Publicado em 05/01/2010 às 12:02

Erasmo Dias: sem perdão

O ano novo começou com uma péssima notícia: morreu Erasmo Dias. É péssima porque ele morreu em liberdade, aos 85 anos de idade. E porque seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa.

Era um criminoso, inimigo do Brasil e da liberdade. Houvesse justiça em nosso país, estaria preso desde mais de trinta anos.

Seus crimes não foram poucos nem pequenos. Só de ter fundado a Arena, partido da ditadura militar, e sido secretário de segurança de São Paulo no governo de Paulo Egydio, 74-79, já não merecia perdão.

Sua barbaridade mais notória foi comandar a invasão da PUC em 1977. Os universitários faziam o ato de refundação da UNE, União Nacional dos Estudantes. Sem armas, sem nada. Erasmo Dias cercou a universidade com tropas e tanques e depois invadiu.

Erasmo Dias Erasmo Dias: sem perdão

Erasmo Dias em frente ao Batalhão Tobias Aguiar, após autorizar a invasão da PUC. Arquivo/AE - 22/09/1977

Os milicos desceram o pau, cassetete, porrada. Jogaram bombas de fósforo nos universitários. Muitos ficaram queimados para sempre. 700 estudantes foram presos e levados à sede da ROTA, depois 92 para o Dops, e 39 foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional, no artigo 39, que previa 10 a 20 anos de prisão.

Leia aqui o depoimento de gente que estava lá. Pelo menos um, todo mundo conhece: Edson Celulari.

Com a abertura política, Erasmo Dias se elegeu vereador e deputado. Era figurinha fácil em programas de tevê, “debatendo”. Debatia nada. Sugeria um buldogue raivoso, espumando contra os comunistas, os hippies, os bandidos, a bagunça etc. Eu também espumava de ver este cara à solta e se dando bem.

De vez em quando alguém faz algum esforço para que se abram de vez os arquivos da ditadura militar. E que se responsabilize quem pisou na bola. É batata quente. Nunca vai acontecer. Porque é o tipo de coisa que não dá para fazer pela metade.

E se você quiser responsabilizar MESMO quem teve parte naquela porcaria toda, não adianta só pegar o peixinho pequeno, o sargento que dava choque nos genitais da meninada. Tem que pegar os mandantes, a cúpula da ditadura.

Muitos ainda estão por aí em posição de poder e influência e são peças-chave do governo Lula - Sarney, Delfim etc. Seria irônico se não fosse trágico.

Agora, os participantes estão morrendo. Escaparam da punição merecida. Pelo menos, que sofram a punição da história. Erasmo Dias simbolizou tudo que havia de pior na ditadura militar. Nunca será esquecido. Nunca será perdoado.

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