Publicado em 27/01/2010 às 12:13

CSI: o seriado que não é novela, mas virou

Esse negócio de ser fã de séries é muito esquisito. É como ser “fã de música”.

Como assim? Você gosta de umas e não gosta de outras. Mas tenho amigos (mais amigas, na verdade) que são absolutamente onívoros quando se trata de séries. Baixam tudo, assistem tudo.

É comum comentário tipo “a segunda e terceira temporadas foram fracas, mas na quarta melhorou.”

Porque agora tem muita série - quase todas - que você tem que assistir na ordem correta, ou não entende nada do que está acontecendo. Então “não dá pra perder”.

O quê? Você suporta horas e mais horas de chatice pela esperança de que alguma hora a coisa melhore?

É. Justamente.

As séries substituiram, para muita gente, as novelas. Que são exatamente este esquema: sempre os mesmos personagens, sempre a mesma redundância, capítulo após capítulo.

É curioso, então, que um seriado que você não precisa assistir dia após dia esteja substituindo uma novela.

CSI, que a Record estreou em horário nobre para enfrentar a novela “das oito” da Globo, é perfeitamente assistível em ordem completamente bagunçada. Cada capítulo é um capítulo diferente. E boa.

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Neste sentido, é uma opção bem bizarra. Por outro lado, é uma aposta muito segura.

Porque CSI é a série mais popular do século 21. Ou séries, porque já tem dois subprodutos muito bem sucedidos (CSI: Miami e CSI: Nova York), fora as pilhas de imitações, melhores ou piores.

Já foram produzidos 529 episódios de CSI, e as três séries continuam. Rendeu livros, videogames, todo tipo de badulaque. Sucesso deste tamanho não acontece por acaso.

CSI trata de perícia, de criminalística. Seus heróis não são tiras, são cientistas forenses que trabalham para a polícia.

É claro que eles são bem mais bonitos que seus correspondentes na vida real, com cabelinho na moda, roupinhas bacanas etc.

É claro que os equipamentos utilizados são em grande parte inventados, ou se reais, caríssimos e indisponíveis num DP americano da vida real. É claro que todos os casos são resolvidos pá-pum, da maneira mais emocionante possível.

O verniz high-tech / high-fashion / high-energy é a assinatura do produtor Jerry Bruckheimer. Ele está por trás de muitos sucessos do cinema - Transformers, Piratas do Caribe, Um Tira da Pesada, Bad Boys.

Mas CSI tem um equilíbrio bem interessante entre os instintos financeiros poderosos de Bruckheimer e a mente distorcida do criador do seriado, David Zuiker.

Zuiker é jogador compulsivo, muito inteligente, trabalhólatra, esquisitão. Agora inventou um formato novo de mídia, que batizou Digi-Novel - combinação de livro, seriado e rede social. E aterrorizante. Você pode dar uma fuçada aqui.

Eu assisti muito seriado na vida, claro, mesmo depois de adulto - Arquivo X foi paixonite e é, aliás, uma das duas principais inspirações de CSI.

A outra, pouca gente vai lembrar: fazia parte do primeiro time de seriados exibidos na TV Manchete (uau!). Era Quincy, seriado focado em um legista esquisito, cheio de manias e tal - como Gil Grissom, de CSI.

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Grissom, vivido por Willliam Petersen, é chefe generoso, meio ateu, está ficando surdo, tem uma barriguinha e depois de um tempo deixou crescer uma bela barba.

É herdeiro de Quincy, mas também de Columbo, de Hercule Poirot, e no final de Sherlock Holmes - tipos excêntricos que sempre partem das evidências para construir raciocínios imprevisíveis.

Heróis da ciência, heróis geeks. Bem mais bacanas que os caras que resolvem tudo na porrada. É o anti-Capitão Nascimento.

CSI tem outra coisa bacana: uma heroína esquisita e feinha, coisa impossível de encontrar na TV americana, Sara Sidle. Que encontrará o verdadeiro amor, depois de muitos anos. Com quem eu não conto para não entregar a surpresa.

CSI vai emplacar em termos de audiência? O brasileiro médio quer ver seriado nove horas da noite em vez de mansão na Barra e pagode na favela? Sei lá.

Veja galeria de fotos CSI aqui.

Agora, já que era para um seriado “virar novela”, fico feliz que seja CSI. Superpopmas não superburro. Não sou fiel, não vi nem um quinto dos episódios. Segui a primeira, segunda temporadas, o resto bem de vez em quando.

Desencanei. O tempo passou. E decidi assistir mais filmes e praticamente nada de séries. Dirijo uma revista de cinema, afinal.

Mas se eu estiver trocando de canal e ouvir essa música, paro na hora.

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