
Muitas experiências nos amadurecem. Algumas nos rejuvenescem, ou pelo menos congelam nosso desenvolvimento. Quando eu tinha 12 anos, o lançamento do Falcon me manteve criança por pelo menos um ano mais.
Quando eu tinha dezessete, recém-entrado na faculdade, recém-mudado para São Paulo, um desenho animado manteve um pé meu na adolescência. Era Patrulha Estelar, uma saga especial japonesa, daquelas que não acabavam nunca.
Passava na hora H, uma e meia da tarde, horário perfeito para quem estudava de manhã e tinha que voltar da USP de ônibus, ou, vamos ser sinceros, para quem foi dormir às cinco da manhã e tinha acabado de acordar. Café, cigarros e Patrulha Estelar - o café da manhã dos campeões.
Meu primeiro ano em São Paulo foi estranho. Me peguei voltando a seguir séries, algumas bem bestas, o que tinha abandonado no colegial - Super Máquina etc. Mas Patrulha Estelar era bacana, minha favorita de longe, minha novelinha diária. Era 2199, a Terra estava sendo atacada pelos Gamilons, pelo Cometa Império, e lá ia a Argo, liderada por Derek Wildstar, salvar a todos nós.
O argumento ia e vinha e voltava, lealdades eram testadas, o drama era dramático, um vilão carismático se provava finalmente um herói - Deslock. E a nave! Um encouraçado afundado, transformado em nave espacial!
Era a típica animação japonesa moderna, como nunca tínhamos visto, no ocidente ou no Brasil. Mesmo que Patrulha Estelar, Star Blazers, já fosse uma edição americana do desenho original. Um tanto esterilizada, portanto, mais “segura” para as crianças. Foi suficiente. Fez escola. Seu sucesso no mercado norte-americano abriu portas para muitos outros animes.
Em 1983, eu não fazia ideia de que muita gente assistia Patrulha Estelar, muito menos “marmanjos” de 17 anos como eu, e não estava nem aí. Assisti tudo. E reprises. Senti falta quando acabou. Ignorei o culto à série até meus primeiros dias da revista Herói, quando conheci gente que era criança no início dos 80 e conhecia de cor cada reentrância de Patrulha Estelar - ou, como dizem os fãs sérios, Space Battleship Yamato, título original.
Uns anos atrás, fãs americanos da série festejaram a compra dos direitos para uma adaptação de grande orçamento, para a Disney. Eu não.
Adaptações infelizes de amores infanto juvenis doem de maneira desproporcional. A infidelidade aos originais é regra - por mim o responsável pelo recente Thunderbirds morria de catapora.
Mas festejo a chegada da velha Patrulha Estelar ao cinema por mãos japonesas. Yamato no Japão é mito. Fidelidade à criação original é lei, e aos desejos do criador, religião. O trailer me enche de esperança. Só a satisfação de desejos de moleque traz a verdadeira felicidade.
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