou empresarial, para podermos fazer pressão, precisamos de informação confiável sobre quais sistemas são sustentáveis e quais não são.

Boa parte da responsabilidade sobre esta informação está nas mãos de profissionais de comunicação: jornalistas, mas também assessores de imprensa, relações públicas, profissionais de marketing e publicitários.

Tenho vergonha de dizer que estamos fazendo um péssimo trabalho.

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Publicado em 17/12/2009 às 10:33

Pense global, aja global

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Protesto na Conferência de Copenhague: “Acordos reais salvam vidas" - Foto por Strong / Reuters

A Conferência de Copenhague é inútil para todos os efeitos práticos de curto prazo.

Não haverá redução importante de emissões, não haverá financiamento suficiente para os países emergentes, não haverá acordo relevante sem os EUA. E se Obama quiser ceder, o congresso americano vai vetar.

Mais: as ações que forem combinadas não serão cumpridas. Como as famosas Metas do Milênio, de redução da pobreza, não foram. É tudo pra inglês ver.

A Conferência é útil porque é um passo a mais na unificação do planeta, a grande história, a grande reportagem do Século 21.

Quem vê política, economia, cultura nos dias em que vivemos por este prisma, está captando a nossa importância histórica.

Em 2009 e cada vez mais a cada novo ano, consertar seu cantinho é menos que insuficiente.

Antigamente, se dizia: pense global, aja local.

Eu digo: pense local, aja global.

Temos que entender a origem dos problemas práticos que todos enfrentamos.

É desta compreensão do cotidiano que nascerá a coragem de transformar a realidade global.

Há que entender que a enchente que mata pobres brasileiros soterrados, o esgoto que não é tratado, a falta de saneamento que deixa nossas crianças doentes, o ar sujo, a eletricidade que falha - tudo isso é uma questão de meio ambiente.

A ignorância que faz tanta gente poluir e deixar que se polua - é uma questão de meio ambiente. A impunidade para corruptos, poderosos, poluidores - é uma questão de meio ambiente.

Nossa sensação de impotência - é uma questão de meio ambiente. E toda questão de meio ambiente é uma questão econômica e política.

E toda questão de meio ambiente é de todos os seres humanos deste planeta. Os vivos e os que virão. Porque se a minha rua inundar, vou fazer de tudo para mudar para a sua.

Se a empresa onde eu trabalho falir, vou procurar trabalho na sua. E se o meu país virar um lixão, vou me mudar para outro melhor.

Os países ricos se pelam de medo que as turbas do terceiro mundo invadam suas cidadezinhas arrumadas. A gente é bem recebido por lá como mão de obra, quase sempre desqualificada, e nada mais.

Os países ricos querem que a gente fique quietinho por aqui, e no máximo apareça por lá uma vez por ano, para torrar nossos caraminguás na Disney ou no pacotão turístico Europa em 12 dias.

Os ricos - países e pessoas, no mundo e no Brasil - querem que o mundo inteiro jogue pelas mesmas regras. As regras deles: produtividade máxima, custo baixo de pessoal, margem de lucro alta, dividendos trimestrais.

Livre mercado que só é livre para quem controla o mercado, capitalismo sem risco. E muito discursinho pra enrolar, uns trocados para caridade, e muito “jornalismo” a favor.

Não haverá mundo justo, nem defesa consistente do meio ambiente, enquanto essas forem as regras. Já escrevi várias vezes sobre meio ambiente, responsabilidade pessoal e coletiva.

Faz tempo. Você talvez não tenha lido ou tenha esquecido. Por isso, vou republicar alguns desse artigos neste blog, nos próximos dias. E publicar alguns novos também.

Porque é um assunto muito importante. E não pode ser tratado jornalisticamente apenas como um joguinho político, quem cederá, que país vai se aliar a qual, quais as movimentações de bastidores.

Não sou especialista em meio ambiente, não sou cientista, nem economista. Não sou político poderoso ou megaempresário.

Mas as regras do jogo não serão modificadas por bem, ou só no papinho. Elas nos foram impostas. Nós é que temos de impor outras.

Trata-se, portanto, de uma guerra. E as guerras são muito importantes para serem deixadas a cargo dos generais.

