Terça, nove da noite, bar do Sacha, tomo uma caipirinha na mesa da rua enquanto espero um amigo - e sou interrompido. O mulatinho é simpático, mas não presta muita atenção em mim. Erro.

Vendedor tem que se concentrar na presa. O garoto não tem vocação pra empurrar paninhos. Vai de mesa em mesa, vendendo umas toalhinhas “para ajudar”.

- Quanto é?

- Três reais.

- Como é o seu nome?

- Vanderlei.

- Você estuda, Vanderlei?

- De manhã. Compra pra me ajudar a comprar o material?

- E você está aqui sozinho vendendo as toalhinhas?

- Não, é minha mãe que sempre vende, mas ela tá com a nenê.

- Onde? Em casa?

- Não, ali no outro quarteirão, dando de mamar.

- Então me vê uma.

- Pode escolher a cor.

(São todas igualmente horríveis.)

- Verde, me vê a verde. Taí, cincão, pode ficar com o troco.

- Leva duas, moço!

Não, pode ficar com o troco.

- Leva duas para acabar logo!

- Certeza? Então vou levar as duas verdes.

O moleque finalmente abre o sorriso - vejo a banguelinha. Faltam os mesmos dois dentes que no meu filho.

- Quantos anos você tem, Vanderlei?

- Sete.

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