Você sabe o que é booster? E assento de elevação? Eu não sabia. São uns assentos pra menino grande usar em carro, para adaptar à altura do cinto. Tem todos os detalhes em um site do governo.
Descobri por que baixaram uma nova lei que exige que toda criança dos quatro aos sete anos e meio use uma coisa dessas. O uso é obrigatório a partir de junho. Só tem uns probleminhas.
Primeiro, não tem criança com seis anos de idade que use cadeirão no carro, imagine com sete. Meu filho tem seis e aposentou o cadeirão faz, sei lá, uns dois anos. Só anda de cinto no banco de trás e tal.
Tem pilhas de pesquisas indicando que cadeirinhas reduzem pouco ou nada o risco de acidentes graves. Pelo sim pelo não, Tomás sempre usou.
Ele está furioso de ter que voltar a sentar em cadeirão, e não adianta chamar de booster, dar um nome bonito, dizer que toda a molecada vai ter que usar. Já é um menino grande. Nessa idade eu ia para Porto Alegre todo ano no forninho do Fusca.
Eu expliquei para ele que é a lei. Ele retrucou: “essa lei é idiota e quem inventou é idiota.” Vai fazer um menino entender que a gente tem que obedecer leis idiotas além das leis boas também. Nem tento.
Missão impossível. E besta. Digo: “tem multa e a polícia vai encher nossa paciência.” E boa.
Segundo, que não tem booster à venda na cidade de São Paulo. Sério. Fucei por todo canto, internetei, telefonei. Não há. Se você sabe onde tem, agradeço a informação. Desconfio que a lei pintou de repente e os fabricantes e lojistas simplesmente não estavam preparadas para suprir a demanda - porque, obviamente, ninguém comprava esses boosters antes, porque é uma bobagem.
Agora, como cumprir a lei se não há o tal booster à venda? O Estado, vai desculpar, não pode me responsabilizar por isso. Imagine filho de pais separados? Se marcar cada criança precisa de dois boosters, um pra cada carro.
Terceiro, que tudo isso cheira muito mal. Cadeirinhas e Cadeirões e Boosters custam os olhos da cara. Pouca gente fabrica. Aparecer com essa obrigatoriedade de repente tem perfume de favorecimento.
Aguardo uma reportagem decente contando quem exatamente são os fabricantes de boosters, qual o volume de unidades fabricadas anualmente, quem são os donos, e quais são suas conexões políticas.
Eu fazer a matéria? Imagine. Não sou repórter, sou só mais um reclamão. Faço coro com meu filho: lei idiota.
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