Veja mais:

+ Governo monta força-tarefa para revisar meta ambiental

+ Governadores farão proposta ambiental para Copenhage

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Publicado em 16/12/2009 às 09:58

O sangue de Berlusconi e a racionalidade da maluquice

 silvio berlusconi1 O sangue de Berlusconi e a racionalidade da maluquice

Benito Mussolini disse: “governar a Itália é fácil, mas inútil.” Silvio Berlusconi foi um passo adiante: governa seu país com facilidade, o que tem sido utilíssimo para ele mesmo.

A diferença entre o primeiro ministro italiano e um bandido comum é que ele nunca foi condenado pela justiça italiana. Tentativas não faltaram.

Ele respondeu a vinte processos ligados a falcatruas diversas, e dois ainda correm. Raramente foi inocentado. Quase sempre escapou via artifícios legais - principalmente conseguindo prolongar os processos até que eles caduquem.

Não é fácil pegar Berlusconi na Itália. Ele é dono do grupo financeiro Fininvest e do Milan. Mais importante, é dono de dois canais de TV abertos, uma pá de canais fechados, revistas diversas etc. Fora que é o homem mais rico do país.

Não é só no Brasil que rico não vai em cana. Em 2004, a organização Freedom House baixou a Itália no ranking de liberdade de imprensa para o mesmo nível da Turquia. São os dois países com a imprensa mais controlada pelo governo, em toda a União Europeia.

Mas Berlusconi já foi mais que julgado pela opinião pública internacional.

O veredito foi dado em 2001 pela The Economist, a revista mais respeitada do mundo, a que ninguém acusará de esquerdista ou radical: uma manchete de capa explicando “Porque Silvio Berlusconi não deve governar a Itália”.

A revista listava e relacionava muitas acusações de corrupção, grampos ilegais e lavagem de dinheiro e afirmava que Berlusconi dominava direta ou indiretamente 90% da TV aberta na Itália.

Berlusconi chamou The Economist de Ecommunist, “O Ecomunista”, e acusou a reportagem de ser um monte de mentiras. The Economist desafiou: então nos processe e prove que são mentiras. Berlusconi processou.

Perdeu - o tribunal, em Milão, ainda determinou que Berlusconi pagasse todas as custas do processo. Para quem se interessar, David Lane, um dos principais nomes da The Economist, é autor do documento definitivo sobre as podreiras todas, Berlusconi's Shadow.

E continua lá seu Silvio, pimpão, putanheiro, soltando piadinhas de mau gosto e faturando alto.

Anteontem, Massimo Tartaglia, engenheiro, 42 anos, atirou uma réplica da catedral de milão na cara de Berlusconi. Quebrou o nariz e uns dentes do primeiro-ministro. Políticos italianos de todos os matizes condenaram o ato.

Violência, quando é do Estado contra o indivíduo, tudo bem. Na via contrária, nem pensar.

Targaglia tem histórico de problemas mentais - claro, só maluco para aprontar uma dessas, porque no máximo passa uma temporada no hospício, e não na cadeia. Explicou o ataque assim: “eu tenho aversão a Silvio Berlusconi”.

Uma semana antes do ataque, dezenas de milhares de italianos marcharam em Roma para protestar contra Berlusconi. Repercussão zero. Fazem anos que todos os italianos mais famosos do país e internacionalmente condenam Berlusconi. Para nada.

Um zé maneba taca um negócio na cara do Berlusconi, corre sangue, e a imagem está em todas as tevês e sites e jornais e revistas do planeta. O que levanta de novo todas as questões sobre a personalidade e as práticas de Berlusconi.

A questão é a certeza absoluta da impunidade. Como no Brasil. Os italianos sabem que Berlusconi jamais pagará por seus pecados. Como nós sabemos que no Brasil só vai em cana peixe pequeno.

Fala a verdade: se uns doidos começassem a atirar objetos pontiagudos na cara desses políticos brazucas que enfiam dinheiro na cueca, você ia ficar triste ou ia comemorar?

Quando todas as outras possibilidades se esgotam, ser maluco é o único ato político racional. 

Veja mais:

+ Ex-mafioso italiano diz que primeiro-ministro Berlusconi foi referência para a Cosa Nostra

+ Berlusconi é eleito estrela do rock do ano pela Rolling Stone Itália

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Publicado em 15/12/2009 às 11:03

Avatar: uma jornada new age ao universo de Aliens (ao som de rock)

Já escrevi muito sobre Avatar, sem ter visto, aqui e na revista Movie. Está nas bancas ainda. Você pode procurar. Tem uma reportagem de doze páginas sobre o filme, incluindo entrevistas muito bacanas.

