No dia 8 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher.
Vocês estão todas de parabéns, garotas. Bombons e champanhe para todas.
Mas a data está errada.
A data certa é 25 de fevereiro.
Foi neste dia, em 1911, que 146 operários - quase todas mulheres, quase todas imigrantes, todas pobres - morreram no incêndio de uma fábrica em Nova York.
Fábrica não, um cortiço inseguro transformado em fábrica, no oitavo, nono e décimo andares de um prédio, o Asch Building, do lado da Washington Square.
As jovens trabalhavam nove horas por dia de segunda a sexta e sete horas aos sábados, a troco de trocados.
Os donos trancavam as portas do salão onde elas trabalhavam, para impedir que elas parassem de trabalhar e fossem para o corredor ou a escada bater um papo, fazer um lanche, fumar um cigarro.
Os dois ascensoristas, Joe e Gaspar, subiam e desciam resgatando as meninas. Mas o fogo estava tão forte que as moças começaram a pular de desespero no vão do elevador. Os corpos empilharam em cima do elevador.
62 pessoas morreram pulando pelas janelas. Os corpos espatifados pararam o trânsito nas ruas vizinhas.
Dias depois, o Partido Socialista da América declarou o dia 28 de fevereiro o primeiro Dia Internacional da Mulher.
A data sambou pra cá e para lá durante anos, até que Lênin, depois da revolução soviética, estabeleceu o dia 8 de março.
O Dia da Mulher não é só um dia de celebração. É um dia de luta. Nasceu e deveria ser entendido como um dia para lembrar que as mulheres ainda são cidadãos de segunda classe na maioria dos países - no Brasil, por exemplo.
Em alguns países, de terceira ou quarta.
Principalmente, para lembrar as mulheres disso.
Achei que você gostaria de saber, querida.
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