“Vi a retirada israelense do sul do Líbano e me lembrei da retirada norte-americana do Vietnã. Saigon, 1975. Aquela correria, aqueles helicópteros... Gritos, balas, bandeiras. Quanto vexame, quanta tristeza, quanto desperdício...
O Brasil é nosso Líbano. O Brasil é nosso Vietnã. Somos Estados Unidos, somos Israel. Não poderemos vencer este conflito.
Veja os dados: 110 milhões de brasileiros ganham menos de dois salários mínimos... é questão de tempo - e pouco tempo - eles se darem conta que a vitória final está logo ali adiante, na esquina de uma quadra em Brasília.
Lutemos o bom combate, companheiros. Tentamos conter esta gente toda, esse bando de analfabetos, cambada de vagabundos, legião de safados e pilantras que fica aí se reproduzindo mais que barata.
A história, sublime mestra, talvez registre que, um dia, dois amigos, mais meia dúzia de sonhadores, tentaram trazer do ar e fincar na terra um impossível castelo habitado por quimeras.
Agora, é tarde. Nosso Líbano, nosso Vietnã se avizinham. Beba mais uma taça da champanha, pague a rodada com o platinum card e, depois, já sabe: embaixada e helicóptero.”
O texto acima é propaganda gratuita do livro Eles Foram Para Petrópolis (Companhia das Letras, 2009, média R$ 40,00), que registra a correspondência virtual entre Ivan Lessa, autor do trecho resumido acima, e Mario Sergio Conti.
Você não achou que eu escrevia tão bem, certo?
A troca de cartinhas virtuais aconteceu no UOL, no longínquo 2000. Mario Sergio manda bem - está aí a revista Piauí, que dirige - mas Ivan está acima do bem e do mal. Um dia crio coragem de escrever sobre ele. Leia as colunas dele no BBC aqui.

Todos os livros do Ivan Lessa, incluindo as antologias do Pasquim e do Gip Gip Nheco Nheco (de onde emprestei o título do post) são leituras recomendadíssimas.
E obrigatórias para jornalistas, sejam estudantes ou veteranos.
Só pelo artigo sacaneando o Arnaldo Jabor em francês (!), já vale sua grana.
Compre dois - um para você, outro para seu amigo mais querido.
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