Acertei na previsão: é uma aventura para toda a família.

O que eu não podia prever é que Avatar é Aliens, O Resgate.

Aliens é sobre uma colônia humana em um planeta distante, que encontra a resistência da espécie nativa dominante.  Avatar idem.

Marines espaciais entram em ação para aniquilar os alienígenas e se ferram frente e verso. No final, os humanos são obrigados a se mandar.

As similaridades não param no argumento. O design é idêntico - o das naves militares, das geringonças tecnológias, da base humana.

O avatar-robô usado pelo coronel malvado no batalha final...é o mesmo avatar-robô empilhadeira, usado por Ripley contra a mamãe alienígena no clímax de Aliens, O Resgate!

A corporação malvada é comandada por um burocrata invertebrado que não sabe onde está se metendo... era Paul Reiser, agora Giovanni Ribisi.

Agora: se Aliens era sobre o Vietnã,  Avatar é sobre petróleo - Iraque e Afeganistão. E Jim Cameron está 23 anos mais velho. É bastante.

Além do meramente tópico, Avatar vai fundo nas mega questões ambientais - biodiversidade, aquecimento, desenvolvimento sustentável.

Cameron planejou para sair na semana do encontro de Copenhage? Não seria de duvidar. Ele teve mais de uma década para pensar em tudo.

Porque Avatar é sobre Iraque e mais: é sobre queimadas, madeireiras e pecuária na Amazônia. É pró energia limpa, pró green industry. E pró tudo new age.

Tem cantoria paca, ioga, florzinhas fluorescentes, paisagens estilo capa clássica do Yes. Roger Dean ficaria orgulhoso.

Avatar se presta a piadas cínicas de montão (Alexandre Matias: “é GI Joe contra os ThunderSmurfs”. André Barcinski: “só faltou tomarem Daime”).

Mas é bonito, eletrizante, romântico, com mocinho carismático, namorada valente, e uma mensagem que não dá vergonha de assinar embaixo.

Vai fazer bonito nas telas normais. Mas recomendo a experiência em Imax 3D, que é única - garanto que você nunca viveu nada parecido.

Quer dizer: só se você tiver mais de quarenta anos, fosse fã de rock progressivo nos anos 70, e tivesse o hábito de tomar chá de cogumelo e ficar viajando nas capas dos discos de rock e gibis alternativos.

Cameron tem 55, mas é canadense, e sei lá eu se nasceu cogumelo psicodélico debaixo da neve. Mas algum bagulho forte lá o Jim devia curtir na adolescência.

Porque se como história, Avatar é um remix new age de Aliens, visualmente é revista Heavy Metal - Druillet, Moebius, Caza. E principalmente, Roger Dean.

Dean é o mais famoso capista da história do rock. Fez todos os discos do Yes e vários outros - Osibisa, Uriah Heep, Asia. Suas paisagens imaginárias estão impressas na retina de uma geração.

O jornalista Pepe Escobar, que era meu ídolo de adolescência, uma vez deu um pau no Yes dizendo: “já está na hora de Roger Dean lançar seu disco solo”. Nunca lançou.

Mas faz tempo que ele quer fazer um filme, e anunciou detalhes aqui.

O filme, Floating Islands, seria um épico mítico de noventa minutos, dirigido por Dean. Não aconteceu. Mas finalmente Roger Dean tem um filme que faz juz a suas visões.

Porque esses arcos estão no filme:

Arches Mist <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)

Este dragão é fundamental na história:

Dragon <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)

Esta é a árvore gigante do filme:

arvore1 <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)
Esses são os dragões Banshee, cavalgados pelos Na'vi:
 roger dean dragoncon <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock) Estas cataratas lembram muito as quedas d'água de Avatar:

RogerDean cataratas <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)

E, finalmente, a marca registrada de Dean, as ilhas flutuantes:

ilhas flutuantes <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)
dean ilhas flutuantes 2 <i>Avatar</i>: uma jornada new age ao universo de <i>Aliens</i> (ao som de rock)

No segundo que apareceram as ilhas flutuantes de Avatar, matei a charada. O chato da internet é que você nunca tem o prazer de ter uma sacada sozinho. Dois minutos atrás, terminando este post, fiz a busca:

Avatar + Roger Dean”. Tem um monte de gente percebendo a mesma coisa. E pelo menos a turma do site io9 fez - ontem mesmo! - uma galeria bem caprichada. Veja aqui.

