Dennis Hopper só não é uma lenda porque sobreviveu. Tivesse morrido duas semanas após o lançamento de Easy Rider, estaria lá no panteão, com seus chapas James Dean e Elvis.
Em vez disso viveu mais 40 anos após o momento decisivo de sua vida, empanturrado de drogas e álcool e relações perigosas. Nunca parou de trabalhar, quase sempre em filmes ruins.
Dirigiu dois memoráveis, Out of the Blue e Colors, dois mergulhos desesperados no espírito de cada época - no punk, no rap.
Já viu Easy Rider? É o filme menos hippie que você possa imaginar. O papo de paz e amor é retrocorreção. 1969 foi bem diferente de 1969, na Califórnia também.
Hopper e Peter Fonda fazem dois traficantes. Esses são os heróis. Os vilões são gente normal. Os vilões ganham no final.
Hopper era intenso. Hopper era estranho. Hopper era fotógrafo talentoso e pintor mediano. Hopper era encrenca.
Hopper era MUITO americano.
Dennis Hopper: “precisa mais que alugar Easy Rider na locadora da esquina para ser um rebelde.”
Vida não é passar a vida olhando para uma tela. A vida está lá fora mais que aqui.
Hopper viveu. Hopper vive. Não deixa herdeiros.
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