“Neste final de semana, quatro milhões de pessoas se divertiram de graça em São Paulo, vendo shows, filmes, apresentações de teatro e o escambau cultural. A programação do evento dá novo significado para o termo “miséria mental”...

Com a mesma grana, ou um pouquinho mais, talvez pudéssemos ter como atrações, além de gente muito popular, gente muito impopular. Aliás, programação cultural de evento público não pode ser (só) trazer para perto do povão os artistas que a classe A vê semanalmente no Credicard Hall.

Cidades do porte de São Paulo pelo mundo afora tem atrações culturais o ano todo, pra espectador de todo gênero, mais uns big eventos de vez em quando, tudo promovido pelo poder público, com os devidos patrocinadores ajudando a pagar a conta.

Quer dizer, imagino que Lagos e Mumbai não tenham nada muito especial. Prefiro que a gente se espelhe em, hmm, Madrid tá bom? É muita areia pro caminhãozinho? Cidade do México?

Mas hei, a vida em São Paulo é repleta de agruras. Qualquer refresco vem bem. Há maneiras bem piores de tostar nossa grana que a Virada Cultural.”

Fui xingadíssimo, porque zoava com uns artistas etc. Vou pular essa parte. Eu ia escrever um texto novo sobre a recém-anunciada programação da Virada Cultural 2010.

Mas não há nada de novo para escrever - Abba e Zappa covers, CPM 22 toca Ramones, gente que toca toda semana em São Paulo... e um ou outro respiro que não justifica a história toda, como Booker T. Então republico minha resposta, versão resumida. É fácil ser blogueiro.

“Bati o olho na programação da Virada Cultural. Era medíocre. Escrevi isso e também que acho ótimo que haja iniciativas deste gênero, e que deveriam existir muito mais.

Rendeu zilhões de comentários, a maioria de gente que nunca entrou neste blog. Portanto, pouco esperta, hahaha… não, sério, se você é recém-chegado, seja bem-vindo. A casa não é sua, mas trato bem visita...

A questão não é o que eu ou você gostamos ou deixamos de gostar. Cultura não pode ser, por favor, só o que já tem atestado de patrimônio cultural e já encontrou seu lugarzinho no museu.

Uma programação cultural bancada pelo dinheiro público tem que privilegiar o contato com o novo, o provocativo e o chocante. E portanto, o que NÃO é o preferido do público.

Por quê? Ora, porque para apostar no consagrado existem empresas que querem o máximo de retorno com o mínimo de investimento. Por isso, a programação da Virada Cultural pode e deve ter lá seus 20% de artistas consagrados tocando seus sucessos pra todo mundo cantar junto, acender isqueirinho, bater cabeça junto.

 Mas a maior parte tem que ser de gente nova, fazendo coisas de fora do mainstream. Principalmente os gringos. Quanto mais gente estranha tocando sons que ninguém nunca ouviu, melhor.

Me tira a paciência ter que escrever uma coisa tão evidente como essa. Agora, me tira do sério de verdade os patetas que cobram uma atitude positiva, tipo “então sugere você o que deveria ter na Virada Cultural”, ou pior, “você critica, então vá lá e faça.”

Não sou e nem quero ser programador da Virada Cultural. Não é minha função ter propostas. Não sou ministro, secretário, funcionário público. Não estou procurando emprego. Também não é minha missão consertar as besteiras que os artistas fazem.

Não tenho por que sugerir mudanças no arranjo da música, na iluminação do filme, ou no final do romance. Eu não sou artista, não sou militante cultural, e não faço jornalismo amigo e construtivo.

Este blog tem meu nome porque é sobre minha percepção das coisas, ou em português claro, sobre meu umbigo mesmo. Não tem reportagens nem entrevistas e não faço o menor esforço para ser imparcial, objetivo, equânime etc. etc. Considerar o que escrevo aqui jornalismo ou não é, decisão sua, meu chapa.

Agora, tento ser tão honesto e transparente quanto minha vaidade permite. E tão crítico quanto a prudência aconselha. Já é alguma coisa.”

Veja mais:

+ Virada Cultural está marcada para os dias 15 e 16 de maio
+ Veja os destaques da programação da Virada Cultural 2010
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