Agora vai ficar difícil Cameron não liberar pelo menos um pedacinho da bilheteria de Avatar para Roger Dean.

E em homenagem à minha adolescência - e à juventude de Cameron - compartilho: Soon.

Veja mais:

+ Avatar: James Cameron além da fronteira final

+ Avatar, primeiras críticas

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Publicado em 14/12/2009 às 08:47

Quanto mais negro melhor

Eu não entendo nada de música. Pelo menos de música moderna. Eu já sabia disso, mas agora tenho provas.

O amigo Marcelo Costa, do tradicionalíssimo site Scream & Yell, promoveu uma votação entre críticos para eleger os dez melhores discos da década, do Brasil e internacional.

Foi bem representativa, 68 votantes. Muitos amigos aqui da casa também - Abonico Smith, Rafa Morettini, Alexandres Matias e Inagaki, Pablo Miyazawa, Thiago Ney - ih, a lista vai embora.

Taqui.

Fiquei um pouco chocado com os resultados.

Nacional
1. Los Hermanos – 492,5 pontos
2. Cidadão Instigado – 141 pontos
3. Nação Zumbi – 127 pontos
4. Mombojó – 119,5
5. Caetano Veloso – 96 pontos
6. Violins – 82 pontos
7. Wado – 71,5 pontos
8. Pato Fu – 69,5 pontos
9. Racionais MC’s – 63,5 pontos
10. Cansei de Ser Sexy – 59 pontos

Internacional

the strokes g 20091124 Quanto mais negro melhor

1. The Strokes – 259 pontos
2. Radiohead – 238 pontos
3. Wilco – 220 pontos
4. Arcade Fire – 165 pontos
5. Queens of The Stone Age – 150 pontos
6. LCD Soundsystem – 131 pontos
7. White Stripes – 123,5 pontos
8. Franz Ferdinand – 101,5 pontos
9. Flaming Lips – 67,5 pontos
10. Amy Winehouse – 62 pontos

Dos dez melhores álbuns da década - segundo os amigos especialistas - eu só ouvi um, o do Cansei de Ser Sexy. Eu e a torcida do Corinthians.

Se você sair na rua - ou for numa faculdade aí na esquina, vá - o único nome que será reconhecido será o de Caetano Veloso. Por glórias passadas, claro.

Mas mesmo sem ouvir nenhum disco deles, tenho convicção de que Los Hermanos é uma porcaria indizível.

Eu vi as fotos dos barbudos. Li uma entrevista. Ouvi umas duas músicas que me pegaram desavisado no rádio do carro.

Como você, sou perfeitamente capaz de formar uma opinião em dois segundos. Só os superficiais não julgam pelas aparências. Mas o buraco é ainda mais embaixo.

Tirando Racionais, na lista não tem um nome que faça sucesso, toque em rádio, encha show ou tenha zilhões de visualizações no YouTube.

Como estamos falando de música pop - e não dos greatest hits da rua Augusta - achei meio esquisito.

A lista internacional eu conheço melhor. Tem umas bandas legais lá. Mas que ficou parecendo set list de festa de fim de ano em agência de publicidade, ficou.

Não tem metal, não tem country, não tem reggae nem reggaeton, nada eletrônico, nada fora do esquadrinho, não tem música cantada em línguas que não inglês.

Vá lá, vá lá.

Agora, uma coisa eu não perdoo: como você faz uma lista de melhor da música pop da década que não tem um preto?

Desde pelo menos Louis Armstrong, só tem dois tipos de música pop boa: as feitas por negros, e as que imitam música feita por negros.

Em música pop, black is the new black.

Veja mais:

+ Agnaldo Timóteo chama Caetano Veloso de covarde

+ The Strokes podem voltar em 2010

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Publicado em 10/12/2009 às 12:46

Alborghetti, o avô do Capitão Nascimento

alborguetti Alborghetti, o avô do Capitão Nascimento

Quem me apresentou Alborghetti foi meu velho compadre Ronnie.

Roniquita andava em fase de vagabundear bastante no ap da Joaquim Eugênio de Lima e falou “meu, você já viu esse cara que bate com um porrete na mesa, grita que nem louco e baba no microfone?”

Quando vi não acreditei. Era melhor que a melhor televisão. Era hipnotizante.

Não dava pra eu ver sempre porque passava tipo seis da tarde. Mas depois começou a reprisar na madruga.

