Patong Beach lotada: snorkel dos sonhos, turistada pré-tsunami, alemães gordos e piccolas prostitutas passeiam de mãos dadas no promenade sobre a sombra dos coqueiros. Primeiro dia longo e lindo, crepúsculo chegando.

Vou mandar meu whisky de arroz batizado, Mekong com Coca-Cola, e o barman do hotelzinho três estrelas me explica: eu ganho quatro vezes menos que a gerente do hotel. Esta é a explicação de por que a Tailândia é pacífica.

Tem muito pobre, eu sou pobre, deixei minha mulher e dois filhos no campo para vir aqui ganhar mais, volto duas vezes por ano. Mas também não tem rico. Todo mundo ganha meio parecido, todo mundo se respeita. Mais Singh Beer. 20% de gorjeta.

Chiang Mai parte 1, o restaurante: na parede, a foto inesquecível. O jovem rei jazzista e sua rainha cercados por Brigitte Bardot e Elvis Presley. Bhumipol: rei desde 1946 e até hoje.

elvis Burn Bangkok Burn

Chiang Mai parte 2: pergunto para o guia chinês Mr. Li sobre o rei Bhumipol. Vejo a cara dele em todo lugar, em pôster nas ruas, em quadros nos bares, no dinheiro, em todo lugar. Ele é rei há muito tempo - e quando ele não estiver mais vivo? Ele tem filhos, alguém que vá ficar no lugar dele? Mr. Li: aqui na Tailândia a gente não comenta sobre o rei.

Polícia prende! Hehehehe!

Bangkok: virou para um lado tem Buda de Jade e palácio de conto de fadas. Virou para outro é arranha-céu, viaduto, hotel cheio de gringo, sujeira na sarjeta e neon no céu - catso de cidade que parece São Paulo vezes 100. No templo: putas lavam o Buda. Ligue a televisão: MTV 24 horas por dia 100% Thai Pop. Comida dos céus, poluição from hell.

O Museu de História é esclarecedor sem explicitar: os militares mandam no país. O rei não é rainha da Inglaterra - ninguém opera contra o rei, mas ele não opera contra ninguém, salvo em caso de tentativa de mudança no principal, que é a estrutura de poder do país. Bhumipol: neto do rei do Sião, aquele da Ana.

Tailândia: o único país do sudeste asiático que nunca foi colonizado por nenhuma potência europeia. Um golpe de estado após o outro, o rei sempre lá.  O que muda a cada golpe: a facção militar dominante. O povo não palpita. O povo é cordeiro. O povo é um docinho. Como em tantos lugares.

Como aqui. Diferença enorme: a religião dominante é o budismo theravada, o mais antigo, o mais resignado, o mais submisso ao poder. O mais puro. Há quem diga: o mais belo.

O golpe mais recente, 2006, depõe um primeiro ministro recém-eleito. Ano seguinte: nova constituição, escrita pelos militares. Alguns não engoliram - red shirts, camisas vermelhas. Não são comunistas, são contra o eterno governo.

Acusação: há um conluio entre militares, judiciário, nobres, políticos, burocratas - uma ação entre amigos que mantém a riqueza da Tailândia na mão de poucos e ignora as necessidade e decisões democráticas da população. 2010: o pau come, 44 mortos, 400 feridos.

Hoje: 19 prédios queimam em Bangkok.

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