
Protesto na Conferência de Copenhague: “Acordos reais salvam vidas" - Foto por Strong / Reuters
A Conferência de Copenhague é inútil para todos os efeitos práticos de curto prazo.
Não haverá redução importante de emissões, não haverá financiamento suficiente para os países emergentes, não haverá acordo relevante sem os EUA. E se Obama quiser ceder, o congresso americano vai vetar.
Mais: as ações que forem combinadas não serão cumpridas. Como as famosas Metas do Milênio, de redução da pobreza, não foram. É tudo pra inglês ver.
A Conferência é útil porque é um passo a mais na unificação do planeta, a grande história, a grande reportagem do Século 21.
Quem vê política, economia, cultura nos dias em que vivemos por este prisma, está captando a nossa importância histórica.
Em 2009 e cada vez mais a cada novo ano, consertar seu cantinho é menos que insuficiente.
Antigamente, se dizia: pense global, aja local.
Eu digo: pense local, aja global.
Temos que entender a origem dos problemas práticos que todos enfrentamos.
É desta compreensão do cotidiano que nascerá a coragem de transformar a realidade global.
Há que entender que a enchente que mata pobres brasileiros soterrados, o esgoto que não é tratado, a falta de saneamento que deixa nossas crianças doentes, o ar sujo, a eletricidade que falha - tudo isso é uma questão de meio ambiente.
A ignorância que faz tanta gente poluir e deixar que se polua - é uma questão de meio ambiente. A impunidade para corruptos, poderosos, poluidores - é uma questão de meio ambiente.
Nossa sensação de impotência - é uma questão de meio ambiente. E toda questão de meio ambiente é uma questão econômica e política.
E toda questão de meio ambiente é de todos os seres humanos deste planeta. Os vivos e os que virão. Porque se a minha rua inundar, vou fazer de tudo para mudar para a sua.
Se a empresa onde eu trabalho falir, vou procurar trabalho na sua. E se o meu país virar um lixão, vou me mudar para outro melhor.
Os países ricos se pelam de medo que as turbas do terceiro mundo invadam suas cidadezinhas arrumadas. A gente é bem recebido por lá como mão de obra, quase sempre desqualificada, e nada mais.
Os países ricos querem que a gente fique quietinho por aqui, e no máximo apareça por lá uma vez por ano, para torrar nossos caraminguás na Disney ou no pacotão turístico Europa em 12 dias.
Os ricos - países e pessoas, no mundo e no Brasil - querem que o mundo inteiro jogue pelas mesmas regras. As regras deles: produtividade máxima, custo baixo de pessoal, margem de lucro alta, dividendos trimestrais.
Livre mercado que só é livre para quem controla o mercado, capitalismo sem risco. E muito discursinho pra enrolar, uns trocados para caridade, e muito “jornalismo” a favor.
Não haverá mundo justo, nem defesa consistente do meio ambiente, enquanto essas forem as regras. Já escrevi várias vezes sobre meio ambiente, responsabilidade pessoal e coletiva.
Faz tempo. Você talvez não tenha lido ou tenha esquecido. Por isso, vou republicar alguns desse artigos neste blog, nos próximos dias. E publicar alguns novos também.
Porque é um assunto muito importante. E não pode ser tratado jornalisticamente apenas como um joguinho político, quem cederá, que país vai se aliar a qual, quais as movimentações de bastidores.
Não sou especialista em meio ambiente, não sou cientista, nem economista. Não sou político poderoso ou megaempresário.
Mas as regras do jogo não serão modificadas por bem, ou só no papinho. Elas nos foram impostas. Nós é que temos de impor outras.
Trata-se, portanto, de uma guerra. E as guerras são muito importantes para serem deixadas a cargo dos generais.
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