Tive meio que um ataque outro dia no Twitter. Faz uns dois anos que eu estou irritado com esse papinho de folk, mas nunca tinha saco de escrever. Twitter serve pra isso. Aí fui procurar, quem diz que acho? Maior embaço. Tem coisa que precisa viver mais tempo que um Tweet, com começo, meio e fim.

Vamos lá: tem algum tempo que apareceu uma ondinha de folk, ou melhor, folk rock, pelo mundo afora. E aqui também. Folk rock é uma chatice incrível. Uma coisinha assim meio levinha, bem melódica, bem acústica. Tem uns folkzinhos mais raivosos, mas não metem medo nem em bebê.

Bob Dylan? Joan Baez, Joni Mitchell? É chato pra cacete. No Brasil o que tem? De verdade, Clube da Esquina, anos 70, e isso virou uma ondinha em um certo cenário supostamente underground de São Paulo, e espero que só aqui.

Minha opinião: esse som de mineiro, serenata, Beatles, chuvinha, folk igrejeiro choraminga - socorro. Bandinhas de gente na casa dos vinte bebendo nessa fonte: acordem e sintam o cheiro da poluição.

O sucessinho atual do folk está para música como Senhor dos Anéis e Harry Potter para o cinema: medo /rejeição do presente. Esse folk é música roots pra quem não tem. E para quem idealiza um passado que nunca existiu.

Coisa de branco urbano com medo de andar na rua. Folk é Pena Branca e Xavantinho! É o verdadeiro blues brazuca, música de camponês oprimido. Folk de verdade é Luan Santana, tecnobrega, funk carioca. Ah, e Inezita Barroso.

Essas porcarias acústicas chororô pseudofolk são pra jacu. Muddy Waters, ano 1: terno verde fosforescente, cadillac reluzente, garrafinha de whisky no bolso, putaria: isso é folk. Por que é preto não é folk?

Estudante de publicidade da Faap enternecida com a guitarrinha sensível no barzinho in da Augusta: isso NÃO É FOLK.

Eletricidade é bom e eu gosto. Cancelei minha assinatura da Uncut, a melhor revista de rock do mundo, porque está entupida de folk, rock caipira, “americana”, como eles chamam. Só de ver as fotos me dava sono.

Johnny Cash é folk. Qualquer coisa que passou perto de Memphis é folk. Folk real é música de pobre, pré-pasteurização, na veia. Folk de mentirinha é feito por gente que idealiza o que é ser pobre, simples, rural, gente "humirde". Chato e odioso.

Muddy nasceu no Missisipi e tocava Robert Johnson lá. Eletrificou em Chicago, 45. É folk e mais, folclórico. Folk é uma guitarra escrita “se posso atirar em coelhos, posso atirar em fascistas.” Woddy Guthrie.

Folk é nômade, pedra que rola e não cria limo:

Guthrie escrevia sobre bandidos, drogas, patrões sacanas, injustiça:

Guthrie: vocês fascistas vão perder.

Música para acampamentos? Guthrie fazia hinos para revoltas. E festivos também. É o contrário do que passa por folk hoje.

E eu lá gosto de Woody Guthrie? Admiro muito, o que não quer dizer que goste de ouvir. Comum. Folk sem groove, sem ataque, sem raiva, sem graça, sem tesão, não é folk. É essa coisa anestesiante que chamam agora de folk. No Twitter o amigo Camilo Rocha completou let's rock com let's groove. Sim. Sem balanço não há salvação.

Donde, minha cantora folk predileta: M.I.A.

Eu tenho amigos que gostam de folk. Que garantem que tem muita coisa boa e me mostram isso e aquilo. Cada um na sua, amici, e eu, bem, o que tenho para dizer é o mesmo que John Belushi na cena abaixo. Sorry...

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