O problema de escrever todo dia é que chega uma hora que você se repete sem parar. Ou, como eu faço, simplesmente republica textos antigos. É ruim dos dois jeitos.

Quando soube que Aécio saiu da disputa para ser candidato a presidente, pensei em escrever um comparativo entre Serra e Dilma. Aí lembrei que já tinha feito uns seis meses atrás. E francamente, não faria melhor agora.

Bem, nesta época meu blog estava para outras bandas. Quem sabe este texto tenha outros leitores agora.

De lá para cá, a novidade foi Marina. Que pode ter os defeitos que você quiser, mas que é novidade, ninguém negará. Mas por enquanto, nada que Marina falou ou fez vai me fazer sair de casa no dia da próxima eleição.

Temos menos de um ano até lá. Torço por surpresas, mas sem muita esperança. Para os que já leram, sorry, segunda tem repeteco de novo...

montagem Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo

Em 1973, Dilma Rousseff terminava uma temporada de três anos de cana.

Era guerrilheira, o governo chamava de terrorista. Lá foi torturada e judiada. Tinha 26 anos.

Em 1974, com o começo da ditadura militar de Augusto Pinochet, José Serra deixou o Chile, onde fez mestrado em economia e lecionou, para fazer doutorado na universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Tinha 31 anos.

Ambos foram jovens radicais. Diferença mínima de idade. Ela aderiu à luta armada contra a ditadura militar, ele não. Hoje são tiozinhos. Ela é ministra, ele governador. Ambos com chances de ser o próximo presidente.

O atual disse que o Brasil tem sorte de poder escolher entre tantos candidatos bons. Os outros são Ciro e Aécio. Todos mais esquerdistas ou menos.

Quando eu nasci era o general Humberto Castelo Branco. Dei tchauzinho para o Galaxy preto do Médici numa visita do ditador a Piracicaba. Tive um álbum de figurinhas com o ministério todo do Geisel, foi difícil conseguir Shigeaki Ueki e Reis Velloso.

Vi espantado o Figueiredo puxando ferro de sunguinha na capa da revista Manchete. Assisti sem botar fé a campanha pró-diretas e a eleição indireta. E quando chegaram as diretas, elegemos Collor.

De verdade? Os quatro candidatos atuais, no contexto histórico, até que são bem razoáveis. Aliás, FHC e Lula também. Podia ser beeem pior, e lembro quando era.

É o suficiente? Não. Tá louco? Devia ser muuuito melhor. Se eu for começar a criticar, nem sei por onde começar.

Mas o problema não são as pessoas, é a lei. Diz que tem que ter mais de 35 anos para se candidatar.

Eu digo que tem que ter menos de trinta. Depois dos trinta a gente já passou por tanta desgraça que abençoa qualquer refresco. Depois dos quarenta, nem conto pra não te desanimar. Vamos ficando - oh, céus - razoáveis.

Vale para eleitores e eleitos. Congressista vá lá ser coroa, o lance dos caras é digerir, negociar, demorar. Combina com meia-idade. Presidente é o capitão do time, tem que ter bravura, senso de sacrifício e muita irresponsabilidade. É outra história.

Ninguém escreveu melhor que George Bernard Shaw:

The reasonable man adapts himself to the conditions that surround him. The unreasonable man adapts surrounding conditions to himself. All progress depends on the unreasonable man.”

Um presidente se faz com muito tesão e pouco juízo. Escolha o seu. Na próxima eleição, infelizmente serei obrigado a manter minha política habitual: eu não voto.

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