José Serra tem como grande credencial para ganhar a presidência da República sua passagem pelo Ministério da Saúde. Dilma Rousseff igualmente celebra os avanços na saúde pública durante o governo Lula.

serra e dilma mi1 Por que a saúde do Brasil é uma droga

Só propaganda. Os números reais envergonham o governo atual e os anteriores. A saúde no Brasil é uma porcaria. A razão é que nossos governos não investem em saúde. Simples assim.

Quase todo político promete bons empregos, segurança, proteção ao meio ambiente, educação e saúde. Todos mentem. O Brasil tem uma porcaria de educação em todos os níveis, sobre o que já escrevi bastante. E tem uma porcaria de sistema de saúde em todos os níveis. Todo mundo sabe disso e eu também - são anos de reportagens, pesquisas e estudos acadêmicos mostrando a cruel esculhambação a que o brasileiro doente é exposto.

Os números estão muito bem resumidos em um novo estudo do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA). O Brasil aplica só 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em saúde (somando os investimentos de todo o setor público, federal, estadual e municipal). Quanto o UNFPA calculou que o Brasil precisaria investir para termos uma cobertura universal razoável, atendendo a toda a população com um padrão decente? Pelo menos 6,5% do PIB.

Como a saúde pública no Brasil é um lixo, quem tem a mínima condição paga um plano de saúde - sempre caros, e frequentemente nos deixando na mão na hora H. É a história de sempre - estatizamos os prejuízos e privatizamos os lucros, ao custo da população, nós. Somando todo o custo da saúde privada, o investimento total em relação do PIB sobe de 3,6% para 8,4%. O Brasil é o único país que oferece um sistema de saúde universal, onde o investimento público é menor que o privado.

As consequências, escandalosas, estão em reportagem de Cynthia Matta na edição de hoje do Valor Econômico. De 1990 a 2006, a taxa de óbitos por doenças transmissíveis caiu quase nada, de 59,3 para 48,8 por 100 mil.

Doenças típicas da miséria, como leishmaniose, dengue e hanseníase recuam em ritmo ridículo. Os casos de morte por tuberculose estão acima de 37 casos por 100 mil habitantes desde 1990. E as mortes por diarreia em crianças até cinco anos, que tiveram recuo importante entre 1990 e 1999, voltaram a subir no século 21.

O primeiro passo para mudar a realidade é enxergá-la.

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