Impressionante a reação contra Tessália, a mocinha do Big Brother Brasil. Impressionante e repulsiva.
Escrotos de todos os calibres - de jornal popularesco a espertos da geração 2.0 - caíram de pau na moça, “vagabunda” etc.
Uma manchete resume bem o espírito.

Foto: Reprodução/Meia Hora
Pouco me importa o BBB. Não assisto e não recomendo. Leia aqui. Aliás, essa busca pela audiência e pela repercussão a qualquer preço me enche as pacovinas.
Mas não consigo, ninguém consegue escapar do impacto do BBB na cultura pop brazuca. Por isso, muito me importa o que essa reação à moçoila diz sobre o Brasil.
Tessália, como explicou bem o mestre Maurício Stycer, virou a Geni da internet. Todo mundo jogando bosta.
E muitos comparando com Geisy Arruda. Mas Geisy nunca teve o que dizer.
Tessália é a anti-Geisy. Geisy é uma Grazi pré-banho de loja e aula de etiqueta. Leia aqui.

Tessália é dona do próprio nariz. Aliás, nariz sem cirurgia plástica, narigão com personalidade.

Não fingiu de burra.
Não gosta de apanhar, como a policial lá. Não parece estar em busca de um macho que a sustente.
Foi chegando, falando o que queria, namorando com o cara lá, sem culpa. Um pouco perigosa. Um pouco predadora. Um pouco direta demais. Atributos de homem.
É, portanto, inaceitável para o mulherio, justamente o tipo de mulher que mais causa ressentimentos na categoria.
Dor de cotovelo? Rancor? Medo de assustar os homens? Burrice? Sei lá. E, claro, realidade inaceitável para os machos, a não ser como objeto de fantasias de dominação sexual.
O homem ainda sonha com a mulher recatada da porta pra fora e vadia só pra ele. Como se fosse possível.
O macho brasileiro é muito inseguro. Tem medo de comparação.
A reação a esta menina indica que ainda, em 2010, estamos num Brasil em que a maioria dos homens têm medo das mulheres independentes - e a maioria esmagadora das mulheres, mais ainda.
A esta altura do campeonato, já devia estar claro que uma relação entre iguais é muito mais interessante.
A bunda - fetiche número um nas câmeras dos reality shows - é a preferência nacional porque é sinônimo de passividade e submissão ao sinhô.
Americano, que gosta de fartura, prefere um peitão. Na vida real, longe das câmeras, Tessália pode ser isso ou aquilo. No BBB, ela foi bem mais que um rabinho empinado.
Desconfio que a moça tem futuro.
E já que a supertrônica mulata biônica Beyoncé aterrissa no Brasil, dedico às mulheres independentes minha música favorita do Destiny's Child. Clique aqui.
Vocês podem não ser uns anjos, mas homem que é homem prefere panteras...
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