O Facebook anunciou um monte de novas funcionalidades. O Google anunciou incríveis novidades. O Twitter agora permite isso. Com o iPad, você vai poder fazer tudo aquilo. Não se esqueça do Orkut. Lembre - se de responder o email. Aproveite para trocar de celular.
Você às vezes tem impressão de que está sendo soterrado por tanta novidade? Você está começando a achar que talvez toda essa gente com quem você se comunica digitalmente o dia inteiro talvez não mereça, assim, tanto tempo da sua vida? Não está sozinho.
Muita gente está ficando com gastura da pressão insistente para estarmos em todos os lugares, disponíveis 24 horas por dia para todo mundo. Tem até neguinho que está além de cansado: está certo de que todo esse pula-pula das redes sociais é espuma. Até, ironia, gente que é especialista em comunicação e vive de se comunicar. Como o marketeiro Seth Godin e o consultor Umair Haque.
Eu escrevo neste blog. Posto no Twitter. Passei os últimos dois anos fazendo uma coluna mensal sobre mídia & marketing para o Meio & Mensagem. Supervisiono todo o conteúdo produzido pela Tambor. Comecei a trabalhar como jornalista em 1988. Vamos combinar que se sei alguma coisa dessas paradas de comunicação.
Com todo o respeito e admiração pelo potencial embasbacante das novas tecnologias de comunicação - e reconhecendo que as velhas ou estão mortas, ou estão fedendo - peço licença para defender uma posição impopular: você precisa escolher onde vai investir seu tempo, sua energia, sua inteligência.
O esforço de estar sempre atualizado com as mínimas e máximas inovações não compensa. A não ser, claro, que você seja um profissional de internet / mídias sociais. Na Tambor, fazemos questão de entender, coletivamente, o que está aparecendo de mais eficiente e empolgante em termos de novas mídias. E como elas se combinam com plataformas tradicionais, também - publicamos três revistas mensais, e o assunto delas é justamente... entretenimento digital.
Pessoalmente, decidi faz algum tempo ser seletivo, e recentemente ser muito seletivo. Não se trata de nostalgia dos velhos tempos e das antigas plataformas de comunicação. Amor pelas velharias? Sim. Será um dia triste quando eu não puder mais comprar um gibi impresso, só digital. Alguma ilusão de que “as pessoas sempre vão ler jornal / revista / livro porque é chato ler no computador”? Claro que não.
Simplesmente concluí que preciso concentrar meus esforços onde eles são mais produtivos e prazerosos. Por isso, você pode encontrar perfis meus no Facebook e no Orkut, mas confiro bimestralmente o que acontece por lá. Tenho um perfil na rede social de profissionais Linkedin, e faço parte de diversos grupos. Pelo menos uma vez por semana, passo uma meia hora no Linkedin.
Este blog é atualizado todos os dias úteis, pelo menos. Posto algumas vezes por dia no Twitter. Leio todos os comentários. Respondo alguns, conforme dá. Twitter é uma cachaça, “tempo real”. Não uso Messenger. Não sou de jogos casuais na web. Não uso Skype. Não baixo filmes. Sou um homem das cavernas? Chame-me de Piteco.
Não consigo imaginar continuar jornalista e abandonar blog ou Twitter nos anos vindouros. Mas pode acontecer, fácil. Os tempos mudam e a gente também. Arrisca eu me render ao Facebook, por necessidade. Veremos. Neste ano entro oficialmente no segundo tempo do jogo - há que saber usar o tempo com sabedoria. Agitação não é movimento.
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