Foi há mais de dois milênios. Ele nasceu no dia 25 de dezembro. Veio ao mundo em cenário humilde, cercado por pastores e animais. Sua mãe, uma jovem virgem.

Ele cresceu. Não era um homem. Era Deus em forma humana. Se tornou um exemplo e um mestre.

Fez os aleijados andarem, os cegos verem. Ressuscitou os mortos. Pregou que os homens são julgados pelo que fazem neste mundo - e que os bons e os maus têm destinos bem diferentes na vida eterna.

E ensinou que há um julgamento final.

Era um profeta e um redentor, o filho de Deus. Para segui-lo, você tinha que aceitar o batismo. E comungar com ele do pão e do vinho. Antes de deixar este mundo, reuniu doze discípulos.

Que levaram seus ensinamentos para muita gente.

O nome dele era... Mithras.

mithras  A origem do Natal

Mithras era o deus do sol e da luz. Antes de Roma, o império mais poderoso era o Persa. Os romanos foram quase tão influenciados pelos persas como foram pelos gregos. Mithras era uma divindade persa.

O profeta Zoroastro previu: Mithras, o deus da luz, que enfrenta as trevas, virá até nós em forma de humano.

Seu nascimento era celebrado no Solstício de Inverno. É o momento do ano em que a Terra está mais distante do Sol. É, portanto, o exato meio do inverno, o momento em que o inverno começa a ceder. Uma festa de triunfo do sol.

O Mistraísmo era a religião mais popular entre os soldados romanos, nos séculos I e II. No Século II, o imperador romano Cômodo se converteu ao Mitraísmo.

Em 220 DC., o imperador Heliogabalo declarou que Deus Sol Invictus (o invencível deus do sol) seria o deus mais importante para Roma, substituindo Jupiter. O Sol Invictus era uma fusão de muitas divindades solares.

Uma  maneira de quase todo romano continuar adorando suas divindades particulares, mas se submeter a Roma. Em 270 DC, Aureliano, um oficial do exército romano se tornou imperador.

Ele conseguiu reunificar o império, através da força militar. Em 274 DC, Aureliano decretou que todos os romanos deveriam adorar uma religião obrigatoriamente, e adorar “Sol Invictus”.

 invictus 1 A origem do Natal

Adorar o Sol é uma outra maneira de dizer que adoramos a beleza, o poder, a vida, a harmonia – afinal, é em volta dele que todos os planetas se movem.

Deuses solares tinham muitos seguidores no império. Como Mithras, Apolo, Dionísio... e Jesus.

Logo depois, na época do imperador Diocleciano, muitos romanos tinham se convertido ao cristianismo. Diocleciano os perseguiu sem dó. Tentava estabelecer a religião estatal como a única.

Seu seguidor Constantino foi mais diplomático. Em 313 DC interrompeu a repressão aos cristãos. Na prática, unificou as duas religiões - a adoração ao Deus Sol e o cristianismo.

Constantine A origem do Natal

Em 321 DC, tirou definitivamente o cristianismo da mão dos judeus, quando mudou o dia de adoração (e de descanso oficial, reconhecido pelo Estado) do Sábado para o Domingo. A nova religião ganhou um líder inconteste, Constantino, e uma estrutura centralizada.

Em 325 DC, Constantino reuniu uma parte dos líderes da nova religião para definir a doutrina definitiva do que seria o Cristianismo: o que era aceito, o que era heresia. Foi numa cidade chamada Nicea. Hoje tem outro nome, Iznik. Fica na Turquia.

A Igreja tinha então aproximadamente 1800 bispos; mais ou menos um sexto deles participaram do Conselho de Nicea. Constantino não fez muita questão que os bispos que discordavam de seus planos participassem. Os debates foram registrados para a história.

Alguns evangelhos, como os de Tomé e de Maria, ficaram de fora. Os quatro que conhecemos todos foram oficializados. A santíssima trindade – pai, filho e espírito santo - foi reconhecida ali.

E foi neste mesmo ano de 325 DC que Constantino decretou que, daí em frente, o dia 25 de dezembro seria a festa do nascimento de Jesus, comemorada em todo o Império Romano.

Em muitos lugares do mundo, muito antes do império Romano, esta época do ano foi celebrada por muitos povos.

É o solstício de inverno. Basicamente, o momento em que o nosso planeta está mais longe do Sol. É quando temos a noite mais longa e o dia mais curto. O exato meio do inverno, e portanto o começo do seu fim, e o começo do triunfo do sol.

O solstício foi ou é comemorado por, basicamente, todo mundo, desde a Era do Bronze. Do Japão à Índia à Pérsia e Grécia antigas; em todos os países do norte europeu; no império Inca; e também em Roma.

E muitos dos rituais envolviam mitos sobre morte e renascimento. Como a natureza, que parece morrer no inverno, para ressuscitar com a chegada do sol. Os deuses destas festas são deuses solares.

No hemisfério sul, acontece por volta do dia 20 de junho, e é menos pronunciado. No hemisfério norte, é sempre por volta do dia 21 de dezembro.

Mas muito antes de Constantino escolher o dia em que Jesus “oficialmente” nasceu, o imperador romano Júlio Cesar definira – em 46 AC - que oficialmente o solstício de inverno acontece no dia 25 de dezembro.

Celebramos o Natal porque imperadores romanos, dois milênios atrás, decidiram que esta data era sagrada.

Mas eles assim decidiram porque o solstício de inverno sempre foi tempo de esperança. Porque é quando a esperança é mais necessária.  No Hemisfério Norte, é o momento em que o inverno, a morte, a fome, começa a ceder.

Quando os povos começavam a acreditar que poderiam atravessar mais uma estação de dificuldades. Não é hora de ficar sozinho. É no maior desafio que você mais precisa de união e de solidariedade.

E quando você passa ileso pela maior provação, tem boas razões para acreditar que alguém está olhando por você.

Spas A origem do Natal

Não há evidência histórica confiável de que algum dia tenha existido um homem chamado Jesus. Se ele existiu, é impossível saber exatamente o que pregava. Os únicos relatos sobre Jesus são os evangelhos, escritos muito depois da suposta data de sua morte.

Muitos deles não entraram na Bíblia, e muita interpretação foi feita sobre o que Jesus “realmente” queria dizer. Começando no Conselho de Nicea, e continuando até hoje.

No final, pouco importa se Jesus existiu, nem se pregou isso e aquilo. Pouco importa o quanto da história do Cristo foi adaptada das histórias de deuses solares que vieram antes – e especificamente, de Mithras. E muito menos importa se ele nasceu no dia 25 de dezembro.

Importa o que Jesus representa: uma tradição milenar de união, de esperança, de solidariedade, de harmonia, de paz entre homens e mulheres. E de renascimento. A cada novo ano que chega ao fim, renasce nossa esperança de que o pior ficou para trás, que o melhor está por vir.

Vamos, então, comemorar a festa do nascimento – do nosso novo nascimento.

Feliz Natal!

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