Era de morrer de rir e de chorar, tanta desgraça e tanta papagaiada junta. Depois vieram Ratinho e tantas variações, mais pra cá, mais pra lá. Mas Alborghetti foi o primeiríssimo.

Porque antes caras como Gil Gomes e Afanásio tinham levado a narração policial radiofônica para a televisão. Mas eles eram sombrios, assustadores.

Alborghetti era histriônico, um comediante nato. Fazia a gente rir dos crimes mais horrorosos do mundo.

Fora os epítetos que dedicada aos criminosos, de “sua capivara vagabunda” pra baixo.

Fora as encaradas na câmera: “Eu vou meter a mão na sua cara, seu xarope cheira-cola! Eu vou quebrar a sua bunda, vou mandar entrar com a metranca e passar fogo!”

De jornalista não tinha nada.

E é claro que não dá para assinar embaixo das nazistices de Alborghetti, “bandido bom é bandido morto” etc.

Mas não dá pra não rir do cara chamando os câmeras de debilóides e ensinando a matar bandido...

Quando eu assisti Tropa de Elite, ficou uma memória lá me cutucando, e eu não sabia do quê.

Às vezes tem isso - queremos lembrar de uma coisa e parece que a memória está trancada numa gaveta.

Se você não encontra a chave, não consegue lembrar do que está ali no subconsciente, te provocando como uma coceirinha.

Hoje conectei: a pegada de Tropa de Elite - mezzo brucutu, mezzo parlapatão - é puro Alborghetti. Eu tinha esquecido que o cara existia.

O cara precisou morrer para eu descobrir que ele estava na atividade! E na web, mais louco varrido que nunca.

Ronnie, olha essa, cara, é recente e imperdível:

Graças às maravilhas da internet, Dalborgas - o fanfarrão original - viverá para sempre.

Veja mais:

+ Leia dez frases célebres de Luiz Carlos Alborghetti

+ Morre aos 64 apresentador Luiz Carlos Alborghetti

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Publicado em 10/12/2009 às 10:52

Clarah Averbuck e uma campanha do bem

Mário Bortolloto Clarah Averbuck e uma campanha do bem

Mário Bortolotto, dramaturgo e músico, foi baleado no bar de um teatro. Negócio sério. A piada pronta é que ele faz um blog chamado Atire no Dramaturgo.

A amiga dele, Clarah Averbuck, manda recado: Mário está estável e vai sair dessa.

Não conheço Mário e não vou ao teatro.

Mas ela pediu para todo mundo entrar na campanha. E pedido de Clarah, quem tem juízo obedece.

“Quem puder ajudar a família do mário – a ex-mulher e a filha, que moram em Londrina, estão aqui e precisando muito de grana para poder ficar e cuidar dele quando sair do hospital – por favor deposite uma graninha na conta de Cristiane do Carmo Viana – unibanco ag 0935 - conta poupança 127721-6. Muito obrigada a quem puder.”

Quem puder colaborar para Cristiane e a filha de Mário, Isabela, ficarem em São Paulo, que faça já sua boa ação.

Agora, só Clarah para pegar uma desgraça dessas e ainda conseguir ser tão ela mesma, engraçada e letal:

“em tempo: QUEM ASSALTA UM TEATRO? QUER O QUÊ? PAGAR MEIA? espero sinceramente de bom coração que paguem é de mulherzinha na cadeia. um beijo c.”

Nunca vejo Clarah, mas acompanho suas carreiras à distância, com uma pontinha de orgulho. Ela ia ser publicada de qualquer jeito, mas na prática, alguém tinha que ser o primeiro.

E fomos nós, na Conrad, 2002, que lançamos o primeiro livro dela: Máquina de Pinball.

Hei Clarah, era você, o Cleiton e eu tomando cerveja na frente do Parque da Aclimação, lembra?

Aqui está Clarah:

clarah1 Clarah Averbuck e uma campanha do bem

Aqui está a banda da Clarah: Clarah Averbuck & The Oneyedcats 

Essa é a história dela, versão Wikipedia.

E tem até filme baseado nos livros da Clarah. É Nome Próprio, com Leandra Leal. Tá na locadora.

Mas vá direto à fonte, que não te arrependerás. Clique aqui.

