Publicado em 12/02/2010 às 09:38

Carioca se acha

rio de janeiro Carioca se acha

Carnaval: todos os olhos se voltam para o Rio. Difícil não ficar com a vista ofuscada. O Rio é lindo demais, solar demais, brilhante demais.

Esse ano tem até comitiva de superstars gringas. Quando virem o shape das gatinhas na praia, as americanas vão querer se matar.

Tem Carnaval no Brasil inteiro, claro, e pega fogo em tudo que é canto.

Passei um na Bahia quando tinha dezenove anos, que só não se pulava entre sete e 11 da manhã. Foi o último Carnaval da minha vida, o último verão da adolescência. Cerveja e caldo de mocotó, pernilongo nos escurinhos. Que saudades.

Consciente de que vive na cidade mais maravilhosa do planeta - e não há bala perdida que mude isso - o carioca se acha. Qualquer carioca.

Carioca desdentado que quer te empurrar biscoito na rua se acha. Ainda mais pra cima de paulishta. Porque aí ainda rola uma dor de cotovelo também.

Carioca tem certeza que paulista é otário, mas sabe que se ganha mais dinheiro em SP que no Rio. Está certo nos dois casos.

Paulishta, aliás, é tão otário que permite que um rio de dinheiro gerado em SP continue indo para o resto do país - inclusive, claro, o Rio de Janeiro, sede de tudo que é estatal e paraestatal. É o imposto dos trouxas aqui que sustentam os eshpertos de lá.

Agora faço aquela defesa clássica: antes que me acusem de implicância com carioca, deixo claro que tenho alguns amigos cariocas - poucos, é verdade, e o melhor é paulistano por adoção.

Continua fanático pelo que chama de “Fluzão” e comprou um terreninho em Parati, que já é metade do caminho para uma volta ao Rio. Eles saem do Rio mas o Rio não sai deles.

Uma vez escrevi que não existia rock no Rio. Ou melhor, que não existia banda de rock que prestasse. Faz uns vinte anos. Prestei pouca atenção no rock carioca de lá para cá. Deve haver boas razões para isso.

Pelo menos uma eu sei: o rock não combina com o Rio. Rock é coisa de adolescente infeliz, raivoso, entediado; e a celebração da superação, ainda que por minutos, dos piores infernos da juventude.

Como disse Sammy Hagar: "Quando vi a maneira que as meninas gritavam para aqueles feiosos dos Beatles, decidi minha profissão".

É fácil demais ser feliz na cidade maravilhosa. É fácil demais se dar bem. É fácil demais transar. Tá o povo todo lindo, bronzeado e pelado, ou semi, o dia inteiro, na praia ou em qualquer lugar.

Por isso o Rio é o túmulo do rock (Opa! Essa vai pegar! Ninguém escreveu isso antes? Não creio!). Aliás nem show de banda estrangeira passa por lá. Não tem público que pague a conta (a não ser, claro, nestes eventos patrocinados por telefônicas e tal).

Agora, mesmo dando o devido desconto de que carioca pensa que é a azeitona da empada, eles sempre dão um jeito de passar dos limites. E os mais poderosos dão os piores exemplos.

Está aí o prefeito Eduardo Paes, que não me deixa mentir, em entrevista ao Valor Econômico: “O Rio é a principal concentração da indústria da cultura, do lazer, da criatividade, do entretenimento, da moda, do design...”

Eu tenho inveja dos cariocas, porque eles são mais relaxados, mais bonitos, mais seguros, mais felizes, e porque vivem na cidade mais sedutora do mundo. Mas não conseguiria morar lá. Porque, vou te contar, carioca se acha.

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