
O primeiro político que eu ouvi sendo chamado de ladrão foi Paulo Maluf. Pelos adultos.
Eu era criança, uns 12 anos. De lá para cá, minha sensação é de que não passou um ano sem a gente ouvir alguma barbaridade a respeito de Paulo Maluf. Uma pior que a outra. E nada cola. Mr. Teflon.
Uns anos atrás ele puxou uma caninha rápida. Tinha Interpol atrás? Pedido de extradição? É sempre coisa feia, de desvio de dinheiro público, milhões, bilhões, não sei contar tão alto.
Virou sinônimo de surrupiar, “malufar”. Sabe a história da mulher de César? Não basta ser honesto. Tem que parecer honesto.
Um cara que parece ter aprontado muitas não poderia ser candidato, que dizer eleito.
Paulo Maluf pode perfeitamente ser um homem honesto. Se este for o caso, engana muito bem.
Até seus eleitores mais fiéis (essas bestas quadradas) votam nele explicando que “rouba mas faz”. E agora está ele aí todo pimpão, cantando vitória porque tem “ficha limpa”.
Outro dia traçavamos um cabrito com coradas e entra no restaurante um político lá e mais um coroa, acompanhados de duas garotas de programa - coisa fina. Meu chapa cravou, “é menina de mil reais pra cima”.
Eu estranhei, pô, o desgraçado é candidato, super conhecido, não tem vergonha de ser visto numa clássica cantina paulistana com duas piranhas de luxo?
Meu camarada riu, “se o Maluf não tem vergonha de sair na rua, não tem por que político ter vergonha de nada no Brasil”.
É. E é por essas e por outras que eu não voto.
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