Veja mais:

+ Circuito interno de TV gravou imagens de tiro em ator e dramaturgo Mário Bortolotto no centro de São Paulo

+ Dramaturgo Bortolloto segue internado na UTI

+ Todos os  blogueiros  do R7

Publicado em 09/12/2009 às 09:50

A Fazenda, Big Brother et caterva: nem reality, nem show

[r7video]

Adriana Bombom saiu chorando da Fazenda. Boninho escolheu uma garota gay para o BBB.

Oh, céus, começou de novo.

Quando eu vejo o sucesso que esses reality shows fazem, perco as esperanças na humanidade.

Novela é tudo mentira e chato, mas eu - com algum esforço de imaginação - consigo entender como as pessoas assistem.

Novela são pessoas que não existem em lugares que não existem, fazendo coisas que não têm um pingo de sentido.

Mas tá lá, naquele horário, o Rio de Janeiro é bonito, as pessoas também, rola umas dancinhas, umas malvadezas.

Depois acaba, começa outra igual, e está tudo conversado.

É redundante, confortável, previsível. Não requer a utilização de neurônios e não estimula os hormônios.

É como comer purê de batata todo dia.

Agora, reality show, “espetáculo da realidade”, tenha dó.

Não é reality, porque de realidade não tem 1%. É mais irreal até que novela.

As provas são totalmente artificiais. Os ambientes artificiais. Não tem emprego, relógio, telefone, internet.

As pessoas são mais malhadas que na realidade. E bem mais tontas!

Onde encontram tanto asno?

Espetáculo em reality show, só se for de ignorância e deselegância.

E os diretores investem é nisso mesmo, burrice e pornografia família. É sacanagem leve debaixo do Edredom e capa da Playboy ano que vem.

Tanto que a grande novidade do próximo BBB será a câmera submarina. Para focar as partes das meninas por baixo, claro.

Alguns reality show gringos, como contam com roteiristas, direção com mão de ferro, edição ágil e tal, podem não ser muito apetitosos mas escorregam pela garganta. Parecem filme, seriado, começo-meio-e-fim em uma horinha.

No Brasil, que tipo de reality show emplacou? Exatamente o que é mais parecido com novela.

Embora nos nossos reality shows sempre haja um “argumento” - um roteiro, vai - os diálogos não foram escritos por roteiristas, então são de Mobral pra baixo.

De vez em quando, no caminho para casa, paro pra tomar uma cerveja na Panificadora Flor do Sumaré.

Não é a Padaria Real nem a Barcelona, points de artistas, bacanas etc.

É uma padoca na frente do Metrô Vila Madalena e do terminal do ônibus.

Você imagina qual a frequência, certo?

Pois já tive papos perfeitamente inteligentes com gente de todas as classes sociais, interesses e perfis na Flor do Sumaré.

Se levo o Gaspar, que é o garçom de lá, para conversar com uma das moças da Fazenda, vai ser o encontro do Albert Einstein com a Marilyn Monroe.

O perigo é eles transarem e nascer uma criança com a inteligência da bunduda e a beleza do Gaspar.

Veja mais:
+ Site oficial de A Fazenda
+ Visite o blog de Britto Jr
+ Conheça todos os blogs do R7

Publicado em 08/12/2009 às 09:59

A incompetência criminal de Kassab e a sua

 

São Paulo está parada. Tem gente morrendo todo dia. É “por causa das chuvas”. Não é não. Chove sobre justos e injustos, mas só pobre morre nessa hora.

A causa é a incompetência do nosso prefeito. Pela qual ele deveria ser acusado criminalmente. A negligência que causou estas mortes.

É o descaso com a administração que causa tantos prejuízos. A cidade está largada. Não há limpeza. Não há manutenção.

Nenhuma surpresa. Kassab era da turma do Maluf, secretário do Pitta. Você queria o quê?

Agora, hoje é um ótimo dia para as pessoas lembrarem de quem colocou ele lá.

José Serra fez muita força para ele emplacar, mas quem votou nele foi a maioria dos paulistanos.

Você?

Veja mais:

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+ Chuva provoca transbordamento do Tietê e trava trânsito em SP

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Publicado em 06/12/2009 às 12:11

Gilberto Dimenstein, na Folha:

“Mulher pelada é cultura?

Comentei aqui por diversas vezes que considero o vale-cultura, capaz de envolver até R$ 7 bilhões, um previsível desperdício - o dinheiro seria mais bem usado se focado nos estudantes das escolas públicas.

Desde ontem, meu receio aumentou ainda mais, pela possibilidade de que, com esse benefício, mulher pelada também seja cultura. Ou gibi.

