“A cidade me excita todos os dias, como uma nova namorada.” Namoro não - paixão é o termo exato para minha relação com Tanto Faz, o livro sagrado do meu segundo colegial.
Lia todo dia, relia, decorava passagens. Era aquilo que eu queria ser e escrever: um cara sem rumo nem prumo, sem eira nem beira, vagabundeando em Paris às custas de uma bolsa, com amigos chegados, namoradas catalãs sexy, tomando cerveja, fumando maconha. E o futuro que vá passear.
Tanto Faz é uma grande conversa mole, um grande papo do protagonista Ricardo consigo mesmo, com o amigão Chico, com gatas variadas, refugiados do mau humor e má consciência dos 70. Ainda jovens, vinte e tantos, entrando nos 80, outra década, outra vibração. Papo que marcou meus papos, imagens impressas no meu cérebro, prosa marginal de um garoto, só um teco mais velho que nós.
Não releio faz décadas, e agora, folheando, volto a 81, à namorada loira e sexy de 81 que nunca mais vi, ao melhor amigo de 81, que é irmão até hoje, ao sonho de zarpar de Piracicaba, que cristalizou em 81. Para onde? Para viver. E a vida? Vale.
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