Tenho 22 anos de profissão e 20 como editor. Neste tempo contratei muito jornalista. Geralmente neguinho na faculdade, recém-formado, por aí.
Acertei muitas vezes - tá cheio de gente boa no mercado que passou na minha mão, no bom sentido, no bom sentido. Errei também. Me levam no papo fácil, e não só meninas bonitas não.
Mas nunca dominei a arte da contratação. Devia ter seguido mais o exemplo da Folha, quando entrei lá. Agora, o amigo Marcelo Soares me mandou o texto abaixo. É um passo além.
É uma convocação para quem quiser se arriscar a ser estagiário na revista ianque American Prospect. Fantástica. Porque é direta e bem escrita. Porque espanta 90% dos caras que mandariam um CV - dá muito trabalho fazer tudo que a revista exige. E porque numa batida de olhos você vê se o candidato escreve bem ou não, articula os pensamentos ou não.
E, claro, inclui o desafio: agora critique o que nós fazemos, nosso blog.
Applicants are asked to submit the following:
A short critique of:
1) one of the following three pieces: “Don’t Blame the Billionaires,” by Dalton Conley; “Gentrification Hangover,” by Alyssa Katz; “The Ultimate Test Case,” by Tim Fernholz.
2) one additional Prospect piece of your choosing.
This portion of your critique should engage with the argument of the pieces. A short critique of our group blog TAPPED. This critique should address style, clarity, readability, voice/place in the political dialogue, as well as more substantive questions of content. What works? What doesn’t?
Two written recommendations.
Three to four writing samples. These can include newspaper and magazine clips, academic papers, blog posts, and unpublished pieces — anything that demonstrates exceptional writing and analytical ability.
Three story ideas for The American Prospect.
Your resume.
Your college and (if applicable) graduate school transcripts.
Tudo isso, veja, para um estágio.
Funciona para jornalismo, arrisca funcionar para qualquer vaga em qualquer profissão. Critique o que eu faço, sem dó e com propriedade. Aí eu vejo se te contrato.
No meu outro trabalho - você não achou que eu só fazia este blog, imagino - continuo tendo a obrigação de encontrar jovens jornalistas de futuro. Acho que vou começar a usar uma versão desse texto para selecionar profissionais para a Tambor.
Em inglês, claro - no future for non-english speaking professionals on the 21st century, sorry.
Felizmente, inglês é fácil. Em trinta anos, estagiário de jornalismo vai ter que falar mandarim. Aí eu quero ver...
Veja mais:
+ Câmara votará exigência de diploma para jornalistas
+ Particulares apostam em qualidade de ensino para garantir turmas de jornalismo
+ Todos os blogueiros do R7