Foi aprovada uma emenda no Congresso permitindo que o vale-cultura seja usado para comprar jornais, revistas e gibis. Senadores argumentaram que, com isso, revistas como a "Playboy" seriam beneficiadas, mas a emenda foi aprovada assim mesmo.

Nada contra a "Playboy", mas mulher pelada não é cultura - muito menos com dinheiro público.”

Gilberto: criticar a existência do Vale-Cultura, tudo bem. Decidir por mim - por todos nós - o que é cultura e o que não é, não vai rolar não.

 

Marilyn Monroe Playboy 1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

V de Vingança1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Pierre Auguste Renoir As Grandes Banhistas Gilberto Dimenstein, na Folha:

Lobo Solitário Gilberto Dimenstein, na Folha:

La Maya Desnuda Francisco Goya Gilberto Dimenstein, na Folha:

 

Gibi Turma da Mônica2 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Gustav Klimt Nuda Veritas1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Gisele Bündchen Richard Avedon Gilberto Dimenstein, na Folha:

As Aventuras de Tintim O Templo do Sol Gilberto Dimenstein, na Folha:

 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Asterix e os Índios Gilberto Dimenstein, na Folha:

 

Cavaleiro das Trevas Gilberto Dimenstein, na Folha:

 Maus Art Spielgelman1 Gilberto Dimenstein, na Folha:  

 

Veja mais:

+ O Vale-Cultura (e quanto a cultura vale)

+ Um gibi de 600 páginas que todo adolescente deveria ler

+ Todos os blogueiros do R7

Publicado em 05/12/2009 às 11:02

Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram

 leila lopes rindo g orlandooliveira2 Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram

As primeiras informações sugerem que Leila Lopes se matou. Se foi mesmo isso, demorou. Demorou porque astros pornô normalmente se matam mais jovens.

Leila estava no pornô fazia pouco tempo, mas já tinha cinquenta anos. Idade dura para viver de transar com estranhos por dinheiro. Ainda mais na frente de uma câmera.

Jon Dough se enforcou aos 43. Era um dos astros pornô mais conhecidos da minha geração. Comeu todas as estrelas. Dirigiu outras tantas.

Estrelou um filme chamado O Homem mais Sortudo do Mundo, em que transava com 101 mulheres diferentes.

Alex Jordan também se enforcou, aos 28. Shauna Grant estourou os miolos com um rifle 22, aos vinte anos.

A francesa Karen Lancaume, de Baise-Moi, provocou uma overdose aos 32.

Mary Millington, lenda do pornô inglês dos anos 70, também foi de overdose, de paracetamol. Você pode vê-la em The Great Rock'n'Roll Swindle, o filme picareta dos Sex Pistols. Tinha 33 anos.

Johnny Rahm, astro de filmes gay do diretor drag ChiChi LaRue, se enforcou com arame aos 39 anos. Tinha HIV e hepatite.

A mais famosa estrela suicida do mundo pornô foi Savannah. Não era lá muito energética, mas tinha boa estampa, e frequentava a cena rock'n'roll de Los Angeles.

Namorava gente como o ator Pauly Shore e o guitarrista / tecladista Gregg Almann. Explodiu a cabeça com uma nove milímetros.

E, que eu tenha descoberto, é só.

atores Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram

Jon Dough, Mary Millington, Savannah e Shauna Grant

De milhares e milhares de pessoas que trabalham com pornô, só soube destas que se mataram.

É pouquíssimo, se você considerar que é supostamente uma profissão muito estressante, em que você convive com gente perigosa etc.

A profissão que mais comete suicídio é... médico. Pelo menos nos Estados Unidos. Aqui, não descobri dados.

Sabe quantas pessoas tentam se matar todos os dias? 60 mil. Sabe quantas conseguem? Três mil. Dados da Organização Mundial de Saúde.

Destas, tem um grupo que realmente é a fim de se matar. São os jovens. Suicídio é a terceira causa de morte mais comum entre jovens (15-35 anos) no mundo.

O número de casos cresceu 60% nos últimos 45 anos. Nos próximos dias, muita gente vai ligar a morte de Leila Lopes com sua opção pelo pornô.

É moralismo. Não caia nessa.

Veja mais:

+ Leila Lopes viveu um sonho fracassado de ser estrela

+ Leila Lopes é encontrada morta em São Paulo

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