Adriana Bombom saiu chorando da Fazenda. Boninho escolheu uma garota gay para o BBB.
Oh, céus, começou de novo.
Quando eu vejo o sucesso que esses reality shows fazem, perco as esperanças na humanidade.
Novela é tudo mentira e chato, mas eu - com algum esforço de imaginação - consigo entender como as pessoas assistem.
Novela são pessoas que não existem em lugares que não existem, fazendo coisas que não têm um pingo de sentido.
Mas tá lá, naquele horário, o Rio de Janeiro é bonito, as pessoas também, rola umas dancinhas, umas malvadezas.
Depois acaba, começa outra igual, e está tudo conversado.
É redundante, confortável, previsível. Não requer a utilização de neurônios e não estimula os hormônios.
É como comer purê de batata todo dia.
Agora, reality show, “espetáculo da realidade”, tenha dó.
Não é reality, porque de realidade não tem 1%. É mais irreal até que novela.
As provas são totalmente artificiais. Os ambientes artificiais. Não tem emprego, relógio, telefone, internet.
As pessoas são mais malhadas que na realidade. E bem mais tontas!
Onde encontram tanto asno?
Espetáculo em reality show, só se for de ignorância e deselegância.
E os diretores investem é nisso mesmo, burrice e pornografia família. É sacanagem leve debaixo do Edredom e capa da Playboy ano que vem.
Tanto que a grande novidade do próximo BBB será a câmera submarina. Para focar as partes das meninas por baixo, claro.
Alguns reality show gringos, como contam com roteiristas, direção com mão de ferro, edição ágil e tal, podem não ser muito apetitosos mas escorregam pela garganta. Parecem filme, seriado, começo-meio-e-fim em uma horinha.
No Brasil, que tipo de reality show emplacou? Exatamente o que é mais parecido com novela.
Embora nos nossos reality shows sempre haja um “argumento” - um roteiro, vai - os diálogos não foram escritos por roteiristas, então são de Mobral pra baixo.
De vez em quando, no caminho para casa, paro pra tomar uma cerveja na Panificadora Flor do Sumaré.
Não é a Padaria Real nem a Barcelona, points de artistas, bacanas etc.
É uma padoca na frente do Metrô Vila Madalena e do terminal do ônibus.
Você imagina qual a frequência, certo?
Pois já tive papos perfeitamente inteligentes com gente de todas as classes sociais, interesses e perfis na Flor do Sumaré.
Se levo o Gaspar, que é o garçom de lá, para conversar com uma das moças da Fazenda, vai ser o encontro do Albert Einstein com a Marilyn Monroe.
O perigo é eles transarem e nascer uma criança com a inteligência da bunduda e a beleza do Gaspar.
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